El Corpus Christi vuelve a las calles de San Petersburgo… después de 93 años y miles de mártires
Con la ley de libertad religosa de 1907 creció el catolicismo en la ciudad del Neva y la procesión de 1918 fue impresionante… y luego llegó el gulag y el genocidio soviético.
El Ayuntamiento de San Petersburgo (Rusia) ha concedido la autorización para que se celebre esta semana la Procesión
del Corpus Christi en la avenida Nevski, la más importante de la ciudad, recorrida por multitud de turistas y en la que se encuentran las iglesias de las principales confesiones: ortodoxa, católica, luterana y armenia.
Será la segunda vez que se celebra esta procesión en la historia de la ciudad: la anterior fue hace 93 años, y varios de sus
organizadores morirían mártires bajo el comunismo pocos meses o años después.
La procesión de este año estará presidida por Paolo Pezzi, el arzobispo católico de Moscú (la diócesis incluye San Petersburgo) y
contará con la participación de cónsules de diversos países europeos.
1918: 40.000 católicos tomaron la calle en oración
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Acusações falsas contra os cristãos: pretexto para os massacres de Orissa e Karnataka
A polícia indiana provou, sem sobra de dúvidas, que eram falsas as acusações contra cristãos; eram apenas um pretexto para a maciça agressão que provocou os massacres nos estados de Orissa e Karnataka em 2008.
Por isso, os cristãos indianos pedem que “movimentos como o Vishwa Hindu Parishad (VHP), responsáveis pelas violências, se desculpem publicamente e sejam estreitamente controlados pelas forças da ordem para prevenir novos ataques”.
Foi finalmente revelado, explica a organização ecumênica “Global Council of Indian Christians” à Fides, o perverso mecanismo que está na raiz da violência anticristã: difundir falsas acusações para desencadear a violência.
No caso dos massacres de Orissa, os fiéis foram injustamente acusados de matar o líder extremista hindu (pertencente ao VHP) Laxmanananda Saraswati. Assim começou a violência anticristã de massa, que levou ao homicídio de mais de 100 fiéis e ao saque de casas e igrejas cristãs. Hoje, porém, a polícia afirma ter recolhido provas certas do fato de que os responsáveis seria o líder maoísta Sabyasachi Panda e seis cúmplices. Portanto, as acusações serviram apenas para acender a centelha de uma ação planejada, com matriz de “faxina étnica”.
Também a perseguição em Karnataka, no mesmo ano, foi motivada pelos mesmos sentimentos anticristãos, fomentados por falsas acusações. Hoje, nota o GCIC, existe o risco de que os culpados permaneçam impunes, como está acontecendo com os dois homens que violentaram irmã Meena Behra, a religiosa católica violentada em Kandhamal (Orissa), que foram libertadas sob caução. “os cristãos perderam a confiança nas forças de polícia locais que se revelaram cúmplices dos agressores, assistindo à violência sem intervir” – nota o GCIC, pedindo que o processo aos dois responsáveis seja transferido para fora de Orissa, a uma Corte que possa garantir realmente a imparcialidade.
(fonte: Agência Fides)
Viver a fé às escondidas na Arábia Saudita
A Arábia Saudita é considerada terra sagrada para a maioria dos muçulmanos que vivem ali. Em consequência disso, cristãos e inclusive muçulmanos de outros grupos enfrentam graves restrições.
Os cristãos são cerca de 3% da população, mas não têm igreja e nunca expressam sua fé em público.
O professor Camille Eid, jornalista, escritor, professor da Universidade de Milão e especialista em Igrejas do Oriente Médio, faltou sobre a situação na Arábia Saudita com o programa “Deus chora na terra”, de ‘Catholic Radio and Television Network’ (CRTN) em colaboração com Ajuda à Igreja que Sofre.
–A Arábia Saudita é uma monarquia hereditária baseada na fundação do islã wahhabi. Que é esse ramo do islã?
–Eid: O wahhabismo é uma nova doutrina do islã. Seu fundador é Abd-al Wahhab, que foi um erudito religiosa de Hanafi Islã, que é a doutrina mais estrita do islã. Ele decidiu que se deviam eliminar do islã todas as inovações, ‘Bida’ é o termo em árabe. Uma visita a um cemitério, por exemplo, é considerada uma inovação bida, e se proíbe. Você não pode fazer nada que o profeta Maomé e seus companheiros não fizeram. Desta forma, a aliança entre os seguidores de Wahhab e o príncipe fez possível na Arábia Central o nascimento do reino árabe saudita. A Arábia Saudita tomou seu nome da família Saud. Essa aliança da casa Saud com o ramo wahhabi ainda se mantém hoje, e os sucessores do reino continuam esta versão e doutrina estrita do wahhabismo; as leis do reino seguem as diretrizes estritas do wahhabismo.
–O que ocorre com os xiitas?
–Eid: Os xiitas representam quase 10% da população e enfrentam uma grande discriminação. Concentram-se sobretudo na parte leste do reino. Há outro ramo dos xiitas, os ismaelitas, que estão muito próximos da fronteira com o Iêmen. O rei e seus dirigentes professam o wahhabismo.
–O Alcorão é a constituição da Arábia Saudita. Que postura o Alcorão adota com os não muçulmanos?
–Eid: O Alcorão distingue entre cristãos e judeus, e outros não crentes. Os cristãos e judeus são chamados de o “povo do livro”, ou dos livros, – o Evangelho e a Torá. Em ocasiões os cristãos são descritos no Alcorão de um modo muito positivo. O rei cristão e os sacerdotes rezam. Mas, durante o segundo período na revelação do Profeta, os cristãos são descritos como incrédulos e se diz que deveriam pagar “jizya”, o imposto requerido para receber proteção em uma sociedade islâmica. Parece haver uma contradição no próprio livro. Essa é a razão pela qual há um islã liberal e um islã violento. O islã violento é resultado da segunda revelação, que aconteceu durante o último reinado de Maomé e, como resultado, as sociedades islâmicas atuais estabelecem que se devem seguir os acontecimentos da segunda revelação e não os das revelações anteriores, que são mais tolerantes.
–O governo baseia-se nos princípios da sharia. O que é?
–Eid: A sharia é o compêndio do Alcorão, o Hadith, que são as declarações de Maomé, e de outras fontes como o Ishma, que é o consenso de todos os eruditos islâmicos (ulemás). A lei da sharia sai de tudo isso.
–Todos os residentes que vivem na Arábia Saudita estão submetidos à lei da sharia?
–Eid: Sim. E ninguém pode se opor, porque equivale a se opor ao islã. Na chegada ao aeroporto, informa-se de forma imediata de que se deve cumprir as estritas leis islâmicas. Eu, como cristão, por exemplo, tinha à mão um refrigerante durante o Ramadã. Dei-me conta de que todo mundo estava me olhando de um modo determinado e que me teriam batido. Não se pode comer em público durante o jejum. Só se pode comer de forma privada. Assim, deve-se observar o jejum mesmo que não seja muçulmano, porque é a lei.
–Os cristãos constituem o maior grupo não muçulmano da Arábia Saudita. Como os cristãos vivem sua fé nesse país?
–Eid: Em segredo. É proibido ter Bíblias, imagens religiosas e rosários, que, se forem detectados no aeroporto, são confiscados de imediato. Em uma ocasião, no aeroporto de Riade, eu estava com um vídeo e pediram para vê-lo. Era o filme Espartaco. De repente, tive medo de que vissem a imagem da crucificação. O guarda permitiu porque era um soldado o crucificado, e não Jesus Cristo… É difícil. Quando mais de dois, ou um grupo de famílias, rezam juntos de forma privada em sua casa, a polícia pode intervir para prendê-los.
–Que ocorre a um cristão que é capturado com um rosário em seu bolso ou portando uma cruz?
–Eid: Se estiver no bolso, ninguém poderá vê-lo. No entanto, se usar uma cruz, qualquer muçulmano – e não só a polícia – pode tirá-lo. Você será preso e corre o risco de ser expulso do reino. O enviarão para a prisão e, depois de alguns dias, emitirão um visto de expulsão.
–Que outro tipo de atividade cristão são punidas por lei?
–Eid: Punem-se todas as manifestações públicas de qualquer fé que não seja o islã. Eles sabem que os americanos, franceses e italianos celebram a Missa de Natal e Páscoa dentro das embaixadas, mas como a embaixada é extraterritorial, a lei não se aplica. A polícia, no entanto, está próxima para controlar. Não há igrejas, sinagogas ou templos no reino. Proíbe-se toda manifestação de outra fé.
–Quem faz cumprir a lei?
–Eid: Há 5.000 policiais religiosos divididos em 100 distritos, mas qualquer muçulmano pode impor a lei, denunciando uma pessoa. Passei dois anos e meio em Riade. Tinha medo de felicitar pela Páscoa ou Natal inclusive por telefone, porque temia que alguém pudesse estar escutando. A polícia religiosa controla tudo, incluindo as livrarias, porque é proibido vender qualquer postal com temas não muçulmanos. Há alguns anos, no colégio americano, um Papai Noel quase foi preso. É proibido.
–Os cristãos são objetivo particular de perseguição ou discriminação?
–Eid: Não só os cristãos, mas também as versões não wahhabis do islã, como a xiita ou a ismaelita. Nem todas as comunidades cristãs sofrem igual. Os norte-americanos, italianos, franceses e britânicos – de fato a maioria dos europeus e outros de países do primeiro mundo – sofrem menos, porque sabem que esses países são poderosos e intervirão de modo imediato para proteger seus cidadãos. Por isso tomam como objetivos os cristãos de países do terceiro mundo como Eritreia, Índia e Filipinas. Esses países temem a perda de remessas de seus cidadãos que vivem no reino.
–Até onde pode chegar a perseguição?
–Eid: Até a morte. Temos o caso do martírio de uma jovem saudita que se converteu ao cristianismo. Seu irmão a descobriu. Escreveu um poema para Cristo e lhe cortaram a língua, depois ela apareceu morta. Seu nome era Fatima Al-Mutairi e isso ocorreu em agosto de 2008. Em 2008, dois casos de intervenções da polícia religiosa deram como resultado que homens, mulheres e crianças de menos de três anos fossem presos. Temos muitos informes de torturas; antes de ser deportados a seus países, esses filipinos, indianos, eritreus são torturados nas prisões.
–Que número de muçulmanos se convertem ao cristianismo?Tem alguma informação?
–Eid: Não é possível saber. A sociedade é difícil de penetrar, porque o regime controla cada atividade. Em ocasiões se sente a partir da perspectiva das mulheres. Quando estas mulheres sauditas vão ao exterior, inclusive quando sobem no avião, tiram o ‘hiyab’. No Líbano e outros países, bebem álcool. Quando voltam a seu país, sabem que têm de cumprir as leis.
– E os convertidos?
–Eid: Existem cristãos convertidos. Eu acompanho a mídia em árabe, que transmite na Arábia Saudita e em todo mundo árabe, e durante as transmissões muitas ligações que têm origem na Arábia Saudita. Esses convertidos que viajam ao Marrocos e Egito falam de sua experiência, mas nunca mencionam seus nomes, e só pedem que a comunidade cristã reze por eles, porque aspiram a ver o dia em que lhes será permitido ir à igreja, andar com o Evangelho e partilhar sua fé. Se um convertido informa seu irmão ou seu pai de sua nova fé, enfrenta o perigo de ser acusado de traição à família, à nação e à sociedade.
–O professor egípcio Samir Khalil Samir, especialista em Alcorão, afirma que esse livro sagrado não traz obrigação nenhuma de matar um apóstata. De onde vem essa expressão de violência?
–Eid: Exatamente. No livro 14 do Alcorão fala-se de apostasia, mas não se diz nada de uma pena nesta vida, mas na segunda. Esta alteração vem do Hadith de Maomé em que diz que qualquer um que mude de religião deve ser morto. Mas disso surge outro problema, porque, como os milhares de Hadiths, não há provas de que Maomé tenha dito isso de verdade. Muitos países islâmicos, como Paquistão, Afeganistão sob os talibãs, Irã e Iêmen, entre outros, aplicam a pena de morte baseando-se em um Hadith do qual não há certeza de que tenha sido de Maomé.
–Pode nos falar dos católicos que vivem na Arábia Saudita?
–Eid: É difícil ser católico leigo na Arábia Saudita, porque é preciso uma fé com base profunda. Não se pode ter o Evangelho em casa. Não se pode ter o terço. Não se pode ter contato com amigos cristãos como comunidade. Você pode ter amigos, frequentar comunidades estrangeiras, mas está proibido de falar de sua fé.
Em outros países islâmicos, a sexta-feira é dia festivo, e assim se permite a Missa comunitária, mas não no domingo, pois o domingo é dia de trabalho. Mas este não é o caso da Arábia Saudita. Assim, você se torna uma comunidade consigo mesmo. Normalmente, não tem sequer a própria família, porque a Arábia Saudita põe restrições à reunificação familiar. Se você tem uma filha maior de 18 anos, não pode ficar na Arábia Saudita se ela não for casada. Assim, a maioria tem suas filhas em outros lugares. Você fica sozinho e sem contato com outros católicos, o que é muito difícil. Terá de ter a força da fé em seu coração, ser capaz de rezar sem livros de oração, só saber e rezar as orações de memória.
— — —Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para “Deus chora na terra”, um programa rádio-televisivo semanal produzido por ‘Catholic Radio and Television Network’, (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre. Mais informação em: www.fundacao-ais.pt
Papa recebeu presidente do Parlamento Europeu e pediu protecção para os cristãos
Bento XVI e Jerzy Buzek destacam contributo da Igreja Católica na construção da Europa, apelando à defesa da liberdade religiosa
Cidade do Vaticano, 28 Fev (Ecclesia) – Bento XVI recebeu hoje no Vaticano o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, apelando em favor da defesa das comunidades cristãs, principalmente nos países em que são minoritárias.
Em comunicado, a sala de imprensa da Santa Sé refere que no decorrer do encontro foram abordados “temas de actualidade, como o compromisso pela promoção da liberdade religiosa e a tutela das minorias cristãs no mundo”.
Buzek encontrou-se ainda com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, e o secretário do Vaticano para as relações com os Estados, arcebispo Dominique Mamberti.
Segundo a Santa Sé, os encontros decorreram num “clima de cordialidade”, permitindo “um útil intercâmbio de opiniões sobre as relações entre a Igreja Católica, o Parlamento Europeu e as outras instituições europeias”, destacando “o contributo que a Igreja pode oferecer” neste contexto.
Antecipando esta visita, Jerzy Buzek referiu em entrevista concedida à agência SIR que a perseguição aos cristãos no Médio Oriente “é uma preocupação partilhada pelo Parlamento Europeu”, e que estão a ser tomadas medidas para “arrepiar caminho” na preservação da liberdade religiosa.
O político polaco apresentava o cristianismo como “fonte importante de inspiração para a Europa”, que importa defender.
“Quando um Papa da Alemanha se encontra com o presidente do Parlamento Europeu, um polaco, nós podemos agradecer aquilo que conseguimos até agora”, sustentava Jerzy Buzek, considerando esta ida à Santa Sé como um símbolo de que “o Leste e o Oeste da Europa estão finalmente a crescer em conjunto”.
O Tratado de Lisboa, assinado em 2007, deu pela primeira vez uma base legal para o diálogo institucional entre a União Europeia e representantes das diversas comunidades religiosas.
Papa condena «vil» atentado contra cristãos no Egipto
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“Ontem de manhã (1 de Janeiro, ndr), soube com pesar da notícia do grave atentado contra a comunidade cristã copta que teve em lugar em Alexandria, do Egipto. Este vil gesto de morte, como o de colocar bombas junto das casas dos cristãos no Iraque para os obrigar a sair, ofende Deus e a humanidade inteira”, disse. O Papa falava depois da recitação do Angelus, na Praça de São Pedro, no Vaticano, diante de milhares de peregrinos. O atentado cometido no último Sábado, em Alexandria do Egipto, cerca de 200 quilómetros a norte do Cairo, aconteceu à saída de uma igreja copta, provocando a morte de 21 fiéis e ferindo dezenas de pessoas. Bento XVI falou de uma “estratégia de violência que toma como alvo os cristãos, e tem consequências sobre toda a população”. “Rezo pelas vítimas e seus familiares e encorajo as comunidades eclesiais a perseverarem na fé e no testemunho de não violência que nos vem do Evangelho”, prosseguiu. Neste contexto, Bento XVI recordou também os “numerosos agentes pastorais assassinados em 2010 em várias partes do mundo”, os quais, segundo a agência Fides, do Vaticano, foram 23, entre bispos, padres, religiosos e leigos. “A eles vai igualmente a nossa afectuosa recordação diante do Senhor. Permaneçamos unidos em Cristo, nossa esperança e nossa paz”, pediu o Papa. Bento XVI falou também, via satélite, às pessoas reunidas em Madrid, para uma manifestação intitulada “A família cristã, esperança para a Europa”, para celebrar o valor do matrimónio e da família. “Queridos irmãos, convido-vos a serdes fortes no amor e a contemplar com humildade o mistério do Natal, que continua a falar ao coração e se converte em escola de vida familiar e fraterna”, indicou. O Papa considerou que as famílias devem ser “autênticos santuários de fidelidade, respeito e compreensão, onde se transmite também a fé, se fortalece a esperança e se revigora a caridade”. “Encorajo todos a viver com renovado entusiasmo a vocação cristã no seio do lar, como genuínos servidores do amor que acolhe, acompanha e defende a vida”, concluiu. A iniciativa, que decorreu pelo segundo ano consecutivo, foi convocada pela diocese de Madrid e juntou milhares de participantes nos arredores da «Plaza de Colón». |
(fonte: Ecclesia)
“genocídio sistemático” no meio do silêncio mediático
“Cada dia, sete pessoas de cada dez no mundo, têm sua liberdade religiosa violada. E de cada cem mortos por motivos relacionados a seu credo, cinquenta são cristãos”.
Quem revela esses dados é Giuseppe Dalla Torre, reitor da LUMSA (Libera Università Maria Santissima Assunta), o centro acadêmico que organizou, no último mês de novembro, a mesa redonda “Guerra aos cristãos. Testemunhos de uma tragédia do século XXI”.
O título da mesa redonda remete ao livro de Mario Mauro, membro do parlamento europeu e representante pessoal da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) para a luta contra o racismo e a perseguição aos cristãos, que também interveio no encontro para narrar a tragédia das perseguições que os fiéis cristãos sofrem todos os dias em um dos lugares mais martirizados da terra.
“Hoje é fácil perder a vida se se crê em Jesus e, entretanto, a liberdade religiosa em geral, como diria João Paulo II, é o ‘papel decisivo’ que indica a existência das outras liberdades porque – explica Mauro – põe a descoberto a visão que tem o poder da pessoa humana e sua dimensão espiritual.”
Quem professa uma fé é portador de uma força interior que ninguém pode subtrair-lhe. E, por isso, aceita com dificuldade as limitações impostas ao próprio credo pelas esferas políticas. “Deus nasce, o poder treme”, escrevia o filósofo polonês Józef Tischner.
É assim para milhares de cristãos que, humilhados e perseguidos, deixam o país em que nasceram. Fogem ao norte do Iraque ou se refugiam nos países vizinhos, principalmente naJordânia.
O motivo que torna os cristãos perigosos aos olhos dos extremistas muçulmanos é sua peculiar capacidade de compreender a realidade. Além disso, “os cristãos são uma força integradora – esclareceu o Pe. Bernardo Cervellera, diretor da agência informativa Asianews -, mediadores entre os diversos grupos étnicos. Graças a eles, mantém-se viva a esperança de uma convivência pacífica. Esta é, para os muçulmanos, a última oportunidade para abrir-se à modernidade”.
O reitor da LUMSA mostrou sua convicção de que o silêncio parece encobrir esta tragédia, em primeiro lugar, humana. Mauro centrou suas acusações às autoridades europeias, especialmente ao Parlamento: “Demoraram nada menos que 10 anos para aprovar um mecanismo de proteção aos cristãos do Iraque”. E denunciou que não existe um pronunciamento da ONU a respeito.
A resolução europeia referida pelo parlamentar foi votada dia 25 de novembro passado e condicionada à concessão de ajudas ao respeito das distintas liberdades, entre elas a de culto.
E, para não esquecer dos 60 iraquianos assassinados no dia 31 de outubro passado, na catedral siro-católica de Bagdá, dedicada a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, as embaixadas iraquianas ante a Itália e a Santa Sé realizaram uma celebração no passado 9 de dezembro.
Um dos últimos episódios que provocou mais sofrimento às comunidades católicas presentes no Iraque foi a condenação à morte de um dos ministros de Saddam Hussein, o católico caldeu Tarek Aziz.
A execução da sentença poderia ser outro motivo de violência entre os seguidores dos diversos credos do país. Aziz foi um defensor de seus correligionários e um mediador incansável ante a Santa Sé e diversos países para chegar a um diálogo de paz no Iraque.
