Archive | Abril 2011

DIVULGADOS PAÍSES QUE NÃO RESPEITAM LIBERDADE RELIGIOSA

A violência contra cristãos no Egito atingiu níveis alarmantes. É a conclusão da Comissão Norte-americana para a liberdade religiosa em seu relatório anual, divulgado ontem. É a primeira vez que a organização – independente – inclui o Egito na lista dos países nos quais a prática religiosa sofre qualquer tipo de impedimento. A situação no Cairo piorou dramaticamente nos últimos doze meses, seja antes ou depois da deposição do ex-presidente Murabak. Segundo o relatório, a violência contra a minoria coopta, em particular, aumentou. Ainda há o agravante de que as próprias forças do governo participam das perseguições ou, as ignoram.

A Comissão convida o Departamento de Estado Norte-americano a impor ao Egito sanções econômicas que o governo Obama dificilmente acatará.

O relatório revela que a liberdade religiosa em países como Irã, China e Arábia Saudita em 2010 foi ainda menos respeitada, com aumento no número de cristãos perseguidos nesses países.

Na África, o relatório coloca na lista negra países como Nigéria e Sudão, na Ásia, Coreia do Norte e Paquistão.

Nada de cruzes: neutralidade inglesa?

Aumentam casos de cristãofobia na Grã-Bretanha

A lista de pessoas multadas ou até com problemas judiciais na Grã-Bretanha porque desejam viver os ditames da fé cristã está ficando mais longa. Depois de casos como o da funcionária copta da British Airways, Nadia Eweida, do psicoterapeuta e conselheiro matrimonial Gary MacFarlane, do casal de hoteleiros Peter e Hazelmary Bull e do casal jamaicano Eunice e Owen Johns, os meios de comunicação ingleses agora publicam mais um exemplo de cristãofobia rasteira, ou, neste caso, “cruzfobia”. O Mail on Sunday de 17 de abril dedicou bastante atenção ao caso.

Uma das maiores cooperativas construtoras da Grã-Bretanha, a Wakefield and District Housing (WDH), com sede em Castleford, sudeste de Leeds, abriu expediente disciplinar contra um de seus funcionários, Colin Atkinson, por se negar a retirar uma discreta cruz de folhas de palmeira do parabrisa do furgão da empresa. Atkinson, que foi contratado em 1996 como eletricista da cooperativa, que também recebe dinheiro público, está a ponto de ser despedido por “grave falha no comportamento profissional”, apesar de um histórico de serviços impecável.

“Os últimos meses foram incríveis, um pesadelo”, disse Atkinson. “Eu trabalhei nas minas de carvão e servi ao exército na Irlanda do Norte e nunca enfrentei tanto estresse como agora. O tratamento aos cristãos neste país está ficando diabólico. É o politicamente correto levado até o extremo”, declarou Atkinson, 64 anos, que frequenta a Pentecostal Destiny Church em Wakefield, com sua segunda mulher, Geraldine. Mas ele não pretende fugir. “Nunca me senti tão motivado antes. Estou decidido a lutar pelos meus direitos. Se me despedirem, que seja. Mas eu vou lutar pela minha fé”, afirmou ao Mail on Sunday. “Nós, cristãos, somos chamados a viver publicamente a nossa fé”.

Os problemas de Atkinson começaram no ano passado, quando os responsáveis pela empresa, que tem quase 1.500 funcionários e gerencia mais de 30.000 casas na área de Wakefield, pediram que ele não exibisse a cruz no parabrisa do furgão, depois de anos em que nunca haviam dito nada parecido. Segundo os diretores da cooperativa, a cruz poderia ofender as pessoas ou dar a entender erroneamente que se trata de uma “organização cristã”. Como explicou a responsável pela igualdade e diversidade da cooperativa, Jayne O’Connell, “a sociedade WDH tem uma linha de conduta de neutralidade. Aqui nós temos credos diversos, novas culturas que aparecem. Temos que ser respeitosos com todas as confissões e pontos de vista”.

O eletricista rejeitou com decisão todos esses receios. “Nunca observei uma reação negativa nem ouvi queixas de ninguém. Eu me dou bem com as pessoas e tenho muitos amigos de outras religiões, inclusive um sikh e um hinduísta”.

Daily Mail observou que “o caso é incrível”. O diretor do armazém da WDH em Castleford, do qual Atkinson depende, decorou sua própria sala, sem nenhum problema, com um manifesto do famoso revolucionário argentino Che Guevara (1928-1967). A cooperativa é uma promotora de políticas “inclusivas”, participa com estandes em manifestações pró-direitos dos homossexuais, apoia a causa dos “transgêneros” e permite que os funcionários usem símbolos religiosos, como o turbante dos sikh. Além disso, respondendo a uma pergunta do representante sindical de Atkinson, Terry Cunliffe, O’Connell declarou que não veria nenhum problema se uma funcionária usasse uma burka com as cores da empresa, considerando que tal traje seria uma “roupa discreta”. O importante seria que a mulher trabalhasse bem, deu a entender O’Connell.

A ação contra Atkinson começou com uma carta anônima “maliciosa” e “cheia de grandes mentiras”, que provocou em dezembro uma mudança no regulamento interno sobre o uso dos veículos da empresa. A versão “atualizada”, revela o Mail on Sunday, obriga a retirar todos os símbolos pessoais dos carros e furgões da cooperativa. “A única conclusão que eu tirei é que eles eliminaram os obstáculos para poderem me afetar”, explicou Atkinson, que declarou sentir-se “à prova” por causa da sua fé. Segundo o eletricista, a decisão da empresa “é causada pelo medo de ofender as minorias étnicas”.

Atkinson tem o apoio de muitos companheiros e do seu representante sindical, Cunliffe, que declarou que a associação construtora “está levando o politicamente correto a extremos impensáveis”. “A cooperativa está usando a marreta para esmagar uma noz. É uma medida completamente desproporcional. É uma pessoa com o emprego em risco porque usa um discreto símbolo religioso”.

O Christian Legal Centre apoia a batalha do “soldado” Atkinson. Em comunicado publicado no site da associação, a administradora delegada Andrea Minichiello Williams descreveu Atkinson como “um homem respeitável e trabalhador”. Segundo Minichiello Williams, o caso tem traços de “notável intolerância”. “Este é o tipo de sociedade em que os britânicos querem viver?”, perguntou. “A cruz é um símbolo do profundo amor de Deus por todos nós. Não deve ser uma coisa que nos envergonhe”, completou.

Para o Mail on Sunday, o tema é claro. Embora a empresa de Atkinson proclame a sua imparcialidade ou neutralidade, “os fatos não são assim”. “Quando, justamente no Domingo de Ramos, um homem honrado é perseguido por manifestar sobriamente a sua fé com uma cruz de folhas de palmeira, essa história começa a parecer uma perseguição”.

Por Paul De Maeyer (ZENIT.org)

Rezar pela liberdade religiosa no Médio Oriente

Os representantes das diferentes denominações cristãs na Terra Santa divulgaram a sua mensagem para a Páscoa, na qual pedem orações pela situação das minorias cristãs no Oriente Médio.

A carta é assinada pelos três patriarcas: Teófilo III (greco-ortodoxo), Fouad Twal (latino) e Torkom II (armênio); pelo custódio da Terra Santa, Pe. Pizzaballa; por cinco arcebispos: Anba Abraham (copta-ortodoxo), Murad (sírio-ortodoxo), Zerey (greco-melquita católico), Abuna Matthias (etíope ortodoxo), Paul Sayyah (maronita); por três bispos: Dawani (episcopaliano), Younan (luterano) e Malki (sírio-católico); e pelo exarca armênio católico, Minassian.

Nela, os representantes cristãos mostram sua proximidade do sofrimento dos cristãos “no Egito, no Iraque e no resto da região”.

“Apelamos a todos os crentes e pessoas de boa vontade que busquem a paz e, ao mesmo tempo, reconhecemos que a paz não pode ser comprada ao preço do silêncio e da submissão à corrupção e à injustiça.”

Os prelados também pedem aos cristãos “que rezem pela reconciliação entre os povos da Terra Santa, onde a deteriorada situação faz com que a paz e a justiça pareçam muito mais distantes do que nunca”.

“Instamos as igrejas ao redor do mundo que nos apoiem, dando voz aos que são silenciados, derrubando muros que nos separam uns dos outros e construindo pontes de boa vontade entre os povos.”

Eles também se dirigem aos líderes políticos e àqueles que clamam por mudanças, para que sirvam com “sabedoria” e “bom senso” às necessidades de seus povos e “promovam soluções pacíficas para um futuro melhor” para todos.

“Nosso Senhor morreu pelos pecados de todos, e todos podem ver no seu exemplo que a violência só leva à morte e à destruição. Em sua ressurreição, experimentamos a vitória sobre a violência e a morte, e nos unimos a uma visão de futuro na qual todos vivem juntos em harmonia”, conclui a mensagem.

O texto em inglês pode ser lido no site do Patriarcado Latino: www.lpj.org.

A “Separação”

A “Separação” republicana prometeu a liberdade religiosa. Mas regressando ao século XVII percebe-se que nem todas as concepções de tolerância são iguais. Umas visam proteger os interesses da religião; outras sujeitá-la. A diferença não é irrelevante.

 
Nas vésperas do centenário da Lei da Separação, a mais célebre que a Iª República chegou a fazer, a Universidade Católica organizou um Congresso internacional para discutir o tema. Nesse Congresso, propus, em primeiro lugar, que se estendesse o alcance da palavra “Separação”.

Assim, não seria apenas a separação institucional e jurisdicional entre Igreja e Estado que estaria em causa, mas algo mais profundo. A “Separação” em que eu estava a pensar consistia na cisão entre os hábitos comuns e os ritos, entre a sociedade e o clero, entre as pessoas e a crença religiosa, entre a moral e a religião, entre o mundo e Deus.

Em segundo lugar, sugeri que, se fosse admitido que o objectivo último da “Separação” institucional tal como foi levada a cabo pela Iª República era precisamente a separação no sentido mais abrangente do termo, então encontraríamos a sua origem intelectual nos debates europeus no século XVII em torno do tema da tolerância. E aí um homem chamado Pierre Bayle mudaria para sempre a história da Europa.

Bayle foi o primeiro europeu a colocar em cima da mesa a possibilidade histórica de uma “sociedade de ateus”. Foi o primeiro a contrariar uma ideia assente na consciência europeia, que previa o caos, a violência, a rapacidade e a devassidão para uma sociedade exclusivamente povoada por ateus, e a declarar a sua sustentabilidade.

Mais: declarou a sua superioridade face a sociedades “idólatras”, para usar uma expressão que muito lhe agradava. Numa palavra, pegou no impensável e tornou-o pensável, para na mesma penada torná-lo desejável.

A “Separação” republicana prometeu a liberdade religiosa. Mas regressando ao século XVII percebe-se que nem todas as concepções de tolerância são iguais. Umas visam proteger os interesses da religião; outras sujeitá-la. A diferença não é irrelevante.

Miguel Morgado (fonte RR)

Viver a fé às escondidas na Arábia Saudita

A Arábia Saudita é considerada terra sagrada para a maioria dos muçulmanos que vivem ali. Em consequência disso, cristãos e inclusive muçulmanos de outros grupos enfrentam graves restrições.

Os cristãos são cerca de 3% da população, mas não têm igreja e nunca expressam sua fé em público.

O professor Camille Eid, jornalista, escritor, professor da Universidade de Milão e especialista em Igrejas do Oriente Médio, faltou sobre a situação na Arábia Saudita com o programa “Deus chora na terra”, de ‘Catholic Radio and Television Network’ (CRTN) em colaboração com Ajuda à Igreja que Sofre.

–A Arábia Saudita é uma monarquia hereditária baseada na fundação do islã wahhabi. Que é esse ramo do islã?

–Eid: O wahhabismo é uma nova doutrina do islã. Seu fundador é Abd-al Wahhab, que foi um erudito religiosa de Hanafi Islã, que é a doutrina mais estrita do islã. Ele decidiu que se deviam eliminar do islã todas as inovações, ‘Bida’ é o termo em árabe. Uma visita a um cemitério, por exemplo, é considerada uma inovação bida, e se proíbe. Você não pode fazer nada que o profeta Maomé e seus companheiros não fizeram. Desta forma, a aliança entre os seguidores de Wahhab e o príncipe fez possível na Arábia Central o nascimento do reino árabe saudita. A Arábia Saudita tomou seu nome da família Saud. Essa aliança da casa Saud com o ramo wahhabi ainda se mantém hoje, e os sucessores do reino continuam esta versão e doutrina estrita do wahhabismo; as leis do reino seguem as diretrizes estritas do wahhabismo.

–O que ocorre com os xiitas?

–Eid: Os xiitas representam quase 10% da população e enfrentam uma grande discriminação. Concentram-se sobretudo na parte leste do reino. Há outro ramo dos xiitas, os ismaelitas, que estão muito próximos da fronteira com o Iêmen. O rei e seus dirigentes professam o wahhabismo.

–O Alcorão é a constituição da Arábia Saudita. Que postura o Alcorão adota com os não muçulmanos?

–Eid: O Alcorão distingue entre cristãos e judeus, e outros não crentes. Os cristãos e judeus são chamados de o “povo do livro”, ou dos livros, – o Evangelho e a Torá. Em ocasiões os cristãos são descritos no Alcorão de um modo muito positivo. O rei cristão e os sacerdotes rezam. Mas, durante o segundo período na revelação do Profeta, os cristãos são descritos como incrédulos e se diz que deveriam pagar “jizya”, o imposto requerido para receber proteção em uma sociedade islâmica. Parece haver uma contradição no próprio livro. Essa é a razão pela qual há um islã liberal e um islã violento. O islã violento é resultado da segunda revelação, que aconteceu durante o último reinado de Maomé e, como resultado, as sociedades islâmicas atuais estabelecem que se devem seguir os acontecimentos da segunda revelação e não os das revelações anteriores, que são mais tolerantes.

–O governo baseia-se nos princípios da sharia. O que é?

–Eid: A sharia é o compêndio do Alcorão, o Hadith, que são as declarações de Maomé, e de outras fontes como o Ishma, que é o consenso de todos os eruditos islâmicos (ulemás). A lei da sharia sai de tudo isso.

–Todos os residentes que vivem na Arábia Saudita estão submetidos à lei da sharia?

–Eid: Sim. E ninguém pode se opor, porque equivale a se opor ao islã. Na chegada ao aeroporto, informa-se de forma imediata de que se deve cumprir as estritas leis islâmicas. Eu, como cristão, por exemplo, tinha à mão um refrigerante durante o Ramadã. Dei-me conta de que todo mundo estava me olhando de um modo determinado e que me teriam batido. Não se pode comer em público durante o jejum. Só se pode comer de forma privada. Assim, deve-se observar o jejum mesmo que não seja muçulmano, porque é a lei.

–Os cristãos constituem o maior grupo não muçulmano da Arábia Saudita. Como os cristãos vivem sua fé nesse país?

–Eid: Em segredo. É proibido ter Bíblias, imagens religiosas e rosários, que, se forem detectados no aeroporto, são confiscados de imediato. Em uma ocasião, no aeroporto de Riade, eu estava com um vídeo e pediram para vê-lo. Era o filme Espartaco. De repente, tive medo de que vissem a imagem da crucificação. O guarda permitiu porque era um soldado o crucificado, e não Jesus Cristo… É difícil. Quando mais de dois, ou um grupo de famílias, rezam juntos de forma privada em sua casa, a polícia pode intervir para prendê-los.

–Que ocorre a um cristão que é capturado com um rosário em seu bolso ou portando uma cruz?

–Eid: Se estiver no bolso, ninguém poderá vê-lo. No entanto, se usar uma cruz, qualquer muçulmano – e não só a polícia – pode tirá-lo. Você será preso e corre o risco de ser expulso do reino. O enviarão para a prisão e, depois de alguns dias, emitirão um visto de expulsão.

–Que outro tipo de atividade cristão são punidas por lei?

–Eid: Punem-se todas as manifestações públicas de qualquer fé que não seja o islã. Eles sabem que os americanos, franceses e italianos celebram a Missa de Natal e Páscoa dentro das embaixadas, mas como a embaixada é extraterritorial, a lei não se aplica. A polícia, no entanto, está próxima para controlar. Não há igrejas, sinagogas ou templos no reino. Proíbe-se toda manifestação de outra fé.

–Quem faz cumprir a lei?

–Eid: Há 5.000 policiais religiosos divididos em 100 distritos, mas qualquer muçulmano pode impor a lei, denunciando uma pessoa. Passei dois anos e meio em Riade. Tinha medo de felicitar pela Páscoa ou Natal inclusive por telefone, porque temia que alguém pudesse estar escutando. A polícia religiosa controla tudo, incluindo as livrarias, porque é proibido vender qualquer postal com temas não muçulmanos. Há alguns anos, no colégio americano, um Papai Noel quase foi preso. É proibido.

–Os cristãos são objetivo particular de perseguição ou discriminação?

–Eid: Não só os cristãos, mas também as versões não wahhabis do islã, como a xiita ou a ismaelita. Nem todas as comunidades cristãs sofrem igual. Os norte-americanos, italianos, franceses e britânicos – de fato a maioria dos europeus e outros de países do primeiro mundo – sofrem menos, porque sabem que esses países são poderosos e intervirão de modo imediato para proteger seus cidadãos. Por isso tomam como objetivos os cristãos de países do terceiro mundo como Eritreia, Índia e Filipinas. Esses países temem a perda de remessas de seus cidadãos que vivem no reino.

–Até onde pode chegar a perseguição?

–Eid: Até a morte. Temos o caso do martírio de uma jovem saudita que se converteu ao cristianismo. Seu irmão a descobriu. Escreveu um poema para Cristo e lhe cortaram a língua, depois ela apareceu morta. Seu nome era Fatima Al-Mutairi e isso ocorreu em agosto de 2008. Em 2008, dois casos de intervenções da polícia religiosa deram como resultado que homens, mulheres e crianças de menos de três anos fossem presos. Temos muitos informes de torturas; antes de ser deportados a seus países, esses filipinos, indianos, eritreus são torturados nas prisões.

–Que número de muçulmanos se convertem ao cristianismo?Tem alguma informação?

–Eid: Não é possível saber. A sociedade é difícil de penetrar, porque o regime controla cada atividade. Em ocasiões se sente a partir da perspectiva das mulheres. Quando estas mulheres sauditas vão ao exterior, inclusive quando sobem no avião, tiram o ‘hiyab’. No Líbano e outros países, bebem álcool. Quando voltam a seu país, sabem que têm de cumprir as leis.

– E os convertidos?

–Eid: Existem cristãos convertidos. Eu acompanho a mídia em árabe, que transmite na Arábia Saudita e em todo mundo árabe, e durante as transmissões muitas ligações que têm origem na Arábia Saudita. Esses convertidos que viajam ao Marrocos e Egito falam de sua experiência, mas nunca mencionam seus nomes, e só pedem que a comunidade cristã reze por eles, porque aspiram a ver o dia em que lhes será permitido ir à igreja, andar com o Evangelho e partilhar sua fé. Se um convertido informa seu irmão ou seu pai de sua nova fé, enfrenta o perigo de ser acusado de traição à família, à nação e à sociedade.

–O professor egípcio Samir Khalil Samir, especialista em Alcorão, afirma que esse livro sagrado não traz obrigação nenhuma de matar um apóstata. De onde vem essa expressão de violência?

–Eid: Exatamente. No livro 14 do Alcorão fala-se de apostasia, mas não se diz nada de uma pena nesta vida, mas na segunda. Esta alteração vem do Hadith de Maomé em que diz que qualquer um que mude de religião deve ser morto. Mas disso surge outro problema, porque, como os milhares de Hadiths, não há provas de que Maomé tenha dito isso de verdade. Muitos países islâmicos, como Paquistão, Afeganistão sob os talibãs, Irã e Iêmen, entre outros, aplicam a pena de morte baseando-se em um Hadith do qual não há certeza de que tenha sido de Maomé.

–Pode nos falar dos católicos que vivem na Arábia Saudita?

–Eid: É difícil ser católico leigo na Arábia Saudita, porque é preciso uma fé com base profunda. Não se pode ter o Evangelho em casa. Não se pode ter o terço. Não se pode ter contato com amigos cristãos como comunidade. Você pode ter amigos, frequentar comunidades estrangeiras, mas está proibido de falar de sua fé.

Em outros países islâmicos, a sexta-feira é dia festivo, e assim se permite a Missa comunitária, mas não no domingo, pois o domingo é dia de trabalho. Mas este não é o caso da Arábia Saudita. Assim, você se torna uma comunidade consigo mesmo. Normalmente, não tem sequer a própria família, porque a Arábia Saudita põe restrições à reunificação familiar. Se você tem uma filha maior de 18 anos, não pode ficar na Arábia Saudita se ela não for casada. Assim, a maioria tem suas filhas em outros lugares. Você fica sozinho e sem contato com outros católicos, o que é muito difícil. Terá de ter a força da fé em seu coração, ser capaz de rezar sem livros de oração, só saber e rezar as orações de memória.

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Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para “Deus chora na terra”, um programa rádio-televisivo semanal produzido por ‘Catholic Radio and Television Network’, (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre. Mais informação em: www.fundacao-ais.pt

Prémio “Liberdade Religiosa” – 2011

A Comissão da Liberdade Religiosa decidiu instituir um prémio anual a trabalhos de investigação científica na área da Liberdade Religiosa em Portugal.
 
O “Prémio Liberdade Religiosa” conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

O “Prémio Liberdade Religiosa” é atribuído a trabalhos na área da aplicação da liberdade religiosa em Portugal, com realce para as vertentes teológica, filosófica, jurídica, sociológica.

Os trabalhos candidatos ao “Prémio Liberdade Religiosa” devem ser expedidos em formato pdf, por correio electrónico, e em papel, até ao dia 29 de Julho de 2011.

O prémio tem uma componente monetária, no valor de €5.000,00 (cinco mil euros), e uma componente de divulgação, assegurada pela publicação do trabalho vencedor em editora à escolha da Comissão da Liberdade Religiosa. 

CARDEAL TAURAN: DEFENDER LIBERDADE RELIGIOSA E DENUNCIAR DISCRIMINAÇÃO

O nome de Deus não deve ser invocado para justificar discriminações e violências” – este foi o apelo lançado, nesta terça-feira, em Estrasburgo, na França, pelo presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran, ao Conselho da Europa no debate sobre a dimensão religiosa do diálogo intercultural, do qual participaram expoentes de várias religiões.

O Cardeal Tauran fez votos de que o Conselho da Europa “tenha sempre coragem de tomar decisões necessárias para promover e defender a liberdade religiosa“. O purpurado convidou o Conselho da Europa a “denunciar todas as formas de perseguições, violências e discriminações por motivos religiosos, tanto na Europa quanto no resto do mundo“.

Em seu discurso, o cardeal francês recordou as intervenções de Bento XVI, João Paulo II e da Constituição Pastoral Gaudium et Spes em favor da liberdade religiosa. “A Europa é um berço de culturas e religiões, e Estrasburgo é um símbolo disso” – frisou o purpurado.

O Cardeal Tauran reiterou que o humanismo europeu e as grandes instituições européias como, escolas, universidades e hospitais têm origem cristã.

Fonte Rádio Vaticano

EUA: BISPOS ESCREVEM MENSAGEM SOBRE A LIBERDADE RELIGIOSA

A importância de uma transição responsável no Afeganistão, mas também as preocupações dos bispos dos EUA no que diz respeito ao direito à liberdade religiosa no Paquistão. Estes foram os pontos centrais da mensagem que o Bispo de Albany, Dom Howard James Hubbard, enviou neste fim de semana a Thomas Donilon, Conselheiro da Segurança Nacional em Washington. O bispo, que enviou a mensagem como presidente da Comissão Internacional sobre Justiça e Paz da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB), disse que “no Afeganistão, uma transição responsável exigirá um maior empenhamento por parte do governo dos EUA e da comunidade internacional”.

Este compromisso deve ser endereçado a uma “participação na administração por parte de cidadãos afegãos, para aumentar a capacidade de sua sociedade civil, promover o conceito de bem comum e tornar eficaz as estruturas das administrações locais”.

Sobre o respeito do direito de liberdade religiosa no Paquistão, Dom Hubbard expressou a preocupação de todos os membros da Conferência Episcopal dos Estados Unidos pela intolerância demonstrada contra as minorias religiosas por grupos que propagam o extremismo islâmico. O prelado recordou o assassinato do Ministro para a Defesa das minorias religiosas, Shahbaz Bhatti, único membro cristãos no governo do Paquistão, estendendo suas congratulações pela nomeação do novo conselheiro especial para as minorias religiosas, o irmão da vítima, Paulo Bhatti.

Fonte: Rádio Vaticano

Queima do Alcorão nos EUA enfurece Afeganistão

Onda de violência atinge o país
A “tempestade perfeita” causada pelos pastores evangélicos americanos Terry Jones e Wayne Sapp, que, após um breve “julgamento”, queimaram em público, em 20 de março, uma cópia do Alcorão em Gainesville (Flórida), continua ceifando vidas.O epicentro da ira muçulmana foi neste fim de semana, no Afeganistão, onde uma onda de manifestações e protestos de grupos muçulmanos locais terminou com um resultado terrível: 20 pessoas mortas, incluindo 7 estrangeiros que trabalhavam para as Nações Unidas, e dezenas de feridos.

A violência explodiu na sexta-feira, 1º de abril, na província setentrional de Balkh, quando, na cidade de Mazar-i-Sharif – considerada relativamente calma -, uma turba enfurecida invadiu a sede da ONU depois da oração no famoso santuário da Mesquita Azul (o nome da cidade significa “Nobre Santuário”).

Tendo atacado e desarmado os seguranças, que haviam recebido a ordem de não atacar, os manifestantes destruíram os escritórios e começou a caça aos funcionários no prédio. Alguns deles, que tentaram se refugiar em um ‘bunker’, também foram mortos. Trata-se de três funcionários europeus da ONU, incluindo uma mulher, a norueguesa Siri Skare. Os outros dois europeus são Joakim Dungel e Filaret Motco, de nacionalidade sueca e romena, respectivamente. Pelo menos 4 manifestantes foram mortos durante o assalto, bem como 4 guardas de segurança nepaleses (ex Ghurka) da ONU.

A Missão das Nações Unidas de Assistência ao Afeganistão (UNAMA) está presente no país da Ásia Central desde 2002 e atualmente é dirigida pelo diplomata sueco Staffan de Mistura, nomeado enviado especial pelo secretário-geral, Ban Ki-moon, em janeiro de 2010. A missão está dividida em 8 escritórios regionais e 15 escritórios provinciais, e emprega 1.500 pessoas; quase 80% delas são afegãs. O ataque de sexta-feira foi o mais sangrento realizado contra a ONU no país.

No último sábado, 2 de abril, houve uma manifestação na cidade sulista de Kandahar. Segundo o ‘New York Times’, milhares de manifestantes, entre os quais havia pessoas armadas, haviam se infiltrado na marcha, incendiaram em primeiro lugar uma escola secundária para meninas, financiada pelos Estados Unidos – a ‘Zarghona Ana High School for Girls’; em seguida, incendiaram carros e um ônibus; quando tentaram chegar ao escritório local da Organização das Nações Unidas, intervieram forças de segurança afegãs, que abriram fogo. Embora o chefe da polícia provincial, Khan Mohammad Mojayed, tenha negado que seus homens atiraram diretamente contra os manifestantes, também em Kandahar falamos de um resultado terrível: pelo menos 9 mortos e 90 feridos.

Enquanto isso, houve manifestações mais pacíficas, no domingo 3 de abril, em Jalalabad; e nos dias passados, na capital Cabul, na cidade ocidental de Herat e na província de Takhar.

Segundo um porta-voz do governo da província de Balkh, Sher Jan Durani, entre 20 manifestantes detidos após os distúrbios na cidade de Mazar-i-Sharif, havia várias pessoas armadas. O suposto cérebro por detrás da violência – assim especificou o número dois da polícia da província, Rawof Taj – é da província de Kapisa, um reduto da insurgência. E em Kandahar, alguns manifestantes agitaram bandeiras brancas, a cor do movimento talibã, tal como referido pelo ‘Washington Post’. Por outro lado, o movimento fundamentalista negou seu envolvimento. Também o diretor da missão da ONU no Afeganistão acusou o movimento dos talibãs ou grupos de insurgentes afiliados aos chamados “estudantes”.

Por sua vez, o presidente americano, Barack Obama, expressou suas condolências às famílias das vítimas do assalto e definiu a recente queima do Alcorão como “um ato de extrema intolerância e de fanatismo”. Ao mesmo tempo, pode-se ler num comunicado da Casa Branca que o gesto de Jones e Sapp não justifica a matança de pessoas inocentes, que “é repugnante e uma afronta à decência e à dignidade humana” (‘Associated Press’, 2 de abril).

Mas Terry Jones não demonstrou arrependimento. Inclusive o pastor da ‘Dove World Outreach Center ‘- uma pequena igreja evangélica fundada em 1986 – aumentou a dose. “Devemos considerar esses países e essas pessoas responsáveis ​​por tudo aquilo que fizeram e de qualquer desculpa que usaram para promover suas atividades terroristas. Chegou a hora de responsabilizar o Islã”, disse (‘The Daily Mail’, 2 de abril). “O Islã não é uma religião de paz”, continuou ele, convidando o governo dos EUA e as Nações Unidas a tomarem medidas contra aqueles que espalham o ódio contra os cristãos e as minorias.

Em qualquer caso, para a BBC, que na sexta-feira publicou um perfil de Jones, o pastor já era uma pessoa problemática antes de seu polêmico projeto do “Burn a Koran Day”. Antes de assumir a liderança do ‘Dove World Outreach Center’, Jones havia fundado, em Colônia (Alemanha), uma igreja evangélica – a ‘Christliche Gemeinde Köln’ – que abandonou por causa das divergências em 2008. Um tribunal administrativo falhou contra Jones em 2002, pelo uso indevido do título de “doutor”. O pastor também foi acusado pela própria filha, Emma Jones, e por um ex-membro de sua igreja de abusos financeiros. O pastor também teve problemas com as autoridades fiscais da Flórida, por violar o status de isenção fiscal que a sua igreja tem.

Para a missão da ONU e as forças internacionais presentes no Afeganistão, a nova violência é fonte de preocupações. Enquanto a transferência da responsabilidade da segurança para os afegãos deveria estar concluída antes de 2014, há pouco mais de uma semana, o presidente Hamid Karzai anunciou que certamente a cidade de Mazar-i-Sharif será uma das primeiras áreas a voltar sob o controle do Afeganistão. A transferência das indicações deveria ocorrer no próximo dia 1º de julho, como observado pela agência ‘France-Presse’ (3 de abril).

Por Paul de Maeyer (ZENIT.org)

Cardeal defende direitos dos muçulmanos

O cardeal norte-americano Theodore McCarrick enfatizou o valor da liberdade religiosa para todas as confissões religiosas, defendendo em particular os direitos dos muçulmanos.

O arcebispo emérito de Washington testemunhou esta semana, em nome da Conferência de Bispos Católicos dos EUA, no Comitê Judicial do Senado sobre a Constituição, Direitos Civis e Direitos Humanos, instância que discutia o tema da defesa dos direitos civis dos muçulmanos norte-americanos.

“A liberdade religiosa é um fundamento essencial de nossa convivência na nação e no mundo”, disse. Segundo o cardeal, a liberdade “é destruída pelos ataques às pessoas em alguns países por causa da religião e de sua horrível utilização para incitar ao ódio ou inclusive justificar a violência”.

“Não se pode permitir que uma preocupação justificada pela segurança e o fato de perseguir de maneira apropriada os que desvirtuam a religião para atacar os demais converta-se em uma nova forma de discriminação e de intolerância religiosa”, afirmou.

Reciprocidade

“Por isso, não deixemos de lado nossos irmãos e irmãs muçulmanos na defesa de sua dignidade e de seus direitos e, ao mesmo tempo, esperamos reciprocidade e solidariedade conosco, quando os direitos dos cristãos ou de outros grupos forem violados no mundo.”

Para o cardeal McCarrick, “é essencial sublinhar que a liberdade religiosa começa com o direito de culto em virtude da própria consciência, mas não termina aí”.

“A liberdade religiosa inclui outras atividades fundamentais que expressam nossa fé, entre as quais a liberdade de consciência para oferecer assistência de saúde e outros serviços, o direito a instituir e manter escolas que reflitam autenticamente nossos valores e o direito a participar e oferecer nossa contribuição nos assuntos públicos e comunitários”.

A partir dessa perspectiva, “atos de discriminação contra os católicos e nossas convicções são manifestados com frequência de maneira sumamente pública”.

“Estamos firmemente comprometidos na defesa da liberdade religiosa de todos – não só dos católicos –, porque nosso compromisso se baseia em nossa preocupação com a dignidade de cada pessoa humana”, afirmou.

fonte: ZENIT.org

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