Archive | Outubro 2011

Defesa da liberdade religiosa

O Vaticano convidou os católicos e hindus de todo o mundo a um esforço conjunto para “promover a liberdade religiosa”, numa mensagem hoje divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé.

No documento, que assinala a festa do Diwali (Deepavali ou Deepawali), o presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso (CPDIR) justifica a escolha do tema para 2011 pelo facto de a liberdade religiosa “estar a tomar o lugar central em muitos sítios”, chamando a atenção para as pessoas atingidas pelo “preconceito, propaganda de ódio, discriminação e perseguição” por causa da sua fé.

“A liberdade religiosa é a resposta para conflitos motivados pela religião em muitas partes do mundo. No meio da violência detonada por esses conflitos, muitas pessoas anseiam por uma coexistência pacífica e um desenvolvimento humano integral”, refere o cardeal Jean-Louis Tauran.

Para este responsável da Santa Sé, a liberdade religiosa faz parte dos “direitos humanos fundamentais” enraizados na “dignidade da pessoa”, o que inclui “imunidade à coerção por parte de qualquer indivíduo, grupo, comunidade ou instituição”, bem como a liberdade para “mudar a própria religião”.

A mensagem apela à intervenção das “autoridades civis” nesta matéria, para que cada pessoa possa “professar, praticar e propagar a sua religião ou crença, em público ou privado”.

O cardeal francês aponta vários campos de cooperação possíveis entre católicos e hindus, como a “defesa da vida”, a “preservação dos recursos naturais” ou a “educação das crianças”, propondo um apelo conjunto aos “líderes das nações para que nunca menosprezem a dimensão religiosa da pessoa”.

A mensagem do CPDIR refere ainda que no próximo dia 27, Bento XVI vai reunir-se com “muitos líderes religiosos” internacionais na cidade italiana de Assis, no 25.º aniversário do Dia Mundial de Oração convocado pelo então Papa João Paulo II, para “fazer das religiões canais de paz e harmonia”.

O Diwali, celebração anual conhecida também como o festival das luzes, simboliza a destruição das forças do mal e em 2011 é celebrado a 26 de outubro pela maioria dos hindus.

Fonte: Ecclesia (OC)

Anúncios

Judeus pedem a Roma que suspenda negociações com lefebvrianos

Vários grupos de judeus estão a pedir ao Vaticano que suspenda as negociações em curso com a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (SSPX) com vista à sua reintegração na Igreja Católica.

A preocupação dos grupos judaicos surge quando dois membros da SSPX vieram a público fazer comentários anti-semíticos, reafirmando a ideia de que os judeus são colectivamente culpados pela morte de Jesus.

A Igreja Católica repudiou essa ideia no Concílio Vaticano II e, desde então, as relações com os judeus têm melhorado substancialmente. Os herdeiros do Arcebispo Marcel Lefebvre, que fundou a SSPX e foi excomungado depois de ordenar quatro bispos sem autorização da Santa Sé.

Um desses bispos, o inglês Richard Williamson, já tinha criado problemas quando negou a dimensão do holocausto, numa entrevista há dois anos.

Desde então tem sido colocado de lado pela restante hierarquia da SSPX, mas continua a ser uma voz crítica das negociações com o Vaticano.

A outra figura a fazer declarações anti-semíticas foi o responsável pela SSPX em França, o Padre Regis de Cacqueray, que também tem criticado qualquer aproximação a Roma.

Há poucas semanas, e depois de anos de negociações que incluíram o levantamento das excomunhões aos quatro bispos da SSPX, o Vaticano apresentou um documento que a fraternidade deveria subscrever para poder ser reintegrada e receber um estatuto especial na Igreja. A SSPX está a discutir o documento e deverá apresentar a sua resposta dentro de alguns meses.

As afirmações de Williamson e de Cacqueray poderão ter sido feitas propositadamente para destabilizar as negociações, mas surgem numa altura em que as perspectivas para uma eventual reunificação, um projecto próximo do Papa, não são as melhores.

Numa conferência dada nas Filipinas o actual líder dos lefebvrianos, Bernard Fellay, terá dito que as negociações entre as duas partes se limitavam a “andar às voltas”, sem resultados.

» Filipe d’Avillez (RR)

Liberdade religiosa no mundo

Departamento de Estado norte-americano publicou em 13 de setembro o novo Informe sobre Liberdade Religiosa Internacional. Apesar do título Informe 2010, ele cobre apenas os últimos seis meses do ano.

Michael H. Posner, secretário adjunto da Secretaria para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, afirmou na apresentação do informe que continuam sendo considerados países de especial preocupação os mesmos oito da última edição do informe: Birmânia, China, Eritreia, Irã, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Sudão e Uzbequistão.

Mas há muitos outros com graves violações da liberdade religiosa. Posner diz que há uma preocupação especial com os cristãos da Síria, onde a instabilidade e a violência estão ferindo os direitos humanos.

Paquistão, Iraque, Vietnã e Egito também são mostrados como graves infratores.

O informe denuncia diversidade de formas de se restringir a liberdade religiosa:

– Repressão ativa do Estado e impunidade. Em países como Irã e Coreia do Norte, a religião está sob controle estrito, como parte do esforço estatal por dominar a vida política e social em geral. Outros Estados, como a Eritreia, acossam a ponto de os crentes renunciarem à fé ou abandonarem o país.

– Ataques violentos de extremistas. Grupos extremistas pioram a situação, como a Al-Qaeda, queconvocou ataques violentos contra as minorias religiosas do Oriente Médio. Em 2010 houve numerosos ataques contra lugares sagrados e contra fiéis no Paquistão. A Nigéria também sofreu um aumento notável da violência, tanto contra cristãos como contra muçulmanos. Em fevereiro deste ano houve um novo episódio de violência que causou 96 mortes no país.

– Leis contra a apostasia e a blasfêmia. São usadas em geral para discriminar as minorias religiosas. A blasfêmia e a apostasia do islã podem ser castigadas com a morte no Afeganistão, Irã, Paquistão e Arábia Saudita.

– Antissemitismo. Segundo o Departamento de Estado, no ano passado houve aumento do antissemitismo em todos os continentes. Os atos foram da profanação de cemitérios à negação do Holocausto e à publicação de livros e charges ofensivas.

– Proibições à vestimenta e expressão muçulmana. A proibição de roupas religiosas em público prosseguiu em partes da Europa. Os tribunais franceses ratificaram a lei que em abril deste ano impôs suas primeiras sanções.

– Proibições relacionadas com a segurança. Alguns países aprovaram ou estão considerando aprovar leis que restrinjan a liberdade religiosa baseando-se na necessidade de proteger a segurança nacional. Alguns governos limitaram as atividades de grupos considerados como “ameaças”.

Por países

Birmânia – o governo controla as reuniões e atividades de praticamente todos os grupos religiosos. As denominações religiosas têm que pedir permissão para celebrar qualquer grande evento público. Segundo o Departamento de Estado, as autoridades negam com frequência a aprovação dos pedidos para celebrar festas tradicionais cristãs ou muçulmanas, construir lugares de culto, etc.

China –  só é permitido o culto às denominações religiosas englobadas dentro das cinco associações religiosas patrióticas aprovadas pelo Estado (budistas, taoístas, muçulmanos, católicos e protestantes). Outros grupos, como os católicos leais ao Vaticano, não podem se registrar como entidades legais. Em alguns lugares, as autoridades acusaram os membros das denominações não oficiais de delitos como a celebração de atividades religiosas ilegais ou de alterar a estabilidade social. Quem quer entrar num seminário oficial tem que obter o apoio da sua associação religiosa patriótica. O governo exige ainda que os estudantes mostrem “confiança política”: temas políticos fazem parte dos exames em todas as escolas religiosas.

Vietnã – há muitas notícias de abusos contra a liberdade religiosa. Muitos católicos e protestantes informam que os cristãos sofrem discriminação não declarada quando tentam cargos governamentais. Há repressão especialmente contra quem pertence a grupos que não têm reconhecimento oficial. Algumas medidas obrigam fiéis a deixar de se reunir; igrejas não registradas são fechadas; indivíduos são pressionados a renunciar às suas crenças. Em fevereiro, um grupo de freiras e católicos de Ho Chi Minh, em peregrinação, foi acossado pela polícia e teve a entrada negada na própria paróquia.

Medidas necessárias

O Departamento de Estado confirma seu compromisso com a defesa da liberdade religiosa, mas a Comissão para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) expressa decepção pela não inclusão de mais países na lista de “especial preocupação”.

“A repetição da atual lista mantém omissões flagrantes, como o Paquistão e o Vietnã”, afirma Leonard Leo, presidente da USCIRF, em comunicado de 13 de setembro.

Em seu próprio informe anual, publicado no começo do ano, a USCIRF recomenda que o Secretário de Estado mantenha a lista existente de oito países, mas acrescente Egito, Iraque, Nigéria, Paquistão, Turcomenistão e Vietnã.

Deixando de lado as diferenças de opinião quanto à lista de países de especial preocupação, fica claro que é negado um direito humano básico, a liberdade religiosa, numa quantidade elevada de países.

Pe. John Flynn, LC

 

(fonte: ZENIT.org)

Processos de transição têm de respeitar liberdade religiosa, frisa Portas

Numa referência aos confrontos entre cristãos coptas e muçulmanos no Egipto, o ministro dos Negócios Estrangeiros condenou a violência que já provocou 24 mortos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros lamentou os incidentes entre cristãos coptas e muçulmanos no Egipto que provocaram 24 mortos e recordou que os processos de transição apesar de serem complexos devem sempre respeitar a liberdade religiosa.

«Quando um país faz uma transição de um regime autocrático para um regime democrático um dos aspectos que é importante e faz parte do respeito pelos Direitos Humanos tem a ver com a protecção das minorias religiosas», explicou Paulo Portas.

O chefe da diplomacia portuguesa disse não confundir «fé com fanatismo» e frisou que sabe distinguir o que é «apoiar aqueles que têm uma visão respeitável e respeitadora da liberdade religiosa e que professam a fé muçulmana daquilo que seja fanatismo de qualquer religião».

«Isso é que é inaceitável ainda mais quando se converte em violência. O respeito pela liberdade religiosa faz parte do catálogo essencial dos Direitos Humanos», concluiu Paulo Portas, em declarações feitas à margem de uma reunião de chefes europeus da diplomacia no Luxemburgo.

fonte TSF

Indonésia: Bento XVI pede respeito pela liberdade religiosa

Bento XVI apelou hoje (07.10.2011) ao respeito pela liberdade religiosa na Indonésia, pedindo o “direito de ser plena e autenticamente católicos” para os membros da Igreja.

“A liberdade de viver e pregar o Evangelho nunca pode ser dada por descontada e deve ser sempre apoiada com justiça e paciência”, disse o Papa, no Vaticano, a um grupo de bispos do país asiático, com 230 milhões de pessoas, 90% das quais muçulmanas.

Num discurso publicado pela Santa Sé, Bento XVI frisou que a liberdade religiosa é mais do que “estar livres de vínculos externos”.

Aos líderes católicos, o Papa pediu um contributo para o “bem comum, anunciando o Evangelho como uma boa nova para todos”.

“Isto não só contribuirá para a vitalidade espiritual da Igreja, mas também reforçará a sociedade indonésia, promovendo aqueles valores tão apreciados pelos indonésios: unidade, tolerância e justiça para todos os cidadãos”, observou.

Nesse sentido, Bento XVI agradeceu o compromisso de padres e leigos nos vários setores de ação da Igreja na Indonésia, país de que falou como as “ilhas da presença de Cristo”.

Por fim, o Papa incentivou os bispos a promover e sustentar o diálogo inter-religioso que considerou “decisivo” numa nação marcada pela diversidade cultural e de credos.

No último dia 25 de setembro, um ataque suicida contra uma igreja protestante provocou um morto na ilha de Java, Indonésia, e vários feridos.

fonte: Agência Ecclesia

 

EUA: bispos instituem comitê para liberdade religiosa

A liberdade religiosa está ameaçada nos Estados Unidos, até o ponto de justificar um novo comitê ad hoc para enfrentar esta preocupação crescente, sustentam os bispos da nação.

A Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB) anunciou, na última sexta-feira, a instituição do Comitê Ad Hoc para a Liberdade Religiosa, presidido por Dom William Lori, de Bridgeport (Connecticut).

O apoio ao trabalho do comitê incluirá a incorporação de dois membros, a tempo integral, à equipe da USCCB: um advogado especialista no direito relativo à liberdade religiosa e um representante de um grupo de pressão, que gestionará as questões que têm a ver tanto com a liberdade religiosa como com o matrimônio.

Dom Lori, de 60 anos de idade, afirmou que acolhe com satisfação a “oportunidade de trabalhar com os meus irmão bispos e com homens e mulheres especialistas em direito constitucional, para defender e promover o dom divino da liberdade, reconhecido e garantido pela Carta de Direitos da Constituição dos Estados Unidos”.

“Este comitê ad hoc pretende enfrentar as crescentes ameaças à liberdade religiosa na nossa sociedade, de maneira que a missão da Igreja possa proceder sem impedimentos e os direitos dos crentes de toda fé religiosa ou de nenhuma possam ser respeitados”, acrescentou.

Sem precedentes

Em sua carta aos bispos para anunciar a instituição do comitê, Dom Timothy Dolan, presidente da USCCB, afirmou que a liberdade religiosa, “em suas muitas e diversas aplicações para os cristãos e as pessoas de fé, está sempre sob ataque na América, de formas sem precedentes”.

“Isso é sobretudo por um número cada vez maior de programas e de políticas do governo federal que violariam o direito de consciência das pessoas de fé ou prejudicariam o princípio de base da liberdade religiosa”, observou.

O arcebispo acrescentou que “a instituição de um comitê ad hoc é um elemento que, espero, marcará um momento novo na história da nossa Conferência”.

“Nunca antes havíamos enfrentado este tipo de desafio à nossa capacidade de comprometer-nos no âmbito público como pessoas de fé e provedoras de serviços. Se não agirmos agora, as consequências serão graves.”

A carta de Dom Dolan aos bispos, na qual se anuncia a instituição do comitê, pode ser lida aqui

(fonte ZENIT.org)

Autoridade vaticana pede liberdade no Paquistão

O Paquistão precisa de “respeito à liberdade religiosa e de consciência, que é o selo da justiça e da paz”, destacou o secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, Dom Savio Hon Tai-Fai, em uma mensagem enviada à Igreja local.

O texto foi lido à assembleia de bispos, sacerdotes, religiosos e leigos que se reuniram em Karachi para iniciar o Ano da Missão, que começou em 1º de outubro e terminará em 9 de setembro de 2012.

Na mensagem, divulgada pela agência Fides, o arcebispo se mostrou satisfeito por “partilhar o entusiasmo e renovado impulso missionário para pregar o Evangelho e semear a Palavra de Deus no terreno fértil de muitos corações”.

Dom Savio Hon Tai-Fai se referiu à comunidade cristã do país destacando que, “entre provas e tribulações, sua perseverança na fé, esperança e caridade é admirável”.

O prelado citou o 25º aniversário do Dia Mundial de Oração pela Paz, celebrado em Assis, em 27 de outubro de 1986.

Afirmou que “apaz, como um desejo sincero de todos, parece algo frágil em muitas sociedades”.

Para defendê-la, prosseguiu,”duas coisas são de suma importância: o imperativo interior da consciência moral, que nos convida a respeitar, proteger e promover a vida humana. É um imperativo que nos ajuda a superar o egoísmo, a ganância e o espírito de vingança”.

Também destacou a importância de acreditar que “a paz vai além dos esforços humanos. Assim, sua fonte e realização devem ser procuradas em uma realidade além de nós todos”.

“Como cristãos, estamos convencidos da verdade de que Cristo é a nossa paz. Então, nós pregamos Cristo e o seu Evangelho porque, com sua vida e morte, Ele nos ensinou a amar, servir e fazer a paz entre os indivíduos e os povos”, acrescentou.

Centrando-se no contexto do Paquistão, o bispo disse que “oamor cristão nos obriga ao diálogo e a promover relações positivas e construtivas com pessoas de outras comunidades e outras religiões”.

“É edificante constatar os enormes esforços realizados no Paquistão, o testemunho do fato de que cristãos e muçulmanos podem trabalhar e caminhar juntos em paz”, ainda que seja necessária uma melhoria urgente neste campo, indicou.

Escreveu também que, “como uma pequena minoria numa sociedade de maioria muçulmana, a Igreja no Paquistão vive e se move em um quadro que exige sensibilidade e grande amor por nossos irmãos e irmãs muçulmanos”.

A mensagem conclui com a esperança de um frutífero trabalho das Pontifícias Obras Missionárias, que estão comemorando 60 anos de presença no Paquistão.

O prelado garante a proximidade, na oração, da Igreja universal e da Igreja no Paquistão, e lança um apelo aos fiéis do país, com as palavras de Jesus aos apóstolos: “Não tenham medo!”.

(fonte ZENIT.org)

%d bloggers like this: