A Rússia e as religiões
Recentemente, o Pew Research divulgou um relatório intitulado Russians Return to Religion, but Not to Church. O estudo compara os resultados de três estudos diferentes (dos anos 1991, 1998 e 2008), realizados pela International Social Survey Programme.
Os resultados mostram uma mudança dramática e, no período de 1991 a 2008, a percentagem de adultos russos que se identificam como cristãos ortodoxos, aumentou de 31% para 72%.
No mesmo período, a percentagem da população russa que não se identifica com nenhuma religião caiu de 61% para 18%.
De acordo com o relatório, há um ligeiro aumento no número de pessoas que se identificam com outras religiões, como o Islamismo, o Catolicismo e o Protestantismo.
Também os valores religiosos têm aumentado no período 1991-2008, com a proporção de adultos Russos que se dizem religiosos de algum modo, que aumentou de 11% para 54%. Aqueles que dizem crer em Deus aumentaram de 38% para 56%.
A última seção de dados revela a curiosa situação em que dos 72% das pessoas que se identificam com o Cristianismo Ortodoxos, apenas 56% dizem acreditar em Deus.
A freqüência das igrejas permanece muito baixa. Todos os três levantamentos mostram que o número de pessoas que vão à igreja pelo menos uma vez por mês varia de 2% em 1991 para 7% em 2008.
Dividindo os dados por grupos demográficos, o relatório do Pew observa que os valores religiosos são significativamente mais difundidos entre as mulheres do que entre os homens, embora não haja uma diferença notável no que diz respeito à prática sacramental (9 % versus 5% ).
Em 2008, a maioria de todas as faixas etárias se identificam como cristãos ortodoxos, no entanto, esse percentual era maior entre os idosos.
Vindo para o nível da educação, o relatório diz que não há diferenças significativas entre aqueles que têm um diploma universitário e aqueles que interromperam seus estudos antes.
Enquanto a filiação religiosa sofreu uma mudança considerável, as táticas da mão pesada do governo russo não mudaram. A intolerância crescente do Kremlin merece mais atenção do que a dada aos Jogos Olímpicos, disse a Comissão sobre a Liberdade Religiosa (USCIRF) Internacional, em um comunicado do passado 5 de fevereiro.
A Comissão observa que existem leis excessivamente amplas que restringem a liberdade de religião e de expressão, que “violam claramente os padrões internacionais”.
“Essas leis são parte do ataque à liberdade religiosa e de expressão por parte do governo Putin”, disse o presidente da USCIRF, Robert P. George.
George identificou as leis anti-blasfêmias, que descreve como vagas e, ao mesmo tempo, drásticas; elas impõem pesadas multas e prisões para aqueles “que ofendam os sentimentos dos demais”.
“As pessoas devem ser livres para expressar as suas crenças pacificamente, sem medo de punições ou discriminações e os direitos de cada um devem ser respeitados”, declarou George.
A falta de liberdade religiosa na Rússia tem sido amplamente documentada pelo relatório do Fórum 18. O grupo de inspiração cristã – uma iniciativa da Dinamarca e da Noruega – leva o nome do artigo 18 º do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.
Um relatório publicado em 14 de janeiro desse ano examina as aulas de religião e ética tidas nas escolas russas, onde foram reintroduzidas em 2012, com o fim da proibição, acontecida com a Revolução Bolchevique de 1917.
O principal livro de texto, observa o Forum 18, é basicamente equilibrado. A sua aplicação é, contudo, problemática.
Visitando algumas regiões da Sibéria, emerge que na República de Khakassia, um pai luterano se queixou de que à sua filha, pelo curso de religião, foi oferecido apenas o módulo relativo à Cultura Ortodoxa e que o reitor da escola tinha proclamado: “Vivemos em um país ortodoxo”.
O Forum 18 havia publicado anteriormente um trecho de duas partes de um livro do seu correspondente na Rússia, Geraldine Fagan ( Acreditando na Rússia – Religious Policy after Communism, Routledge, 2013).
Fagan observa que: “A Igreja Ortodoxa Russa se propõe como a definitiva expressão da nacionalidade russa. Visões alternativas do mundo são marginalizadas”.
A autora assume um ponto de vista em maneiras diferentes daquele expresso pela USCIRF, afirmando que: “A erosão da liberdade religiosa não é devido à deliberada preferência federal para a Igreja Ortodoxa Russa. É mais um sintoma de um Kremlin desinteressado que se abstém de intervir na esfera religiosa”.
Como resultado dessa indiferença suprema, alguns oficiais subalternos foram deixados livres para “seguir uma política centrada na ortodoxia religiosa, apesar da norma federal”, diz Fagan .
No entanto, a autora observa que os líderes políticos russos estão usando valores nacionais e identificação com a Igreja Ortodoxa Russa, como uma forma de proteger os interesses dos políticos.
No último dia 11 de fevereiro, Elliott Abrams do USCIFR testemunhou perante a Comissão dos Assuntos Exteriores dos Estados Unidos sobre a questão da liberdade religiosa tendo em vista a perseguição dos cristãos.
Quanto à Rússia, Abrams declara que as condições da liberdade religiosa deterioraram-se no ano passado e que há “sinais crescentes de uma política oficial que favorece o Patriarcado de Moscou e a Igreja Ortodoxa Russa em relação a outras comunidades religiosas. ”
Parece que na Rússia as regras do jogo na esfera religiosa estão bem longe de existir.
John Flynn, LC | Zenit
A ONU é favorável ou contrária aos cristãos?
O recente relatório “ONGs religiosas e as Nações Unidas” afirma que as ONGs cristãs continuam a ser maioritárias, o que gerou crítica de outros grupos religiosos. Oficialmente, mais de 70% das ONGs religiosas ligadas à ONU são cristãs, afirma o estudo liderado pelo professor Jeremy Carrette e do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade de Kent, na Inglaterra.
Proporcionalmente, o financiamento também vai na sua maioria para as ONGs cristãs, o que limita o repasse a outros grupos religiosos, como o hinduísmo e o budismo. As ONGs muçulmanas preferem buscar apoio da Organização para Cooperação Islâmica (OCI), que reúne 57 países islâmicos e funciona em paralelo à ONU.
O professor Carrette afirma: “É necessária uma ‘boa vontade global’ para que o sistema das Nações Unidas contemple todas as religiões da mesma forma… O relatório também mostra que as religiões constituem uma parte importante da política global internacional e que, num mundo globalizado, precisamos de estabelecer um novo contrato pluralista para a igualdade de acesso a todas as religiões dentro do sistema das Nações Unidas”.
Entre as ONGs religiosas mais ativas estão as de origem católicas, quakers (protestante) e da fé Baha’i, que fazem o maior número de reuniões com os diplomatas da ONU.
Por outro lado, após o vigésimo aniversário de fundação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a ONG Direitos Humanos Sem Fronteiras publicou uma denúncia contra a ONU. A principal queixa é que oito dos 47 países que possuem assentos no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas mantiveram pessoas presas em 2013 por questões religiosas.
Divulgado no dia 30 de dezembro, o relatório Liberdade de Religião Mundial e Lista de Prisioneiros aponta que Marrocos, China e Arábia Saudita, Índia, Indonésia, Cazaquistão, Líbia e Coreia do Sul não podem defender os direitos humanos se não são capazes de respeitá-los no seu próprio território.
Segundo o relatório do Direitos Humanos Sem Fronteiras (DHSF), centenas de crentes e ateus foram presos nesses e noutros 16 países numa tentativa de se proibir os direitos relacionados a questões religiosas, incluindo a liberdade de mudar de religião, compartilhar crenças, realizar cultos e reuniões religiosas públicas. As violações relacionadas à difamação religiosa e blasfémia também estão incluídas no relatório.
China, Marrocos, Arábia Saudita, Índia, Indonésia, Líbia, Cuba, México, Paquistão, Emirados Árabes Unidos e Maldivas que tem assentos no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas prenderam cristãos em 2013. O relatório aponta ainda que Eritreia, Irã, Coreia do Norte e Arábia Saudita são de “especial preocupação” pelo grande número de prisioneiros religiosos que mantém.
Em comunicado oficial, a DHSF exige que a ONU se pronuncie em favor dos prisioneiros (na sua grande maioria cristãos), pois para participar da Comissão, o termo assinado afirma que “os Estados-Membros devem manter os mais altos padrões na promoção e proteção dos direitos humanos”.
Willy Fautre, diretor da DHSF, disse ainda que “Nosso desejo para o Ano Novo é que estes e os outros Estados membros do Conselho de Direitos Humanos possam dar um bom exemplo para outras nações do mundo, liberando esses prisioneiros de consciência e não privando nenhuma outra pessoa de liberdade por causa de suas crenças em 2014”.
Fonte: Gospel Prime, com informações Washington Post e Independent
Vietname: liberdade religiosa nas mãos do Estado
A nova Constituição entra em vigor no início de 2014 mas está longe de satisfazer os líderes religiosos e os ativistas dos direitos humanos, em matéria de liberdade religiosa. Os funcionários públicos ficam com poderes para reprimir grupos religiosos
Os líderes religiosos, intelectuais e defensores dos direitos humanos ficaram dececionados com a nova Constituição do Vietname, que entra em vigor a 1 de janeiro de 2014. Num comunicado enviado à agência Fides, a Christian Solidarity Worldwide (CSW) lamenta que a legislação preserve o domínio do Partido Comunista e mantenha a liberdade religiosa sob estrito controlo do Estado. Os ativistas consideram que se perdeu uma oportunidade para fazer verdadeiras reformas políticas e sociais.
Embora o documento contenha cláusulas que protegem o direito de seguir uma religião, os funcionários públicos que se opõem ao crescimento da religião «podem facilmente» usar o novo articulado legislativo «para reprimir líderes e grupos religiosos», observa CSW. Além do mais, a futura Constituição ignora todas as recomendações feitas por um grupo de intelectuais do país e pelos bispos católicos.
«Compartilhamos a frustração e deceção expressa pelos líderes religiosos. Reiteramos o pedido de que as disposições constitucionais no Vietname estejam em conformidade com as normas internacionais de direitos humanos, incluindo as normas sobre a liberdade de religião ou crença», refere Mervyn Thomas, diretor executivo da CSW.
O projeto da nova Constituição garante a liberdade religiosa no Egipto
A República Árabe do Egipto é “um Estado soberano uno e indivisível, uma República democrática fundada na cidadania e num Estado de Direito”.
É desta forma que é definida a nação egípcia no projeto de nova Constituição predisposta pelos 50 membros da Assembleia Constitucional e destinado a ser submetido a um referendo popular até janeiro de 2014. Do texto constitucional foi colocada em circulação uma versão em forma não oficial que permite avaliar objetivamente os artigos sobre o exercício da liberdade religiosa. Alguns exemplos:
O artigo 2 define o Islão como religião do Estado e os princípios da Lei Islâmica (Sharia) são reconhecidos como a fonte principal do Direito; o artigo 3 estabelece que os cristãos e hebreus egípcios poderão seguir as normas derivantes dos seus respetivos princípios de jurisdição canónica e religiosa naquilo que diz respeito ao próprio estatuto pessoal e às questões ligadas à vida e à prática religiosa, a partir da escolha dos próprios chefes espirituais; no artigo 50, a época copta é elencada entre os elementos que entram na herança partilhada da civilização egípcia; e ainda no artigo 74 é reconhecido aos cidadãos o direito de formar partidos políticos, mas é proibido constituir partidos políticos fundados na religião. Recordemos que este projeto ainda será submetido, como já referimos antes, a um referendo nacional.
Entretanto, precisamente nesta segunda-feira na missa na Casa de Santa Marta com o Papa Francisco concelebrou o Patriarca dos Coptas Católicos de Alexandria Ibrahim Isaac Sidrak por ocasião da manifestação pública da comunhão eclesial com o Sucessor de Pedro. Foi um momento de grande intensidade espiritual em que o Papa Francisco na sua homilia, pegando nas palavras do Profeta Isaías na primeira leitura, logo lançou palavras de encorajamento aos irmãos do Egipto:
Por sua vez o Patriarca Sidrak expressou toda a sua alegria por ter podido celebrar com o Papa e sublinhou que a Igreja no Egipto neste delicado momento precisa do apoio paterno do sucessor de Pedro. Invocou, assim, o dom da paz:
“Possa a luz do Santo Natal ser a estrela que revela o caminho do amor, da unidade, da reconciliação e da paz, dons de que a minha Terra tem tanta necessidade. Pedindo a sua bênção, Padre Santo, aguardamo-lo no Egipto.”
fonte: Rádio Vaticano
Liberdade religiosa em Portugal: São numerosos os casos de católicos tratados contra as suas convicções
A falta de liberdade religiosa não é específica de Portugal. Em toda a Europa há fenómenos muito preocupantes de discriminação e intolerância contra os cristãos, e em especial contra os católicos.
São fenómenos subtis, gerados por uma nova situação jurídica, como a emergência de novos direitos e a progressiva laicização da sociedade, mas que têm consequências graves para a vida quotidiana dos cristãos, sobretudo dos militantes, daqueles que estão verdadeiramente comprometidos com a doutrina e a prática da Igreja.
Há também, noutras áreas, um amor crescente à liberdade, pelo que a situação é ambígua; não é uma situação clara, simples, de confronto entre bem e mal. É uma situação que tem muitas esperanças, mas também muitos sinais de preocupação.
É preciso um crescendo de consciência de que a liberdade religiosa é indivisível, que ela não é apenas o direito que cada pessoa tem de praticar a religião no segredo do seu coração, mas é o direito de viver de acordo com a sua consciência, de pautar a sua vida pelos ensinamentos da religião a que se pertence, expressar publicamente a sua fé, intervir na praça pública como cidadãos a partir das estruturas fundamentais da fé que se professa.
Se uma enfermeira de um centro de saúde que diz ser objetora de consciência contra o aborto, é excluída por essa razão das equipas de planeamento familiar, isto é uma discriminação gravíssima contra as liberdades fundamentais, contra o direito ao trabalho, contra a liberdade religiosa.
O coordenador da equipa que exclui aquela enfermeira, porque acredita que ela não vai aconselhar o aborto às utentes, julga que está a fazer uma coisa legítima, que está a defender a saúde pública. E com certeza que tem motivações que são respeitáveis na praça pública. Mas a consequência é contrária aos Direitos Humanos, às liberdades fundamentais e à Constituição.
Por isso é preciso olhar para a liberdade religiosa com espírito de diálogo, com compreensão, sem pretender acicatar confrontos, mas com coragem e enfrentando-a com verdade, indo até ao fundo do diálogo que ela suscita.
Em Portugal há centenas de casos reveladores da tensão entre o Estado e a Igreja no domínio da liberdade religiosa, que as pessoas normalmente calam porque não faz parte da nossa tradição reivindicar a liberdade religiosa.
Tradicionalmente há a conceção de que o catolicismo é a doutrina dominante, e que por isso a discriminação só existe contra as minorias, mas isso não é verdade. É possível discriminar contra uma maioria.
A discriminação aconteceu, por exemplo, quando o governo do engenheiro Sócrates regulou a prestação da assistência religiosa nos hospitais, que discrimina claramente contra os católicos; é uma discriminação legislativa que impede a assistência religiosa aos católicos. Na prática não impede porque na maior parte dos hospitais há bom senso por parte das gestões e das administrações. Mas a aplicação estrita da lei, tal como ela foi pensada, como poderá estar a ser concretizada em algumas prisões e unidades de segurança, discrimina realmente contra o direito, garantido na Concordata, de os católicos serem assistidos religiosamente.
Podíamos dar outros exemplos. A nível do Serviço Nacional de Saúde há inúmeras situações de intolerância (atitudes) e discriminação (legislação). São numerosas as pessoas que se sentem tratadas contra as suas convicções.
Há muitas outras questões que se levantam em Portugal. Não faz parte da nossa tradição eclesial levantar briga por elas, dado que a nossa maneira de fazer é o diálogo local, caso a caso. Mas trata-se de questões que valia a pena trazer à tona de água e refletir sobre elas com alguma clareza.
Este texto resulta de uma entrevista ao padre João Seabra, diretor do Instituto Superior de Direito Canónico (Universidade Católica Portuguesa), e autor do livro “O Estado e a Igreja no início do século XX – A Lei de Separação de 1911” (ed. Princípia).
As questões foram colocadas no âmbito do colóquio “Religião no Espaço Público”, que a Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa e o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura organizaram a 3 de dezembro, em Lisboa, para assinalar os 1700 anos do Edito de Milão.
Depoimento: P. João Seabra
Redação: Rui Jorge Martins
© SNPC
Papa Francisco alerta para ataques e limitações impostas à liberdade religiosa
O Papa alerta, na sua primeira exortação apostólica, para os “verdadeiros ataques” à liberdade religiosa no mundo de hoje, que se traduzem em “novas situações de perseguição aos cristãos”.
Francisco destaca que essas perseguições atingiram nalguns países “níveis alarmantes de ódio e violência”.
“Noutros países, a resistência violenta ao cristianismo obriga os cristãos a viverem a sua fé às escondidas no país que amam”, refere, na ‘Evangelii Gaudium’ (a alegria do Evangelho, em português), documento divulgado pela Santa Sé.
Face a este cenário, o Papa apresenta o diálogo inter-religioso como “condição necessária para a paz no mundo”, dirigindo apelos aos países de tradição islâmica para que garantam liberdade a para os cristãos.
“Rogo, imploro humildemente a esses países que assegurem liberdade aos cristãos para poderem celebrar o seu culto e viver a sua fé, tendo em conta a liberdade que os crentes do Islão gozam nos países ocidentais”, explica.
Francisco observa, por outro lado, que os episódios de fundamentalismo violento não devem levar a “generalizações odiosas”, porque “o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão” se opõem a “toda a violência”.
O texto deixa ainda uma mensagem de “diálogo e amizade” aos judeus, antes de “lamentar, sincera e amargamente, as terríveis perseguições de que foram e são objeto, particularmente aquelas que envolvem ou envolveram cristãos”.
“Uma atitude de abertura na verdade e no amor deve caracterizar o diálogo com os crentes das religiões não-cristãs, apesar dos vários obstáculos e dificuldades, de modo particular os fundamentalismos de ambos os lados”, prossegue o Papa.
A exortação apostólica adverte para uma “generalizada indiferença relativista” e assinala que o processo de secularização “tende a reduzir a fé e a Igreja ao âmbito privado e íntimo”.
“Um são pluralismo, que respeite verdadeiramente aqueles que pensam diferente e os valorizem como tais, não implica uma privatização das religiões, com a pretensão de as reduzir ao silêncio e à obscuridade da consciência de cada um ou à sua marginalização no recinto fechado das igrejas, sinagogas ou mesquitas”, escreve Francisco.
O Papa defende por isso o direito dos responsáveis católicos a “exprimir opiniões sobre tudo aquilo que diz respeito à vida das pessoas”.
“Quem ousaria encerrar num templo e silenciar a mensagem de São Francisco de Assis e da Beata Teresa de Calcutá? Eles não o poderiam aceitar”, observa.
Francisco aponta o dedo à “cultura mediática e alguns ambientes intelectuais” que diz transmitirem “uma acentuada desconfiança quanto à mensagem da Igreja, e um certo desencanto”.
“O individualismo pós-moderno e globalizado favorece um estilo de vida que debilita o desenvolvimento e a estabilidade dos vínculos entre as pessoas e distorce os vínculos familiares”, prossegue.
O documento pontifício menciona um “regresso ao sagrado” e uma “busca espiritual” que se apresentam hoje como “fenómenos ambíguos”.
“Mais do que o ateísmo, o desafio que hoje se nos apresenta é responder adequadamente à sede de Deus de muitas pessoas”, assinala o Papa.
Francisco dirige-se aos que caminham “à margem de Deus”, considerando que os mesmos “deixam de ser peregrinos para se transformarem em errantes, que giram indefinidamente em volta de si mesmos, sem chegar a lado nenhum”.
Édito de Milão
O Centro Académico de Democracia Cristã (CADC) e a Confraria da Rainha Santa, em Coimbra, encerram as celebrações do Ano da Fé com um colóquio, aberto ao público, sobre os 1700 do Édito de Milão, que se assinalam em 2013.
A iniciativa “O imperador Constantino e a afirmação da liberdade religiosa” evoca o contexto histórico da deliberação que concedeu aos cristãos do Império Romano, e a crentes de outras religiões, a possibilidade de celebrarem publicamente a sua fé, interrompendo as perseguições e execuções por motivos religiosos.
A sessão, que decorre a 18 de novembro no salão do CADC (Instituto Justiça e Paz, Couraça de Lisboa 30), conta com a colaboração do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra.
Programa
16h00 Palavras de abertura pelo presidente do CADC
16h15 Dois séculos de perseguição aos Cristãos Margarida Lopes de Miranda (Fac. Letras/UC- Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos)
16h30 Contexto político da ascensão de Constantino Belmiro Fernandes Pereira (Fac. Letras/UP- Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos)
16h45 Constantino e o cristianismo António Manuel Ribeiro Rebelo (Fac. Letras/UC- Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos)
17h00 Do deserto à nova cidade – caminhos para o monaquismo no contexto da “pax constantiniana”. Paula Barata Dias (Fac. Letras/UC- Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos)
17h15 Um século depois do édito de Milão, o saque de Roma e a invetiva anti-cristã. Carlota Miranda Urbano (Fac. Letras/UC- Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos)
17h30 A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre e o seu trabalho de apoio aos cristãos perseguidos no mundo de hoje. Catarina Martins de Bettencourt (presidente da Fundação AIS)
18h00 Debate
Fonte © SNPC
Declaração conjunta em defesa dos cristãos e das minorias religiosas em todo o mundo
A Assembleia Plenária do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), reunida em Bratislava, na Eslováquia, de 3 a 6 de outubro de 2013, adoptou, conjuntamente com a Appeal of Conscience Foundation [Fundação para o Apelo à Consciência], uma declaração que foi enviada à cúpula das Nações Unidas.
Levando em conta o aumento constante das formas de violência e de perseguição contra os cristãos e outros grupos religiosos em diferentes partes do mundo, os signatários da declaração pedem à Organização das Nações Unidas que promova urgentemente um compromisso político e social em defesa dessas populações e em prol da liberdade religiosa, adoptando, em particular, uma resolução para a proteção das minorias religiosas.
O mesmo comunicado foi enviado aos líderes de numerosas nações para pedir medidas e acções reais em defesa das minorias religiosas, dos locais de culto e dos textos sagrados.
“Tornamos público este texto na esperança de que ele encontre resposta positiva em curto espaço de tempo”, disse o cardeal Erdo, presidente do CCEE. “A quantidade de pessoas que estão a sofrer por causa da fé é um escândalo no nosso mundo moderno”.
Fundada pelo rabino Arthur Schneier em 1965, a Appeal of Conscience Foundation é uma parceria inter-religiosa de líderes empresariais e espirituais de todos os credos, que se juntam para promover “a paz, a tolerância e a resolução de conflitos étnicos”.
Reproduzimos a seguir o texto completo da declaração, traduzido do inglês.
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Declaração Conjunta
A Fundação para o Apelo à Consciência e o Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), preocupados com a continuidade da violência e da perseguição às minorias cristãs e de outros grupos religiosos, exortam as Nações Unidas a adotarem uma Resolução para a Proteção das Minorias Religiosas.
Condenamos todos os atos ou ameaças de violência, destruição, dano ou intimidação contra minorias religiosas, incluindo a destruição de locais de culto e de textos religiosos sagrados de qualquer tipo.
Fazemos um apelo a todos os Estados para a prevenção de atos ou ameaças de violência e convidamos as organizações intergovernamentais e não-governamentais a contribuírem com estes esforços, desenvolvendo iniciativas adequadas para promover o respeito mútuo e o reconhecimento das minorias religiosas.
O Conselho das Conferências Episcopais da Europa e a Fundação para o Apelo à Consciência pedem a todos os Estados, às organizações intergovernamentais e não-governamentais e aos meios de comunicação que promovam, através da educação, uma cultura de respeito mútuo e de tolerância à diversidade das religiões, que representam um aspecto importante do patrimônio coletivo da humanidade.
fonte Zenit
Cristãos na Malásia impedidos de usar palavra “Allah”
Termo deriva do árabe e significa apenas “Deus”. Contudo, os muçulmanos na Malásia reivindicam a exclusividade da palavra, apesar de os cristãos a usarem há 400 anos.
O Tribunal de Recursos da Malásia decidiu, esta segunda-feira, que os cristãos daquele país não podem utilizar a palavra “Allah” para se referirem a Deus.
A decisão contraria uma anterior, de 2009, que reconhecia esse direito aos cristãos e do qual o Governo recorreu.
A palavra “Allah”, embora muitas vezes associada ao Islão, apenas significa “Deus”, em árabe. Nos países de língua árabe, o termo é usado tanto por muçulmanos como por cristãos.
A Malásia é um país de maioria muçulmana e o termo “Allah” entrou no vocabulário local, tendo sido usado por membros de ambas as religiões há centenas de anos.
Contudo, alguns muçulmanos reivindicam a exclusividade da sua utilização. Em 2009, quando o tribunal reconheceu o direito aos cristãos de usar “Allah”, sobretudo nas suas publicações, houve manifestações de revolta e algumas igrejas foram atacadas.
Segundo o Governo e alguns grupos extremistas, os cristãos estarão a tentar converter os muçulmanos. O tribunal argumentou que o uso desse termo por cristãos pode “confundir” a sociedade.
O processo, do lado cristão, está a ser liderado pelo jornal semanal, o “Malaysia Herald”. O seu editor, padre Lawrence Andrew, argumenta que os cristãos não se vão sujeitar a uma lei injusta e diz que a Igreja vai recorrer Aos cristãos da Malásia, o jornalista pede que continuem a rezar por justiça.
Recentemente, os cristãos apresentaram como prova da antiguidade da sua utilização do termo o facto de o primeiro dicionário de Latim-Malaio, elaborado há 400 anos, já indicar “Allah” como tradução para “Deus”.
fonte RR
Mais de 60 líderes religiosos em campos de prisioneiros no Vietname
Entre pastores e outros líderes religiosos cristãos, são 63 os detidos em condições deploráveis em quatro campos de prisioneiros do Vietname. As suas penas variam de 5 a 18 anos. Estão sujeitos a trabalhos forçados de até 14 horas por dia e o seu acesso a cuidados médicos é muito limitado. A denúncia foi feita pela organização International Christian Concern (ICC), com sede em Washington, que monitoriza a liberdade religiosa e a situação dos cristãos no mundo.
“Quase todos os prisioneiros são membros de minorias étnicas dos altiplanos centrais do Vietname. Os cristãos enfrentam um nível de discriminação e de opressão mais intenso em comparação com a maioria dos outros vietnamitas”, diz a denúncia.
O P. Ambrose Nguyen Van Si, OFM, teólogo vietnamita e reitor do Colégio Internacional de Santo Antônio, em Roma, entrevistado pela agência Fides, diz acreditar que os números e os conteúdos do relatório do ICC “são perfeitamente verossímeis”: “A situação é esta: ainda existem claras limitações e restrições da liberdade de expressão e de consciência: quem tem opiniões diferentes das do governo é penalizado e às vezes severamente punido. Isso é lamentável, especialmente porque acontecem prisões arbitrárias de jovens que defendem os direitos humanos. Quem paga são os membros das minorias étnicas, conhecidos coletivamente como ‘o povo das montanhas’, que são considerados uma ameaça à estabilidade nacional. Na maioria, eles são cristãos protestantes. Eu espero que haja mais atenção para com esses irmãos e irmãs que sofrem e rezam”, diz o padre.
De acordo com o relatório do ICC, a vigilância do governo sobre as instituições religiosas é particularmente ferrenha nos altiplanos. Alguns dos 63 prisioneiros provavelmente estão encarcerados desde 2004, quando as autoridades vietnamitas iniciaram uma dura repressão aos protestos motivados pelo confisco ilegal de terras e pela opressão religiosa. Na província de Binh Phuoc, as autoridades locais ainda tentam desmantelar 116 capelas construídas pelos fiéis do grupo étnico Stieng. As estruturas pertencem à Igreja Evangélica do Vietname do Sul, oficialmente registrada no país. As autoridades vietnamitas temem o surgimento, entre as minorias, de um movimento separatista.
Nos últimos anos, entre as pessoas presas por “ameaças à segurança nacional” ou por “atividades ilegais”, centenas são cristãos protestantes, mas também há seguidores do pouco conhecido grupo católico Ha Mon, que venera a Virgem Maria, embora não esteja regularmente incluído na Igreja Católica local.
(Fonte:Fides)




