Rabis marcam reunião de urgência para discutir decisão contra circuncisão na Alemanha

O caso começou com uma criança muçulmana. A pedido dos pais, o menino de quatro anos foi circuncidado por um médico num hospital de Colónia. Foi-lhe retirada parte do prepúcio e, dias depois, chegou ao hospital com uma grave hemorragia.

O caso é de há dois anos, a decisão de um tribunal de Colónia é de há duas semanas: que a integridade física dos bebés circuncidados e o seu direito a escolher uma religião mais tarde devem prevalecer sobre a liberdade religiosa dos seus pais. Mas, apesar do caso individual ser de uma criança muçulmana, e da indignação ter sido expressa por vários líderes religiosos, têm sido os judeus os mais intensos. A Conferência de Rabis Europeus marcou uma reunião de emergência para hoje.

Na véspera, a questão fora analisada no Parlamento israelita (Knessset). “A circuncisão é um dos fundamentos do judaísmo e a última vez que foi restrita foi durante a hora mais sombria da Alemanha”, declarou o líder da Comissão das Questões da diáspora do Knesset, Danny Danon.

“Sem a circuncisão, não pode haver vida judaica na Alemanha”, resumia Almut Bruckstein Coruh, especialista em filosofia judaica, à agência noticiosa francesa AFP.

“A decisão de Colónia é talvez um dos mais graves ataques à vida judaica na Europa no mundo pós-Holocausto”, declarou o presidente da Conferência de Rabis Europeus, Pinchas Goldschmidt.

O alcance da decisão do tribunal de Colónia não é certo. À partida, aplica-se apenas no local, mas deverá desencorajar os médicos alemães a praticarem a cirurgia por razões não clínicas. O procedimento é comum para a comunidade de 107 mil judeus e de 4 milhões de muçulmanos no país.

Uma questão delicada

A circuncisão é praticada nos antigos rituais religiosos muçulmanos e judaicos. Não está referida no Corão, mas é considerada a marca da entrada da criança na comunidade, e é feita em geral entre os 2 e os 5 anos de idade. Já entre os judeus está definida na Torah: deve ser feita ao oitavo dia de vida.

Por razões de saúde (a higiene era o argumento invocado), foi defendida nos Estados Unidos, onde nos anos 1980 cerca de 80% dos rapazes eram circuncidados. Esta percentagem tem vindo a descer, com 57% em 2008.

Nos EUA, tem havido um debate sobre os benefícios da prática e um movimento cada vez maior que a questiona (os “intactivistas” que tentaram proibir as circuncisões de bebés), à medida que surgem notícias de mais benefícios de saúde (menos transmissão do vírus HIV em relações heterossexuais em homens circuncidados, o que levou a uma recomendação da OMS, uma possível diminuição do risco de cancro da próstata; nenhuma suficiente, no entanto, para a associação americana de Pediatria passar a recomendar o procedimento).

Mas, na Alemanha, o país em que os nazis proibiram a circuncisão entre uma série de medidas de desumanização dos judeus, esta medida traz um pendor especialmente polémico.

A decisão do tribunal de Colónia é mais uma num contexto de uma “nova intolerância europeia” em relação a “outras religiões”, disse ainda Pinchas Goldschmidt, citando exemplos como a tentativa falhada de proibir carne de animais mortos segundo as regras kosher ou halal na Holanda, a proibição de construção de minaretes nas mesquitas na Suíça, ou o banir do véu islâmico em público em França.

fonte: Público

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Organização internacional católica, dependente da Santa Sé, cuja missão é ajudar os cristãos perseguidos por causa da sua fé. Procura estar atenta às várias situações de necessidade destes cristãos, particularmente a falta de liberdade religiosa. Para isso, publica periodicamente um Observatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo www.fundacao-ais.pt/

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