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Cardeal Sandri defende liberdade religiosa no Egito

ImagemTerminou na última sexta-feira a visita ao Egito realizada pelo cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, iniciada no dia da Epifania como parte das iniciativas para celebrar o Ano da Fé.

Nestes cinco dias, o cardeal Sandri se concentrou nas questões de liberdade religiosa e de acolhimento mútuo. Na quarta-feira, em reunião com os líderes das atividades apostólicas do país, Sandri elogiou a sua “disposição pessoal para servir a Igreja” e o seu compromisso para que “a vida da comunidade católica no Egito anuncie o Filho de Deus, através da vida sacramental, da catequese e da caridade, especialmente no cuidado, na educação e no serviço concreto a tantos irmãos e irmãs”.

Quanto ao momento difícil que a liberdade religiosa está vivendo no Egito, o cardeal pediu: “Queridos amigos, façamos também nós a parada no oásis de Elim, mencionada no livro do Êxodo, para que a fé seja fortalecida com a contemplação da beleza da amizade com Deus, apesar das sérias preocupações do tempo presente para os cristãos do Oriente Médio e da sua amada terra natal”.

Em Alexandria, o cardeal se reuniu com religiosos egípcios do Sagrado Coração e com os franciscanos missionários do Coração Imaculado de Maria. Depois, consagrou a igreja de Sharm El Sheik, que contou com o apoio da comunidade eclesial local, da nunciatura apostólica e de agências de apoio pertencentes à ROACO (Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais), da qual o prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais é presidente.

Ao confiar as atividades apostólicas do Ano da Fé aos respectivos responsáveis, o cardeal Sandri recomendou “crescer na consciência do dom recebido, intensificando especialmente a vida sacramental pessoal e comunitária”.

O Ano da Fé será uma oportunidade para “renovar o impulso missionário”, marcado pela presença de muitas religiões diferentes no Egito. A este respeito, o cardeal expressou a esperança de que nunca falte a liberdade religiosa e de que “os cristãos também tenham a garantia do respeito pelas suas crenças religiosas”.

Durante o encontro com os fiéis na catedral latina do Cairo, Sandri destacou a intensificação das relações ecumênicas, seladas por reuniões com o patriarca greco-ortodoxo de Alexandria, Teodoro, e com o patriarca copta-ortodoxo Tawadros.

Sobre o papel da Santa Sé, o cardeal explicou que, longe de ser uma potência mundial, ela tem como principal objetivo a liberdade da Igreja e a busca da paz e do respeito pela dignidade da pessoa. E acrescentou que “a perseguição e o martírio são a força da Igreja”.

fonte Zenit.org

Coptos na Alemanha rezam pela liberdade religiosa da comunidade cristã egípcia

Centenas de pessoas se reuniram na igreja copto-ortodoxa de São Marcos em Frankfurt para rezar pelas 23 vítimas do atentado do último 31 de dezembro contra um templo copto em Alexandria e rezaram pela liberdade religiosa da golpeada comunidade cristã no Egito.

Conforme informa a associação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), líderes ortodoxos, católicos, protestantes, políticos, famílias e centenas de pessoas participaram da cerimônia do sábado 8 de janeiro, durante a qual o Bispo Anba Damião, cabeça dos coptos-ortodoxos na Alemanha pediu pelos direitos dos cristãos egípcios, alvos de ataques de extremistas muçulmanos.
“Nosso país foi refúgio de Jesus Cristo, sua família e de muitos profetas”, recordou o Bispo e acrescentou que “antigamente fomos senhores em nossa terra, hoje só queremos viver como cidadãos com todos os direitos e obrigações que os demais”.

O Bispo explicou que, antes de poder construir uma igreja cristã no Egito, são construídas 16 mesquitas, e para obter uma licença de obra para erigir uma igreja é preciso que “ter muita paciência”.

O líder copto-ortodoxo recordou que “querer ser cristão não é um ato delitivo!” e “as pessoas estão cansadas de belas palavras; elas querem atos” por isso pediram ao Governo egípcio que sancione os responsáveis pelo atentado porque caso contrário isto dará “luz verde aos terroristas”.

O prelado também pediu uma compensação para as famílias das vítimas e “medidas preventivas, para que algo assim não volte a acontecer”.

Em declarações à AIS, o Bispo assegurou que no Egito os coptos enfrentam hostilidade desde criança. São chamados “ossos azuis”, um insulto que alude às marcas dos golpes que, durante séculos, receberam.

“Conosco, as crianças aprendem desde pequenos a viverem com a cruz”, explicou o bispo e assegurou que os coptos “somos uma Igreja de mártires”, por isso “ninguém pode causar-nos medo. Nossos fiéis rezarão, mesmo que celebrem sua última Missa, porque o sangue dos mártires é a semente da Igreja”.

Entretanto, ele recordou que as pessoas têm “direito a ser protegidas” e considerou que as palavras de ânimo do Papa Bento XVI serviram para “aliviar muitas dores”.

Líderes católicos, ortodoxos e protestantes, participaram da cerimônia junto a destacados políticos, representantes do Conselho Central dos Muçulmanos na Alemanha e centenas de convidados que se solidarizaram com a comunidade copta.

A convivência religiosa está ameaçada no Egipto

Dois mortos, cerca de 50 feridos (incluindo 7 oficiais e 11 policiais) e mais de 150 pessoas detidas: este é o balanço dos confrontos entre manifestantes coptas e as forças da ordem, ocorridos recentemente na sede do governo de Gizé, ao sul do Cairo.

O protesto, que contou com a presença de cerca de dois mil membros da comunidade copta, segundo a agências AsiaNews (25 de Novembro), foi causado pelas contínuas tentativas das autoridades locais de impedir o trabalho da nova igreja dos Santos Maria e Miguel, em fase de conclusão na área de Talbiya, na região das Pirâmides.

Conorme relatado pela agência AsiaNews, desde o início de Novembro, as autoridades locais tentam impedir, com vários pretextos legais, as últimas obras do edifício. Apesar de a comunidade copta sustentar que tem todos os documentos correctos e as autorizações necessárias para completar a estrutura, segundo as autoridades locais, as licenças em questão não falam de uma igreja, mas de um centro social.

Na região, vive, de facto, quase um milhão de coptas, mas não há nenhuma igreja, excepto a que está em obras. De acordo com um relatório do governo, em todo o Egipto há 93 mil mesquitas, mas apenas 2 mil igrejas.

O protesto, que reflecte a crescente raiva e frustração por parte dos cristãos, chega em um momento difícil das relações entre a Igreja copta e a maioria muçulmana. Os coptas, que constituem uma das mais antigas comunidades cristãs do Oriente Médio e certamente hoje a mais numerosa, realmente se consideram cidadãos de segunda classe em seu país. De fato, nos últimos meses, têm aumentado as tensões entre as duas comunidades.

Um exemplo da atmosfera explosiva é a notícia transmitida em 16 de Agosto pela imprensa egípcia, segundo a qual as forças de segurança interceptaram um navio com “explosivos” (na verdade, eram fogos de artifício) procedentes de Israel e pertencentes a Joseph Boutros Al-Jabalawi, filho de um líder da Igreja copta em Port Said.

Um mês depois, no entanto, estourou o “caso Bishoy”. Em entrevista ao jornal egípcio Al-Masri Al-Yawm, o bispo Anba Bishoy, secretário do Santo Sínodo e número 2 da Igreja copta, disse que os muçulmanos são “hóspedes” no Egipto.

A partir da polémica, o Centro de Pesquisa Islâmico publicou um comunicado – apoiado pelo grão-mufti do Egito, Ali Gomaa – no qual se declara que o Egipto é “um Estado muçulmano”. Já em 1980, a Assembleia Nacional declarou o Islão como religião do Estado (Compass Direct News, 22 de Novembro).

O mais preocupante agora é que o clima tenso no Egipto, com suas acusações, alimentadas por supostos ataques contra o Islão, torna-se para a galáxia do terrorismo islâmico internacional uma desculpa fácil para atacar os cristãos presentes no mundo árabe, como já acontece em outros lugares.

Depois do ataque no Iraque, em 31 de Outubro, as autoridades egípcias reforçaram as medidas de segurança em torno das igrejas. Os chefes de várias igrejas reuniram-se a 8 de Novembro para discutir a questão da segurança dos fiéis, e o próprio Papa Shenouda III cancelou a celebração do 39º aniversário da sua eleição (Compass Direct News, 22 de Novembro).

Tudo isso acontece, portanto, em um momento muito delicado para o Egipto. No Domingo, dia 5 de Dezembro, foi realizada a segunda volta das eleições legislativas, boicotadas pelas principais formações da oposição islâmica e leiga. Enquanto a ONG Independent Coalition for Elections’ Observation lançou um apelo ao presidente Hosni Mubarak para anular a votação, segundo os resultados preliminares, o Partido Nacional Democrático (NDP) de Mubarak obteria pelo menos 80% dos assentos no Parlamento do Cairo (Reuters, 6 de dezembro).

Em qualquer caso, na nova assembleia, os representantes da minoria copta serão poucos. Na melhor das hipóteses, serão, no máximo, 5 (de um total de 508 assentos, ou seja, apenas 1%); e no pior dos casos, apenas 2, segundo revela o Al-Ahram Weekly (5 de Dezembro), em um artigo com título eloquente: “Egypt elections obliterate Coptic voice”.

(Paul De Maeyer – Zenit)

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