Archive | Junho 2013

Episcopados católicos saúdam novas diretivas comunitárias sobre liberdade religiosa

EuropaA Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE) elogiou hoje as novas diretivas comunitárias sobre a “promoção e proteção” da liberdade religiosa aprovadas no Luxemburgo pelo Conselho dos Negócios Estrangeiros.

Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, o organismo católico sublinha que este documento foi desenhado para “proteger todos os crentes, individualmente, e as comunidades religiosas”, no quadro da política externa da União.

A COMECE alerta para as violações “sistemáticas e crescentes” do direito à liberdade religiosa por parte de alguns governos e “atores não estatais”, em vários países do mundo, o que exigia “ação e mecanismos mais eficientes”.

Para o organismo episcopal, apesar de o novo documento representar “um passo em frente que é bem-vindo”, ficam por definir mais claramente alguns aspetos, como “o reforço da dimensão coletiva da liberdade religiosa”.

Os bispos católicos apelam ainda ao reconhecimento do “direito pleno dos pais a educarem os seus filhos de acordo com as suas crenças religiosas” e a uma aproximação “mais equilibrada ao princípio de não discriminação, com sensibilidade ao impacto que a aplicação deste princípio pode ter na liberdade religiosa”.

O Conselho dos Negócios Estrangeiros da União Europeia assume que, com estas diretivas, pretende “reafirmar a sua determinação para promover, na sua política externa de Direitos Humanos, a liberdade de religião e de crença como um direito a ser exercido por todos, em todos os lugares”.

Esta política apresenta-se como baseada nos “princípios de equidade, não discriminação e universalidade”.   “Através dos seus instrumentos de política externa, a União Europeia pretende ajudar a prevenir e enfrentar as violações deste direito (liberdade religiosa) de forma atempada, consistente e coerente”, refere o Conselho.

fonte Ecclesia

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A difícil questão religiosa na União Europeia contada pelas cruzes e auréolas da nova moeda dedicada a Cirilo e Metódio

Nova moeda eslovaca comemorativa dos santos Cirilo e Metódio

Nova moeda eslovaca comemorativa dos santos Cirilo e Metódio (versão definitiva)

Nunca terá passado pela cabeça de Cirilo e Metódio que mais de mil após a sua morte haveriam de estar no centro de uma disputa reveladora dos problemas que as religiões, e em particular o Cristianismo, causam no Velho Continente.Em 2012 a Eslováquia decidiu comemorar os 1150 anos da chegada dos dois santos ao seu território com a cunhagem de uma moeda, desenhada por um artista local.

O problema começou quando a Comissão Europeia torceu o nariz ao desenho da face nacional da moeda – a outra é comum em todos os estados membros. A reprovação foi seguida por vários países membros.

De acordo com as regras da União Europeia (UE), a que a Eslováquia pertence desde 2009, os estados membros devem ter em consideração que as moedas circulam por 27 países – mais um no próximo mês, com a entrada da Croácia.

Por isso, quando emitem moedas comemorativas – possibilidade concedida aos estados da UE uma vez por ano – os países devem submeter o desenho a representantes de outras nações.

As cruzes estão presentes em moedas de vários países. A própria bandeira nacional da Eslováquia, por exemplo, inclui uma cruz de dois braços no topo de um conjunto formado por três montanhas, desenho que se encontra nas moedas de um euro.

Não foi a cruz de dois braços ao centro das imagens de Metódio e Cirilo que causou problemas. A dificuldade consistiu nas auréolas sobre as cabeças dos santos, assim como nas cruzes que ornamentam a estola de um deles.

A divisão sobre os símbolos cristãos de Cirilo e Metódio é vista por alguns analistas como mais um sinal da perturbação que as questões religiosas causam na Europa.

«Posso assegurar-vos que a Comissão [Europeia] não é o Anticristo, afirmou ao jornal “New York Times” a responsável da UE pelo diálogo entre grupos laicos e religiosos.

Katharina von Schnurbein negou que Bruxelas tenha uma agenda ateia: «A União Europeia é muitas vezes vista como se procurasse banir toda a fé, mas não é assim. Relacionamo-nos com pessoas que creem e com pessoas que não creem».A França também se opôs porque atribui grande importância à separação entre Igreja Estado, enquanto a Grécia considera que os monges bizantinos pertencem exclusivamente à sua herança.

No fim de 2012 várias notícias indicavam que o banco central da Eslováquia tinha cedido às pressões, eliminando os símbolos da discórdia (ver imagem). Hoje soube-se que, afinal, o projeto inicial vai para a frente sem alterações. Cirilo e Metódio vão ser moeda de troca a partir de julho, com dois meses de atraso em relação ao previsto.

Projeto da nova moeda após as críticas

«Há um movimento na União Europeia que quer a neutralidade religiosa total e não aceita as nossas tradições cristãs», disse ao jornal nova-iorquino D. Stanislav Zvolensky, arcebispo de Bratislava, capital da Eslováquia.

Num continente dividido por muitos idiomas, além de grandes diferenças culturais e económicas, o prelado defendeu que os séculos de cristianismo oferecem um raro elemento partilhado por todos os países.

Os irmãos Cirilo e Metódio, nasceram em Tessalónica, atual Grécia, no início do século IX. Do alfabeto glagolítico, por eles criado com o objetivo de traduzir a Bíblia e outros textos para os povos eslavos, deriva o alfabeto cirílico, hoje utilizado em países como a Rússia e a Bulgária, sendo este o único estado da UE a usá-lo.

A Igreja católica evoca a 14 de fevereiro os dois santos que o beato papa João Paulo II declarou em 1980 padroeiros da Europa.

© SNPC

A liberdade religiosa é uma preocupação moral e estratégica para os EUA

Silhueta de mãos postas em oração (somchai rakin/Shutterstock)Os ataques à liberdade religiosa são uma preocupação de segurança  nacional tanto moral como estratégico para os Estados Unidos, de acordo  com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry.

Durante uma conferência de imprensa, no dia 20 de maio, em que foi divulgado o Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional 2012, Kerry afirmou  que “quando os países enfraquecem ou atacam a liberdade religiosa, não estão apenas  injustamente ameaçando aqueles que têm como alvo, mas também ameaçam a sua própria  estabilidade, o que se observa em tantos lugares”.

O relatório, que avalia a liberdade religiosa – ou a falta dela – em quase  200 países e territórios, é uma “demonstração do permanente compromisso do povo  americano e de todo o governo dos EUA para com a promoção da liberdade religiosa  em todo o mundo”, disse ele.

Consagrada na Constituição dos EUA, a liberdade religiosa é um “valor  americano intrínseco”, disse Kerry, mas “não é uma invenção americana”. A  liberdade religiosa, ele disse, é um “valor universal”.

“A liberdade que se possui de professar e praticar a própria fé, crer ou não  crer, ou mudar de crença, é um direito de nascença de todo ser humano”, disse  Kerry. “Esses direitos são devidamente reconhecidos sob as leis  internacionais.

A promoção da liberdade religiosa internacional é uma prioridade do  presidente Obama e uma prioridade para mim, como secretário de Estado”, disse  Kerry. “Estou assegurando, e continuarei a fazê-lo, que a liberdade religiosa  continue sendo parte integral do nosso compromisso diplomático global”.

O Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional anual do  Departamento de Estado, disse Kerry, é uma visão clara e objetiva do estado da  liberdade religiosa ao redor do mundo”, mas ele reconheceu que ele desagradará  alguns governos.

“Quando necessário, sim, o relatório menciona diretamente alguns de nossos  amigos próximos, bem como alguns países com os quais buscamos ter laços mais  fortes”, disse o secretário. “E ele faz isso para que possamos tentar progredir,  apesar de sabermos que pode causar algum desconforto”.

Kerry acrescentou que, “apesar deste relatório ressaltar os desafios da  liberdade religiosa, também é verdade que está cada vez mais difícil restringir  a liberdade do ser humano”.

“Em toda a história da humanidade”, disse ele, “nunca foi tão fácil para as  pessoas compartilharem seus pontos de vista, encontrar informações, conectar-se  com outras pessoas, até mesmo enviar mensagens desesperadas, pedindo socorro ou  que denunciem abusos em curso, graças à comunicação instantânea. Assim, apesar  de que graves desafios à liberdade religiosa perduram, não poderia estar mais  otimista em relação as perspectivas para a liberdade ao redor do mundo, porque  há grandes perspectivas em apontar responsáveis ao redor do mundo”.

Dentre os graves desafios enfrentados pela liberdade religiosa no mundo  hoje, está a evidência de um “potencial crescimento do antissemitismo”, disse  ele. Para enfrentar esse desafio, Kerry anunciou a nomeação de Ira Forman para a  posição de enviado especial para monitorar e combater o antissemitismo.

Outra tendência perturbadora identificada no relatório 2012 é o aumento do  uso de leis regulando a blasfêmia e a apostasia, disse o secretário.

“Essas leis são frequentemente usadas para reprimir a dissidência, assediar  oponentes políticos e resolver vinganças pessoais”, disse Kerry. “Leis como  essas violam direitos fundamentais de liberdade de expressão e religiosa e  acreditamos que devam ser rejeitadas.”

Suzan Johnson Cook, embaixadora especial dos EUA para liberdade religiosa  internacional, observou que entre as conclusões do relatório mais recente está o  fato de que “muitos governos falham em processar os perpetradores de crimes  motivados por animosidade religiosa, criando um clima de impunidade que alimenta  mais discriminação e violência”.

“A intolerância social contra minorias religiosas está crescendo”, disse  Cook. “Frequentemente essa intolerância se expressa por meio de atos de  violência, vandalismo e profanação.”

Em seu trabalho de promover a tolerância religiosa ao redor do mundo, os  Estados Unidos têm como parceiros membros de comunidades internacionais que  apoiam a liberdade religiosa para proteger minorias religiosas e para  salvaguardar a liberdade de expressão”, disse Cook. “Defendemos particularmente  o envolvimento de mulheres e jovens com a liberdade religiosa, uma vez que suas  vozes são uma força positiva para mudança”, afirmou ela.

O objetivo, disse Cook, é “que as pessoas progridam em pequenos passos,  porque o que queremos, em última instância, é a liberdade religiosa para todos  em todos os países”.

O texto completo do Relatório sobre Liberdade Religiosa  Internacional 2012 está disponível no site do Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do  Departamento de Estado. Veja também o informativo Política e Programas dos EUA em Apoio à Liberdade Religiosa  Internacional do Departamento de Estado.

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