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Cristianofobia está a aumentar na Europa

O secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, Arcebispo Dominique Mamberti, lamentou que ataques a cristãos estejam a aumentar mesmo em países onde estes constituem uma maioria.

Mamberti, cujas funções correspondem, de algum modo, às de um ministro dos Negócios Estrangeiros, intervinha numa conferência, promovida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), subordinada ao tema “Prevenção e resposta a incidentes de ódio e crimes contra os cristãos”.

Nos trabalhos, vários participantes alertaram para o crescendo que se verifi ca em matéria de ataques e perseguições às comunidades cristãs na Europa. Mamberti disse que os relatórios da OCDE são uma “prova irrefutável da crescente intolerância para com os cristãos”, sublinhando que “actos motivados por preconceito contra os cristãos estão-se a tornar uma realidade mesmo naqueles países onde estes constituem uma maioria”.

Entre os países apontados como tendo registado incidentes de cristianofobia inclui-se a Espanha, onde tem havido vários casos de igrejas incendiadas e onde decorreram incidentes com manifestantes anti-cristãos, durante a recente Jornada Mundial da Juventude. Outro exemplo referido foi o da Áustria, onde foram atacados activistas pró-vida.

A Igreja Ortodoxa, presente na reunião da OCDE, também manifestou a sua preocupação. O Metropolita Hilarion Alfeyev, responsável pelas relações externas do Patriarcado de Moscovo, recordou o caso da decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem de proibir os crucifixos nas escolas públicas, mais tarde foi anulada em recurso, para dizer que “o secularismo radical é uma ameaça à liberdade religiosa tão grande como o extremismo religioso em todas as suas manifestações”.

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Índia: cristãos com medo em Orissa

Três anos depois da morte de mais de cem cristãos por causa da violência de hindus fundamentalistas no estado de Orissa, Índia, os fiéis continuam sofrendo perseguição. As autoridades não permitem reconstruir as igrejas nem construir novas nas “colônias” cristãs nascidas após o massacre.

Nesta quarta-feira, aniversário desses pogroms, os cristãos de Orissa não se atreveram a celebrar grandes reuniões para recordar as vítimas e alçar a voz contra as injustiças que ainda sofrem.

“Tínhamos medo das represálias dos fundamentalistas hindus, que estavam concentrados para celebrar o aniversário da morte do vidente Laxmananda Saraswati”, explicou a presidente do grupo de mulheres da arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar, Shibani Sing, à agência Ucanews.

“É uma pena que não estejamos organizados; não pudemos recordar os nossos mortos nem homenageá-los”, declarou o coordenador da associação de sobreviventes, Bipra Charan Nayak. O advogado católico Paul Pradhan também afirmou: “Nossas vozes são fracas por falta de solidariedade”.

O arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar, Dom John Barwa, explicou que as coisas estão voltando à normalidade nas cidades, mas nas áreas remotas continuam os incidentes violentos.

Ataques

No sábado passado, 21 de agosto, foi atacada a igreja católica de Santa Maria, em Pune, na Índia ocidental. Os vândalos queimaram parcialmente o tabernáculo, picharam imagens religiosas e jogaram pelo chão bíblias e outros livros religiosos.

No estado indiano de Karnataka, pelo segundo domingo consecutivo, a celebração religiosa foi interrompida e o pastor foi agredido e preso pela falsa acusação de forçar conversões.

Vinte ativistas radicais hindus atacaram o pastor Sangappa Hosamani Shadrak, de 28 anos, enquanto celebrava na localidade de Rohi em casa de um fiel.

Os extremistas atacaram a comunidade, profanaram o pão e o vinho que estavam sendo usados na celebração e agrediram o pastor, que perdeu um dente e ficou gravemente machucado no rosto. Os agressores ainda o levaram para outra localidade, Latte, e o amarraram a uma árvore.

Mais tarde, os extremistas chamaram a polícia, que prendeu o pastor e alguns fiéis. As tentativas do GCIC de libertá-lo foram em vão. Shadrak foi levado ao presídio de Jamkotai, sob acusações não especificadas.

Proibido construir igrejas

Em Kandhamal, o governo local enviou carta ao pároco da igreja católica de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa em Mondasoro exigindo a paralisação imediata dos trabalhos de reconstrução de uma capela na localidade de Padunbadi, alegando que o terreno é propriedade do estado.

Há dias, o governo impediu a construção de outra igreja católica em Nadagiri, onde muitas famílias cristãs foram realocadas depois de ter suas casas ocupadas por extremistas hindus. Outros grupos radicais continuaram criando problemas, ao bloquear a chegada de material de construção para as casas e igrejas cristãs.

Global Council of Indian Christians (GCIC) enviou uma carta aberta ao Primeiro Ministro, Shree Naveen Patnakiji, pedindo a revogação dessas ordenanças contrarias à Constituição indiana e à liberdade religiosa, segundo a AsiaNews.

O presidente do GCIC, Sajan K. George, pôs em dúvida a existência de liberdade religiosa em estados como Karnataka, Orissa e Gujarat. “É uma mancha sobre a Índia laica”, declaró.

O GCIC está muito preocupado com a nova campanha do Vishwa Hindu Parishad (VHP), grupo extremista e militante hinduísta que se mostrou contrário a um projeto de lei para combater a violência inter-religiosa.

A entidade considera que a ameaça do extremismo político contra os cristãos é um problema que não afeta só Orissa, mas a Índia toda.

“Muito mais a ser feito”

O arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar destacou que “devemos trabalhar pela paz mantendo o nosso direito de estar aqui”, especialmente no distrito de Kandhamal, o mais afetado, onde, há três anos, 300 povoados foram atacados, com saldo de mais de 70 mortos.

Ao menos 25.000 pessoas fugiram da violência quando, em 23 de agosto de 2008, foi assassinado o ativista político Swami Laxmanananda Saraswati.

Entre agosto e setembro daquele ano, mais de 170 igrejas e capelas foram atacadas no Natal de 2007 em Kandhamal, obrigando 3.000 pessoas a abandonar seus lares.

“Nos últimos três anos, houve passos no caminho da reconstrução e do diálogo”, explicou o arcebispo à associação internacional Ajuda à Igreja Necessitada, “mas há pessoas que ainda têm medo; houve progressos na paz e na justiça, mas ainda muito mais tem que ser feito”.

“Foi feita justiça depois do que houve em Kandhamal, mas estamos um pouco desanimados”, reconheceu. “Os funcionários de departamentos mais baixos nos criam problemas, mas os de níveis superiores estão fazendo o seu melhor esforço”, disse, embora as “palavras bonitas sobre a necessidade de justiça nem sempre se traduzem em atos”.

A maior parte das pessoas desalojadas entre 2007 e 2008 voltou para Kandhamal, graças à construção de mais de 3.700 casas, que devem chegar a 4.000 no final do ano.

O arcebispo agradeceu a Ajuda à Igreja Necessitada. “A maior parte das paróquias de Kandhamal foi reconstruída, mas faltam muitas igrejinhas e capelas do interior”.

A entidade também proporcionou 30.000 euros para a assistência psicológica às vítimas das atrocidades cujo triste aniversário foi ontem.

fonte: ZENIT.org

Cristãos e igrejas “fichados”. Teme-se uma onda de violência de grupos extremistas hindus

Justamente enquanto Orissa se prepara para celebrar o aniversário dos massacres anticristãos de 2008 (veja Fides 22 e 23/8/2011), em outro estado da Índia, Karnataka, a comunidade dos fiéis lança à Fides o alarme por um novo possível plano de “limpeza étnica de massa” contra as comunidades cristãs. A polícia local, efetivamente, organizou uma espécie de “recenseamento mirado” dos cristãos e das igrejas que, segundo os fiéis locais, é um verdadeira “fichamento de massa” a operação, conhecida pela Fides como “Global Council of Indian Christians” (GCIC), não tem apenas caráter administrativo, mas “é claramente uma tentativa de implementar a agenda escondida de Sangh Parivar”, que abriga organizações radicais hindus responsáveis também pelos ataques em Orissa. “É uma clara violação dos direitos fundamentais dos cristãos do país de praticar e pregar livremente a sua religião, como garantido pela Constituição” – afirma o GCIC. Karnataka é um estad o da federação indiana governado pelo partido nacionalista “Baratiya Janata Party” (BJP), aliado dos movimentos extremistas.

A iniciativa partiu da polícia local e já foi lançada no distrito de Chikmagalur. Aos párocos e pastores das igrejas foi entregue um formulário em que se pede a indicação do nome da Igreja e a sua exata localização; os edifícios e as propriedades, o nome e o número de telefone das pessoas proprietárias; as contas bancárias; detalhes sobre a frequência dos fiéis, dias e horários das celebrações. Uma série de notícias que evocam a suspeita de “censo dos cristãos”, realizado em Madhya Pradesh (veja Fides 15/4/2011), foi também governado pelo BJP, que suscitou vivos protestos dos cristãos locais.
Em Karnataka continuam a verificarem-se episódios de violência anticristã: nas últimas semanas, durante dois domingos, as liturgias de algumas comunidades cristãs pentecostais foram interrompidas, os pastores insultados e agredidos, as igrejas saqueadas. Como ato de intimidação aos fiéis, os radicais hindus apresentam falsas denúncias de conversões forçadas atuadas pelos cristãos, gerando ódio e novas violências. O estado, onde dentre 52,8 milhões de pessoas existem cerca de um milhão de cristãos, é conhecido pela onda de violência anticristã de 2008, que registraram 113 ataques em 29 distritos. E nos últimos dois anos, segundo fontes da Fides, verificaram-se em Karnataka outros 138 episódios de violências anticristãs. Para denunciar publicamente tais fatos e restabelecer uma verdade que se queria negar, as ONGs cristãs encarregaram o juiz Michael Saldanha de redigir um detalhado Relatório, depois de um inquérito no território (veja Fides 24/2/2011). A onda de violência foi o rientada por grupos fundamentalistas hindus cobertos pelo governo central de Karnataka. “Em Karnataka – notam as fontes da Fides – os extremistas hindus têm um poder imenso: estão no governo, são infiltrados no sistema judiciário, na burocracia e na polícia. Para os cristãos, é impossível ter justiça”.

Fonte: Agência Fides

TERCEIRO ANIVERSÁRIO DOS MASSACRES DE ORISSA

Enquanto nos aproximamos do terceiro aniversário dos massacres de Orissa (24 de agosto é o dia da comemoração), a comunidade cristã local continua a enfrentar o assédio e a violência de todos os tipos, política, jurídica, econômica e social. Em 24 de agosto, o dia escolhido para lembrar os massacres de 2008, os cristãos de Orissa rezarão e se reunirão em assembleia para homenagear as vítimas e para levantar a voz contra as injustiças que ainda os atingem.

Como referem as fontes da agência Fides na diocese de Cuttak-Bhubaneswar, o governo local está violando patentemente a liberdade religiosa dos fiéis cristãos, proibindo-os de reconstruir as igrejas demolidas durante as violências ou de edificar novas nas “colônias” cristã, formadas após os massacres.

O governo local no distrito de Kandhamal (o mais afetado pelos massacres) enviou uma carta ao pároco da Igreja Católica de “Nossa Senhora da Medalha Milagrosa”, que se encontra em Mondasoro, ordenando-o imediato congelamento da obra de reconstrução de uma capela no vilarejo de Padunbadi, alegando que a terra é de propriedade do Estado. “A igreja no vilarejo – destaca à Fides o pároco local, Padre Laxmikant Pradhan – existe há mais de duas gerações” e, portanto, a ordem do governo, que impede a reconstrução da igreja, é uma clara injustiça contra os fiéis cristãos, já provados pela fome, deslocamento e pobreza.

O caso de Mondasoro não é o único: alguns dias atrás o governo deteve a construção de outra igreja católica em Nadagiri, sempre no distrito de Kandhamal. Nandagiri é um bairro onde eles foram realocados numerosas famílias cristãs que, deslocadas após as violências de 2008, não puderam retornar às suas localidades de origem, ocupadas pelos extremistas hindus.

Na colônia há 54 famílias católicas e 17 protestantes, de denominação pentecostal, que continuaram a celebrar o culto em lugares improvisados e que tinham começado a construir uma capela. O governo, revelam fontes locais da Fides, ordenou o bloqueio aceitando as queixas dos radicais, mas violando o princípio da liberdade religiosa garantido na Constituição da Índia. (SP)

Fonte Rádio Vaticano

Tribunal iraniano quer obrigar cristão a renunciar à fé

Youcef Nadarkhani

Youcef Nadarkhani poderá ser executado se insistir em manter a fé cristã.

O supremo tribunal do Irão revogou a condenação à morte de um pastor evangélico iraniano, acusado de apostasia, mas disse que a sua decisão dependia da renúncia do arguido à fé cristã.

Youcef Nadarkhani liderava uma comunidade de cerca de 400 cristãos na cidade de Rasht, no Irão, até à sua detenção em Outubro de 2009.

Uma vez que nasceu numa família muçulmana, tendo-se convertido aos 19 anos, Nadarkhani foi acusado de apostasia, isto é, de renunciar ao Islão para abraçar outra religião. A apostasia não é um crime no código penal iraniano, embora haja um projecto-lei nesse sentido no parlamento, mas o direito estipula que em casos em que o código penal não abranja um determinado crime, os juízes devem recorrer à lei islâmica que, no entender de alguns, estipula que quem renuncia ao Islão deve ser morto.

Nadarkhani foi condenado à morte pelos tribunais de primeira instância mas recorreu da decisão. Agora o supremo tribunal revogou a condenação, mas disse que, se o acusado não renuncie à sua conversão, o caso será enviado de volta para os tribunais menores.

Actualmente Nadarkhani está detido, sem direito a visitas. Fontes cristãs do país garantem que não faz tenções de renunciar ao Cristianismo.

O Irão é uma teocracia islâmica xiita, cuja lei está assente na Sharia, pelo menos segundo a interpretação dos Ayatollahs, os mais altos clérigos.

O Cristianismo, Judaísmo e mais algumas religiões são toleradas entre as populações que historicamente as praticam, mas qualquer conversão de um muçulmano a outra religião é absolutamente proibida.

Há cerca de 300 mil cristãos no Irão, a maioria dos quais pertence à Igreja Ortodoxa Arménia. A Igreja Assíria do Oriente e a Igreja Católica Caldeia também têm alguns milhares de fiéis. Uma vez que qualquer actividade missionária destas igrejas é impedida pelo Estado, esse campo fica aberto para confissões protestantes, evangélicas, como a Igreja do Irão, a que pertence Nadarkhani.

fonte RR

Igreja Ortodoxa Russa condena cristianofobia

A discriminação religiosa só poderá ser vencida por meio da ampliação de um diálogo que envolva os Estados, as organizações internacionais, as diversas confissões e os representantes da sociedade civil.

O sínodo da Igreja Ortodoxa Russa expressa isso em um recente documento que trata, com “profunda inquietude”, do aumento dos episódios de cristianofobia no mundo, segundo informa o L’Osservatore Romano.

Para o patriarcado de Moscou, a cristianofobia “se manifesta sobretudo quando as diferenças religiosas são utilizadas com fins políticos, principalmente por grupos extremistas cujos objetivos são incompatíveis com o bem da sociedade em seu conjunto”.

Este tipo de manifestações “merece uma condenação explícita de todas as forças regulares da sociedade, inclusive dos representantes de instituições públicas e responsáveis religiosos”. Daí surge o apelo da Igreja Ortodoxa Russa – dirigido à comunidade internacional, aos responsáveis religiosos e a todas as autoridades públicas – a “elaborar mecanismos integrais e eficazes de defesa dos cristãos e das comunidades cristãs que sofrem perseguições ou restrições em sua existência e em suas atividades religiosas”.

No documento adotado em São Petersburgo, o sínodo do patriarcado de Moscou recorda os recentes acontecimentos que tiveram lugar na cidade egípcia de Giza, onde “se queimaram igrejas cristãs e morreram fiéis da Igreja copta durante as desordens da multidão”. O texto os considera manifestações de cristianofobia que “já não podem ser interpretadas como incidentes ocasionais; em certas regiões do mundo, trata-se de um costume”.

“Atos de vandalismo vinculados ao extremismo religioso, restrições à liberdade de culto e de criação das próprias instituições de ensino, sentenças judiciais especialmente duras (até chegar à pena de morte por blasfêmia): a Igreja Ortodoxa Russa enumera as discriminações que, em alguns países, fazem dos cristãos ‘cidadãos de segunda categoria’”, destaca o jornal vaticano.

Também observa, nos países em que a maioria está composta por pessoas de confissão cristã, “um laicismo rígido, inclusive agressivo, que tende a expulsar os cristãos da esfera pública, enquanto as declarações e os atos ditados pela fé cristã, em primeiro lugar os que se referem à avaliação moral dos acontecimentos, suscitam uma reação negativa”.

O patriarcado de Moscou garante não ter nenhuma intenção de intrometer-se nos assuntos internos dos países: “O cristianismo ensina seus fiéis a obedecer a lei e a respeitar os governos legais”, afirma o documento. Mas acrescenta que os Estados, responsáveis pelos seus cidadãos, “têm a obrigação de respeitar a dignidade e os direitos de todos e, por conseguinte, garantir a liberdade de religião e a segurança das comunidades religiosas”.

Ninguém pode ser discriminado pela sua fé, recorda a Igreja Ortodoxa, e sua condenação se estende também às formas de antissemitismo e de islamofobia.

(Fonte: Zenit – Marine Soreau)

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