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World Watch List 2016

A perseguição contra os cristãos no mundo cresceu 2,6% em 2015, de acordo com a World Watch List 2016, publicada pela organização Open Doors. Entre novembro de 2014 e novembro de 2015, foram assassinados 7.100 cristãos, contra 4.344 no ano precedente. Também cresceu o número de igrejas atacadas: foram mais de 2.400, contra 1.062 em 2014

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Obama and the Churches of Saudi Arabia

Next week the president visits the Kingdom. He should bring up its harassment of Christians.

When President Obama visits Saudi Arabia next week, he will have an opportunity to follow through on his inspiring words at the Feb. 6. National Prayer Breakfast. There, he told thousands of Christian leaders that “the right of every person to practice their faith how they choose” is central to “human dignity,” and so “promoting religious freedom is a key objective of U.S. foreign policy.”

A Saudi woman tries to choose a Valentine's Day teddy bears at a gift shop in the Saudi capital Riyadh, Saudi Arabia Friday Jan 30, 2009. Associated Press

A Saudi woman tries to choose a Valentine’s Day teddy bears at a gift shop in the Saudi capital Riyadh, Saudi Arabia Friday Jan 30, 2009. Associated Press

The freedom so central to human dignity is denied by the Kingdom. The State Department has long ranked Saudi Arabia among the world’s most religiously repressive governments, designating it a “Country of Particular Concern” under the International Religious Freedom Act. Yet the Obama administration, like its predecessors, has not pressed Riyadh to respect religious freedom.

Saudi Arabia is the only state in the world to ban all churches and any other non-Muslim houses of worship. While Saudi nationals are all “officially” Muslim, some two to three million foreign Christians live in the kingdom, many for decades. They have no rights to practice their faith. The Saudi government has ignored Vatican appeals for a church to serve this community, despite the fact that in 1973 Pope Paul VI approved a proposal for the Roman city council to donate city lands for a grand mosque in Rome. The mosque, opened in 1995, is among the largest in Europe.

Christian foreign workers in Saudi Arabia can only pray together clandestinely. Religious-police dragnets against scores of Ethiopian house-church Christians, mostly poor women working as maids, demonstrate the perils of worshiping: arrest, monthslong detention and abuse, and eventual deportation. The more fortunate do what I did when I visited three years ago—sneak off to pray in a windowless safe room behind embassy walls… LER +

The Wall Street Journal, by Nina Shea

Atacadas três igrejas e dois centros cristãos em Java

Indonésia: cresce a intolerância às minorias religiosas

Por Paul De Maeyer

ROMA, sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) – Na capital da Indonésia, Jacarta, foi aberta em 6 de fevereiro a “Semana para a Harmonia Inter-Religiosa”, iniciativa patrocinada pelas Nações Unidas, com uma cerimônia no estádio Istora Senayan, onde o Papa João Paulo II celebrou uma missa em 9 de outubro de 1989. Mas por trás dos discursos de cortesia e dos convites à tolerância recíproca, esconde-se uma realidade pouco amistosa.

Neste 8 de fevereiro, uma multidão de muçulmanos enfurecidos atacou e destruiu três igrejas em Te Mang Gung, capital de província de Java Central. Entre os alvos estavam a paróquia católica de São Pedro e São Paulo, um orfanato cristão e um posto de saúde das Irmãs da Providência. No ataque saiu ferido o pároco, Pe. Saldanha, missionário da Sagrada Família, enquanto tentava proteger o sacrário e a Eucaristia.

A ira da multidão foi suscitada pela condenação de um cristão acusado de proselitismo e blasfêmia, Antonius Richmond Bawengan, de 58 anos, a cinco anos de prisão, veredito considerado “suave demais”, já que era esperada a pena de morte. O homem, nascido na província de Sulawesi Setentrional, foi preso em outubro por distribuir material missionário, considerado ofensivo para o islã. A turba assaltou primeiro o tribunal, para depois se manifestar pelas ruas incitando à violência (Jakarta Globe).

“Estamos abalados. A violência nunca é uma boa solução. Pedimos a todos, muçulmanos e cristãos, que encarem todas as questões de forma civilizada e com espírito de fraternidade. Convido os fiéis católicos e todos os cristãos a não reagirem à violência. Queremos dar um sinal de paz para todos”, disse a Fides Dom Johannes Pujassumarta, arcebispo de Semarang e secretário da Conferência Episcopal da Indonésia (KWI, ou Konferensi Waligereja Indonesia), que falou de uma “violência planejada e orquestrada”. O arcebispo enviou também uma mensagem para os fiéis.

Suas palavras foram confirmadas pelo jesuíta Ignacio Ismartono, perito em Diálogo Inter-Religioso. “O aumento da intolerância – num contexto como o da Indonésia, caracterizado pela convivência pacífica – leva a pensar que existem forças obscuras querendo alimentar a tensão na sociedade. A violência em Te Mang Gung tinha sido preparada dias antes, mas a polícia não fez nada para prevenir as ações”, contou a Fides.

Tudo indica que no país muçulmano mais populoso do globo, com 220 milhões de habitantes, os ataques e os atos de intolerância às minorias religiosas estão aumentando. A última pesquisa a respeito foi publicada dias antes pelo Setara Institute for Democracy and Peace. Com os dados coletados pelo instituto, com sede em Jacarta, pode-se constatar que no transcurso de 2010 houve na Indonésia pelo menos 216 violações à liberdade religiosa e de culto.

Destes, 91 casos ocorreram na parte ocidental de Java – a ilha principal e mais populosa do arquipélago – e 28 na parte oriental; 75 foram contra as confissões cristãs. Segundo o instituto, há um gritante aumento em comparação com o ano anterior, quando foram apenas 12. De acordo com a Compass Direct News (3 de fevereiro), 43 destes 75 casos foram ataques contra locais de culto e outras ameaças à segurança.

Os autores destes atos de violência são, na maioria, membros de movimentos radicais muçulmanos. Segundo Ismail Hasani, pesquisador do Setara Institute, destacam-se o Islamic Defenders Front (FPI) e o Islamic People’s Forum (FUI), responsáveis, respectivamente, por 17 e 11 incidentes desse tipo.

Uma das dificuldades que as diversas denominações cristãs encontram na Indonésia é conseguir autorização para construir novos locais de culto ou fazer trabalhos de reconstrução.

É emblemático o caso da igreja protestante Taman Yasmin, em Bogor, Java Ocidental, cujas obras foram embargadas pelas autoridades locais a pedido do FUI. Nem uma sentença do Tribunal Supremo da Indonésia, em 14 de janeiro, conseguiu desbloquear a situação. Como conta o Jakarta Post (29 de janeiro), a comunidade protestante de Bogor pediu agora aos juízes supremos uma cópia oficial da sentença, com a esperança de calar os clamores dos extremistas.

Depois da comunidade cristã, a minoria religiosa mais exposta a violações e abusos na Indonésia é a seita muçulmana dos ahmadiyya (ou Ahmadi), considerados “hereges” ou “apóstatas”, porque dizem que Maomé não é o último profeta. Segundo dados do Instituto Setara, esta minoria, que na Indonésia tem cerca de 200.000 seguidores, sofreu 50 ataques em 2010.

O último e gravíssimo episódio foi no domingo 6 de fevereiro, quando um grupo de quase 1.500 pessoas (armadas com barras de ferro e facões) assaltou a casa de um chefe desta minoria no povoado de Cikeusik, na província de Banten (extremo-oeste de Java). Segundo a Associated Press (6 de fevereiro), o ataque deixou três mortos e seis feridos, dos quais quatro em estado extremamente grave.

Como em outros países muçulmanos, os dirigentes das minorias e os grupos pró-direitos humanos denunciam a passividade, às vezes conivência ou cumplicidade, das autoridades com os radicais, com frequência por motivos eleitorais. O bispo de Padang, Dom Martinus Dogma Situmorang, lançou recentemente uma severa advertência a este respeito e definiu como “preguiçosa” a resposta do governo aos verdadeiros problemas do país. Segundo o prelado, “uma crise moral” assola a Indonésia, junto com o aumento da intolerância, fenômeno perante o qual a Igreja não pode permanecer em silêncio (AsiaNews, 1 de fevereiro).

Muitos observadores criticam, também, o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono (conhecido apenas como SBY). Segundo Hasani, do Setara Institute, o presidente finge não ver as violações da liberdade religiosa no país. Durante um encontro com representantes da Igreja, o líder declarou com orgulho, no último 21 de janeiro, que durante a sua administração não tinha havido sérios abusos contra os direitos humanos. “Pelo contrário”, afirmou Hasani: “Não houve iniciativas ou progressos significativos para superar os abusos que a Igreja enfrentou” (Compass Direct News, 3 de fevereiro).

Os últimos acontecimentos obrigaram o presidente a reagir. O ministro de Assuntos Políticos, Legais e de Segurança, Djoko Suanto, difundiu um comunicado de Yudhoyono. “O presidente denuncia o ato anárquico perpetrado por um grupo de pessoas que atacaram lugares de culto e outras estruturas em Te Mang Gung”. A polícia de Java Central recebeu a ordem de identificar os responsáveis e levá-los aos tribunais. Segundo o Jakarta Globe, a polícia prendeu nas últimas horas o primeiro suspeito.

A Agenda Europa

Abolir as raízes cristãs da sociedade europeia é um atentado cultural mas é também alinhar com a perseguição que se abate sobre os cristãos que são hoje as maiores vítimas das perseguições do Mundo.

A Agenda da UE teve este ano uma importante novidade: a referência no calendário anual das festas religiosas de diversas religiões, excluindo as datas de referência do cristianismo. Nem Natal, nem Páscoa! O dia 25 de Dezembro é tão-só o dia 25 de Dezembro

Os factos são conhecidos. A Comissão Europeia mandou imprimir três milhões de agendas para oferecer a outros tantos alunos e professores de escolas dos países que compõem a União Europeia. Esta agenda, cheia de informações, teve este ano uma importante novidade: a referência no calendário anual das festas religiosas de diversas religiões, excluindo as datas de referência do cristianismo. Nem Natal, nem Páscoa! O dia 25 de Dezembro é tão-só o dia 25 de Dezembro.

Numa Europa berço da civilização ocidental, filha directa do cristianismo, ensina-se às crianças as datas referência, esquecendo as cristãs, apagando as suas origens, base da sua cultura e da sua matriz genética, definidora e diferenciadora, formadora do conjunto cultural do velho continente. Um espanto. Protestaram diversos países como a Itália, a Polónia, o vice-ministro francês, entre outros, e a Comissão Europeia decidiu publicar oito milhões de erratas para distribuir às escolas que tinham recebido as agendas.

É evidente que os responsáveis pelo facto não o fizeram por esquecimento. Ninguém se esquece que dia 25 de Dezembro não é um dia qualquer do calendário, e nenhum europeu se lembra dos dias festivos dos muçulmanos ou dos budistas e não se recorda dos dias que lhe marcam o seu próprio calendário. É óbvio que se tratou de um apagar deliberado do cristianismo, o que é em si mesmo o sinal da mais brutal intolerância como é, igualmente, um sinal de obscurantismo e de ignorância. É, sobretudo, um profundo gesto de hostilidade para com os cristãos.

Muitas vezes, na história da Europa, se tentou apagar as referências ao cristianismo. Os jacobinos franceses tentaram substituir o calendário gregoriano e impor o “Calendário Revolucionário Francês”, mudando assim a nomenclatura dos dias e obviamente os feriados católicos e a referência ao nascimento de Cristo. Dessa revolução, no que respeita à agenda resta a referência ao 18 de Brumário e não sobrou nenhum dia feriado dos 5 “sans-culottes”. Mesmo em Portugal, abundaram as tentativas, a mais ridícula das quais foi certamente a proibição do bolo-rei e sua substituição pelo bolo da República.

Abolir as referências cristãs na Europa é fazer esquecer que na origem de muito do que de melhor existe na civilização ocidental tem origem no cristianismo. Na Igreja Católica nasceu a sistematização das primeiras universidades, os primeiros hospitais, os livros que permitiram salvaguardar o essencial da cultura clássica, as misericórdias, a assistência social e um inquestionável património artístico.

Abolir as raízes cristãs da sociedade europeia é um atentado cultural mas é também alinhar com a perseguição que se abate hoje sobre os cristãos que são hoje as maiores vítimas das perseguições do Mundo. No Parlamento Europeu foi recordado que 75% das perseguições religiosas que hoje acontecem são contra cristãos. No Iraque, no Egipto, na Índia, na Nigéria, nas Filipinas, no Irão, em Chipre ou na China, recordam só alguns casos dramáticos recentes. Alguns silêncios escandalosos de autoridades e organizações humanitárias tão prontos a falar de outras perseguições raia o escândalo. Quantas vezes o silêncio cala a denúncia e a hostilidade substitui a solidariedade com as vítimas?

A agenda da Comissão Europeia não tinha uma falha, um esquecimento, que uma errata ou oito milhões de erratas supere. A Agenda Europeia só me fez lembrar a história que se contava há anos, antes da queda do comunismo: uma guia do Museu Hermitage, perante um quadro de uma Anunciação, explicava aos visitantes que o quadro representava o que acontecia no tempo dos czares, com uma camponesa forçada a ajoelhar perante uma representante da nobreza…

Felizmente, a Agenda Europa já nem no Hermitage pode ser oferecida.

Zita Seabra (in JN)

Eurodeputados condenam perseguições contra cristãos

O Parlamento Europeu adoptou uma resolução que condena os recentes ataques contra cristãos no Egipto, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Chipre, Irão e Iraque. Os deputados pedem, ainda, que o próximo conselho dos negócios estrangeiros, marcado para 31 de Janeiro, discuta “a perseguição aos cristãos e o respeito pela liberdade religiosa” no mundo.A resolução, que se centra na situação do Médio Oriente, denuncia a “instrumentalização da religião em vários confl itos políticos” e apela a uma estratégia que vise reforçar o direito humano à liberdade religiosa, incluindo uma lista de medidas contra Estados que não a respeitem.

Os recentes ataques contra cristãos no Médio Oriente, em particular no Iraque e no Egipto, estiveram em debate no hemiciclo de Estrasburgo, durante a primeira sessão plenária de 2011.

Deputados de todos os grupos políticos uniram-se para condenar a violência contra cristãos e qualquer “violência exercida com base na religião”.

Na quarta-feira, Catherine Ashton, Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, abriu o debate afi rmando que “a União Europeia não vai fechar os olhos” à perseguição de cristãos em todo o mundo. Ashton condenou os recentes ataques terroristas no Iraque e no Egipto, e o assassinato de Salman Taseer, governador do Punjab, Paquistão, no dia 4 de Janeiro.

O eurodeputado italiano Fiorello Provera (Europa da Liberdade e da Democracia) falou numa “discriminação sistemática de cristãos em todo o Médio Oriente”. De acordo com Provera, as políticas iraquianas nesta matéria e a violência associada às mesmas já foram responsáveis pela saída de 600 mil cristãos do país, nos últimos anos.

A resolução lembra, entre outros casos, a interrupção, pela força, da Missa de Natal celebrada pelos 300 cristãos que permanecem na parte norte do Chipre, por parte das autoridades turcas. A 10 de Janeiro, no seu encontro anual com os membros do corpo diplomático, no Vaticano, Bento XVI apelou à defesa concreta da liberdade religiosa em todo o mundo, condenando as “numerosas situações” nas quais esse direito “ é lesado ou negado”.

Papa condena «vil» atentado contra cristãos no Egipto

 Cidade do Vaticano, 02 Jan (Ecclesia) – Bento XVI condenou hoje o “vil” atentado que matou 21 cristãos no primeiro dia do novo ano, à saída de uma igreja no Egipto.

“Ontem de manhã (1 de Janeiro, ndr), soube com pesar da notícia do grave atentado contra a comunidade cristã copta que teve em lugar em Alexandria, do Egipto. Este vil gesto de morte, como o de colocar bombas junto das casas dos cristãos no Iraque para os obrigar a sair, ofende Deus e a humanidade inteira”, disse.

O Papa falava depois da recitação do Angelus, na Praça de São Pedro, no Vaticano, diante de milhares de peregrinos.

O atentado cometido no último Sábado, em Alexandria do Egipto, cerca de 200 quilómetros a norte do Cairo, aconteceu à saída de uma igreja copta, provocando a morte de 21 fiéis e ferindo dezenas de pessoas.

Bento XVI falou de uma “estratégia de violência que toma como alvo os cristãos, e tem consequências sobre toda a população”.

“Rezo pelas vítimas e seus familiares e encorajo as comunidades eclesiais a perseverarem na fé e no testemunho de não violência que nos vem do Evangelho”, prosseguiu.

Neste contexto, Bento XVI recordou também os “numerosos agentes pastorais assassinados em 2010 em várias partes do mundo”, os quais, segundo a agência Fides, do Vaticano, foram 23, entre bispos, padres, religiosos e leigos.

“A eles vai igualmente a nossa afectuosa recordação diante do Senhor. Permaneçamos unidos em Cristo, nossa esperança e nossa paz”, pediu o Papa.

Bento XVI falou também, via satélite, às pessoas reunidas em Madrid, para uma manifestação intitulada “A família cristã, esperança para a Europa”, para celebrar o valor do matrimónio e da família.

“Queridos irmãos, convido-vos a serdes fortes no amor e a contemplar com humildade o mistério do Natal, que continua a falar ao coração e se converte em escola de vida familiar e fraterna”, indicou.

O Papa considerou que as famílias devem ser “autênticos santuários de fidelidade, respeito e compreensão, onde se transmite também a fé, se fortalece a esperança e se revigora a caridade”.

“Encorajo todos a viver com renovado entusiasmo a vocação cristã no seio do lar, como genuínos servidores do amor que acolhe, acompanha e defende a vida”, concluiu.

A iniciativa, que decorreu pelo segundo ano consecutivo, foi convocada pela diocese de Madrid e juntou milhares de participantes nos arredores da «Plaza de Colón».

 

(fonte: Ecclesia)

História trágica de perseguição religiosa

Nesta quadra natalícia vem a propósito lembrar as mulheres e os homens que sofrem por acreditarem em Deus. Não apenas dos cristãos que têm de celebrar o Natal às escondidas e com medo. Mas de todos os crentes que são perseguidos e humilhados em virtude da sua fé.

Em todos os cantos da terra repete-se vezes sem conta a mesma história trágica de perseguição religiosa. A liberdade religiosa, a liberdade de professar a sua crença sem constrangimentos de qualquer sorte, é ainda hoje, em pleno século XXI, uma miragem para muitos seres humanos.

Nalguns países, como a China, a opressão é imposta pelo Estado. A “igreja católica oficial” é controlada administrativamente pelas autoridades públicas chinesas, com uma intromissão inadmissível na nomeação dos sacerdotes, na administração do património eclesiástico e na imprensa e no ensino religiosos. Pequim não se coibiu mesmo de nomear quatro bispos “católicos” que não são reconhecidos pelo Vaticano. Como não teve qualquer pudor em destruir o famoso santuário de Nossa Senhora de Dong Lu in Hebei, local de veneração de mártires católicos. Os cinco milhões de católicos chineses não são livres de professar a sua fé, tendo de suportar uma constante vigilância do Estado, através da designada “associação patriótica católica chinesa”, instituída pelo Estado chinês em 1957 como a “igreja católica oficial”. A verdade é triste: a Igreja Católica, os seus bispos, religiosos e leigos fiéis ao Vaticano têm de sobreviver na clandestinidade, celebrar o culto na privacidade das suas casas, baptizar os seus filhos e receber a extrema-unção às escondidas. Nesta conjuntura adversa, não pode deixar de ser sublinhada a coragem de homens como o cardeal Zen de Hong Kong, que dirigiu uma carta aos católicos chineses no sentido de se manterem fiéis ao Vaticano, apesar das pressões governamentais. Trata-se de um exemplo de coragem. Como o foram também a vida dos falecidos bispos Ignatius Kung e Yao Liang, que passaram mais de 30 anos, o primeiro, e 28 anos, o segundo, nas prisões chinesas por se terem mantido fiéis ao Vaticano. Como o são ainda hoje o sofrimento dos bispos católicos Su Zhimin, An Shuxin e Shi Enxiang e muitos outros religiosos presos em isolamento total e em lugar desconhecido, nos termos reconhecidos pela resolução do Parlamento Europeu de 8 de Junho de 2005.

Noutros países, a violência religiosa é ainda mais ostensiva. No Iraque, no Irão ou no Afeganistão, os cristãos são alvo predilecto de facções islâmicas radicais, que não toleram a presença de outra confissão religiosa. Os maus tratos e mesmo a morte, sem qualquer outro motivo que não seja a perseguição religiosa cega, marcam o quotidiano dos fiéis cristãos nestes países. É verdadeiramente um acto de heroísmo diário ser cristão nestas paragens.

Por fim, noutros países ainda, os crentes, seja qualquer for a sua fé, são discriminados pelo simples facto de serem crentes. Na Europa e na América, a liberdade religiosa que tanto custou a ganhar ainda não é respeitada em toda a sua plenitude. É certo que ela não é infringida com a violência física sobre os crentes e com a repressão estadual das igrejas. Mas é-o com a discriminação dos credos e dos crentes. É responsabilidade de todas as mulheres e homens de coração recto e tolerante pôr cobro a esta situação, denunciando e corrigindo injustiças e desigualdades. Quando o fizerem, estão a lutar pela dignidade humana.

Paulo Pinto de Albuquerque – no DN

A convivência religiosa está ameaçada no Egipto

Dois mortos, cerca de 50 feridos (incluindo 7 oficiais e 11 policiais) e mais de 150 pessoas detidas: este é o balanço dos confrontos entre manifestantes coptas e as forças da ordem, ocorridos recentemente na sede do governo de Gizé, ao sul do Cairo.

O protesto, que contou com a presença de cerca de dois mil membros da comunidade copta, segundo a agências AsiaNews (25 de Novembro), foi causado pelas contínuas tentativas das autoridades locais de impedir o trabalho da nova igreja dos Santos Maria e Miguel, em fase de conclusão na área de Talbiya, na região das Pirâmides.

Conorme relatado pela agência AsiaNews, desde o início de Novembro, as autoridades locais tentam impedir, com vários pretextos legais, as últimas obras do edifício. Apesar de a comunidade copta sustentar que tem todos os documentos correctos e as autorizações necessárias para completar a estrutura, segundo as autoridades locais, as licenças em questão não falam de uma igreja, mas de um centro social.

Na região, vive, de facto, quase um milhão de coptas, mas não há nenhuma igreja, excepto a que está em obras. De acordo com um relatório do governo, em todo o Egipto há 93 mil mesquitas, mas apenas 2 mil igrejas.

O protesto, que reflecte a crescente raiva e frustração por parte dos cristãos, chega em um momento difícil das relações entre a Igreja copta e a maioria muçulmana. Os coptas, que constituem uma das mais antigas comunidades cristãs do Oriente Médio e certamente hoje a mais numerosa, realmente se consideram cidadãos de segunda classe em seu país. De fato, nos últimos meses, têm aumentado as tensões entre as duas comunidades.

Um exemplo da atmosfera explosiva é a notícia transmitida em 16 de Agosto pela imprensa egípcia, segundo a qual as forças de segurança interceptaram um navio com “explosivos” (na verdade, eram fogos de artifício) procedentes de Israel e pertencentes a Joseph Boutros Al-Jabalawi, filho de um líder da Igreja copta em Port Said.

Um mês depois, no entanto, estourou o “caso Bishoy”. Em entrevista ao jornal egípcio Al-Masri Al-Yawm, o bispo Anba Bishoy, secretário do Santo Sínodo e número 2 da Igreja copta, disse que os muçulmanos são “hóspedes” no Egipto.

A partir da polémica, o Centro de Pesquisa Islâmico publicou um comunicado – apoiado pelo grão-mufti do Egito, Ali Gomaa – no qual se declara que o Egipto é “um Estado muçulmano”. Já em 1980, a Assembleia Nacional declarou o Islão como religião do Estado (Compass Direct News, 22 de Novembro).

O mais preocupante agora é que o clima tenso no Egipto, com suas acusações, alimentadas por supostos ataques contra o Islão, torna-se para a galáxia do terrorismo islâmico internacional uma desculpa fácil para atacar os cristãos presentes no mundo árabe, como já acontece em outros lugares.

Depois do ataque no Iraque, em 31 de Outubro, as autoridades egípcias reforçaram as medidas de segurança em torno das igrejas. Os chefes de várias igrejas reuniram-se a 8 de Novembro para discutir a questão da segurança dos fiéis, e o próprio Papa Shenouda III cancelou a celebração do 39º aniversário da sua eleição (Compass Direct News, 22 de Novembro).

Tudo isso acontece, portanto, em um momento muito delicado para o Egipto. No Domingo, dia 5 de Dezembro, foi realizada a segunda volta das eleições legislativas, boicotadas pelas principais formações da oposição islâmica e leiga. Enquanto a ONG Independent Coalition for Elections’ Observation lançou um apelo ao presidente Hosni Mubarak para anular a votação, segundo os resultados preliminares, o Partido Nacional Democrático (NDP) de Mubarak obteria pelo menos 80% dos assentos no Parlamento do Cairo (Reuters, 6 de dezembro).

Em qualquer caso, na nova assembleia, os representantes da minoria copta serão poucos. Na melhor das hipóteses, serão, no máximo, 5 (de um total de 508 assentos, ou seja, apenas 1%); e no pior dos casos, apenas 2, segundo revela o Al-Ahram Weekly (5 de Dezembro), em um artigo com título eloquente: “Egypt elections obliterate Coptic voice”.

(Paul De Maeyer – Zenit)

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