Arquivo | perseguição religiosa RSS for this section

UM TERÇO DA POPULAÇÃO MUNDIAL NÃO TEM LIBERDADE RELIGIOSA

Um terço da população mundial não goza de liberdade religiosa: é o que emerge do último relatório do centro de Estudos de Washington dedicado às religiões, que se chama Pew Research Center’s Fórum on Religion and Public Life.

O relatório, que leva em consideração o período 2006-2009, denuncia a tendência dos governos de adotar normativas cada vez mais restritivas e o crescente número de casos de violência ou hostilidade contra os fiéis, especialmente os cristãos. Resultam envolvidas 2 bilhões de pessoas, para as quais não é fácil de praticar uma religião.

A Rádio Vaticano conversou com o sociólogo Massimo Introvigne, representante da OSCE, Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, para a luta contra a xenofobia, o racismo e a discriminação.

R – Estes dados confirmam os dados de “Ajuda à Igreja que Sofre”, de Open Doors” e também do livro de Grim e Finke que se intitula “O preço da liberdade negada”; portanto são dados conhecidos, mas são dados que devem ser recordados sempre, porque, como afirma Bento XVI em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz 2011, a liberdade religiosa é um dos primeiros problemas do mundo contemporâneo, mas é também um dos problemas sobre o qual menos se fala.

P – Os cristãos são a maioria dos perseguidos, ainda que eles não sejam os únicos …

R. – Sim: creio que podemos projetar esses dados em um período de tempo maior e refazer as estatísticas de David Barrett, que é o “mister estatística” no mundo das religiões, que nos diz: é verdade que também outras minorias são perseguidas, mas nos séculos XX e XXI, três quartos dos mortos – ele se ocupa somente deles – por causa da perseguição religiosa, são cristãos. E há outro fato: enquanto os cristãos são mais frequentemente assassinados por regimes totalitários, ou por seguidores fundamentalistas de outras religiões, no que diz respeito aos muçulmanos, que são o segundo maior grupo de vítimas por causa de sua fé, esses, em alguns casos, como na Índia, são assassinados por fundamentalistas hindus, mas chegam ao grande número de mortos especialmente nos confrontos entre sunitas e xiitas, ou seja, nos conflitos entre muçulmanos.

Uma cifra: de acordo com Barrett, desde a morte de Jesus Cristo até o ano 2000 se registraram 70 milhões de mártires cristãos; mas é muito significativo que desses 70 milhões, 45 milhões se concentraram no século XX. E no século XXI, na primeira década, os cristãos assassinados foram 160 mil por ano. Agora, o número se reduziu para 100 / 105 mil por causa do fim de algumas situações muito graves, como no Sudão, onde, felizmente, o número de mortes de cristãos diminuiu. No entanto, os números continuam muito elevados.

fonte: Rádio Vaticano

Tribunal iraniano quer obrigar cristão a renunciar à fé

Youcef Nadarkhani

Youcef Nadarkhani poderá ser executado se insistir em manter a fé cristã.

O supremo tribunal do Irão revogou a condenação à morte de um pastor evangélico iraniano, acusado de apostasia, mas disse que a sua decisão dependia da renúncia do arguido à fé cristã.

Youcef Nadarkhani liderava uma comunidade de cerca de 400 cristãos na cidade de Rasht, no Irão, até à sua detenção em Outubro de 2009.

Uma vez que nasceu numa família muçulmana, tendo-se convertido aos 19 anos, Nadarkhani foi acusado de apostasia, isto é, de renunciar ao Islão para abraçar outra religião. A apostasia não é um crime no código penal iraniano, embora haja um projecto-lei nesse sentido no parlamento, mas o direito estipula que em casos em que o código penal não abranja um determinado crime, os juízes devem recorrer à lei islâmica que, no entender de alguns, estipula que quem renuncia ao Islão deve ser morto.

Nadarkhani foi condenado à morte pelos tribunais de primeira instância mas recorreu da decisão. Agora o supremo tribunal revogou a condenação, mas disse que, se o acusado não renuncie à sua conversão, o caso será enviado de volta para os tribunais menores.

Actualmente Nadarkhani está detido, sem direito a visitas. Fontes cristãs do país garantem que não faz tenções de renunciar ao Cristianismo.

O Irão é uma teocracia islâmica xiita, cuja lei está assente na Sharia, pelo menos segundo a interpretação dos Ayatollahs, os mais altos clérigos.

O Cristianismo, Judaísmo e mais algumas religiões são toleradas entre as populações que historicamente as praticam, mas qualquer conversão de um muçulmano a outra religião é absolutamente proibida.

Há cerca de 300 mil cristãos no Irão, a maioria dos quais pertence à Igreja Ortodoxa Arménia. A Igreja Assíria do Oriente e a Igreja Católica Caldeia também têm alguns milhares de fiéis. Uma vez que qualquer actividade missionária destas igrejas é impedida pelo Estado, esse campo fica aberto para confissões protestantes, evangélicas, como a Igreja do Irão, a que pertence Nadarkhani.

fonte RR

Vaticano/China: Papa diz-se «amargurado» com ordenação de bispo sem autorização da Santa Sé

A Santa Sé emitiu hoje um comunicado com críticas à ordenação considerada “ilegítima” na China de um novo bispo, por parte da Associação Patriótica Católica (APC) local, subordinada a Pequim e não reconhecida pelo Papa.

O texto revela que Bento XVI se mostrou “profundamente amargurado” com ordenação episcopal do padre Lei Shiyin, que aconteceu no último dia 29 de junho, sem mandato pontifício, na diocese de Leshan, Sichuan, cerca de 2000 quilómetros a sudeste de Pequim.

“A ordenação de Leshan foi um ato unilateral, que semeia divisão e, infelizmente, produz lacerações e tensões na comunidade católica da China”, pode ler-se.

Segundo a Santa Sé, o Papa “deseja fazer chegar aos amados fiéis da China uma palavra de encorajamento e de esperança, convidando-os a rezar para estarem unidos”.

A APC foi criada em 1957 para evitar “interferências estrangeiras”, em especial da Santa Sé, e para assegurar que os católicos viviam em conformidade com as políticas do Estado, deixando assim na clandestinidade os fiéis que reconhecem a autoridade do Papa.

O comunicado do Vaticano sublinha que o bispo ordenado por esta associação “carece da autoridade de governar a comunidade católica diocesana” de Leshan e, por isso, “a Santa Sé não o reconhece [padre Lei Shiyin] como bispo”.

Nesta declaração assinala-se que o próprio padre Shiyin foi “informado há muito tempo que não poderia ser aceite pela Santa Sé como candidato episcopal”, incorrendo agora na pena canónica de excomunhão.

“Uma ordenação episcopal sem mandato pontifício opõe-se diretamente ao papel espiritual” do Papa, prossegue o documento, “danificando a unidade da Igreja”.

Numa crítica à APC e à política do regime chinês, o Vaticano refere que “se a Igreja na China quiser ser católica, é preciso respeitar a doutrina e a disciplina da Igreja”.

fonte: Ecclesia | OC

El Corpus Christi vuelve a las calles de San Petersburgo… después de 93 años y miles de mártires

Con la ley de libertad religosa de 1907 creció el catolicismo en la ciudad del Neva y la procesión de 1918 fue impresionante… y luego llegó el gulag y el genocidio soviético.

El Ayuntamiento de San Petersburgo (Rusia) ha concedido la autorización para que se celebre esta semana la Procesión
del Corpus Christi en la avenida Nevski
, la más importante de la ciudad, recorrida por multitud de turistas y en la que se encuentran las iglesias de las principales confesiones: ortodoxa, católica, luterana y armenia.

Será la segunda vez que se celebra esta procesión en la historia de la ciudad: la anterior fue hace 93 años, y varios de sus
organizadores morirían mártires
bajo el comunismo pocos meses o años después.

La procesión de este año estará presidida por Paolo Pezzi, el arzobispo católico de Moscú (la diócesis incluye San Petersburgo) y
contará con la participación de cónsules de diversos países europeos.

1918: 40.000 católicos tomaron la calle en oración

Leia aqui o artigo completo

 

“UM CRISTÃO MORRE A CADA CINCO MINUTOS POR CAUSA DA SUA FÉ”

Na Conferência Internacional sobre o Diálogo Inter-religioso entre Cristãos, Judeus e Muçulmanos, realizada no último 3 de junho em Budapeste, o representante da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) e perito em temas de liberdade religiosa, Massimo Introvigne, afirmou que a cada ano 105 mil pessoas são assassinados por sua fé cristã. “A cada cinco minutos morre um cristão por causa da sua fé”, alertou o sociólogo italiano.

No evento, organizado pelo governo da Hungria, participaram também outras autoridades religiosas e civis como o diplomata egípcio, Aly Mahmoud, quem afirmou que no seu país, onde estão sendo registrados gravíssimos ataques contra as Igrejas Coptas, serão promulgadas leis que proibirão os imãs muçulmanos de realizar discursos incitando ao ódio e as manifestações hostis junto aos templos das minorias, especialmente a cristã.

“Se essas cifras não gritarem ao mundo, se não se detiver esta praga, se não se reconhecer que a perseguição dos cristãos é a primeira emergência mundial em matéria de violência e de discriminação religiosa, o diálogo entre religiões só produzirá congressos estupendos, mas nenhum resultado concreto”, afirmou Introvigne no seu discurso.

O Arcebispo de Budapeste, cardeal Peter Erdö, também presente na Conferência alertou para o fato que muitas comunidades cristãs no Oriente Médio morrerão porque terão que fugir de lá. “Que a Europa se prepare para uma nova onda imigratória, desta vez de cristãos que fogem da perseguição”, advertiu.

Segundo o boletim italiano pró-vida INFOVITAE, outro fato lamentável é que pelo menos um milhão dos cristãos perseguidos no mundo são crianças.

(fonte: Rádio Vaticano)

Enfermeira cristã seqeestrada e convertida à força ao islamismo

Uma enfermeira cristã, Farah Hatim, 24 anos, foi sequestrada, espancada e forçada a se converter ao Islão, a um casamento forçado com o homem muçulmano que a tenha sequestrado.

O novo caso, relatado por “Masihi Foundation” – que trata da proteção dos cristãos no Paquistão – abalou a opinião pública no país e permanece aberto o debate sobre as funções e a eficácia do novo Ministério Federal para a Harmonia e as Minorias religiosas. As comunidades cristãs de Punjab, informaram as fontes locais de Fides, pedem a intervenção do Ministério Federal a fim de aumentar a conscientização e resolver casos como este.

Farah é residente na cidade de Rahim Yar Khan (entre Lahore e Multan), no sul de Punjab, é uma estudante de enfermagem no “Sheik Zaid Medical College”. Ela foi sequestrada em 8 de maio por Zeehan Iliyas, bancário muçulmano. O objetivo era convertê-la ao islamismo e se casar com ela. Os familiares de Farah foram à polícia para expor denúncia, mas alguns agentes pediram-lhes para “desistir”, afirmando que “em casos como este não se pode fazer nada”.
Os familiares avisaram a comunidade cristã e as organizações de direitos humanos que logo protestaram em frente à delegacia da polícia local. Finalmente, após muita pressão, foi registrado um FIR (First Information Report) sobre o caso.

Enquanto isso, a garota foi ameaçada e agredida e sob tortura, assinou uma declaração afirmando que tinha se convertido de livre vontade. “É apenas um truque para cobrir os culpados: Farah tem evidentes sinais de agressões e feridas” – mas o juiz Khurshid Shah, chamado para resolver o caso, ignorou-os, como explicaram os familiares da menina. “Todo o sistema está cobrindo e é conivente com os culpados”, denuncia à Fides “Masihi Foundation”.
Rizwan Paulo, ativista dos direitos humanos e presidente da ONG de inspiração cristã “Life for All” (Vida para Todos), foi diretamente ao Chefe do Distrito de Polícia para obter justiça e recebeu garantias sobre o caso. Rizwan Paulo comentou à Fides: “O Sul do Punjab é um refúgio para extremistas O número de casos de perseguição contra cristãos está aumentando e muitos casos permanecem no silêncio Muitas vezes, como no caso de Farah, há cumplicidade da polícia e do mundo político, e a injustiça prevalece. O ódio e a discriminação contra os cristãos são muito difundidos, e as autoridades são indiferentes”.

Também o P. Sohail John, sacerdote de Rahim Yar Khan, disse que: “Estamos desconcertados pela resposta das autoridades. O governo de Punjab não protege as minorias religiosas, mas continua a proteger os perpetradores de violência”. A comunidade pede que casos como este sejam tomados em consideração e levados ao Ministério Federal para as Minorias Religiosas.

(fonte: Agência Fides)

Acusações falsas contra os cristãos: pretexto para os massacres de Orissa e Karnataka

A polícia indiana provou, sem sobra de dúvidas, que eram falsas as acusações contra cristãos; eram apenas um pretexto para a maciça agressão que provocou os massacres nos estados de Orissa e Karnataka em 2008.

Por isso, os cristãos indianos pedem que “movimentos como o Vishwa Hindu Parishad (VHP), responsáveis pelas violências, se desculpem publicamente e sejam estreitamente controlados pelas forças da ordem para prevenir novos ataques”.

Foi finalmente revelado, explica a organização ecumênica “Global Council of Indian Christians” à Fides, o perverso mecanismo que está na raiz da violência anticristã: difundir falsas acusações para desencadear a violência.

No caso dos massacres de Orissa, os fiéis foram injustamente acusados de matar o líder extremista hindu (pertencente ao VHP) Laxmanananda Saraswati. Assim começou a violência anticristã de massa, que levou ao homicídio de mais de 100 fiéis e ao saque de casas e igrejas cristãs. Hoje, porém, a polícia afirma ter recolhido provas certas do fato de que os responsáveis seria o líder maoísta Sabyasachi Panda e seis cúmplices. Portanto, as acusações serviram apenas para acender a centelha de uma ação planejada, com matriz de “faxina étnica”.
Também a perseguição em Karnataka, no mesmo ano, foi motivada pelos mesmos sentimentos anticristãos, fomentados por falsas acusações. Hoje, nota o GCIC, existe o risco de que os culpados permaneçam impunes, como está acontecendo com os dois homens que violentaram irmã Meena Behra, a religiosa católica violentada em Kandhamal (Orissa), que foram libertadas sob caução. “os cristãos perderam a confiança nas forças de polícia locais que se revelaram cúmplices dos agressores, assistindo à violência sem intervir” – nota o GCIC, pedindo que o processo aos dois responsáveis seja transferido para fora de Orissa, a uma Corte que possa garantir realmente a imparcialidade.

(fonte: Agência Fides)

Greve de fome contra as perseguições anticristãs em Orissa

Protestar de modo não violento contra as discriminações e as perseguições dos cristãos em Orissa; pedir uma investigação aprofundada sobre o envolvimento dos vértices militares nos massacres anticristãos em Kandhamal, o distrito de Orissa palco das violências de 2008; processar os culpados; denunciar a boicote social, econômico e religioso que hoje se registra em Orissa, imposto aos cristãos pelos militantes de movimentos extremistas hinduístas como o “Rashtriya Swayamsevak Sangh” (RSS); pedir a abolição da polêmica “Lei anticonversões”, em nome da qual se verificam detenções e violências contra cristãos: com essas motivações, o movimento ecumênico indiano “Global Council of Indian Christians” (GCICC) anunciou para amanhã, 6 de maio, uma jornada de greve de fome, que se realizará em Bubaneshwar, capital de Orissa.

O Conselho, como explica o seu Presidente nacional, Sajan K.George, pretende alertar as instituições sobre a situação atual de Orissa, onde o fenômeno das violências, evidentes ou latentes, contra os cidadãos de fé cristã, “continua presente, pronto a eclodir novamente, com a cobertura das autoridades civis”.

Sajan K.George guiará em Bubaneshwar a jornada pública de protesto e de jejum, ao qual todos os fiéis e todos os homens de boa vontade poderão se unir, em qualquer parte da Índia. Prevê-se uma grande afluência de fiéis, enquanto em outras cidades como Nova Délhi e Bangalore se realizarão, contemporaneamente, inciativas semelhantes. Os fiéis de Orissa “são marginalizados e privados de seus direitos fundamentais por causa de sua fé. Faz-se de tudo até mesmo para impedir que eles professem simplesmente o culto cristão. A situação é muito grave e requer a conscientização do governo federal”.

Em 2008, a violência contra os cristãos em Orissa atingiu 13 distritos e fez mais de 100 mortos; somente no distrito de Kandhamal, 6.600 casas foram destruídas e 56.000 pessoas foram obrigadas a fugir.

Viver a fé às escondidas na Arábia Saudita

A Arábia Saudita é considerada terra sagrada para a maioria dos muçulmanos que vivem ali. Em consequência disso, cristãos e inclusive muçulmanos de outros grupos enfrentam graves restrições.

Os cristãos são cerca de 3% da população, mas não têm igreja e nunca expressam sua fé em público.

O professor Camille Eid, jornalista, escritor, professor da Universidade de Milão e especialista em Igrejas do Oriente Médio, faltou sobre a situação na Arábia Saudita com o programa “Deus chora na terra”, de ‘Catholic Radio and Television Network’ (CRTN) em colaboração com Ajuda à Igreja que Sofre.

–A Arábia Saudita é uma monarquia hereditária baseada na fundação do islã wahhabi. Que é esse ramo do islã?

–Eid: O wahhabismo é uma nova doutrina do islã. Seu fundador é Abd-al Wahhab, que foi um erudito religiosa de Hanafi Islã, que é a doutrina mais estrita do islã. Ele decidiu que se deviam eliminar do islã todas as inovações, ‘Bida’ é o termo em árabe. Uma visita a um cemitério, por exemplo, é considerada uma inovação bida, e se proíbe. Você não pode fazer nada que o profeta Maomé e seus companheiros não fizeram. Desta forma, a aliança entre os seguidores de Wahhab e o príncipe fez possível na Arábia Central o nascimento do reino árabe saudita. A Arábia Saudita tomou seu nome da família Saud. Essa aliança da casa Saud com o ramo wahhabi ainda se mantém hoje, e os sucessores do reino continuam esta versão e doutrina estrita do wahhabismo; as leis do reino seguem as diretrizes estritas do wahhabismo.

–O que ocorre com os xiitas?

–Eid: Os xiitas representam quase 10% da população e enfrentam uma grande discriminação. Concentram-se sobretudo na parte leste do reino. Há outro ramo dos xiitas, os ismaelitas, que estão muito próximos da fronteira com o Iêmen. O rei e seus dirigentes professam o wahhabismo.

–O Alcorão é a constituição da Arábia Saudita. Que postura o Alcorão adota com os não muçulmanos?

–Eid: O Alcorão distingue entre cristãos e judeus, e outros não crentes. Os cristãos e judeus são chamados de o “povo do livro”, ou dos livros, – o Evangelho e a Torá. Em ocasiões os cristãos são descritos no Alcorão de um modo muito positivo. O rei cristão e os sacerdotes rezam. Mas, durante o segundo período na revelação do Profeta, os cristãos são descritos como incrédulos e se diz que deveriam pagar “jizya”, o imposto requerido para receber proteção em uma sociedade islâmica. Parece haver uma contradição no próprio livro. Essa é a razão pela qual há um islã liberal e um islã violento. O islã violento é resultado da segunda revelação, que aconteceu durante o último reinado de Maomé e, como resultado, as sociedades islâmicas atuais estabelecem que se devem seguir os acontecimentos da segunda revelação e não os das revelações anteriores, que são mais tolerantes.

–O governo baseia-se nos princípios da sharia. O que é?

–Eid: A sharia é o compêndio do Alcorão, o Hadith, que são as declarações de Maomé, e de outras fontes como o Ishma, que é o consenso de todos os eruditos islâmicos (ulemás). A lei da sharia sai de tudo isso.

–Todos os residentes que vivem na Arábia Saudita estão submetidos à lei da sharia?

–Eid: Sim. E ninguém pode se opor, porque equivale a se opor ao islã. Na chegada ao aeroporto, informa-se de forma imediata de que se deve cumprir as estritas leis islâmicas. Eu, como cristão, por exemplo, tinha à mão um refrigerante durante o Ramadã. Dei-me conta de que todo mundo estava me olhando de um modo determinado e que me teriam batido. Não se pode comer em público durante o jejum. Só se pode comer de forma privada. Assim, deve-se observar o jejum mesmo que não seja muçulmano, porque é a lei.

–Os cristãos constituem o maior grupo não muçulmano da Arábia Saudita. Como os cristãos vivem sua fé nesse país?

–Eid: Em segredo. É proibido ter Bíblias, imagens religiosas e rosários, que, se forem detectados no aeroporto, são confiscados de imediato. Em uma ocasião, no aeroporto de Riade, eu estava com um vídeo e pediram para vê-lo. Era o filme Espartaco. De repente, tive medo de que vissem a imagem da crucificação. O guarda permitiu porque era um soldado o crucificado, e não Jesus Cristo… É difícil. Quando mais de dois, ou um grupo de famílias, rezam juntos de forma privada em sua casa, a polícia pode intervir para prendê-los.

–Que ocorre a um cristão que é capturado com um rosário em seu bolso ou portando uma cruz?

–Eid: Se estiver no bolso, ninguém poderá vê-lo. No entanto, se usar uma cruz, qualquer muçulmano – e não só a polícia – pode tirá-lo. Você será preso e corre o risco de ser expulso do reino. O enviarão para a prisão e, depois de alguns dias, emitirão um visto de expulsão.

–Que outro tipo de atividade cristão são punidas por lei?

–Eid: Punem-se todas as manifestações públicas de qualquer fé que não seja o islã. Eles sabem que os americanos, franceses e italianos celebram a Missa de Natal e Páscoa dentro das embaixadas, mas como a embaixada é extraterritorial, a lei não se aplica. A polícia, no entanto, está próxima para controlar. Não há igrejas, sinagogas ou templos no reino. Proíbe-se toda manifestação de outra fé.

–Quem faz cumprir a lei?

–Eid: Há 5.000 policiais religiosos divididos em 100 distritos, mas qualquer muçulmano pode impor a lei, denunciando uma pessoa. Passei dois anos e meio em Riade. Tinha medo de felicitar pela Páscoa ou Natal inclusive por telefone, porque temia que alguém pudesse estar escutando. A polícia religiosa controla tudo, incluindo as livrarias, porque é proibido vender qualquer postal com temas não muçulmanos. Há alguns anos, no colégio americano, um Papai Noel quase foi preso. É proibido.

–Os cristãos são objetivo particular de perseguição ou discriminação?

–Eid: Não só os cristãos, mas também as versões não wahhabis do islã, como a xiita ou a ismaelita. Nem todas as comunidades cristãs sofrem igual. Os norte-americanos, italianos, franceses e britânicos – de fato a maioria dos europeus e outros de países do primeiro mundo – sofrem menos, porque sabem que esses países são poderosos e intervirão de modo imediato para proteger seus cidadãos. Por isso tomam como objetivos os cristãos de países do terceiro mundo como Eritreia, Índia e Filipinas. Esses países temem a perda de remessas de seus cidadãos que vivem no reino.

–Até onde pode chegar a perseguição?

–Eid: Até a morte. Temos o caso do martírio de uma jovem saudita que se converteu ao cristianismo. Seu irmão a descobriu. Escreveu um poema para Cristo e lhe cortaram a língua, depois ela apareceu morta. Seu nome era Fatima Al-Mutairi e isso ocorreu em agosto de 2008. Em 2008, dois casos de intervenções da polícia religiosa deram como resultado que homens, mulheres e crianças de menos de três anos fossem presos. Temos muitos informes de torturas; antes de ser deportados a seus países, esses filipinos, indianos, eritreus são torturados nas prisões.

–Que número de muçulmanos se convertem ao cristianismo?Tem alguma informação?

–Eid: Não é possível saber. A sociedade é difícil de penetrar, porque o regime controla cada atividade. Em ocasiões se sente a partir da perspectiva das mulheres. Quando estas mulheres sauditas vão ao exterior, inclusive quando sobem no avião, tiram o ‘hiyab’. No Líbano e outros países, bebem álcool. Quando voltam a seu país, sabem que têm de cumprir as leis.

– E os convertidos?

–Eid: Existem cristãos convertidos. Eu acompanho a mídia em árabe, que transmite na Arábia Saudita e em todo mundo árabe, e durante as transmissões muitas ligações que têm origem na Arábia Saudita. Esses convertidos que viajam ao Marrocos e Egito falam de sua experiência, mas nunca mencionam seus nomes, e só pedem que a comunidade cristã reze por eles, porque aspiram a ver o dia em que lhes será permitido ir à igreja, andar com o Evangelho e partilhar sua fé. Se um convertido informa seu irmão ou seu pai de sua nova fé, enfrenta o perigo de ser acusado de traição à família, à nação e à sociedade.

–O professor egípcio Samir Khalil Samir, especialista em Alcorão, afirma que esse livro sagrado não traz obrigação nenhuma de matar um apóstata. De onde vem essa expressão de violência?

–Eid: Exatamente. No livro 14 do Alcorão fala-se de apostasia, mas não se diz nada de uma pena nesta vida, mas na segunda. Esta alteração vem do Hadith de Maomé em que diz que qualquer um que mude de religião deve ser morto. Mas disso surge outro problema, porque, como os milhares de Hadiths, não há provas de que Maomé tenha dito isso de verdade. Muitos países islâmicos, como Paquistão, Afeganistão sob os talibãs, Irã e Iêmen, entre outros, aplicam a pena de morte baseando-se em um Hadith do qual não há certeza de que tenha sido de Maomé.

–Pode nos falar dos católicos que vivem na Arábia Saudita?

–Eid: É difícil ser católico leigo na Arábia Saudita, porque é preciso uma fé com base profunda. Não se pode ter o Evangelho em casa. Não se pode ter o terço. Não se pode ter contato com amigos cristãos como comunidade. Você pode ter amigos, frequentar comunidades estrangeiras, mas está proibido de falar de sua fé.

Em outros países islâmicos, a sexta-feira é dia festivo, e assim se permite a Missa comunitária, mas não no domingo, pois o domingo é dia de trabalho. Mas este não é o caso da Arábia Saudita. Assim, você se torna uma comunidade consigo mesmo. Normalmente, não tem sequer a própria família, porque a Arábia Saudita põe restrições à reunificação familiar. Se você tem uma filha maior de 18 anos, não pode ficar na Arábia Saudita se ela não for casada. Assim, a maioria tem suas filhas em outros lugares. Você fica sozinho e sem contato com outros católicos, o que é muito difícil. Terá de ter a força da fé em seu coração, ser capaz de rezar sem livros de oração, só saber e rezar as orações de memória.

— — —
Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para “Deus chora na terra”, um programa rádio-televisivo semanal produzido por ‘Catholic Radio and Television Network’, (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre. Mais informação em: www.fundacao-ais.pt

Queima do Alcorão nos EUA enfurece Afeganistão

Onda de violência atinge o país
A “tempestade perfeita” causada pelos pastores evangélicos americanos Terry Jones e Wayne Sapp, que, após um breve “julgamento”, queimaram em público, em 20 de março, uma cópia do Alcorão em Gainesville (Flórida), continua ceifando vidas.O epicentro da ira muçulmana foi neste fim de semana, no Afeganistão, onde uma onda de manifestações e protestos de grupos muçulmanos locais terminou com um resultado terrível: 20 pessoas mortas, incluindo 7 estrangeiros que trabalhavam para as Nações Unidas, e dezenas de feridos.

A violência explodiu na sexta-feira, 1º de abril, na província setentrional de Balkh, quando, na cidade de Mazar-i-Sharif – considerada relativamente calma -, uma turba enfurecida invadiu a sede da ONU depois da oração no famoso santuário da Mesquita Azul (o nome da cidade significa “Nobre Santuário”).

Tendo atacado e desarmado os seguranças, que haviam recebido a ordem de não atacar, os manifestantes destruíram os escritórios e começou a caça aos funcionários no prédio. Alguns deles, que tentaram se refugiar em um ‘bunker’, também foram mortos. Trata-se de três funcionários europeus da ONU, incluindo uma mulher, a norueguesa Siri Skare. Os outros dois europeus são Joakim Dungel e Filaret Motco, de nacionalidade sueca e romena, respectivamente. Pelo menos 4 manifestantes foram mortos durante o assalto, bem como 4 guardas de segurança nepaleses (ex Ghurka) da ONU.

A Missão das Nações Unidas de Assistência ao Afeganistão (UNAMA) está presente no país da Ásia Central desde 2002 e atualmente é dirigida pelo diplomata sueco Staffan de Mistura, nomeado enviado especial pelo secretário-geral, Ban Ki-moon, em janeiro de 2010. A missão está dividida em 8 escritórios regionais e 15 escritórios provinciais, e emprega 1.500 pessoas; quase 80% delas são afegãs. O ataque de sexta-feira foi o mais sangrento realizado contra a ONU no país.

No último sábado, 2 de abril, houve uma manifestação na cidade sulista de Kandahar. Segundo o ‘New York Times’, milhares de manifestantes, entre os quais havia pessoas armadas, haviam se infiltrado na marcha, incendiaram em primeiro lugar uma escola secundária para meninas, financiada pelos Estados Unidos – a ‘Zarghona Ana High School for Girls’; em seguida, incendiaram carros e um ônibus; quando tentaram chegar ao escritório local da Organização das Nações Unidas, intervieram forças de segurança afegãs, que abriram fogo. Embora o chefe da polícia provincial, Khan Mohammad Mojayed, tenha negado que seus homens atiraram diretamente contra os manifestantes, também em Kandahar falamos de um resultado terrível: pelo menos 9 mortos e 90 feridos.

Enquanto isso, houve manifestações mais pacíficas, no domingo 3 de abril, em Jalalabad; e nos dias passados, na capital Cabul, na cidade ocidental de Herat e na província de Takhar.

Segundo um porta-voz do governo da província de Balkh, Sher Jan Durani, entre 20 manifestantes detidos após os distúrbios na cidade de Mazar-i-Sharif, havia várias pessoas armadas. O suposto cérebro por detrás da violência – assim especificou o número dois da polícia da província, Rawof Taj – é da província de Kapisa, um reduto da insurgência. E em Kandahar, alguns manifestantes agitaram bandeiras brancas, a cor do movimento talibã, tal como referido pelo ‘Washington Post’. Por outro lado, o movimento fundamentalista negou seu envolvimento. Também o diretor da missão da ONU no Afeganistão acusou o movimento dos talibãs ou grupos de insurgentes afiliados aos chamados “estudantes”.

Por sua vez, o presidente americano, Barack Obama, expressou suas condolências às famílias das vítimas do assalto e definiu a recente queima do Alcorão como “um ato de extrema intolerância e de fanatismo”. Ao mesmo tempo, pode-se ler num comunicado da Casa Branca que o gesto de Jones e Sapp não justifica a matança de pessoas inocentes, que “é repugnante e uma afronta à decência e à dignidade humana” (‘Associated Press’, 2 de abril).

Mas Terry Jones não demonstrou arrependimento. Inclusive o pastor da ‘Dove World Outreach Center ‘- uma pequena igreja evangélica fundada em 1986 – aumentou a dose. “Devemos considerar esses países e essas pessoas responsáveis ​​por tudo aquilo que fizeram e de qualquer desculpa que usaram para promover suas atividades terroristas. Chegou a hora de responsabilizar o Islã”, disse (‘The Daily Mail’, 2 de abril). “O Islã não é uma religião de paz”, continuou ele, convidando o governo dos EUA e as Nações Unidas a tomarem medidas contra aqueles que espalham o ódio contra os cristãos e as minorias.

Em qualquer caso, para a BBC, que na sexta-feira publicou um perfil de Jones, o pastor já era uma pessoa problemática antes de seu polêmico projeto do “Burn a Koran Day”. Antes de assumir a liderança do ‘Dove World Outreach Center’, Jones havia fundado, em Colônia (Alemanha), uma igreja evangélica – a ‘Christliche Gemeinde Köln’ – que abandonou por causa das divergências em 2008. Um tribunal administrativo falhou contra Jones em 2002, pelo uso indevido do título de “doutor”. O pastor também foi acusado pela própria filha, Emma Jones, e por um ex-membro de sua igreja de abusos financeiros. O pastor também teve problemas com as autoridades fiscais da Flórida, por violar o status de isenção fiscal que a sua igreja tem.

Para a missão da ONU e as forças internacionais presentes no Afeganistão, a nova violência é fonte de preocupações. Enquanto a transferência da responsabilidade da segurança para os afegãos deveria estar concluída antes de 2014, há pouco mais de uma semana, o presidente Hamid Karzai anunciou que certamente a cidade de Mazar-i-Sharif será uma das primeiras áreas a voltar sob o controle do Afeganistão. A transferência das indicações deveria ocorrer no próximo dia 1º de julho, como observado pela agência ‘France-Presse’ (3 de abril).

Por Paul de Maeyer (ZENIT.org)

%d bloggers like this: