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Não há liberdade religiosa na Coreia do Norte

AIS_CoreiaNorte_14.08.2014

“O único deus na Coreia do Norte é Kim Il Sung, Kim Jong Il e Kim Jong Un. Quem não acredita neles é perseguido”

O Papa Francisco chegou a Seul nesta quinta-feira para uma visita de quatro dias à Coreia do Sul. Um grupos de activistas dos direitos humanos publicou uma carta de boas-vindas ao Papa e pedem-lhe que chame à atenção do mundo para os graves abusos que ocorrem no país vizinho.

Reproduzimos o conteúdo da carta:

Boas-vindas ao Papa Francisco na Coreia
Recebemos com todo o coração o Papa Francisco na Coreia do Sul.
As palavras do Papa Francisco, “O Papa deve servir a todas as pessoas, especialmente aos pobres, aos fracos, aos vulneráveis“, bem como as suas ações, inspiraram milhões de pessoas. Os trinta mil desertores norte-coreanos que residem atualmente na Coreia do Sul também foram impactados pelo amor do Papa Francisco pela humanidade e perseveram apesar dos obstáculos que enfrentam.

A tragédia com o ferry Sewol deixou a Coreia do Sul em luto nacional. Como o Papa Francisco tem pedido, nós, os desertores norte-coreanos, não nos esquecemos de rezar pelas vítimas e pelas suas famílias. Derramamos lágrimas pelos estudantes falecidos.

Inevitavelmente, o desastre do ferry Sewol lembrou-nos de outra tragédia que está ocorrendo hoje na Coreia do Norte.

Assim como as vítimas da tragédia do Sewol, 25 milhões de norte-coreanos são impedidos de escapar da balsa chamada Coreia do Norte e continuam presos, aguardando lentamente a morte. Os norte-coreanos presos gritam pela nossa ajuda. É comum que famílias inteiras na Coreia do Norte morram de fome e não tenham liberdade para se deslocar dentro do país. Infelizmente, muitos norte-coreanos que tentaram fugir do ‘ferry da Coreia do Norte’ correm o risco da execução pública ou de viver o resto da vida num campo de prisioneiros políticos.

Além disso, não há liberdade religiosa na Coreia do Norte. As pessoas da Coreia do Norte não podem acreditar em Deus nem em Jesus Cristo. O único deus na Coreia do Norte é Kim Il Sung, Kim Jong Il e Kim Jong Un. Qualquer um que não acredite neles é perseguido, sofre execuções públicas ou condenações nos campos de prisioneiros políticos.

O primeiro passo para se fugir da Coreia do Norte é atravessar a fronteira com a China. Mas quando esses norte-coreanos são apanhados pela polícia chinesa são repatriados de volta para o regime. Os desertores norte-coreanos repatriados são então condenados por traição e executados publicamente ou enviados para os campos de prisioneiros políticos. Precisamos, portanto, de fazer com que o governo chinês pare de repatriar os desertores norte-coreanos.

A Comissão das Nações Unidas de Investigação dos Direitos Humanos na República Popular Democrática da Coreia fez um apelo à comunidade internacional para tomar medidas imediatas contra as violações dos direitos humanos na Coreia do Norte, afirmando: “Os crimes do regime da Coreia do Norte são tão assustadores quanto os dos nazis“. Navi Pillay, do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, afirmou que não devemos atrasar a ação, porque as violações dos direitos humanos na Coreia do Norte são graves e generalizadas.
Apelamos sinceramente ao Papa Francisco.

Por favor, ore pelas pessoas da Coreia do Norte, pelos desertores norte-coreanos perdidos na China e pelos duzentos mil prisioneiros dos campos de concentração de presos políticos na Coreia do Norte, para que fiquem livres da ditadura e da opressão, desfrutem da liberdade e vivam como seres humanos. Peça também, por favor, a atenção do planeta para os direitos humanos na Coreia do Norte, de modo que muitas pessoas no mundo se conscientizem da situação dos direitos humanos na Coreia do Norte. Por favor, mande uma mensagem forte sobre a liberdade religiosa ao regime norte-coreano, para que o coração de muita gente na Coreia do Norte seja aliviado. Por fim, pedimos a sua forte oração pela reunificação da Península Coreana e pela liberdade do povo norte-coreano.

Nosso sincero agradecimento.
Atenciosamente,

Associação Cristã Norte-Coreana
Centro PEN de Escritores Norte-Coreanos no Exílio
Rádio Reforma da Coreia do Norte
Comitê para a Democratização da Coreia do Norte
Fórum da Juventude pela Democratização da Coreia do Norte
Aliança de Jovens Desertores Norte-Coreanos pelos Direitos Humanos
Frente de Libertação do Povo da Coreia do Norte
Centro de Estratégia da Coreia do Norte
Sociedade de Camaradas Sungwei
Associação pelo Sucesso da Reunificação Coreana (PSCORE)
Instituto Mundial de Estudos sobre a Coreia do Norte
Associação de Vigilância da Coreia do Norte
Intelectuais Solidários da Coreia do Norte
Rádio Coreia do Norte Livre
Guerreiros da Liberdade da Coreia do Norte
Associação Coreia do Norte Livre
Associação Coreana de Direitos Humanos dos Refugiados da Coreia do Norte
Associação dos Direitos Humanos das Mulheres Refugiadas Norte-Coreanas
Associação dos Desertores Norte-Coreanos
Associação Hana de Mulheres

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A ONU é favorável ou contrária aos cristãos?

 Relatórios apontam favorecimento de um lado e perseguição de outro


Relatórios apontam favorecimento de um lado e perseguição de outro

O recente relatório “ONGs religiosas e as Nações Unidas” afirma que as ONGs cristãs continuam a ser maioritárias, o que gerou crítica de outros grupos religiosos. Oficialmente, mais de 70% das ONGs religiosas ligadas à ONU são cristãs, afirma o estudo liderado pelo professor Jeremy Carrette e do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade de Kent, na Inglaterra.

Proporcionalmente, o financiamento também vai na sua maioria para as ONGs cristãs, o que limita o repasse a outros grupos religiosos, como o hinduísmo e o budismo. As ONGs muçulmanas preferem buscar apoio da Organização para Cooperação Islâmica (OCI), que reúne 57 países islâmicos e funciona em paralelo à ONU.

O professor Carrette afirma: “É necessária uma ‘boa vontade global’ para que o sistema das Nações Unidas contemple todas as religiões da mesma forma… O relatório também mostra que as religiões constituem uma parte importante da política global internacional e que, num mundo globalizado, precisamos de estabelecer um novo contrato pluralista para a igualdade de acesso a todas as religiões dentro do sistema das Nações Unidas”.

Entre as ONGs religiosas mais ativas estão as de origem católicas, quakers (protestante) e da fé Baha’i, que fazem o maior número de reuniões com os diplomatas da ONU.

Por outro lado, após o vigésimo aniversário de fundação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a ONG Direitos Humanos Sem Fronteiras publicou uma denúncia contra a ONU. A principal queixa é que oito dos 47 países que possuem assentos no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas mantiveram pessoas presas em 2013 por questões religiosas.

Divulgado no dia 30 de dezembro, o relatório Liberdade de Religião Mundial e Lista de Prisioneiros aponta que Marrocos, China e Arábia Saudita, Índia, Indonésia, Cazaquistão, Líbia e Coreia do Sul não podem defender os direitos humanos se não são capazes de respeitá-los no seu próprio território.

Segundo o relatório do Direitos Humanos Sem Fronteiras (DHSF), centenas de crentes e ateus foram presos nesses e noutros 16 países numa tentativa de se proibir os direitos relacionados a questões religiosas, incluindo a liberdade de mudar de religião, compartilhar crenças, realizar cultos e reuniões religiosas públicas. As violações relacionadas à difamação religiosa e blasfémia também estão incluídas no relatório.

China, Marrocos, Arábia Saudita, Índia, Indonésia, Líbia, Cuba, México, Paquistão, Emirados Árabes Unidos e Maldivas que tem assentos no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas prenderam cristãos em 2013. O relatório aponta ainda que Eritreia, Irã, Coreia do Norte e Arábia Saudita são de “especial preocupação” pelo grande número de prisioneiros religiosos que mantém.

Em comunicado oficial, a DHSF exige que a ONU se pronuncie em favor dos prisioneiros (na sua grande maioria cristãos), pois para participar da Comissão, o termo assinado afirma que “os Estados-Membros devem manter os mais altos padrões na promoção e proteção dos direitos humanos”.

Willy Fautre, diretor da DHSF, disse ainda que “Nosso desejo para o Ano Novo é que estes e os outros Estados membros do Conselho de Direitos Humanos possam dar um bom exemplo para outras nações do mundo, liberando esses prisioneiros de consciência e não privando nenhuma outra pessoa de liberdade por causa de suas crenças em 2014”.

Fonte: Gospel Prime, com informações Washington Post e Independent

Discurso de Hillary Clinton sobre o Relatório da Liberdade Religiosa Internacional 2011

…Hoje o Departamento de Estado divulgou seu mais recente Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional. Ele começa com as palavras que orientam nosso trabalho e o trabalho de governos e indivíduos dedicados à liberdade de religião no mundo todo. São as palavras do Artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. E ouçam essas palavras novamente, pois muito do que direi hoje, naturalmente, é fundamentado em nossa Constituição, em nossa crença sobre a importância do livre exercício da religião. Mas é importante lembrar que essas palavras foram adotadas pela comunidade internacional, não apenas pelos Estados Unidos.

São as seguintes: todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. Esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

São princípios claros e diretos que levam as pessoas tanto à profunda unidade quanto ao furioso desacordo. Naturalmente, para os Estados Unidos, a liberdade religiosa é um valor constitucional estimado, um interesse estratégico nacional e uma prioridade da política externa.

É particularmente urgente que destaquemos a liberdade religiosa, porque quando consideramos o cenário global e perguntamos se a liberdade religiosa está se expandindo ou diminuindo, a resposta é desanimadora. Mais de um bilhão de pessoas vivem sob governos que suprimem sistematicamente a liberdade religiosa. As novas tecnologias deram ferramentas adicionais a governos repressores para impedir a expressão religiosa. Membros de comunidades religiosas que estão há muito sob pressão relatam que a pressão está aumentando. Mesmo alguns países que estão fazendo progressos no aumento da liberdade política mantêm-se estacionados na mesma atitude quando se trata de liberdade religiosa. Assim, quando se trata desse direito humano, dessa característica-chave das sociedades estáveis, seguras e pacíficas, o mundo está retrocedendo.

Enquanto isso, vários países com diversas comunidades religiosas estão agora no processo de passar por transições rumo à democracia. Estão às voltas com dúvidas sobre se e como proteger a liberdade religiosa de seus cidadãos. Isso abrange da Tunísia à Birmânia e muitos lugares mais. Mas vejam, por exemplo, o Egito, que visitei há duas semanas. Tive uma conversa comovente e muito pessoal com cristãos que estão profundamente ansiosos com o que o futuro reserva para eles e para seu país. O que o Egito e outros países decidirem terá grande impacto sobre a vida das pessoas e percorrerá um longo caminho até determinar se esses países são capazes de alcançar a verdadeira democracia.

Assim, essa é uma questão que transcende divisões religiosas. Todas as religiões em todos os lugares têm interesse em defender e ampliar a liberdade religiosa. Meus sentimentos em relação a esse assunto são muito firmes, porque tive a experiência pessoal de como a liberdade religiosa é ao mesmo tempo um elemento essencial da dignidade humana e de sociedades seguras e florescentes. Está ligada estatisticamente ao desenvolvimento econômico e à estabilidade democrática. E cria um clima no qual pessoas de diferentes religiões podem superar as desconfianças e trabalhar em conjunto para resolver seus problemas em comum.

Também vi como o inverso acontece. A ausência de liberdade religiosa pode criar um clima de medo e suspeita que enfraquece a coesão social e distancia os cidadãos de seus líderes. E isso, é claro, pode dificultar o progresso nacional. E como o impacto da liberdade religiosa se estende além do domínio da religião e tem ramificações na segurança de um país e seu progresso econômico e político, mais estudiosos e profissionais da política externa precisam dedicar mais tempo e atenção a esse fator.

Hoje, quero defender a causa da liberdade religiosa e o motivo pelo qual todas as pessoas e todos os governos devem apoiá-la. E quero abordar diretamente os argumentos usados pelas pessoas que impedem a liberdade religiosa para tentar justificar suas ações.

Vou começar contando como é a vida de muitas pessoas que não têm liberdade religiosa. Nos lugares mais implacáveis, certas religiões são banidas completamente e o seguidor de uma religião pode ser sentenciado à morte. Leis severas proíbem a blasfêmia e a difamação da religião. E se suas palavras forem interpretadas como violações a essas leis, você pode ser condenado à morte. A violência contra minorias religiosas em geral continua sem punição por autoridades que a ignoram. Portanto, a mensagem é clara: se sua crença não tiver a aprovação governamental, cuidado.

A mesma mensagem é passada por governos que buscam a ilusão de liberdade criando associações religiosas oficiais sancionadas pelo Estado. Eles dizem: “Vejam, nosso povo pode praticar qualquer dessas religiões pré-aprovadas que escolherem.” Mas, se as pessoas forem apanhadas deixando essas associações para formar suas próprias comunidades ou receber ensinamentos de seus próprios líderes religiosos, podem ser presas.

Liberdade religiosa não envolve apenas religião. Não se trata apenas do direito dos católicos romanos realizarem uma missa ou dos muçulmanos de terem um funeral religioso ou dos bahá’is se reunirem em seus lares para rezar ou dos judeus de celebrarem juntos seus dias sagrados – por mais importantes que sejam esses rituais. A liberdade religiosa também diz respeito ao direito de as pessoas pensarem o que quiserem, falarem o que pensam e se associarem sem que o Estado esteja olhando por cima de seu ombro.

É por isso que o livre exercício da religião é a primeira liberdade consagrada em nossa Primeira Emenda, juntamente com as liberdades de expressão e associação. Porque onde existir a liberdade religiosa, existirão as outras liberdades. É por isso também que a Declaração Universal dos Direitos Humanos protege a liberdade de pensamento, de consciência e de religião – todas as três juntas – pois todas elas se referem à mesma capacidade inerente a cada um e a todos os seres humanos de seguir sua consciência, de fazer escolhas morais para si, sua família e sua comunidade.

Esses direitos dão à nossa vida sentido e dignidade, seja qual for nossa religião ou mesmo se não pertencermos a nenhuma. E como todos os seres humanos e todos os direitos humanos, são nossos direitos inatos pelo simples fato de sermos quem somos – seres humanos pensantes e atuantes – tanto homens quanto mulheres. Não são concedidos a nós por nenhum governo. Ao contrário, é responsabilidade do governo protegê-los.

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