Declaração conjunta em defesa dos cristãos e das minorias religiosas em todo o mundo

01A Assembleia Plenária do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), reunida em Bratislava, na Eslováquia, de 3 a 6 de outubro de 2013, adoptou, conjuntamente com a Appeal of Conscience Foundation [Fundação para o Apelo à Consciência], uma declaração que foi enviada à cúpula das Nações Unidas.

Levando em conta o aumento constante das formas de violência e de perseguição contra os cristãos e outros grupos religiosos em diferentes partes do mundo, os signatários da declaração pedem à Organização das Nações Unidas que promova urgentemente um compromisso político e social em defesa dessas populações e em prol da liberdade religiosa, adoptando, em particular, uma resolução para a proteção das minorias religiosas.

O mesmo comunicado foi enviado aos líderes de numerosas nações para pedir medidas e acções reais em defesa das minorias religiosas, dos locais de culto e dos textos sagrados.

“Tornamos público este texto na esperança de que ele encontre resposta positiva em curto espaço de tempo”, disse o cardeal Erdo, presidente do CCEE. “A quantidade de pessoas que estão a sofrer por causa da fé é um escândalo no nosso mundo moderno”.

Fundada pelo rabino Arthur Schneier em 1965, a Appeal of Conscience Foundation é uma parceria inter-religiosa de líderes empresariais e espirituais de todos os credos, que se juntam para promover “a paz, a tolerância e a resolução de conflitos étnicos”.

Reproduzimos a seguir o texto completo da declaração, traduzido do inglês.

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Declaração Conjunta

A Fundação para o Apelo à Consciência e o Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), preocupados com a continuidade da violência e da perseguição às minorias cristãs e de outros grupos religiosos, exortam as Nações Unidas a adotarem uma Resolução para a Proteção das Minorias Religiosas.

Condenamos todos os atos ou ameaças de violência, destruição, dano ou intimidação contra minorias religiosas, incluindo a destruição de locais de culto e de textos religiosos sagrados de qualquer tipo.

Fazemos um apelo a todos os Estados para a prevenção de atos ou ameaças de violência e convidamos as organizações intergovernamentais e não-governamentais a contribuírem com estes esforços, desenvolvendo iniciativas adequadas para promover o respeito mútuo e o reconhecimento das minorias religiosas.

O Conselho das Conferências Episcopais da Europa e a Fundação para o Apelo à Consciência pedem a todos os Estados, às organizações intergovernamentais e não-governamentais e aos meios de comunicação que promovam, através da educação, uma cultura de respeito mútuo e de tolerância à diversidade das religiões, que representam um aspecto importante do patrimônio coletivo da humanidade.

fonte Zenit

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Cristãos na Malásia impedidos de usar palavra “Allah”

Manifestação de muçulmanos contra o uso de "Allah" por cristãos

Manifestação de muçulmanos contra o uso de “Allah” por cristãos


Termo deriva do árabe e significa apenas “Deus”. Contudo, os muçulmanos na Malásia reivindicam a exclusividade da palavra, apesar de os cristãos a usarem há 400 anos.

O Tribunal de Recursos da Malásia decidiu, esta segunda-feira, que os cristãos daquele país não podem utilizar a palavra “Allah” para se referirem a Deus.

A decisão contraria uma anterior, de 2009, que reconhecia esse direito aos cristãos e do qual o Governo recorreu.

A palavra “Allah”, embora muitas vezes associada ao Islão, apenas significa “Deus”, em árabe. Nos países de língua árabe, o termo é usado tanto por muçulmanos como por cristãos.

A Malásia é um país de maioria muçulmana e o termo “Allah” entrou no vocabulário local, tendo sido usado por membros de ambas as religiões há centenas de anos.

Contudo, alguns muçulmanos reivindicam a exclusividade da sua utilização. Em 2009, quando o tribunal reconheceu o direito aos cristãos de usar “Allah”, sobretudo nas suas publicações, houve manifestações de revolta e algumas igrejas foram atacadas.

Segundo o Governo e alguns grupos extremistas, os cristãos estarão a tentar converter os muçulmanos. O tribunal argumentou que o uso desse termo por cristãos pode “confundir” a sociedade.

O processo, do lado cristão, está a ser liderado pelo jornal semanal, o “Malaysia Herald”. O seu editor, padre Lawrence Andrew, argumenta que os cristãos não se vão sujeitar a uma lei injusta e diz que a Igreja vai recorrer Aos cristãos da Malásia, o jornalista pede que continuem a rezar por justiça.

Recentemente, os cristãos apresentaram como prova da antiguidade da sua utilização do termo o facto de o primeiro dicionário de Latim-Malaio, elaborado há 400 anos, já indicar “Allah” como tradução para “Deus”.

fonte RR

Mais de 60 líderes religiosos em campos de prisioneiros no Vietname

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Entre pastores e outros líderes religiosos cristãos, são 63 os detidos em condições deploráveis em quatro campos de prisioneiros do Vietname. As suas penas variam de 5 a 18 anos. Estão sujeitos a trabalhos forçados de até 14 horas por dia e o seu acesso a cuidados médicos é muito limitado. A denúncia foi feita pela organização International Christian Concern (ICC), com sede em Washington, que monitoriza a liberdade religiosa e a situação dos cristãos no mundo.

“Quase todos os prisioneiros são membros de minorias étnicas dos altiplanos centrais do Vietname. Os cristãos enfrentam um nível de discriminação e de opressão mais intenso em comparação com a maioria dos outros vietnamitas”, diz a denúncia.

O P. Ambrose Nguyen Van Si, OFM, teólogo vietnamita e reitor do Colégio Internacional de Santo Antônio, em Roma, entrevistado pela agência Fides, diz acreditar que os números e os conteúdos do relatório do ICC “são perfeitamente verossímeis”: “A situação é esta: ainda existem claras limitações e restrições da liberdade de expressão e de consciência: quem tem opiniões diferentes das do governo é penalizado e às vezes severamente punido. Isso é lamentável, especialmente porque acontecem prisões arbitrárias de jovens que defendem os direitos humanos. Quem paga são os membros das minorias étnicas, conhecidos coletivamente como ‘o povo das montanhas’, que são considerados uma ameaça à estabilidade nacional. Na maioria, eles são cristãos protestantes. Eu espero que haja mais atenção para com esses irmãos e irmãs que sofrem e rezam”, diz o padre.

De acordo com o relatório do ICC, a vigilância do governo sobre as instituições religiosas é particularmente ferrenha nos altiplanos. Alguns dos 63 prisioneiros provavelmente estão encarcerados desde 2004, quando as autoridades vietnamitas iniciaram uma dura repressão aos protestos motivados pelo confisco ilegal de terras e pela opressão religiosa. Na província de Binh Phuoc, as autoridades locais ainda tentam desmantelar 116 capelas construídas pelos fiéis do grupo étnico Stieng. As estruturas pertencem à Igreja Evangélica do Vietname do Sul, oficialmente registrada no país. As autoridades vietnamitas temem o surgimento, entre as minorias, de um movimento separatista.

Nos últimos anos, entre as pessoas presas por “ameaças à segurança nacional” ou por “atividades ilegais”, centenas são cristãos protestantes, mas também há seguidores do pouco conhecido grupo católico Ha Mon, que venera a Virgem Maria, embora não esteja regularmente incluído na Igreja Católica local.

(Fonte:Fides)

A Igreja, o Estado e a liberdade religiosa

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A seguir à II Guerra Mundial, após as terríveis experiências de negação da liberdade religiosa por regimes totalitários, a Igreja católica quis consagrar uma «Declaração» do Concílio Vaticano II – e sabeis a importância de um concílio para as Igrejas – à liberdade religiosa, sob o título significativo de “Dignitatis humanae”.

Para a Igreja católica, a liberdade religiosa é um dos pilares do Estado democrático, o elemento incontornável de um Estado de direito. Enraizada na dignidade de cada homem, ela é por isso um valor universal. Mais ainda, ela apresenta-se como «a síntese e o cume» dos outros direitos fundamentais da pessoa humana.

A promoção e a defesa da liberdade religiosa formam uma dimensão importante do agir dos cristãos na sociedade. É preciso sublinhá-lo aqui: a Igreja católica não cessa de atuar pelo reconhecimento deste direito fundamental do homem. É antes de mais a Santa Sé, e em primeiro lugar o papa, que não cessam de apelar a todos os Estados para reconhecerem o direito fundamental do homem à liberdade religiosa, a respeitar e, se necessário for, a proteger as minorias religiosas.

A presença da Igreja católica no conjunto das nações permite-lhe dar às delegações oficiais em visita ao Vaticano elementos circunstanciados, tanto de apreciação como, eventualmente, de ação, para que alguma coisa mude onde este direito é violado.

Notemos aqui que a Santa Sé também lançou várias iniciativas ao nível das organizações internacionais, em particular junto da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) ou no decorrer das assembleias gerais da ONU, bem como ações concretas, nomeadamente no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, sem esquecer, evidentemente, o Conselho da Europa.

Para a Igreja católica, o reconhecimento do direito à liberdade religiosa procede tanto da sua fé na Revelação [de Deus] como da razão. Fundamentalmente porque «a verdade não se impõe de outro modo senão pela sua própria força, que penetra nos espíritos de modo ao mesmo tempo suave e forte», cada homem tem o direito, e mesmo o dever, de a procurar, livremente, por meio do ensino ou da educação, do intercâmbio e do diálogo, e cada Estado deve garantir este direito inviolável através das necessárias estruturas jurídicas.

João Paulo II lembrou-o em Estrasburgo, a 8 de outubro de 1988: «A Igreja afirma que há no homem uma consciência irredutível aos condicionamentos que pesam sobre ela, uma consciência capaz de conhecer a sua própria dignidade e de abrir-se ao absoluto, uma consciência que é fonte das escolhas fundamentais orientadas pela procura do bem para os outros como para si, uma consciência que é o lugar de uma liberdade responsável». O homem tem direito à liberdade e à segurança necessárias para conduzir a vida segundo as exigências da sua consciência reta.

Se João Paulo II vinha de um país onde a liberdade religiosa era rejeitada por causa do marxismo, Bento XVI viveu durante a sua juventude a pretensão totalitária do nazismo.
Num discurso à Cúria Romana, ele clarificou as razões do vínculo da Igreja à liberdade religiosa, referindo-se à história:

«A Igreja antiga, com naturalidade, rezou pelos imperadores e pelos responsáveis políticos considerando isso seu dever (cf. 1 Tm 2, 2); porém, enquanto rezava pelos imperadores, recusou-se adorá-los, e com isto rejeitou claramente a religião do Estado. Os mártires da Igreja primitiva morreram pela sua fé naquele Deus que se revelou em Jesus Cristo, e exatamente por isso, morreram também pela liberdade de consciência e pela liberdade de profissão da própria fé, uma profissão que por nenhum Estado pode ser imposta, porém pode ser realizada somente com a graça de Deus, na liberdade da consciência.» [Discurso à Cúria Romana, 22.12.2005]

Reafirmemos: o Estado não pode decidir sobre a verdade nem pode exigir qualquer tipo de culto. A liberdade de religião é uma necessidade que deriva, é certo, da coexistência humana, mas mais ainda, é uma consequência intrínseca da verdade que, como dissemos, não pode ser imposta do exterior, mas que o homem deve fazer sua apenas por um processo de convicção. Muitas situações são hoje análogas à da Igreja da antiguidade, pelo que Igreja é frequentemente reconhecida como porta-estandarte das liberdades (e essencialmente da liberdade religiosa).

Para a Igreja, a defesa da liberdade religiosa para todos é um elemento substancial de uma autêntica democracia, de uma verdadeira coexistência civil, mas é também uma salvaguarda necessária à vida e à missão dos crentes e das suas comunidades, cuja vocação é, fundamentalmente, o testemunho a céu aberto.

A Igreja considera que as religiões não têm de esperar do Estado democrático (como os primeiros cristãos não o esperavam de César) nem privilégios nem substituições no que é a sua missão. Ela reconhece e respeita as autoridades legítimas, ela reza mesmo por elas, mesmo se o seu julgamento histórico sobre a sua forma de exercício do poder possa ser em muitos casos negativo.

Mas ela reclama a liberdade e a segurança. Ela reivindica o seu direito a ter a sua própria voz, a contribuir para o bem comum e a opor-se quando crê ser necessário, porque o Estado nunca pode ser o objeto da veneração, nem é a fonte da justiça e do direito.

Bento XVI reconhecia-o: «Curiosamente a defesa da liberdade religiosa que a Igreja incarna hoje constitui um serviço precioso em favor de uma sã laicidade, e pelo contrário, é uma barreira face à pulsão totalitária que, segundo Tocqueville, sempre ameaçou o poder político, mesmo se ele tem por base o consenso democrático».

Os crentes não podem depositar a sua confiança nas realizações políticas, ainda que estas nunca lhes sejam indiferentes. Não serão nem as leis nem as decisões políticas que mudarão a mentalidade e o coração dos homens. Contudo, é legítimo aspirar enquanto crentes a tornar conformes estas leis na direção mais justa possível, e a tornar concretas políticas que sirvam a dignidade do homem da forma mais adequada.

Do Estado é preciso esperar um espaço que favoreça a liberdade e acolha cordialmente o testemunho das religiões. O Conselho da Europa deve velar por isso, praticando ele mesmo este acolhimento e este diálogo.

Nota: tradução não oficial.

P. Laurent Mazas |  Reunião do Conselho da Europa sobre a dimensão religiosa no diálogo entre culturas
Erevan, Arménia, 2-3.9.2013
In Pontifício Conselho da Cultura
© SNPC (trad.)

França pondera proibir véus islâmicos nas universidades

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Governo francês pondera proibir uso nas universidades O Governo de França está a ponderar proibir o uso de véus islâmicos nas universidades.

A ideia surge num relatório do Alto Conselho para a Integração, a que o jornal “Le Monde” teve acesso, que refere que essa proibição seria necessária para fazer frente a problemas criados por alunos que envergam roupa de natureza religiosa, exigem espaços para oração e ementas que respeitem as restrições alimentares dos seus credos.

A divulgação da proposta surge pouco tempo depois de vários dias de violência e manifestações por parte de muçulmanos que ficaram enfurecidos quando polícias pediram os documentos de identificação a uma mulher totalmente velada, num subúrbio de Paris.

Muitos muçulmanos encaram esta possível medida como um atentado à sua liberdade religiosa. “É mais um passo na estigmatização legal dos muçulmanos. A separação entre a Igreja e o Estado não pode ser reduzida, conforme querem alguns, a um arsenal de leis contra os muçulmanos”, considerou, já, o Comité Liberdade 15 de Março, um grupo que se opõe à proibição do véu islâmico.

O uso de véu islâmico já é proibido na função pública e em escolas públicas. O argumento usado para as escolas é de que se pretende evitar pressão sobre as crianças, exercida pelos seus familiares. Na universidade, contudo, o véu é permitido, uma vez que se considera que os alunos são adultos com liberdade de escolha. A proibição inverteria esta lógica.

fonte RR

A União Europeia vai dar prioridade à liberdade religiosa na sua política externa

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Os Ministros dos Assuntos Externos dos 27 países da União Europeia aprovaram a 24 de Junho, em Luxembrugo, uma importante directriz, que regerá as relação da EU com os outros países.

O núcleo do documento, aprovado previamente pelo Parlamento Europeu, reitera que a liberdade religiosa é um “direito humano universal” e, como tal, deve ser protegida e promovida: ” toda a pessoa tem direito a manifestar a sua própria religião ou as suas convicções”, sem temor a discriminações, intimidação ou violências.

O respeito a esse direito básico deverá ser um ponto de referência essencial nas relações exteriores de todos os países membros da EU, assim como nas decisões comunitárias. A decisão foi precedida de diversas intervenções do Parlamento de Estrasburgo contra violências da liberdade em muitos países do mundo, de modo particular, no Oriente e em África, como as sofridas pelos cristãos do Iraque ou Egipto. Os 27 são conscientes de que a liberdade religiosa está cada vez mais ameaçada.

Proteger a liberdade de acreditar ou não acreditar
Os ministros dos Assuntos externos dos 27 aprovam uma importante directriz sobre a defesa da liberdade religiosa

O acordo europeu não inova. Reitera a definição desse direito nas convenções internacionais vigentes, mas deseja assegurar que os Estados relacionados com a EU proteja- de um modo “oportuno, consistente e coerente” – a liberdade de acreditar ou não acreditar, assim como de mudar de religião ou crenças, uma faculdade que se pode exercitar individual ou comunitariamente, em público e en privado. Seria um paradoxo assegurar direitos de pessoas lésbicas, gays, bi, tran ou intersexuais – como se aprovou também na Segunda em Luxemburgo – e não promover adequadamente a máxima liberdade humana, que é a capacidade de se definir perante Deus.

Na elaboração do documento teve-se muito cuidado com a forma de expressão, para evitar o que pudesse dar a impressão de confronto de civilizações. A EU quere ser “imparcial” com todas as religiões. Deseja que se distinga entre a crítica às crenças e a possível incitação ao ódio religioso, sem admitir o fundamentalismo que sanciona indiscriminadamente como blasfémia todo o tipo de opiniões contrárias às convicções dos outros. E compreende também incentivos financeiros, incluída a possibilidade de suspender acordos de cooperação internacional com países que limitem a liberdade, como outros direitos humanos básicos.

O fantasma da “islamofobia”
Na mente de todos estão problemas actuais ocorridos em países particularmente repressivos, como a Coreia do Norte, China, Vietnam, Arábia Saudita ou Paquistão. A diplomacia europeia pensa também na Birmânia, que discrimina gravemente a minoria muçulmana em termos demasiado violentos.

Anne-Bénédicte Hoffner apresenta no La Croix (24-6-2013) a possível reacção de alguns países de maioria muçulmana, que acusará provavelmente a Europa de “islamofobia”. É uma crítica reiterada, por exemplo, contra as leis francesas da laicidade de 2004, que proíbem símbolos religiosos e ocultação dos rosto feminino em espaços públicos. E apresenta o risco de que naqueles países os não muçulmanos sejam vistos como “estrangeiro”.

Mas o documento não contem qualquer fobia: inscreve-se na luta por tornar eficazes os direitos humanos, e está em linha com aordos adoptados antes contra a pena de morte e a tortura, ou a favor dos direitos da criança.

Como é natural, tanto a comissão dos bispos europeus como a conferência ecuménica de igrejas europeias, saudaram positivamente esta medida. Segundo expressou o porta-voz do primeiro organismo, “a EU passa finalmente das palavras aos actos; agora, a União dispõe de um instrumento concreto (cfr. L’Osservatore Romano, 26-6-2013).

fonte: Aceprensa

Novo selo inspirado em manifestante anticristã

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Um novo selo francês, que ostenta a imagem da “Marianne”, que se tornou símbolo da revolução francesa, foi inspirado numa manifestante ucraniana que, no ano passado, cortou um crucifixo com uma serra eléctrica, em Kiev.

Inna Shevchenko é membro da organização feminista Femen, cujas militantes têm o hábito de protestarem em tronco nu. Apesar de se manifestarem contra realidades como a prostituição, a mutilação genital feminina e o abuso sexual de mulheres, as activistas da Femen também já levaram a cabo muitos protestos de registo anticristão.

A verdadeira inspiração por detrás da nova “Marianne” foi revelada pelo artista que criou o selo. Olivier Ciappa disse, no Twitter, que o feminismo faz parte dos valores da Revolução Francesa: “A Marianne, na altura da revolução, estava de peito desnudo. Por isso, porque não prestar homenagem a esta fabulosa Femen?”.

Inna Shevchenko chocou a Ucrânia, em 2012, quando decidiu cortar um crucifixo de madeira com vários metros de altura, numa acção de protesto contra a condenação de membros da banda russa “Pussy Riot”, por terem feito, na principal catedral de Moscovo, um concerto improvisado de teor ofensivo para o Cristianismo.

Uma activista da Femen também ameaçou o Patriarca de Moscovo, correndo em direcção a ele gritando “Kill Kiril” [Morte ao Kiril] escritas nas costas. Mais recentemente, o arcebispo de Bruxelas foi atacado por membros da Femen que o insultaram e lhe despejaram garrafas de água, em protesto contra a sua posição em defesa do casamento natural.

Já se registaram protestos da Femen no Vaticano, contra o Papa e as políticas da Igreja Católica, e também, em França, contra participantes em marchas em defesa do casamento natural.

Depois do incidente do crucifixo na Ucrânia, Inna Schevchenko pediu asilo político em França, onde coordena um novo ramo da Femen.

Pelo menos um partido francês já apelou ao boicote do novo selo.

Fonte RR

O mundo torna-se mais religioso

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No dia 28 de junho deste ano, o centro mais autorizado de estatística religiosa do mundo, o Center for the Study of Global Christianity de South Hamilton (Massachussetts), dirigido por Todd M. Johnson, publicou o relatório “Cristandade em seu contexto global, 1970-2010”, que oferece uma série de estatísticas atualizadas em 2013 e uma projeção até 2020.

O resultado essencial desta ampla pesquisa pode ser resumido numa frase: o mundo está a tornar-se mais religioso. Aumenta especialmente o número de cristãos e católicos na África e na Ásia, enquanto a América permanece estável. Mas a Europa torna-se menos religiosa, menos cristã e menos católica. O relatório observa que a escolha de um papa argentino é um símbolo eloquente desse deslocamento do centro da vida religiosa e cristã longe da Europa.

As pessoas que se declaram religiosas no mundo aumentaram, de 82% em 1970, a 88% em 2013, e chegarão a 90% em 2020. Tal aumento se deve à queda do império soviético, à perda de credibilidade do comunismo e ao avanço da religião na China, que o regime não consegue deter. Mas, como se destacou no congresso anual do CESNUR (Centro de Estudos sobre as Novas Religiões) realizado de 21 a 24 de junho em Falun (Suécia), isso depende também de um fator demográfico.

As pessoas religiosas têm mais filhos. Isso explica também por que as formas mais “liberais” ou progressistas de religião estão destinadas a diminuir no futuro; podem também vencer a guerra da mídia, mas perdem hoje a guerra mais importante, a do número de filhos.

O mundo se torna mais cristão e, ao mesmo tempo, mais muçulmano. Em 1970, os cristãos e os muçulmanos juntos representavam 48% da população mundial; em 2020, serão 57,2%. Os cristãos aumentarão em 33,3% e os muçulmanos, 23,9%. De cada 3 pessoas, 1 será cristã, e quase 1 de 4 será muçulmana. Mas, em 1970, apenas 41,3% dos cristãos viviam no hemisfério sul do mundo (Ásia, África e América Latina), enquanto em 2020 serão 64,7%.

Na África, onde são a maioria relativa, superando os muçulmanos, os cristãos em 2020 chegarão a 50% e à maioria absoluta. Na Ásia e na África, o cristianismo cresce em dobro com relação ao crescimento da população em geral, e isso serve também para a Igreja Católica, que, na América Latina (contrariando um mito muito difundido), no entanto, teve uma leve diminuição, devido ao crescimento não só do protestantismo, mas também do número de pessoas que não frequentam nenhuma igreja.

Estes últimos já são maioria na Europa Ocidental e, em 2020, representarão dois terços da população, ainda que a Itália continuará entre os grandes países da Europa onde a porcentagem mais alta de pessoas se diz cristã nas pesquisas (80%), mas estas afirmações não se traduzem em um contato regular, às vezes nem sequer irregular, com as instituições religiosas.

Os EUA continuam a ser o primeiro país do mundo em número de pessoas que se declaram cristãs, ainda que esta situação tenha diminuído de 90,9% em 1970, a 80,1% atualmente, e se prevê que diminua para 78,1% em 2020. Até lá os EUA serão o único país “ocidental” entre os primeiros 10 em número de cristãos, uma lista que em 1970 incluía a Itália e a Espanha e que agora, depois dos EUA, conta com Brasil, China, México, Rússia, Filipinas, Nigéria, Congo, Índia e Etiópia.

Em 2020, de 2,2 bilhões de cristãos, mais de 700 milhões, ou seja, mais de 25%, serão pentecostais e carismáticos, incluindo os carismáticos católicos; curiosamente, o país com a porcentagem mais alta de pentecostais e carismáticos sobre o total da população (23%) será o Congo. Por razões de zelo missionário, mas também por motivos demográficos, o segmento “evangélico”, ou seja, conservador, do protestantismo cresce em dobro com relação ao total da população mundial, enquanto o protestantismo histórico “progressista” continua perdendo membros, com um declínio que parece irreversível no âmbito mundial.

Estes dados oferecem um quadro diferente do bombardeio midiático sobre o secularismo e a diminuição da religião, que intercambia a Europa Ocidental com o mundo. E nos dizem também que a religião, como outras realidades sociais, está estreitamente relacionada com a demografia. As religiões avançam e as formas mais conservadoras da religião superam as progressistas, por uma série complexa de motivos, entre os quais se destaca o dado segundo o qual um casal religioso e conservador tende a ter mais filhos. As grandes agências e poderes que promovem o secularismo conhecem perfeitamente estas estatísticas.

Esta é a razão pela qual, além de promover romances como “Inferno”, de Dan Brown, insistem tanto nas políticas contra a natalidade. Porque sabem que, apesar de todas as suas considerações triunfalistas sobre a secularização obrigatoriamente vencedora, isso é para eles uma bomba-relógio que já começou a funcionar.

De cada 10 crianças que nascem no mundo, 9 nascem em famílias declaradamente religiosas, e 6 nascem num contexto cristão ou muçulmano. Enquanto isso, os “progressistas” e os fãs do laicismo têm cada vez menos filhos.

 

Autor: Massimo Introvigne

Sociólogo, filósofo e escritor italiano, é fundador e diretor do Centro Studi sulle Nuove Religioni (CESNUR), uma rede internacional de especialistas em novos movimentos religiosos. Na OSCE, foi representante da Luta contra o Racismo, a Xenofobia e a Discriminação. É coordenador do Observatório da Liberdade Religiosa, constituído pelo ministério italiano de Relações Exteriores.

fonte Aleteia

Episcopados católicos saúdam novas diretivas comunitárias sobre liberdade religiosa

EuropaA Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE) elogiou hoje as novas diretivas comunitárias sobre a “promoção e proteção” da liberdade religiosa aprovadas no Luxemburgo pelo Conselho dos Negócios Estrangeiros.

Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, o organismo católico sublinha que este documento foi desenhado para “proteger todos os crentes, individualmente, e as comunidades religiosas”, no quadro da política externa da União.

A COMECE alerta para as violações “sistemáticas e crescentes” do direito à liberdade religiosa por parte de alguns governos e “atores não estatais”, em vários países do mundo, o que exigia “ação e mecanismos mais eficientes”.

Para o organismo episcopal, apesar de o novo documento representar “um passo em frente que é bem-vindo”, ficam por definir mais claramente alguns aspetos, como “o reforço da dimensão coletiva da liberdade religiosa”.

Os bispos católicos apelam ainda ao reconhecimento do “direito pleno dos pais a educarem os seus filhos de acordo com as suas crenças religiosas” e a uma aproximação “mais equilibrada ao princípio de não discriminação, com sensibilidade ao impacto que a aplicação deste princípio pode ter na liberdade religiosa”.

O Conselho dos Negócios Estrangeiros da União Europeia assume que, com estas diretivas, pretende “reafirmar a sua determinação para promover, na sua política externa de Direitos Humanos, a liberdade de religião e de crença como um direito a ser exercido por todos, em todos os lugares”.

Esta política apresenta-se como baseada nos “princípios de equidade, não discriminação e universalidade”.   “Através dos seus instrumentos de política externa, a União Europeia pretende ajudar a prevenir e enfrentar as violações deste direito (liberdade religiosa) de forma atempada, consistente e coerente”, refere o Conselho.

fonte Ecclesia

A difícil questão religiosa na União Europeia contada pelas cruzes e auréolas da nova moeda dedicada a Cirilo e Metódio

Nova moeda eslovaca comemorativa dos santos Cirilo e Metódio

Nova moeda eslovaca comemorativa dos santos Cirilo e Metódio (versão definitiva)

Nunca terá passado pela cabeça de Cirilo e Metódio que mais de mil após a sua morte haveriam de estar no centro de uma disputa reveladora dos problemas que as religiões, e em particular o Cristianismo, causam no Velho Continente.Em 2012 a Eslováquia decidiu comemorar os 1150 anos da chegada dos dois santos ao seu território com a cunhagem de uma moeda, desenhada por um artista local.

O problema começou quando a Comissão Europeia torceu o nariz ao desenho da face nacional da moeda – a outra é comum em todos os estados membros. A reprovação foi seguida por vários países membros.

De acordo com as regras da União Europeia (UE), a que a Eslováquia pertence desde 2009, os estados membros devem ter em consideração que as moedas circulam por 27 países – mais um no próximo mês, com a entrada da Croácia.

Por isso, quando emitem moedas comemorativas – possibilidade concedida aos estados da UE uma vez por ano – os países devem submeter o desenho a representantes de outras nações.

As cruzes estão presentes em moedas de vários países. A própria bandeira nacional da Eslováquia, por exemplo, inclui uma cruz de dois braços no topo de um conjunto formado por três montanhas, desenho que se encontra nas moedas de um euro.

Não foi a cruz de dois braços ao centro das imagens de Metódio e Cirilo que causou problemas. A dificuldade consistiu nas auréolas sobre as cabeças dos santos, assim como nas cruzes que ornamentam a estola de um deles.

A divisão sobre os símbolos cristãos de Cirilo e Metódio é vista por alguns analistas como mais um sinal da perturbação que as questões religiosas causam na Europa.

«Posso assegurar-vos que a Comissão [Europeia] não é o Anticristo, afirmou ao jornal “New York Times” a responsável da UE pelo diálogo entre grupos laicos e religiosos.

Katharina von Schnurbein negou que Bruxelas tenha uma agenda ateia: «A União Europeia é muitas vezes vista como se procurasse banir toda a fé, mas não é assim. Relacionamo-nos com pessoas que creem e com pessoas que não creem».A França também se opôs porque atribui grande importância à separação entre Igreja Estado, enquanto a Grécia considera que os monges bizantinos pertencem exclusivamente à sua herança.

No fim de 2012 várias notícias indicavam que o banco central da Eslováquia tinha cedido às pressões, eliminando os símbolos da discórdia (ver imagem). Hoje soube-se que, afinal, o projeto inicial vai para a frente sem alterações. Cirilo e Metódio vão ser moeda de troca a partir de julho, com dois meses de atraso em relação ao previsto.

Projeto da nova moeda após as críticas

«Há um movimento na União Europeia que quer a neutralidade religiosa total e não aceita as nossas tradições cristãs», disse ao jornal nova-iorquino D. Stanislav Zvolensky, arcebispo de Bratislava, capital da Eslováquia.

Num continente dividido por muitos idiomas, além de grandes diferenças culturais e económicas, o prelado defendeu que os séculos de cristianismo oferecem um raro elemento partilhado por todos os países.

Os irmãos Cirilo e Metódio, nasceram em Tessalónica, atual Grécia, no início do século IX. Do alfabeto glagolítico, por eles criado com o objetivo de traduzir a Bíblia e outros textos para os povos eslavos, deriva o alfabeto cirílico, hoje utilizado em países como a Rússia e a Bulgária, sendo este o único estado da UE a usá-lo.

A Igreja católica evoca a 14 de fevereiro os dois santos que o beato papa João Paulo II declarou em 1980 padroeiros da Europa.

© SNPC

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