Archive | Junho 2011

Abate ritual provoca choque de culturas na Holanda

Duas tradições distintas se chocaram no parlamento holandês na noite desta quarta-feira: tolerância religiosa versus direitos dos animais. Uma está enraizada em séculos de história holandesa, a outra é um desenvolvimento recente que rapidamente se tornou um elemento da identidade do século 21.

A causa do conflito é a proposta de proibição a abates de animais sem anestesia, como é prescrito pelas leis religiosas judaica e muçulmana. Defendendo a tolerância religiosa, o parlamentar cristão-democrata Henk Jan Ormel, que é também veterinário, argumentou contra a proposta baseado nos valores holandeses.

“Num período em que a nova crença dominante parece ser a crença na ciência, a defesa da liberdade religiosa tem importância ainda maior. A tolerância em relação aos que pensam de maneira diferente também vai além da religião. Tolerância é uma parte essencial de nossa identidade nacional.”

Comoção
Ormel falou enfaticamente. A comoção sobre o assunto era grande e o debate parlamentar continuou até a madrugada. Também resultou numa parceria pouco usual entre as comunidades judaica e muçulmana. Os dois grupos são minorias na sociedade holandesa, ambos se sentem perseguidos e ambos eram apoiados pelos três partidos cristãos no parlamento holandês.

Do outro lado, o movimento de direitos dos animais vem ganhando força política desde que o Partidos pelos Animais conquistou duas cadeiras no parlamento em 2006. Eles combinam habilidade política com a energia e determinação de ativistas completamente convencidos de seu ponto de vista.

Discordância profunda
A proposta de proibição do abate sem anestesia feita pelo Partido pelos Animais tornaria o abate kosher dos judeus, e o abate halal dos muçulmanos, ilegal. A questão dividiu o parlamento holandês e chegou a criar fissuras em alguns partidos.

 

A questão está em quanta dor um animal sente durante o abate. O Partido pelos Animais está convencido que o abate ritual causa muito mais dor que o abate com anestesia – uma convicção que é confirmada por vários estudos científicos.

Mas alguns pesquisadores concordam com as comunidades judaica e muçulmana que, quando feito corretamente, o abate ritual não é pior que o abate convencional.

Meio termo?
Agora, um possível acordo foi apresentado: os liberais do governo, junto com três partidos de oposição, propuseram uma emenda que apóia a proibição mas permite exceções por motivo religioso. Esta exceção dependeria de firme evidência de que o abate ritual não causa mais sofrimento. Opositores da proibição teriam cinco anos para provar que o abate ritual protege o bem-estar do animal e a Associação Europeia de Segurança Alimentar tem que aprovar.

Uma que defende a emenda é a democrata do partido D66, Stientje van Veldhoven. Ela diz: “Nós não queremos excluir a possibilidade de que podem existir métodos de abate sem anestesia que sejam tão adequados para o bem-estar do animal quanto o abate convencional.”

A parlamentar que apresentou a proposta de proibição, Marianne Thieme, líder do Partido pelos Animais, diz que pode aceitar a proposta de acordo, mas não vê possibilidade de exceção a curto prazo.

“Os cientistas, aqui na Holanda, mas também na Europa e no resto do mundo, afirmam que o abate sem anestesia causa mais sofrimento do animal. Naturalmente, pode ser que no futuro surjam métodos melhores. O Partido pelos Animais será sempre a favor do método mais ‘humano’. Portanto, quando houver provas disso, não teremos problemas em aceitar.”

Organizações judaicas e islâmicas não se contentaram com o acordo. Elas alegam que ele não protege o direito ao abate ritual em si, mas põe o futuro do abate kosher e halal nas mãos de cientistas.

O ministro da Agricultura Henk Bleker advertiu que a proibição proposta pelo Partido pelos Animais pode entrar em “sérias tensões” com a constituição holandesa. Ele prometeu ao parlamento que estudará a emenda proposta e que tentará aliviar estas tensões.

O parlamento irá votar a proposta de proibição na próxima terça-feira. Só então se saberá se o embate entre as tradições holandesas de tolerância religiosa e bem-estar dos animais pode ser resolvido por outra tradição holandesa: o acordo.

 

O abate ritual em outros países

Suécia, Suíça, Noruega e Islândia atualmente proíbem o abate ritual.

Uma diretiva da União Europeia de 1988 pede anestesia antes do abate, com exceção para o abate ritual. O Parlamento Europeu votou em 2009 pela manutenção da exceção.

A atual lei holandesa que permite o abate ritual data de 1919. Entre 1892 e 1938, muitos países europeus baniram o abate ritual como parte da onda de antissemitismo que assolou a Europa.

fonte: RNW

El Corpus Christi vuelve a las calles de San Petersburgo… después de 93 años y miles de mártires

Con la ley de libertad religosa de 1907 creció el catolicismo en la ciudad del Neva y la procesión de 1918 fue impresionante… y luego llegó el gulag y el genocidio soviético.

El Ayuntamiento de San Petersburgo (Rusia) ha concedido la autorización para que se celebre esta semana la Procesión
del Corpus Christi en la avenida Nevski
, la más importante de la ciudad, recorrida por multitud de turistas y en la que se encuentran las iglesias de las principales confesiones: ortodoxa, católica, luterana y armenia.

Será la segunda vez que se celebra esta procesión en la historia de la ciudad: la anterior fue hace 93 años, y varios de sus
organizadores morirían mártires
bajo el comunismo pocos meses o años después.

La procesión de este año estará presidida por Paolo Pezzi, el arzobispo católico de Moscú (la diócesis incluye San Petersburgo) y
contará con la participación de cónsules de diversos países europeos.

1918: 40.000 católicos tomaron la calle en oración

Leia aqui o artigo completo

 

Turquia: eleito 1º deputado cristão em meio século

Erol Dora conseguiu. O advogado de 47 anos de idade, que vive e trabalha em Istambul, foi eleito, de fato, no domingo, 12 de junho, como deputado no parlamento turco. Graças aos 52.000 votos em Mardin – capital da província homônima no sudeste da Turquia, algumas dezenas de quilômetros da fronteira com a Síria -, Dora se tornará o primeiro cristão que se senta no parlamento de Ancara depois de quase meio século. Como recordou Thomas Seibert no jornal The National (10 de junho), o último cristão que ganhou um assento no parlamento turco foi o político armênio Berc Sadak Turan, durante os anos 60. No demais, o último deputado não-muçulmano foi eleito na década de 90, Cefi Kamhi, judeu.

Dora, que é casado e tem dois filhos, foi eleito como candidato independente do bloco Trabalho, Democracia e Liberdade, a única maneira de superar o limite proibitivo de 10%. A cláusula é, de fato, uma barreira para os partidos, mas não para os candidatos independentes. Em Ancara, o novo deputado, que pertence à minoria síria, vai sentar-se entre as fileiras do Partido para a Paz e Democracia (BDP), a formação pró-curda que apoiou sua candidatura. “Se eu entrar no Parlamento, serei a voz da comunidade síria, além de todos os outros grupos étnicos no sudeste”: esta foi a promessa do advogado antes do veredicto das urnas (Hürriyet Daily News, 14 de junho).

“Sou de religião síria, mas sou um cidadão turco como os outros desta região”, repetiu Dora, falando depois de sua eleição com Avvenire (15 de junho). “Estou feliz em contribuir para o meu país. Os sírios vivem nos territórios do sudeste há séculos, somos turcos para todos os efeitos e podemos ser eleitos para o Parlamento como todos os outros, é nosso direito”, disse o novo deputado, orgulhoso de ter reunido um apoio tão grande entre a população muçulmana da sua cidade, Mardin, que sempre foi uma encruzilhada étnica e religiosa.

Para Dora, a obrigação primária da nova legislatura é dar à Turquia uma nova Constituição, para substituir o texto que foi interrompido após o golpe militar de 12 de setembro de 1980 e que deve proporcionar alívio para as minorias. “O objetivo é – declarou Dora a Avvenire – que todo o povo tenha uma Constituição que reconheça e leve em conta todos os grupos étnicos e culturais no país.”

Para alterar a Constituição, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan – cujo partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) venceu no domingo, pela terceira vez consecutiva, as eleições legislativas – deve comprometer-se com a oposição. Apesar de sua vitória esmagadora e seus 326 assentos no novo parlamento, a formação filo-islâmica de Erdogan, que ganhou 49,8% das preferências, não conseguiu tocar a maioria absoluta prevista de dois terços dos assentos (367 sobre 550), que lhe permitiria realizar sozinho a reforma constitucional.

Erdogan não chegou, por pouco, a seu segundo objetivo, menos ambiciosos e de resultado incerto, ou seja, alcançar cerca de 330 deputados, o limite para poder mudar a Constituição, submetendo as modificações a uma consulta por referendo.

Não tendo sinal verde, o novo premier, que tem uma veia populista e autoritária – a Turquia é o país com o maior número de jornalistas atrás das grades (pelo menos 57) -, deverá, portanto, buscar o apoio da oposição, formada pelo Partido Republicano do Povo (CHP, 135 deputados), pelo Partido do Movimento Nacionalista (MHP, 53 deputados) e pelo bloco dos independentes (36 deputados, todos apoiados pelo BDP).

A eleição de Erol Dora foi saudada como um sinal positivo por muitos observadores e expoentes cristãos, entre os quais o vigário delegado do Vicariato Apostólico de Istambul, Pe. Lorenzo Piretto OP.

“A eleição do advogado Dora é realmente um bom sinal para o país”, disse o padre dominicano a Fides (14 de junho). “Dora é conhecido porque, como um advogado, muitas vezes defende os cristãos envolvidos em processos e é uma referência para a defesa dos seus direitos. Existem outros cristãos presentes nos conselhos comunais, mas um cristão no Parlamento nacional não foi visto por muitos anos”, continuou o sacerdote.

Consciente de que ainda há muitas questões em aberto, o Pe. Piretto é otimista. “O governo do AKP, que venceu as eleições, deu bons sinais de abertura no passado; esperamos que continue se ampliando: o problema fundamental é o reconhecimento do status legal às comunidades religiosas. Um exemplo positivo foi, recentemente, o retorno do orfanato de Büyükada ao Patriarcado Ecumênico de Istambul.”

Nos últimos meses, Erdogan mandou, de fato, vários pequenos sinais para a comunidade cristã. Como destacou o Financial Times Deutschland (12 de junho), o deputado curdo Süleyman Çelebi, envolvido com seu clã na batalha legal contra o conhecido mosteiro de Mor Gabriel – o centro cultural e espiritual da cada vez menor comunidade síria (ou caldeia) da Turquia -, não fez parte da lista dos candidatos do AKP.

Outros gestos significativos se deram em março passado, com a nomeação de um cristão armênio na equipe do ministro dos Assuntos Europeus, Egemen Bagis, considerado um dos conselheiros mais próximos de Erdogan, e depois a nomeação de outro armênio como embaixador turco na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OSCE). De acordo com o sociólogo Ayhan Aktar, da Universidade Bilgi de Istambul, trata-se de dois movimentos que quebraram um tabu antigo: o da presença dos cristãos no aparelho estatal (Domradio, 11 de junho).

A questão agora é: Quais são as reais intenções de Erdogan, que, em seu discurso de vitória, prometeu trabalhar por todos os cidadãos, de todas as religiões e estilos de vida, mencionando especificamente as minorias cristãs? Sua abertura é sincera ou apenas um hábil movimento eleitoral, o truque típico para as negociações com a União Europeia? Só o futuro demonstrará isso. Também Erol Dora terá de ser forte. Ele não carrega apenas as expectativas de toda uma comunidade, mas foi eleito com o apoio de uma formação política que o próprio ministro Erdogan não hesitou em qualificar como um “partido terrorista” (Hürriyet Daily News, 14 de junho).

(fonte: Zenit)

NÚNCIO APOSTÓLICO NA TURQUIA RECORDA DOM PADOVESE E PEDE LIBERDADE RELIGIOSA

O Núncio Apostólico na Turquia, Dom Antonio Lucibello, junto a Mons. Franceschini e a representantes das Igrejas ortodoxa e armênia, recordaram neste domingo em Iskenderun – sul da Turquia – a figura do Vigário Apostólico da Anatólia, Dom Luigi Padovese, assassinado por seu motorista dia 3 de junho do ano passado.

“A nossa presença” neste país “é inconsistente do ponto de vista numérico: somos em tudo como uma pequena paróquia de uma pequena localidade no Ocidente. E, no entanto, o nosso testemunho discreto dá frutos e goza de estima e apreço” – declarou Dom Lucibello à agência missionária AsiaNews.

Para o Núncio Apostólico, neste um ano, marcado pelo martírio de Dom Padovese e por outros sinais de violência, a Igreja pôde aprofundar a sua missão. “A Igreja está vivendo – disse – uma passagem “da presença ao testemunho”.”

Este slogan havia sido usado num simpósio eclesial na Turquia, no final dos anos 80, e permanece importante. “Não é preciso uma presença barulhenta, marcada pelo “batuque dos tambores”. Ao invés, é fundamental um testemunho de vida, um testemunho discreto que não se impõe com o espetáculo” – afirmou.

“A humildade do testemunho corrige a impressão que aqui se tem da Igreja Católica como uma organização poderosa. É fundamental considerar essas sensibilidades” – prosseguiu Dom Lucibello.

Com relação ao caminho da Turquia rumo à Europa, isto é, uma sua possível entrada na União Européia, o Núncio Apostólico em Ancara diz ter muita esperança. Mas observa que um ponto fundamental é a liberdade religiosa.

“Tal liberdade significa não somente liberdade de culto – especificou –, mas também de consciência. É importante ressaltar que uma pessoa deve ter a possibilidade de crer ou não crer, ou também de mudar de religião.”

(fonte: Rádio Vaticano)

Igreja Ortodoxa Russa condena cristianofobia

A discriminação religiosa só poderá ser vencida por meio da ampliação de um diálogo que envolva os Estados, as organizações internacionais, as diversas confissões e os representantes da sociedade civil.

O sínodo da Igreja Ortodoxa Russa expressa isso em um recente documento que trata, com “profunda inquietude”, do aumento dos episódios de cristianofobia no mundo, segundo informa o L’Osservatore Romano.

Para o patriarcado de Moscou, a cristianofobia “se manifesta sobretudo quando as diferenças religiosas são utilizadas com fins políticos, principalmente por grupos extremistas cujos objetivos são incompatíveis com o bem da sociedade em seu conjunto”.

Este tipo de manifestações “merece uma condenação explícita de todas as forças regulares da sociedade, inclusive dos representantes de instituições públicas e responsáveis religiosos”. Daí surge o apelo da Igreja Ortodoxa Russa – dirigido à comunidade internacional, aos responsáveis religiosos e a todas as autoridades públicas – a “elaborar mecanismos integrais e eficazes de defesa dos cristãos e das comunidades cristãs que sofrem perseguições ou restrições em sua existência e em suas atividades religiosas”.

No documento adotado em São Petersburgo, o sínodo do patriarcado de Moscou recorda os recentes acontecimentos que tiveram lugar na cidade egípcia de Giza, onde “se queimaram igrejas cristãs e morreram fiéis da Igreja copta durante as desordens da multidão”. O texto os considera manifestações de cristianofobia que “já não podem ser interpretadas como incidentes ocasionais; em certas regiões do mundo, trata-se de um costume”.

“Atos de vandalismo vinculados ao extremismo religioso, restrições à liberdade de culto e de criação das próprias instituições de ensino, sentenças judiciais especialmente duras (até chegar à pena de morte por blasfêmia): a Igreja Ortodoxa Russa enumera as discriminações que, em alguns países, fazem dos cristãos ‘cidadãos de segunda categoria’”, destaca o jornal vaticano.

Também observa, nos países em que a maioria está composta por pessoas de confissão cristã, “um laicismo rígido, inclusive agressivo, que tende a expulsar os cristãos da esfera pública, enquanto as declarações e os atos ditados pela fé cristã, em primeiro lugar os que se referem à avaliação moral dos acontecimentos, suscitam uma reação negativa”.

O patriarcado de Moscou garante não ter nenhuma intenção de intrometer-se nos assuntos internos dos países: “O cristianismo ensina seus fiéis a obedecer a lei e a respeitar os governos legais”, afirma o documento. Mas acrescenta que os Estados, responsáveis pelos seus cidadãos, “têm a obrigação de respeitar a dignidade e os direitos de todos e, por conseguinte, garantir a liberdade de religião e a segurança das comunidades religiosas”.

Ninguém pode ser discriminado pela sua fé, recorda a Igreja Ortodoxa, e sua condenação se estende também às formas de antissemitismo e de islamofobia.

(Fonte: Zenit – Marine Soreau)

“UM CRISTÃO MORRE A CADA CINCO MINUTOS POR CAUSA DA SUA FÉ”

Na Conferência Internacional sobre o Diálogo Inter-religioso entre Cristãos, Judeus e Muçulmanos, realizada no último 3 de junho em Budapeste, o representante da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) e perito em temas de liberdade religiosa, Massimo Introvigne, afirmou que a cada ano 105 mil pessoas são assassinados por sua fé cristã. “A cada cinco minutos morre um cristão por causa da sua fé”, alertou o sociólogo italiano.

No evento, organizado pelo governo da Hungria, participaram também outras autoridades religiosas e civis como o diplomata egípcio, Aly Mahmoud, quem afirmou que no seu país, onde estão sendo registrados gravíssimos ataques contra as Igrejas Coptas, serão promulgadas leis que proibirão os imãs muçulmanos de realizar discursos incitando ao ódio e as manifestações hostis junto aos templos das minorias, especialmente a cristã.

“Se essas cifras não gritarem ao mundo, se não se detiver esta praga, se não se reconhecer que a perseguição dos cristãos é a primeira emergência mundial em matéria de violência e de discriminação religiosa, o diálogo entre religiões só produzirá congressos estupendos, mas nenhum resultado concreto”, afirmou Introvigne no seu discurso.

O Arcebispo de Budapeste, cardeal Peter Erdö, também presente na Conferência alertou para o fato que muitas comunidades cristãs no Oriente Médio morrerão porque terão que fugir de lá. “Que a Europa se prepare para uma nova onda imigratória, desta vez de cristãos que fogem da perseguição”, advertiu.

Segundo o boletim italiano pró-vida INFOVITAE, outro fato lamentável é que pelo menos um milhão dos cristãos perseguidos no mundo são crianças.

(fonte: Rádio Vaticano)

A Igreja pede plena liberdade religiosa (e de conversão) para o bem do país

A defesa da plena liberdade religiosa e da arquitetura laica do estado são essenciais hoje no Nepal. O risco é a aprovação de um novo Codigo Penal que proíba as “conversões religiosas”: é o que afirma, em uma entrevista à Agência Fides, padre K.B. Silas Bogati, Diretor executivo da Caritas Nepal. P. Silas provém de uma família hindu, encontrou Cristo em sua vida e descobriu a vocação sacerdotal a serviço dos irmãos. Por isso, falando à Fides, comenta o recente projeto de um novo Código Penal que quer proibir a “conversão de uma fé a outra” e sublinha que as prioridades para a Igreja no Nepal são o compromisso no campo da instrução e o serviço gratuito ao próximo.

Pe. Bogati, fale-nos de sua conversão …

Eu venho de uma família hinduísta. Na adolescência, eu me perguntava sobre o sentido da vida e um dia eu escutei o Evangelho de João (Jo 3, 16): “Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Foi uma mensagem libertadora para mim, tocou meu coração e me fez descobrir Jesus Cristo. Depois de um percurso de discernimento, eu escolhi a fé católica e, em seguida, graças ao testemunho de muitos padres e freiras, senti o chamado para dedicar minha vida inteira ao serviço dos outros. Hoje, meu trabalho é testemunhar o amor de Deus através do compromisso com a Caritas Nepal.

Qual a sua opinião sobre a proposta de um novo código penal?

O artigo 160 do novo código penal, que será examinado pelo Parlamento, é contra a liberdade de consciência e de religião. Pedimos o cancelamento imediato. O artigo proíbe qualquer ato que possa induzir uma pessoa a converter-se de uma comunidade ou de uma fé tradicional a outra, com penas e prisão até 5 anos. Se fosse aprovado, pregar Cristo no país poderá se tornar um crime. A liberdade religiosa é fundamental para o bem do país. Como cristãos, nós queremos ajudar a construir um Estado laico, que respeita integralmente. Com esta lei em vigor, eu não estaria aqui.

Quais são as prioridades para a Igreja no país?

A Igreja no Nepal é tradicionalmente muito engajada na educação: foram os jesuítas que introduziram no Nepal há 50 anos, a educação na língua inglesa. Hoje, a Igreja administra 31 escolas e, assim, contribui para o crescimento das novas gerações. É um nosso campo de compromisso prioritário. Depois, há o serviço social e caritativo: a Caritas está presente em 58 dos 75 distritos do país com programas de segurança alimentar, desenvolvimento humano, social e econômico, o apoio às crianças e agricultores. Uma área especial de compromisso é a luta contra o tráfico de mulheres e crianças, que está crescendo no Nepal, especialmente para o Oriente Médio, por causa da presença de grupos criminosos com ligações internacionais.

Como se realiza o seu trabalho diário na Caritas?

Somos 7.800 católicos num país de 29 milhões, a maioria hinduísta. O nosso trabalho é testemunhar o amor de Deus, buscando chegar e fazer o bem a milhares de pessoas. Estamos presentes, como a Caritas, especialmente a serviço dos pobres e sofredores: quando há um desastre natural ou ajudando que está em dificuldade a sobreviver ou os deslocados. Esta é a maneira que dizemos aos nepaleses: ‘Cristo ama vocês’. Como Cristo amou os pobres e necessitados, do mesmo modo faz também a Igreja no Nepal. É a nossa maneira de evangelizar. Não é uma evangelização direta, mas todos sabem que somos cristãos e em nome de quem fazemos o nosso serviço, e muitos querem conhecer a nossa fé.

Como está hoje a situação política no Nepal?

A situação política e social é marcada pela instabilidade e incerteza. Não foi ainda possível aprovar a nova Constituição, em discussão há meses, por causa do clima geral de instabilidade política. Os líderes políticos de todos os partidos, parecem buscar só o poder e o seu ganho pessoal, sem olhar para o verdadeiro interesse dos cidadãos e do bem comum. Como Igreja, embora uma pequena minoria, estamos atentos e proclamamos com voz profética, os valores da justiça, da paz, da urgência de bom governo e da harmonia inter-religiosa, tentando dar voz aos que não têm voz.

(fonte: Agência Fides)

Pequim prepara ordenação ilegítima de bispo

Pequim está a preparar a ordenação ilegítima – não aprovada por Roma – de um bispo “oficial” para a diocese de Wuhan, informou nesta quarta-feira Eglises d’Asie, a agência das missões estrangeiras de Paris.

O Pe. Joseph Shen Guo’an seria ordenado bispo “oficial” de Wuhan, na província de Hubei, no próximo dia 9 de junho, segundo fontes eclesiais chinesas citadas pela agência Ucanews.

Claramente promovida pelas autoridades chinesas, esta ordenação cria problemas na medida em que a assunção do Pe. Shen ao episcopado não foi aprovada pela Santa Sé.

Se esta cerimônia for celebrada, o Pe. Shen se tornará o segundo bispo ilegítimo – por não estar reconhecido pelo Papa – a ser ordenado na China desde a ordenação do bispo de Chengde, em 20 de novembro de 2010.

Após a ordenação ilegítima do bispo de Chengde, a Santa Sé respondeu afirmando que o Papa lamentava profundamente pelo fato.

A ordenação constituía uma “ferida dolorosa” feita à comunhão da Igreja e uma “violação grave da disciplina católica”.

Com relação às pressões exercidas sobre os bispos que haviam participado da cerimônia de ordenação, a Santa Sé falou de “violação grave da liberdade religiosa e da liberdade de consciência”.

Mais de seis messe depois, Roma continua estudando as circunstâncias exatas da ordenação do bispo de Chengde e por enquanto não impôs sanções canônicas.

Pode-se pensar que, se for levada a cabo a ordenação do Pe. Shen, a Santa Sé estudará de perto a cerimônia e seu contexto, e sua reação pública será forte.

No último dia 18 de maio, o Papa apelou aos cristãos do mundo inteiro para que rezassem pela Igreja na China. “Com a oração, podemos obter para a Igreja na China que seja una, santa e católica, fiel e firme na doutrina e na disciplina eclesial”, afirmou o Pontífice.

Também invocou Nossa Senhora, pedindo-lhe que “ilumine os que estão na dúvida, chame os extraviados, console os aflitos, reforce os que são presos pelos cantos de sereia do oportunismo”.

(fonte ZENIT.org)

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