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World Watch List 2016

A perseguição contra os cristãos no mundo cresceu 2,6% em 2015, de acordo com a World Watch List 2016, publicada pela organização Open Doors. Entre novembro de 2014 e novembro de 2015, foram assassinados 7.100 cristãos, contra 4.344 no ano precedente. Também cresceu o número de igrejas atacadas: foram mais de 2.400, contra 1.062 em 2014

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Mais de uma centena de cristãos mortos nos últimos 12 meses no Paquistão

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Mais de 120 cristãos morreram no ano passado em resultado de violência religiosa no Paquistão. Os dados são avançados pelo mais recente relatório da Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional.

Nesse relatório verifica-se que a violência contra as comunidades cristãs aumentou substancialmente nos últimos meses. Sete cristãos foram mortos em ataques entre Junho 2012 e Junho de 2013, enquanto nos últimos 12 meses foram já 128.

Este aumento exponencial deve-se sobretudo ao ataque à Igreja de Todos os Santos, em Peshawar, em Setembro do ano passado, em que pelo menos 119 pessoas morreram quando dois bombistas suicidas realizaram um ataque quando decorria uma celebração eucarística na igreja, tal como a Fundação AIS noticiou na ocasião.

O grupo extremista islâmico TTP Jundullah, que tem ligações com os talibãs afegãos, reivindicou a responsabilidade pela explosão, que foi o mais mortífero ataque contra os cristãos na história do país.

No entanto, o grupo religioso mais visado no Paquistão não são os cristãos, mas sim os muçulmanos xiitas. Mais de 220 ​​xiitas foram assassinados nos últimos 12 meses, em atentados, tiroteios e ataques direccionados contra a comunidade.

No relatório da Comissão norte-americana, refere-se que  os atentados contra “grupos religiosos” permanecem  a um nível “alarmante” no Paquistão, “com pouca ou nenhuma resposta eficaz por parte do governo a nível federal, estadual ou local”.

Na opinião dos relatores, “enquanto o governo não tomar medidas contra os autores da violência religiosa, protegendo os mais vulneráveis, a situação continuará a deteriorar-se”.

O Paquistão é normalmente considerado como um dos 10 países no mundo onde a comunidade cristã é mais violentamente perseguida por causa da sua fé, registando-se um elevado grau de impunidade para com os autores dessa violência, salientando-se os casos das conversões forçadas e da lei da blasfémia, ambas responsáveis pelo aumento das tensões religiosas.

De referir o caso mundialmente conhecido de Asia Bibi, que, tal como a Fundação AIS tem acompanhado (ver notícia em Julho), se encontra na prisão desde 2010, condenada por blasfémia, e cujo processo continua inexplicavelmente parado.

Fundação AIS

 

Novo relatório sobre a liberdade religiosa no mundo

O relatório World Watch List 2013 divulgado pela organização americana Open Doors, revelou que a Coreia do Norte se encontra no topo da lista de regimes opressores da liberdade religiosa.
O relatório foi apresentado ontem em Washington pelo secretário de Estado americano, John Kerry, que acusou Pyongyang de “absoluta e brutal repressão das atividades religiosas”.

The World Watch List is a ranking of 50 countries where persecution of Christians for religious reasons is most severe

Vietname: liberdade religiosa nas mãos do Estado

Vietname: liberdade religiosa nas mãos do Estado

Vietname: liberdade religiosa nas mãos do Estado (foto Lusa)

A nova Constituição entra em vigor no início de 2014 mas está longe de satisfazer os líderes religiosos e os ativistas dos direitos humanos, em matéria de liberdade religiosa. Os funcionários públicos ficam com poderes para reprimir grupos religiosos

Os líderes religiosos, intelectuais e defensores dos direitos humanos ficaram dececionados com a nova Constituição do Vietname, que entra em vigor a 1 de janeiro de 2014. Num comunicado enviado à agência Fides, a Christian Solidarity Worldwide (CSW) lamenta que a legislação preserve o domínio do Partido Comunista e mantenha a liberdade religiosa sob estrito controlo do Estado. Os ativistas consideram que se perdeu uma oportunidade para fazer verdadeiras reformas políticas e sociais.

Embora o documento contenha cláusulas que protegem o direito de seguir uma religião, os funcionários públicos que se opõem ao crescimento da religião «podem facilmente» usar o novo articulado legislativo «para reprimir líderes e grupos religiosos», observa CSW. Além do mais, a futura Constituição ignora todas as recomendações feitas por um grupo de intelectuais do país e pelos bispos católicos.

«Compartilhamos a frustração e deceção expressa pelos líderes religiosos. Reiteramos o pedido de que as disposições constitucionais no Vietname estejam em conformidade com as normas internacionais de direitos humanos, incluindo as normas sobre a liberdade de religião ou crença», refere Mervyn Thomas, diretor executivo da CSW.

in Fátima Missionária

Papa Francisco alerta para ataques e limitações impostas à liberdade religiosa

Pope-Francis-Evangelii-GaudiumO Papa alerta, na sua primeira exortação apostólica, para os “verdadeiros ataques” à liberdade religiosa no mundo de hoje, que se traduzem em “novas situações de perseguição aos cristãos”.

Francisco destaca que essas perseguições atingiram nalguns países “níveis alarmantes de ódio e violência”.

“Noutros países, a resistência violenta ao cristianismo obriga os cristãos a viverem a sua fé às escondidas no país que amam”, refere, na ‘Evangelii Gaudium’ (a alegria do Evangelho, em português), documento divulgado pela Santa Sé.

Face a este cenário, o Papa apresenta o diálogo inter-religioso como “condição necessária para a paz no mundo”, dirigindo apelos aos países de tradição islâmica para que garantam liberdade a para os cristãos.

“Rogo, imploro humildemente a esses países que assegurem liberdade aos cristãos para poderem celebrar o seu culto e viver a sua fé, tendo em conta a liberdade que os crentes do Islão gozam nos países ocidentais”, explica.

Francisco observa, por outro lado, que os episódios de fundamentalismo violento não devem levar a “generalizações odiosas”, porque “o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão” se opõem a “toda a violência”.

O texto deixa ainda uma mensagem de “diálogo e amizade” aos judeus, antes de “lamentar, sincera e amargamente, as terríveis perseguições de que foram e são objeto, particularmente aquelas que envolvem ou envolveram cristãos”.

“Uma atitude de abertura na verdade e no amor deve caracterizar o diálogo com os crentes das religiões não-cristãs, apesar dos vários obstáculos e dificuldades, de modo particular os fundamentalismos de ambos os lados”, prossegue o Papa.

A exortação apostólica adverte para uma “generalizada indiferença relativista” e assinala que o processo de secularização “tende a reduzir a fé e a Igreja ao âmbito privado e íntimo”.

“Um são pluralismo, que respeite verdadeiramente aqueles que pensam diferente e os valorizem como tais, não implica uma privatização das religiões, com a pretensão de as reduzir ao silêncio e à obscuridade da consciência de cada um ou à sua marginalização no recinto fechado das igrejas, sinagogas ou mesquitas”, escreve Francisco.

O Papa defende por isso o direito dos responsáveis católicos a “exprimir opiniões sobre tudo aquilo que diz respeito à vida das pessoas”.

“Quem ousaria encerrar num templo e silenciar a mensagem de São Francisco de Assis e da Beata Teresa de Calcutá? Eles não o poderiam aceitar”, observa.

Francisco aponta o dedo à “cultura mediática e alguns ambientes intelectuais” que diz transmitirem “uma acentuada desconfiança quanto à mensagem da Igreja, e um certo desencanto”.

“O individualismo pós-moderno e globalizado favorece um estilo de vida que debilita o desenvolvimento e a estabilidade dos vínculos entre as pessoas e distorce os vínculos familiares”, prossegue.

O documento pontifício menciona um “regresso ao sagrado” e uma “busca espiritual” que se apresentam hoje como “fenómenos ambíguos”.

“Mais do que o ateísmo, o desafio que hoje se nos apresenta é responder adequadamente à sede de Deus de muitas pessoas”, assinala o Papa.

Francisco dirige-se aos que caminham “à margem de Deus”, considerando que os mesmos “deixam de ser peregrinos para se transformarem em errantes, que giram indefinidamente em volta de si mesmos, sem chegar a lado nenhum”.

Ecclesia

Shahbaz Bhatti recordado num encontro em defesa da liberdade religiosa

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Sábado passado, o centro de Londres assistiu a um invulgar encontro em defesa da liberdade religiosa e em memória de Shahbaz Bhatti, o ministro paquistanês para as minorias, assassinado há dois anos.

O encontro, que contou com a participação activa da Fundação AIS, teve origem junto à sede do Alto Comissariado para os Assuntos do Paquistão, em Knightsbridge, reuniu cristãos, hindus, muçulmanos, judeus e budistas, tendo como temática principal a questão da violação dos direitos humanos em que se enquadra a ausência de liberdade religiosa em tantos países no mundo.

Os participantes deslocaram-se depois até Downing Street, onde entregaram uma petição em defesa da libertação imediata de Asia Bibi, que, recorde-se, continua detida por causa de um alegado crime de blasfémia e em cuja defesa se envolveu o ministro Bhatti, o que causou o seu assassinato.

Entre as diversas intervenções, destaque para Wilson Chowdhry, da Associação dos Cristãos Paquistaneses em Inglaterra, que sublinhou a importância da defesa da liberdade religiosa no mundo de hoje, tendo recordado Shahbaz Bhatti como “um exemplo brilhante” dessa militância. Recorde-se que os responsáveis pelo assassinato do Ministro para as Minorias do governo paquistanês continuam sem serem levados à Justiça.

Saiba mais em http://www.fundacao-ais.pt

Autoridade vaticana pede liberdade no Paquistão

O Paquistão precisa de “respeito à liberdade religiosa e de consciência, que é o selo da justiça e da paz”, destacou o secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, Dom Savio Hon Tai-Fai, em uma mensagem enviada à Igreja local.

O texto foi lido à assembleia de bispos, sacerdotes, religiosos e leigos que se reuniram em Karachi para iniciar o Ano da Missão, que começou em 1º de outubro e terminará em 9 de setembro de 2012.

Na mensagem, divulgada pela agência Fides, o arcebispo se mostrou satisfeito por “partilhar o entusiasmo e renovado impulso missionário para pregar o Evangelho e semear a Palavra de Deus no terreno fértil de muitos corações”.

Dom Savio Hon Tai-Fai se referiu à comunidade cristã do país destacando que, “entre provas e tribulações, sua perseverança na fé, esperança e caridade é admirável”.

O prelado citou o 25º aniversário do Dia Mundial de Oração pela Paz, celebrado em Assis, em 27 de outubro de 1986.

Afirmou que “apaz, como um desejo sincero de todos, parece algo frágil em muitas sociedades”.

Para defendê-la, prosseguiu,”duas coisas são de suma importância: o imperativo interior da consciência moral, que nos convida a respeitar, proteger e promover a vida humana. É um imperativo que nos ajuda a superar o egoísmo, a ganância e o espírito de vingança”.

Também destacou a importância de acreditar que “a paz vai além dos esforços humanos. Assim, sua fonte e realização devem ser procuradas em uma realidade além de nós todos”.

“Como cristãos, estamos convencidos da verdade de que Cristo é a nossa paz. Então, nós pregamos Cristo e o seu Evangelho porque, com sua vida e morte, Ele nos ensinou a amar, servir e fazer a paz entre os indivíduos e os povos”, acrescentou.

Centrando-se no contexto do Paquistão, o bispo disse que “oamor cristão nos obriga ao diálogo e a promover relações positivas e construtivas com pessoas de outras comunidades e outras religiões”.

“É edificante constatar os enormes esforços realizados no Paquistão, o testemunho do fato de que cristãos e muçulmanos podem trabalhar e caminhar juntos em paz”, ainda que seja necessária uma melhoria urgente neste campo, indicou.

Escreveu também que, “como uma pequena minoria numa sociedade de maioria muçulmana, a Igreja no Paquistão vive e se move em um quadro que exige sensibilidade e grande amor por nossos irmãos e irmãs muçulmanos”.

A mensagem conclui com a esperança de um frutífero trabalho das Pontifícias Obras Missionárias, que estão comemorando 60 anos de presença no Paquistão.

O prelado garante a proximidade, na oração, da Igreja universal e da Igreja no Paquistão, e lança um apelo aos fiéis do país, com as palavras de Jesus aos apóstolos: “Não tenham medo!”.

(fonte ZENIT.org)

Não há liberdade religiosa no Iraque

Dois bispos iraquianos – o Arcebispo de Erbil, Dom Bashar Matti Warda, e o Arcebispo caldeu de Mosul, Dom Emil Nona, foram recebidos no último dia 13 pelo Presidente do Conselho da Europa, Hermann van Rompuy, em Bruxelas. No encontro, os prelados relataram ao mandatário europeu a condição dos cristãos no país, frisando textualmente que “não existe liberdade religiosa no Iraque”.

Eles explicaram que o artigo 3 da Constituição iraquiana concede uma espécie de primazia ao direito islâmico, já que nenhuma lei pode contradizer a ‘xariá’, a lei islâmica.

Os dois bispos pediram ajudas para construir escolas, o que beneficiaria toda a sociedade iraquiana: “A educação ajudaria a desenvolver uma nova cultura, bem como a liberdade religiosa, abrindo novas perspectivas aos jovens” – afirmou Dom Warda.

O Presidente do Conselho da Europa quis saber das circunstâncias em que vivem as famílias iraquianas, da situação da mulher no país, do futuro dos cristãos na antiga Mesopotâmia, a proteção dos refugiados e como a Europa pode ajudar.

Segundo Hermann van Rompuy, as instituições da União Europeia estão interessadas em conhecer a situação e o futuro dos cristãos em locais onde sofrem algum tipo de perseguição, especialmente no Oriente Médio.

Em fevereiro de 2011, a União Europeia condenou a perseguição e os ataques sofridos pelos cristãos em muitos lugares do mundo. A declaração reconhecia que a liberdade religiosa é um direito fundamental de todos os seres humanos, que deve ser protegido “em todos os lugares”.

Segundo Dom Warda, desde 2003, mais de 500 cristãos foram assassinados por motivos religiosos ou políticos, 66 igrejas foram atacadas e 4 mil famílias cristãs iraquianas abandonaram a Diocese de Erbil, no norte curdo do Iraque, para fugir da violência e da intimidação.

As informações foram divulgadas pela AIS, Ajuda à Igreja que Sofre, para a qual o Iraque é um dos países prioritários. No ano passado, foram destinados 567.697 euros para ajudar as comunidades católicas que optaram por permanecer no país apesar das hostilidades sofridas por parte de grupos radicais. Desde o início da guerra, milhares de caldeus abandonaram o país.

A Comissão “Justiça e Paz” afirma: “o enviado da ONU deve vir ao Paquistão. Urge abolir a lei da blasfêmia”

A Comissão “Justiça e Paz” dos Bispos paquistaneses convida o Observador Especial da ONU sobre a Tolerância Religiosa a visitar o Paquistão para constatar os “abusos e violências contra minorias religiosas” e pede ao governo paquistanês a abolição da chamada “lei da blasfêmia”.

É o que afirma o novo Relatório da Comissão, intitulado “Human Rights Monitor 2011”, enviado à Agência Fides, que ilustra um quadro alarmante sobre a condição das minorias religiosas e dos cristãos no atual Paquistão.

“O ano 2010-2011 foi um “ano tenebroso” para as minorias: basta lembrar o homicídio de Shahbaz Bhatti, mas existe uma atenção da comunidade internacional e dos meios de comunicação sobre tais problemas. Isto nos dá esperança, mas impõe também uma contínua avaliação das notícias e uma investigação dos casos: obra que a Comissão realiza constantemente e com o máximo cuidado”, disse à Agência Fides, comentando o relatório, Peter Jacob, Secretário Executivo da Comissão Justiça e Paz, órgão da Conferência Episcopal do Paquistão.

Segundo dados contidos no amplo relatório (145 páginas) enviado à Agência Fides, as minorias religiosas no Paquistão são vítimas de intolerância religiosa e discriminações sociais.

Sofrem ataques religiosos e discriminações sociais. Sofrem ataques a igrejas e instituições; hostil propaganda religiosa, que fomenta o ódio; violação da liberdade religiosa; conversões forçadas; a expropriação forçada de terras e propriedades. Tudo isso acontece porque no Paquistão – relata o documento – “têm leis que violam os direitos das minorias, tais como blasfêmia” e porque acontecem muitas vezes “abuso de poder por parte policiais e políticos poderosos”.

Tocando o “ponto nevrálgico” da lei da blasfêmia, o relatório cita pelo menos 40 pessoas acusadas de blasfêmia, incluindo 15 cristãos, 10 muçulmanos, 6 hinduístas e 7 ahmadis. Entre 1986 (ano em que a lei entrou em vigor) e 2011, os acusados de blasfêmia e assassinados em execuções extrajudiciais foram 37, incluindo 18 cristãos e 16 muçulmanos. No mesmo período, foram indiciados por blasfêmia 1081 pessoas entre elas 138 cristãos, 438 muçulmanos, 454 ahmadis, 21 hinduístas.

O relatório também dedica uma seção de “crimes contra as mulheres”, denunciando a falta de políticas para sua promoção social. Em particular, as mulheres pertencentes a minorias religiosas são consideradas “objetos” e são vítimas de assassinato, violência, estupros, seqüestros, conversões forçadas e casamentos: O relatório descreve em detalhes pelo menos 15 casos exemplificados.

Entre as recomendações, “Justiça e Paz” pede ao governo “mudanças urgentes nas leis e políticas públicas” para eliminar leis discriminatórias contra as minorias e “para garantir os direitos civis, sociais, econômicos, culturais e religiosas”, fornecendo “um quadro de pleno respeito pelos direitos humanos fundamentais”. Para isso precisamos “revogar a lei da blasfêmia e compensar as vítimas”. Além disso, exigem a criação de duas comissões permanentes, uma para os Direitos Humanos e as Minorias Religiosas, com poderes de Tribunal de Justiça, e a tarefa de acompanhar a situação. Para esse efeito, a Comissão convida igualmente o Observador Especial da ONU sobre a Tolerância Religiosa a visitar o Paquistão. Uma nota diz respeito também à “alteração do sistema de ensino no Paquistão”, que afeta negativamente a geração mais jovem e tende a assimilar as minorias religiosas.

(fonte: Agência Fides 15/9/2011)

TERCEIRO ANIVERSÁRIO DOS MASSACRES DE ORISSA

Enquanto nos aproximamos do terceiro aniversário dos massacres de Orissa (24 de agosto é o dia da comemoração), a comunidade cristã local continua a enfrentar o assédio e a violência de todos os tipos, política, jurídica, econômica e social. Em 24 de agosto, o dia escolhido para lembrar os massacres de 2008, os cristãos de Orissa rezarão e se reunirão em assembleia para homenagear as vítimas e para levantar a voz contra as injustiças que ainda os atingem.

Como referem as fontes da agência Fides na diocese de Cuttak-Bhubaneswar, o governo local está violando patentemente a liberdade religiosa dos fiéis cristãos, proibindo-os de reconstruir as igrejas demolidas durante as violências ou de edificar novas nas “colônias” cristã, formadas após os massacres.

O governo local no distrito de Kandhamal (o mais afetado pelos massacres) enviou uma carta ao pároco da Igreja Católica de “Nossa Senhora da Medalha Milagrosa”, que se encontra em Mondasoro, ordenando-o imediato congelamento da obra de reconstrução de uma capela no vilarejo de Padunbadi, alegando que a terra é de propriedade do Estado. “A igreja no vilarejo – destaca à Fides o pároco local, Padre Laxmikant Pradhan – existe há mais de duas gerações” e, portanto, a ordem do governo, que impede a reconstrução da igreja, é uma clara injustiça contra os fiéis cristãos, já provados pela fome, deslocamento e pobreza.

O caso de Mondasoro não é o único: alguns dias atrás o governo deteve a construção de outra igreja católica em Nadagiri, sempre no distrito de Kandhamal. Nandagiri é um bairro onde eles foram realocados numerosas famílias cristãs que, deslocadas após as violências de 2008, não puderam retornar às suas localidades de origem, ocupadas pelos extremistas hindus.

Na colônia há 54 famílias católicas e 17 protestantes, de denominação pentecostal, que continuaram a celebrar o culto em lugares improvisados e que tinham começado a construir uma capela. O governo, revelam fontes locais da Fides, ordenou o bloqueio aceitando as queixas dos radicais, mas violando o princípio da liberdade religiosa garantido na Constituição da Índia. (SP)

Fonte Rádio Vaticano

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