Archive | Janeiro 2013

Vaticano critica sentença de Tribunal Europeu sobre liberdade religiosa

O Secretário para as relações com os Estado no Vaticano veio hoje afirmar que o relativismo moral está a minar os alicerces da liberdade individual, de consciência e de religião.  
 
A Santa Sé reagiu esta quarta-feira às recentes decisões do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, relacionadas com a liberdade de consciência e de religião.
Este Tribunal rejeitou três queixas de cidadãos britânicos que alegavam discriminação religiosa no local de trabalho. A única queixosa a quem foi dada razão foi uma ex-funcionária da British Airways.
Nadia Eweida tinha sido despedida quando se recusou a retirar o seu crucifixo, apesar de mais tarde a empresa ter alterado as suas normas, passando a permitir esse tipo de adereços religiosos.
Chaplin perdeu o seu emprego de enfermeira quando se recusou a retirar um crucifixo do pescoço. Ladele foi despedida quando disse não querer presidir a cerimónias de união entre homossexuais e McFarlane, terapeuta sexual, perdeu o emprego quando se recusou a fazer o seu trabalho com homossexuais. Todos invocaram as suas crenças religiosas para defender as suas posições, mas o tribunal europeu dos direitos do homem não lhes deu razão.
Mons. Mamberti, Secretário para as relações com os Estado no Vaticano veio hoje afirmar que o relativismo moral começa a impor-se como nova norma social e está a minar os alicerces da liberdade individual, de consciência e de religião.
O responsável pela diplomacia vaticana explica que assuntos controversos relacionados com o aborto, a homossexualidade e a liberdade de consciência devem ser respeitados pelas legislações de toda e qualquer sociedade pluralista, em nome do respeito pela liberdade de consciência, de religião e do bem comum.
Neste campo, a Igreja não pede privilégios do género “zona franca de direitos”, para as suas comunidades religiosas, o que a Igreja pede é a defesa da liberdade religiosa na dimensão social e colectiva, ou seja, que sejam reconhecidas como “espaços de liberdade”, com base no direito à liberdade religiosa e no respeito da ordem pública.
O Vaticano defende que esta doutrina deve ser de aplicação geral e não exclusiva da Igreja Católica, porque se baseia em critérios de justiça para todos.
 
fonte RR (Aura Miguel)
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Casos de liberdade religiosa rejeitados no Tribunal dos Direitos do Homem

 

Das quatro queixas por discriminação no local de trabalho, apresentados por britânicos em Estrasburgo, apenas foi dada razão a Nadia Eweida, despedida da British Airways por não retirar um crucifixo.  

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) rejeitou três queixas de cidadãos britânicos que alegavam discriminação religiosa no local de trabalho.

O tribunal decidiu, esta terça-feira, que os tribunais nacionais tinham agido bem nos casos de Shirley Chaplin, Lillian Ladele e Gary McFarlane.

Chaplin perdeu o seu emprego como enfermeira quando se recusou a retirar um crucifixo de volta do pescoço. Ladele foi despedida depois de pedir para não ter de oficiar em cerimónias de união de facto entre homossexuais e McFarlane, que é terapeuta sexual, ficou sem emprego depois de dizer formalmente que não queria desenvolver esse tipo de trabalho com “casais” homossexuais. Todos invocaram as suas crenças religiosas para defender as suas posições.
 
A única queixosa a quem foi dada razão foi uma ex-funcionária da British Airways. Nadia Eweida tinha sido despedida quando se recusou a retirar o seu crucifixo, apesar de mais tarde a empresa ter alterado as suas normas, passando a permitir esse tipo de adereços religiosos.
 
No seu caso o TEDH alegou que os tribunais domésticos tinham dado demasiado peso à pretensão, em si legítima, da BA querer projectar uma certa imagem empresarial, não atribuindo importância suficiente ao direito à liberdade de religião, protegida pelo artigo 9º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
 
No caso de Shirley Chaplin, contudo, apesar de ser muito parecido, o Tribunal Europeu teve em conta o facto de o hospital ter pedido a remoção do crucifixo por uma questão de saúde, por considerar que poderia ser um veículo de transmissão de infecção, defendendo o direito do hospital tomar esse tipo de decisão.
 
Já nos dois casos envolvendo objecção à prática homossexual rejeitou as queixas afirmando que em ambos os casos as entidades empregadoras tinham a obrigação de não discriminar contra os seus utentes e que por essa razão não podiam empregar pessoas que se recusavam a trabalhar com “casais” homossexuais.
 
O Tribunal Europeu atribuiu uma compensação de apenas 2000 euros a Nadia Eweida. A britânica, uma cristã copta de origem egípcia, congratulou-se pela decisão mas lamentou que os outros três queixosos não tivessem visto reconhecidos os seus direitos à liberdade religiosa e de consciência.
 
Chaplin, Ladele e McFarlane ponderam agora recorrer à grande câmara do TEDH, onde o caso será reavaliado por um painel de 17 juízes.
 
 
fonte RR

Cardeal Sandri defende liberdade religiosa no Egito

ImagemTerminou na última sexta-feira a visita ao Egito realizada pelo cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, iniciada no dia da Epifania como parte das iniciativas para celebrar o Ano da Fé.

Nestes cinco dias, o cardeal Sandri se concentrou nas questões de liberdade religiosa e de acolhimento mútuo. Na quarta-feira, em reunião com os líderes das atividades apostólicas do país, Sandri elogiou a sua “disposição pessoal para servir a Igreja” e o seu compromisso para que “a vida da comunidade católica no Egito anuncie o Filho de Deus, através da vida sacramental, da catequese e da caridade, especialmente no cuidado, na educação e no serviço concreto a tantos irmãos e irmãs”.

Quanto ao momento difícil que a liberdade religiosa está vivendo no Egito, o cardeal pediu: “Queridos amigos, façamos também nós a parada no oásis de Elim, mencionada no livro do Êxodo, para que a fé seja fortalecida com a contemplação da beleza da amizade com Deus, apesar das sérias preocupações do tempo presente para os cristãos do Oriente Médio e da sua amada terra natal”.

Em Alexandria, o cardeal se reuniu com religiosos egípcios do Sagrado Coração e com os franciscanos missionários do Coração Imaculado de Maria. Depois, consagrou a igreja de Sharm El Sheik, que contou com o apoio da comunidade eclesial local, da nunciatura apostólica e de agências de apoio pertencentes à ROACO (Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais), da qual o prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais é presidente.

Ao confiar as atividades apostólicas do Ano da Fé aos respectivos responsáveis, o cardeal Sandri recomendou “crescer na consciência do dom recebido, intensificando especialmente a vida sacramental pessoal e comunitária”.

O Ano da Fé será uma oportunidade para “renovar o impulso missionário”, marcado pela presença de muitas religiões diferentes no Egito. A este respeito, o cardeal expressou a esperança de que nunca falte a liberdade religiosa e de que “os cristãos também tenham a garantia do respeito pelas suas crenças religiosas”.

Durante o encontro com os fiéis na catedral latina do Cairo, Sandri destacou a intensificação das relações ecumênicas, seladas por reuniões com o patriarca greco-ortodoxo de Alexandria, Teodoro, e com o patriarca copta-ortodoxo Tawadros.

Sobre o papel da Santa Sé, o cardeal explicou que, longe de ser uma potência mundial, ela tem como principal objetivo a liberdade da Igreja e a busca da paz e do respeito pela dignidade da pessoa. E acrescentou que “a perseguição e o martírio são a força da Igreja”.

fonte Zenit.org

Encontro mundial discute liberdade religiosa

Conferência TED chega ao Vaticano

Conhecido como o “Oscar das ideias”, a “Hollywood da genialidade”, um mix entre ciência, comunicação e entretenimento, TED (Technology Entertainment Design) apresenta “ideias que merecem ser espalhadas” ( “ideas worth spreading” ).

Começou como uma conferência anual na Califórnia que reunia pessoas para falar sobre suas melhores ideias e agora é um dos sites mais visitados do mundo (www.ted.com). A novidade é que em 2013, TED chega ao Vaticano.

Dia 19 de abril na Via della Conciliazione o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura abrirá “TEDxviadellaconciliazione”, (www.TEDxviadellaconciliazione.com), um encontro mundial para falar sobre liberdade religiosa hoje.

Para saber mais ZENIT entrevistou a organizadora do encontro, Giovanna Abbiati.

O que significa TED?

TED é uma conferência anual onde “mentes brilhantes” se encontram para partilhar ideias que merecem ser espalhadas. Os discursos são livremente publicados no site para serem propagados por todo o mundo.

O que tem a ver TED com a Igreja católica?

Ser católico significa ser universal. A missão da Igreja é desde sempre a mesma: testemunhar o encontro espiritual entre o divino e o ser humano.

Os resultados provenientes deste encontro devem ser espalhados! E como? Publicando em todas as línguas que conhecemos, de maneira que todos possam conhecer e compreender. Uma das novas linguagens que temos no mundo contemporâneo é a linguagem digital. Através da linguagem digital, TED espalha ideias, e nós queremos utilizar este poder de conectar, e espalhar também os resultados espirituais.

Porque vocês escolheram o tema da liberdade religiosa?

Este é um tema importante se queremos falar de paz. Na sociedade secularizada, muitas vezes, os sinais religiosos são proibidos, os símbolos são escondidos. Em alguns países a restrição de caráter religioso é altíssima. O Pew Research Center divulgou que mais de 2,2 milhões de pessoas, quase um terço da população mundial, vivem em 23 países, onde há restrições governamentais ou crescente hostilidade social em relação à prática religiosa. Porque temos medo da religião? Devemos temer apenas o fundamentalismo.

O fundamentalismo é uma perversão da religião. A violência não é religião, praticar a violência em nome de um credo religioso não é religião.

O que é esperado do encontro TED x via della Conciliazione?

Queremos reiterar que a liberdade religiosa é um direito fundamental. Antes de tudo é uma aspiração da alma. A liberdade religiosa consiste em garantir a proteção de todos os homens e mulheres de qualquer tentativa de coação da própria consciência.

Através da religião todo homem e toda mulher descobre a identidade do ser humano. Através da religião descobre o sentido e o valor da vida. A prática religiosa inspira e incentiva o ser humano na construção de um mundo de justiça e de paz. Todas as religiões expressam um senso de responsabilidade pela humanidade e pelo mundo.

Como?

Quer mudar a sociedade? Não exclua! Começando pela sua comunidade. A sua comunidade pode ser o seu vizinho de casa ou o seu irmão. Cuidar do mais fraco, do idoso, da viúva, do estrangeiro, significa tentar construir uma rede social em favor da fraternidade.

Aproveitando toda a força que a fé pode dar, é preciso tentar transformar o ódio em amor, praticar o amor também nos conflitos, favorecendo o perdão. Amor entendido como paixão de Cristo, que diz respeito também aos encarcerados e às pessoas doentes.

Enfrentar este desafio é difícil, mas o importante é que não fique apenas na mesa ou que envolva apenas os grupos dirigentes. É preciso começar pelos jovens.

Quem são os convidados?

Procuramos palestrantes capazes de promover o diálogo e a unidade em todos os âmbitos, partindo da cultura. Procuramos talentos e visionários capazes de demonstrar a existência de um substrato comum de ideais e desafios, tanto na religião como na cultura.

Pessoas como Soumaya Slim do Museu Soumaya ou Sheika Hussad AL Salem do Darmuseum. A primeira no México, a segunda no Kwait, ambas empenhadas em promover a beleza através da arte. Dois mundos diferentes com um objetivo comum.

Além disso, procuramos pessoas que mudam o mundo através da fé, como Alicia Vacas que desenvolve um grande trabalho na Terra Santa e Leone Narvaez que promove a paz na FARC (Força Armada Revolucionária) da Colômbia.

Porque foi escolhido o formato TED?

Na era do compartilhamento TED é capaz de espalhar ideias de maneira muito positiva. Assistindo televisão, escutando rádio, navegando na rede, o que recebemos, muitas vezes, é uma visão negativa do mundo. TED é uma plataforma que fala de compartilhar e difundir o otimismo. Não queremos dizer que o mal não existe, mas falar apenas das trevas significa esquecer a existência da luz. Um enfoque negativo assim corta as asas do ser humano. Somos feitos de carne, mas o nosso espírito foi criado para voar alto e além!

Qual é o sonho de vocês?

Precisamos aprender a conviver e a amar. Amar, não é apenas uma ideia, é o que nos conecta com o todo.

fonte: Zenit.org

Cristãos perseguidos: entrevista ao coordenador do Observatório da Liberdade Religiosa

…muitos cristãos no mundo sofrem perseguição ou são mortos pela fé em Cristo. Quem confirma que este fenómeno é, infelizmente, ainda muito difundido, é o coordenador do Observatório da Liberdade Religiosa na Itália, Massimo Introvigne, entrevistado por Debora Donnini:

– O Centro de estatísticas religiosas talvez mais avançado é aquele fundado e dirigido – até à sua morte, em 2011 – por David Barrett, nos Estados Unidos. Segundo este Centro, estima-se que também neste ano de 2012, foram assassinados pela sua fé 105 000 cristãos: isto significa um morto em cada 5 minutos. As proporções são, portanto, assustadoras …

Há países, como a Nigéria, onde por causa da violênciafundamentalista dos BokoAram,é perigosoaté mesmo irà Missa, ou seja, irà missa significa arriscar a própria vida

– As áreas de risco são muitas, podem-se identificar essencialmente três principais: os Países onde é forte a presença do fundamentalismo islâmico – Nigéria, Somália, Mali, Paquistão e algumas regiões do Egito; os Países onde ainda existem regimes totalitários de estilo comunista, à frente dos quais está a Coreia do Norte; e ainda os Países onde existem nacionalismos étnicos, que identificam a identidade nacional com uma religião em particular, de modo que os cristãos seriam traidores da Nação. Penso nas violências do Estado de Orissa , na Índia. Na verdade, em muitos destes Países ir à missa ou até mesmo ir à catequese tornou-se em si mesmo perigoso. Na Nigéria, houve um massacre de crianças que iam à catequese.

– No Paquistão, a lei da blasfémia para os cristãos, de facto, constitui um grande perigo … Mesmo em nome desta lei recordamos Asia Bibi, a mulher mãe de cinco filhos ainda na prisão, condenada à morte exactamente em nome desta lei …

– A Itália foi o primeiro País a adoptar Asia Bibi. Certamente os seus esforços até agora salvaram-lhe a vida, mas não devemos esquecer as execuções e os linchamentos, porque às vezes é a própria multidão – eventualmente reforçada por algum pregador – que lincha o acusado antes da condenação. No Paquistão tornou-se, infelizmente, cenas habituais e não existe apenas o caso de Asia Bibi.

Em sua opinião, porque é que hátanto ódiopara com oscristãos no mundo, de facto, ao ponto de se tornarem no gruporeligioso mais perseguido?

– De um lado está a perseguição sangrenta, as mortes por assassinato e as torturas, que são o resultando de algumas ideologias específicas: a ideologia do fundamentalismo islâmico radical, as versões mais agressivas dos etno-nacionalismos e, naturalmente, o que ainda sobrevive da velha ideologia comunista. Sem colocarmos absolutamente no mesmo plano dos mortos – que certamente seria errado – devemos, contudo, recordar que existem fenómenos de intolerância, que é um facto cultural, ou de discriminação por meio de medidas legislativas injustas, que se verificam também nos nossos países, mesmo no Ocidente, como o Santo Padre recordou novamente na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2013. Não surpreendentemente, no discurso de cumprimentos de Natal à Cúria Romana há poucos dias, o Papa falou dos perigos e, por assim dizer, de uma ditadura cultural exercida por uma ideologia específica, e entre as várias tem aquela do “gender” (género). Estas ideologias, é claro, sentem-se ameaçadas pela voz dos cristãos e pela voz da Igreja e, portanto, os seus lobistas promovem campanhas de intolerância e discriminação.

Santo Estêvão morreupedindo ao Senhorpara nãoimputar aosseus assassinos este pecado.A partir dos testemunhos que recolheu, emerge que os cristãos, claramente através da misericórdia deDeus, conseguem perdoar os seusperseguidores?

– Naturalmente, quando se fala de 105 000 mortos por ano, nem todos estes são mártires no sentido teológico do termo. No entanto, dentro deste número existe um – certamente menor – que inclui pessoas que muito conscientemente oferecem a sua vida para a Igreja e muitas vezes rezam também para os seus perseguidores e a estes oferecem o perdão.

E isto é chocante, porque poder perdoar, de alguma forma,os próprios perseguidoresé verdadeiramente uma obraque vem doSenhor …

– Devo dizer que esta é uma característica única do cristianismo, porque muitas outras culturas – pré-cristãs e até mesmo pós-cristãs – falam, pelo contrário, da vingança, como direito e até mesmo verdadeiro dever de honra. O Cristianismo teve esta grande função civilizadora, que hoje se tem a tendência para esquecer, de ter substituído a lógica da vingança com a lógica do perdão.

fonte RV

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