Archive | Novembro 2019

Voltámos ao tempo da outra senhora?

José Brissos-Lino

Angela Rohde / EyeEm/ Getty Images

Lê-se e não se acredita. Uma educadora de infância numa escola pública da Madeira viu a directora prejudicar-lhe a avaliação anual por se ter recusado a ir receber um bispo à igreja. Será que o tempo voltou para trás?

Parece que o padre da paróquia sugeriu à escola Escola EB1/PE de Ponta Delgada e Boaventura que os alunos fossem receber o bispo à igreja. A directora, Ana Cristina Abreu, aceitou de imediato e terá pressionado os professores a participar nessa iniciativa sem pensar por um momento que se tratava duma acção inconstitucional, porque o estado é laico, a dita escola é pública e dado o teor da lei em vigor (n.º 16/2001) chamada Lei da Liberdade Religiosa.

A professora Isabel Teixeira, que desconheço quem seja e que está na profissão há 30 anos, terá sido a única pessoa que não se moveu à margem do quadro legal e constitucional, mas acabou penalizada na sua carreira, de forma abusiva e ilegal. Alegou que entende não se dever misturar escola com religião, e que o referido evento não constava do plano anual de actividades, por isso se recusou a levar as crianças à missa em Dezembro de 2018. A directora terá começado por propor a realização de uma missa na escola, o que foi rejeitado pelos professores, mas insistiu em levar as crianças à missa na igreja…

Eduardo Vera Jardim, presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, já veio dizer: “Esse parâmetro não deve contar para a avaliação – é inconstitucional que conte. A Constituição é clara, ninguém pode ser prejudicado ou beneficiado por causa da religião, por uma opção religiosa ou por se opor a uma coisa dessas”, mas acrescenta que “há hábitos que levam tempo a perder, mas, para que as coisas mudem, este tipo de situação tem de ter consequências”.

Artigo completo aqui

Quanta humilhação para os refugiados cristãos

cristiani-cr-largeCom o reacendimento do conflicto na Síria, teme-se uma nova crise migratória, bem como a ocorrência de outras discriminações baseadas na religião. Parece que a esmagadora maioria dos refugiados recomendados pelo ACNUR para a Europa são muçulmanos sunitas, enquanto para cristãos e outras minorias (yazidis e xiitas) a lógica da “recepção” e da ajuda não funciona.

É de resto bem conhecido o escândalo no Reino Unido, onde não havia sequer um cristão entre os 1.112 sírios acolhidos no primeiro trimestre de 2018. Como indicou um relatório recente, a principal razão da indiferença do Ocidente aos refugiados cristãos está no politicamente correcto.

Com o reacendimento da guerra na Síria surge novamente o espectro de uma nova crise migratória que assusta a Europa. No entanto, parece haver discriminação entre os que são “bem vindos” e os que não são. Recentemente o ex-arcebispo de Canterbury, George Carey, levantou a questão da “discriminação do politicamente correto contra os refugiados cristãos”. Relançado nas páginas do Telegraph, o escândalo envolve principalmente a Grã-Bretanha e começa em 2015, o ano zero da crise migratória.

Entre os 16.000 refugiados acolhidos no Reino Unido durante o anterior conflito não houve praticamente nenhuma hipótese das minorias mais brutalizadas obterem autorização de residência. Dos refugiados que bateram às portas da Grã-Bretanha em 2015, no âmbito do “Programa para pessoas vulneráveis”, apenas 1,6% eram cristãos. Isto apesar dos cristãos representarem 10% da população síria e ser o grupo que mais perseguição sofreu durante o conflicto. “Perseguição cristã em níveis próximos do genocídio” é o que se lê num relatório recente assinado por fontes insuspeitas: há alguns meses, de fato, a BBC escreveu sobre um estudo encomendado pelo ministro das Relações Exteriores Jeremy Hunt é feito pelo bispo anglicano de Truro, Philip Ian Mounstephen…

Lorenza Formicola | Leia o artigo completo aqui (original em italiano)
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