Conferência «TEDx» debate liberdade religiosa

‘A liberdade religiosa hoje’ é o tema da conferência TEDx ‘Via della Conciliazione’, patrocinada pelo Conselho Pontifício da Cultura, da Igreja Católica, que decorre a 19 de abril em Roma.
Oradores de vários pontos do globo vão falar no congresso sobre a situação nos seus países, estando também previstos testemunhos através da internet, refere hoje a Rádio Vaticano.
O congresso, que conta com a participação de personalidades de várias religiões, intelectuais e artistas, vai ser aberto pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi.
“Ainda tem sentido hoje falar de liberdade religiosa?”; “Liberdade e religião são palavras em antítese?”; “A religião pode contribuir no desenvolvimento integral do homem?”; “A razão está aberta à transcendência?”; “O que dá verdadeiro significado à vida?” são as principais questões em debate.
Os conferencistas foram selecionados depois de um ano de pesquisa, e muitos deles nunca se pronunciaram publicamente sobre a liberdade de religião.
O ex-basquetebolista da NBA Vlade Divac e a cantora de origem cubana Gloria Estefan são alguns dos 18 oradores do evento.
“Ao acolher o TEDx no Vaticano queremos promover a mensagem de paz e que a liberdade religiosa constitui uma importante dimensão para a cultura de paz”, referiu a organizadora, Giovanna Abbiati, em declarações prestadas em setembro de 2012.
A TED – Tecnologia, Entretenimento e Design – foi fundada na Califórnia (Estados Unidos da América) em 1948 para promover “ideias que vale a pena partilhar”, permitindo aos oradores falar durante 18 minutos.
Via della Conciliazone é a artéria de Roma que termina na entrada da Praça de São Pedro, centro da Cidade do Vaticano.
fonte Ecclesia
Relatório 2012 Liberdade Religiosa no Mundo
Hoje, pelas 15h30, na livraria Ferín em Lisboa, será lançado o Relatório 2012 sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, um documento preparado e editado pela Fundação AIS.
A apresentação será feita pelo deputado José Ribeiro e Castro e contaremos também com a presença e testemunho do Arcebispo de Orissa (Índia), D. John Barwa.
“Um mundo sem Deus é desumano”
Encontro de Rímini: cardeal Tauran, ministro italiano Terzi e presidente da Assembleia Geral da ONU, Al-Nasser, debatem sobre liberdade religiosa
A liberdade religiosa é o alfa e o ômega de todas as liberdades. Muitas foram as reuniões, iniciativas e debates sobre esta questão no Encontro de Rímini, e a conferência Política Internacional e Liberdade Religiosa, na última sexta-feira, foi uma espécie de síntese do tema.
O encontro, moderado pelo presidente do Centro Internacional da Comunhão e Libertação, Roberto Fontolan, contou com a presença de figuras importantes do mundo religioso, político e diplomático: o presidente da Assembleia Geral da ONU, Nassir Adulaziz al-Nasser, o ministro italiano de Assuntos Exteriores, Giulio Terzi di Sant’Agata, e o presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, cardeal Jean Louis Tauran.
Al-Nasser expressou preocupação com as violações da liberdade religiosa em todo o mundo, cada vez mais numerosas. “Essas questões continuam a nos preocupar”, disse o presidente da Assembleia Geral da ONU, confirmando o compromisso das Nações Unidas nesta área. Entre as iniciativas da ONU, Al-Nasser anunciou o documentário Além do Bem e do Mal, sobre o perdão. “A humanidade”, acrescentou, “tem que construir pontes fortes o suficiente para suportar o choque das diferenças”. As diferenças, de acordo com Al-Nasser, são um valor que mais se protege quanto mais se é consciente dos seus benefícios, que fazem crescer os frutos da globalização.
O ministro italiano de Assuntos Exteriores, Giulio Terzi di Sant’Agata, enfatizou a vontade do governo italiano de dialogar com todos os povos do Mediterrâneo, tanto econômica quanto culturalmente. Deste ponto de vista, o ministro ressaltou o aumento de 20% no comércio entre a Itália e os países do norte africano e do Oriente Médio. Terzi destacou que a Itália cumpre todos os requisitos para a proteção das minorias religiosas, especialmente das minorias cristãs. “É oportuno, para este fim, realizar um trabalho educativo que sensibilize os jovens sobre a existência de situações de guerra e de martírio”, opina o político.
“A religião foi marginalizada durante muito tempo na Europa. Os eventos relacionados com a liberdade religiosa eram considerados inconvenientes. Mas a política deve abranger os valores fundamentais, como a liberdade religiosa e os direitos humanos”.
Citando Bento XVI, o ministro também afirmou que “limitar a liberdade religiosa é cultivar uma visão redutiva da pessoa humana”.
O cardeal Tauran observou que hoje se fala muito de liberdade religiosa precisamente porque ela é um dos princípios mais constantemente violados. O cardeal francês citou, a este propósito, o recente caso da menina com síndrome de Down condenada à morte no Paquistão por suposta blasfêmia.
“Até 1945”, disse Tauran, “a questão da liberdade religiosa era gerida dentro de cada país, mas os horrores da Segunda Guerra Mundial fizeram destacar a necessidade do acordo sobre quais são os direitos humanos internacionalmente”.
A liberdade religiosa, de acordo com o cardeal, “se baseia na própria natureza do homem, criada por Deus”. Portanto, o Estado “não deve interferir na vida religiosa, pelo menos até que sejam violados os direitos dos outros”. O Estado deve “reconhecer que o homem é religioso por natureza, pois a religião é uma parte integrante da sociedade”, e que “um mundo sem Deus seria um mundo desumano”.
O presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso declarou como conclusão: “O homem é grande quando faz da sua vida uma resposta ao amor de Deus”. E, citando Charles Péguy, exortou: “Deixemos aberta a porta da esperança e do amor. Deus nos construiu como esperança”.
Sintetizando as contribuições dos três expoentes, o moderador Roberto Fontolan fechou a reunião descrevendo o caminho para a liberdade religiosa como “ainda longo”. Nesse trajeto, cada pessoa deve “fazer a sua parte, sem esperar uma ação de cima, mas servindo-se de um eu plenamente humano”.
Fonte: Agência ZENIT
Discurso de Hillary Clinton sobre o Relatório da Liberdade Religiosa Internacional 2011
…Hoje o Departamento de Estado divulgou seu mais recente Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional. Ele começa com as palavras que orientam nosso trabalho e o trabalho de governos e indivíduos dedicados à liberdade de religião no mundo todo. São as palavras do Artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. E ouçam essas palavras novamente, pois muito do que direi hoje, naturalmente, é fundamentado em nossa Constituição, em nossa crença sobre a importância do livre exercício da religião. Mas é importante lembrar que essas palavras foram adotadas pela comunidade internacional, não apenas pelos Estados Unidos.
São as seguintes: todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. Esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
São princípios claros e diretos que levam as pessoas tanto à profunda unidade quanto ao furioso desacordo. Naturalmente, para os Estados Unidos, a liberdade religiosa é um valor constitucional estimado, um interesse estratégico nacional e uma prioridade da política externa.
É particularmente urgente que destaquemos a liberdade religiosa, porque quando consideramos o cenário global e perguntamos se a liberdade religiosa está se expandindo ou diminuindo, a resposta é desanimadora. Mais de um bilhão de pessoas vivem sob governos que suprimem sistematicamente a liberdade religiosa. As novas tecnologias deram ferramentas adicionais a governos repressores para impedir a expressão religiosa. Membros de comunidades religiosas que estão há muito sob pressão relatam que a pressão está aumentando. Mesmo alguns países que estão fazendo progressos no aumento da liberdade política mantêm-se estacionados na mesma atitude quando se trata de liberdade religiosa. Assim, quando se trata desse direito humano, dessa característica-chave das sociedades estáveis, seguras e pacíficas, o mundo está retrocedendo.
Enquanto isso, vários países com diversas comunidades religiosas estão agora no processo de passar por transições rumo à democracia. Estão às voltas com dúvidas sobre se e como proteger a liberdade religiosa de seus cidadãos. Isso abrange da Tunísia à Birmânia e muitos lugares mais. Mas vejam, por exemplo, o Egito, que visitei há duas semanas. Tive uma conversa comovente e muito pessoal com cristãos que estão profundamente ansiosos com o que o futuro reserva para eles e para seu país. O que o Egito e outros países decidirem terá grande impacto sobre a vida das pessoas e percorrerá um longo caminho até determinar se esses países são capazes de alcançar a verdadeira democracia.
Assim, essa é uma questão que transcende divisões religiosas. Todas as religiões em todos os lugares têm interesse em defender e ampliar a liberdade religiosa. Meus sentimentos em relação a esse assunto são muito firmes, porque tive a experiência pessoal de como a liberdade religiosa é ao mesmo tempo um elemento essencial da dignidade humana e de sociedades seguras e florescentes. Está ligada estatisticamente ao desenvolvimento econômico e à estabilidade democrática. E cria um clima no qual pessoas de diferentes religiões podem superar as desconfianças e trabalhar em conjunto para resolver seus problemas em comum.
Também vi como o inverso acontece. A ausência de liberdade religiosa pode criar um clima de medo e suspeita que enfraquece a coesão social e distancia os cidadãos de seus líderes. E isso, é claro, pode dificultar o progresso nacional. E como o impacto da liberdade religiosa se estende além do domínio da religião e tem ramificações na segurança de um país e seu progresso econômico e político, mais estudiosos e profissionais da política externa precisam dedicar mais tempo e atenção a esse fator.
Hoje, quero defender a causa da liberdade religiosa e o motivo pelo qual todas as pessoas e todos os governos devem apoiá-la. E quero abordar diretamente os argumentos usados pelas pessoas que impedem a liberdade religiosa para tentar justificar suas ações.
Vou começar contando como é a vida de muitas pessoas que não têm liberdade religiosa. Nos lugares mais implacáveis, certas religiões são banidas completamente e o seguidor de uma religião pode ser sentenciado à morte. Leis severas proíbem a blasfêmia e a difamação da religião. E se suas palavras forem interpretadas como violações a essas leis, você pode ser condenado à morte. A violência contra minorias religiosas em geral continua sem punição por autoridades que a ignoram. Portanto, a mensagem é clara: se sua crença não tiver a aprovação governamental, cuidado.
A mesma mensagem é passada por governos que buscam a ilusão de liberdade criando associações religiosas oficiais sancionadas pelo Estado. Eles dizem: “Vejam, nosso povo pode praticar qualquer dessas religiões pré-aprovadas que escolherem.” Mas, se as pessoas forem apanhadas deixando essas associações para formar suas próprias comunidades ou receber ensinamentos de seus próprios líderes religiosos, podem ser presas.
Liberdade religiosa não envolve apenas religião. Não se trata apenas do direito dos católicos romanos realizarem uma missa ou dos muçulmanos de terem um funeral religioso ou dos bahá’is se reunirem em seus lares para rezar ou dos judeus de celebrarem juntos seus dias sagrados – por mais importantes que sejam esses rituais. A liberdade religiosa também diz respeito ao direito de as pessoas pensarem o que quiserem, falarem o que pensam e se associarem sem que o Estado esteja olhando por cima de seu ombro.
É por isso que o livre exercício da religião é a primeira liberdade consagrada em nossa Primeira Emenda, juntamente com as liberdades de expressão e associação. Porque onde existir a liberdade religiosa, existirão as outras liberdades. É por isso também que a Declaração Universal dos Direitos Humanos protege a liberdade de pensamento, de consciência e de religião – todas as três juntas – pois todas elas se referem à mesma capacidade inerente a cada um e a todos os seres humanos de seguir sua consciência, de fazer escolhas morais para si, sua família e sua comunidade.
Esses direitos dão à nossa vida sentido e dignidade, seja qual for nossa religião ou mesmo se não pertencermos a nenhuma. E como todos os seres humanos e todos os direitos humanos, são nossos direitos inatos pelo simples fato de sermos quem somos – seres humanos pensantes e atuantes – tanto homens quanto mulheres. Não são concedidos a nós por nenhum governo. Ao contrário, é responsabilidade do governo protegê-los.
Líbano: encontro sobre futuro dos cristãos no Médio Oriente
“O futuro dos cristãos no Oriente Médio: um passo rumo à liberdade religiosa”, este é o tema do encontro promovido pelos deputados libaneses, em Beirute, junto com o Conselho da Europa e a Comissão dos Episcopados da Comunidade Européia (COMECE), até o próximo sábado, dia 19.
Vários temas estão sendo abordados: os cristãos e as minorias, os direitos humanos e o preço da dignidade humana. Segundo o Patriarcado Latino de Jerusalém, no próximo sábado, serão realizadas duas sessões e uma coletiva de imprensa sobre o evento.
Na primeira sessão, dedicada aos direitos humanos e à dignidade humana, se refletirá sobre a integração dos cristãos na esfera pública, através da reconciliação e experiência de boas práticas, passando também pelo tema da educação, o acesso a serviços de assistência ao trabalho, centros sociais e de saúde.
Além disso, se debaterá sobre como usufruir da plena cidadania e dos percursos a serem seguidos no Oriente Médio e na Europa. No domingo, o Patriarca de Antioquia dos Maronitas, Béchara Boutros Raï, presidirá a missa conclusiva do encontro. (MJ)
fonte: Rádio Vaticano
EUA: bispos instituem comitê para liberdade religiosa
A liberdade religiosa está ameaçada nos Estados Unidos, até o ponto de justificar um novo comitê ad hoc para enfrentar esta preocupação crescente, sustentam os bispos da nação.
A Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB) anunciou, na última sexta-feira, a instituição do Comitê Ad Hoc para a Liberdade Religiosa, presidido por Dom William Lori, de Bridgeport (Connecticut).
O apoio ao trabalho do comitê incluirá a incorporação de dois membros, a tempo integral, à equipe da USCCB: um advogado especialista no direito relativo à liberdade religiosa e um representante de um grupo de pressão, que gestionará as questões que têm a ver tanto com a liberdade religiosa como com o matrimônio.
Dom Lori, de 60 anos de idade, afirmou que acolhe com satisfação a “oportunidade de trabalhar com os meus irmão bispos e com homens e mulheres especialistas em direito constitucional, para defender e promover o dom divino da liberdade, reconhecido e garantido pela Carta de Direitos da Constituição dos Estados Unidos”.
“Este comitê ad hoc pretende enfrentar as crescentes ameaças à liberdade religiosa na nossa sociedade, de maneira que a missão da Igreja possa proceder sem impedimentos e os direitos dos crentes de toda fé religiosa ou de nenhuma possam ser respeitados”, acrescentou.
Sem precedentes
Em sua carta aos bispos para anunciar a instituição do comitê, Dom Timothy Dolan, presidente da USCCB, afirmou que a liberdade religiosa, “em suas muitas e diversas aplicações para os cristãos e as pessoas de fé, está sempre sob ataque na América, de formas sem precedentes”.
“Isso é sobretudo por um número cada vez maior de programas e de políticas do governo federal que violariam o direito de consciência das pessoas de fé ou prejudicariam o princípio de base da liberdade religiosa”, observou.
O arcebispo acrescentou que “a instituição de um comitê ad hoc é um elemento que, espero, marcará um momento novo na história da nossa Conferência”.
“Nunca antes havíamos enfrentado este tipo de desafio à nossa capacidade de comprometer-nos no âmbito público como pessoas de fé e provedoras de serviços. Se não agirmos agora, as consequências serão graves.”
A carta de Dom Dolan aos bispos, na qual se anuncia a instituição do comitê, pode ser lida aqui
(fonte ZENIT.org)
UM TERÇO DA POPULAÇÃO MUNDIAL NÃO TEM LIBERDADE RELIGIOSA
Um terço da população mundial não goza de liberdade religiosa: é o que emerge do último relatório do centro de Estudos de Washington dedicado às religiões, que se chama Pew Research Center’s Fórum on Religion and Public Life.
O relatório, que leva em consideração o período 2006-2009, denuncia a tendência dos governos de adotar normativas cada vez mais restritivas e o crescente número de casos de violência ou hostilidade contra os fiéis, especialmente os cristãos. Resultam envolvidas 2 bilhões de pessoas, para as quais não é fácil de praticar uma religião.
A Rádio Vaticano conversou com o sociólogo Massimo Introvigne, representante da OSCE, Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, para a luta contra a xenofobia, o racismo e a discriminação.
R – Estes dados confirmam os dados de “Ajuda à Igreja que Sofre”, de Open Doors” e também do livro de Grim e Finke que se intitula “O preço da liberdade negada”; portanto são dados conhecidos, mas são dados que devem ser recordados sempre, porque, como afirma Bento XVI em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz 2011, a liberdade religiosa é um dos primeiros problemas do mundo contemporâneo, mas é também um dos problemas sobre o qual menos se fala.
P – Os cristãos são a maioria dos perseguidos, ainda que eles não sejam os únicos …
R. – Sim: creio que podemos projetar esses dados em um período de tempo maior e refazer as estatísticas de David Barrett, que é o “mister estatística” no mundo das religiões, que nos diz: é verdade que também outras minorias são perseguidas, mas nos séculos XX e XXI, três quartos dos mortos – ele se ocupa somente deles – por causa da perseguição religiosa, são cristãos. E há outro fato: enquanto os cristãos são mais frequentemente assassinados por regimes totalitários, ou por seguidores fundamentalistas de outras religiões, no que diz respeito aos muçulmanos, que são o segundo maior grupo de vítimas por causa de sua fé, esses, em alguns casos, como na Índia, são assassinados por fundamentalistas hindus, mas chegam ao grande número de mortos especialmente nos confrontos entre sunitas e xiitas, ou seja, nos conflitos entre muçulmanos.
Uma cifra: de acordo com Barrett, desde a morte de Jesus Cristo até o ano 2000 se registraram 70 milhões de mártires cristãos; mas é muito significativo que desses 70 milhões, 45 milhões se concentraram no século XX. E no século XXI, na primeira década, os cristãos assassinados foram 160 mil por ano. Agora, o número se reduziu para 100 / 105 mil por causa do fim de algumas situações muito graves, como no Sudão, onde, felizmente, o número de mortes de cristãos diminuiu. No entanto, os números continuam muito elevados.
fonte: Rádio Vaticano
Quatro tipos de ameaças à liberdade religiosa
Na sua intervenção final, Mary Ann Glendon identificou quatro tipos de ameaças à liberdade religiosa. “O primeiro é a ameaça típica da coacção do Estado e a perseguição dos crentes. A segunda seria as restrições estatais à liberdade religiosa das minorias. A terceira, as pressões sociais sobre as minorias religiosas, que podem ser condenadas ou não pelo Estado, mas que em qualquer caso restringem as liberdades dessas minorias. E a quarta o crescimento do fundamentalismo laico nos países do Ocidente que consideram os crentes como uma ameaça à política secular e democrática”.
A religião não é fonte de conflito
| As investigações das ciências não apoiam a ideia que a religião seja um factor de conflito social |
Sobre o estado da liberdade no mundo, Glendon citou os resultados do estudo mais extenso e recente sobre o tema, realizado pelo Pew Forum on Religion and Public Life. Segundo este estudo, cerca de 70 % da população mundial vive em países que impõem “fortes restrições” à liberdade religiosa, que em grande parte recaem sobre as minorias.
“Em países que impõem restrições ‘entre baixas e moderadas’ à liberdade religiosa, figuras influentes dos meios de comunicação, da vida académica e da vida pública amiúde apresentam a religião como uma fonte de divisão social, e tratam a liberdade religiosa como um direito de segunda classe que pode ser postergado por outras exigências e interesses”.
| O facto de que não haja um único modelo para todos os países não implica negar que a liberdade religiosa seja um direito universal |
Outro tipo de pressões tentam confinar a religião à vida privada, o que pode conduzir a considerar o laicismo com uma “religião” de facto oficial. Glendon citou aqui o ponto de vista do senador Marcello Pera, para quem as democracias liberais estão “imersas no que poderíamos chamar o paradoxo do secularismo: quanto mais a nossa razão secular, pós-metafísica e pós-religiosa trata de ser inclusiva, mais intolerante se torna”.
Face à crença de que a religião é um factor de divisão social, pelo que deve ser controlada para favorecer a paz, a professora Glendon advertiu que as ciências sociais não apoiam tal ideia. Um volume crescente de investigações demonstram que “a influência política da religião é de facto bastante diversa, às vezes contribui para o conflito, mas com frequência promove a democracia, a reconciliação e a paz”. Alguns estudos – digo – “indicam que a violência tende a ser maior nas sociedades onde se suprime a prática religiosa, enquanto que a promoção desta liberdade realmente favorece a causa da paz ao reduzir os conflitos inter-religiosos”.
As investigações em ciências sociais sugerem também que há uma correlação positiva entre o respeito da liberdade religiosa e a liberdade política, o progresso da mulher, a liberdade de imprensa, a alfabetização e a liberdade económica.
Modos distintos de respeitar a liberdade religiosa
Depois Glendon fez notar que a tradicional tendência anti-religiosa das elites está a ser questionada. Muitos pensadores acreditam que uma sociedade livre pode avançar sem religião, e que quanto mais se confina a religião à vida privada, mais livre será a sociedade. Contudo, “a crença na capacidade da democracia para gerar as virtudes cívicas necessárias nos cidadãos foi abalada pelas catástrofes do passado século XX”. De facto, uma das conclusões do trabalho da Academia é que “a democracia depende da cultura ética, que por sua vez depende das instituições da sociedade civil, que são alfobres de virtudes cívicas”.
A liberdade religiosa deve ser sempre respeitada, mas Glendon advertiu que não há um modelo único que sirva para todos os países, pois cada sistema é consequência da sua história e das suas circunstâncias. A maioria dos sistemas europeus está influenciada pelo confronto entre o laicismo do Iluminismo e o catolicismo. Nos Estados Unidos o sistema foi concebido para proteger as igrejas protestantes do domínio do Estado, e para promover a coexistência pacífica entre as igrejas protestantes. Na América Latina, sem guerras religiosas, houve um acordo entre o Estado e a Igreja Católica, e um avanço gradual do pluralismo religioso. Por sua vez em muitos lugares de África e Ásia não se pode estar de acordo sem fazer referência ao colonialismo.
O facto de que não haja um modelo único para todos os países não implica negar que a liberdade religiosa seja um direito universal. Melhor, disse Glendon, “há que reconhecer que deve haver espaço para um grau de pluralismo que permita que a liberdade religiosa e outros direitos humanos fundamentais sejam respeitados sob diversas circunstâncias culturais”.
Esta foi a perspectiva adoptada pelo Concilio Vaticano II que afirmou na Dignitatis Humanae que há vários caminhos válidos para reconhecer tal direito. Uma perspectiva pluralista é seguida também pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que estabeleceu que se deve aceitar uma razoável “margem de avaliação” de cada país na protecção deste direito em função das necessidades e circunstâncias da sua população. Assim o reconheceu na recente sentença sobre o crucifixo nas salas de aula italianas.
Os dilemas do pluralismo
Uma dificuldade desta perspectiva, reconheceu Glendon, é determinar onde termina o pluralismo e onde começa o puro relativismo cultural. Os participantes na reunião sugeriram quais deviam ser os limites da tolerância e da acomodação, que papel deve ter no discurso público os pontos de vista éticos baseados na religião, de que modelos dispomos para determinar o alcance e os limites da liberdade para praticar a própria religião.
Um dos principais modos com que hoje se viola a liberdade religiosa é confinando-a estritamente à esfera privada. Mas abolir a religião na esfera pública não resolve os conflitos, simplesmente os esconde.
A Mensagem que Bento XVI dirigiu à Academia por motivo desta sessão plenária, confirma a posição do Vaticano: “A Santa Sé continua a pedir o reconhecimento do direito humano fundamental à liberdade religiosa por parte dos Estados. E pede-lhes que respeitem, e se necessário que protejam, as minorias religiosas que, ainda que unidas por uma fé diferente da maioria que as rodeia, aspiram a viver pacificamente com os seus concidadãos e a participar plenamente na vida política e civil da nação, em benefício de todos”.
CARDEAL TAURAN: DEFENDER LIBERDADE RELIGIOSA E DENUNCIAR DISCRIMINAÇÃO
“O nome de Deus não deve ser invocado para justificar discriminações e violências” – este foi o apelo lançado, nesta terça-feira, em Estrasburgo, na França, pelo presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran, ao Conselho da Europa no debate sobre a dimensão religiosa do diálogo intercultural, do qual participaram expoentes de várias religiões.
O Cardeal Tauran fez votos de que o Conselho da Europa “tenha sempre coragem de tomar decisões necessárias para promover e defender a liberdade religiosa“. O purpurado convidou o Conselho da Europa a “denunciar todas as formas de perseguições, violências e discriminações por motivos religiosos, tanto na Europa quanto no resto do mundo“.
Em seu discurso, o cardeal francês recordou as intervenções de Bento XVI, João Paulo II e da Constituição Pastoral Gaudium et Spes em favor da liberdade religiosa. “A Europa é um berço de culturas e religiões, e Estrasburgo é um símbolo disso” – frisou o purpurado.
O Cardeal Tauran reiterou que o humanismo europeu e as grandes instituições européias como, escolas, universidades e hospitais têm origem cristã.
Fonte Rádio Vaticano

