Não há tolerância para com o cristianismo

Durante muitos anos, grupos homossexuais advogaram pela tolerância e pela eliminação das leis que eles consideravam discriminatórias. Agora que, em grande medida, eles venceram sua batalha, seu entusiasmo pela tolerância desapareceu. Os cristãos, que por razões de consciência sentem que não podem ser favoráveis ao comportamento homossexual, sofrem cada vez mais pressões. O último caso na Grã-Bretanha afetou um médico cristão, Hans-Christian Raabe.

Há menos de um mês, Raabe foi nomeado para o Conselho de Assessoria sobre o Consumo de Drogas (informações da BBC, 7 de fevereiro). Mas acaba de ser despedido porque escreveu um artigo relacionando a homossexualidade com a pedofilia.

Raabe foi co-autor de um estudo intitulado “Casamento gay e homossexualidade: comentários médicos em fevereiro de 2005”. O artigo afirma que, embora a maioria dos homossexuais não esteja implicada na pedofilia, verifica-se um número desproporcionalmente grande de homossexuais entre os pederastas.

“A minha nomeação foi revogada só por causa dos meus pontos de vista sobre temas sem relação alguma com a política antidrogas”, lamentou Raabe em comentários publicados no mesmo dia pelo Daily Mail.

Comentando a pressão que existe para impor a aceitação da homossexualidade, a jornalista do Daily Mail, Melanie Phillips, lamentava em sua coluna de 24 de janeiro: “O que já foi uma tentativa de eliminar atitudes desagradáveis contra uma pequena minoria sexual se tornou agora uma espécie de fanatismo em sentido contrário”.

Phillips relatou casos em que os cristãos são tratados de modo injusto por causa dos seus pontos de vista sobre a homossexualidade. Seu alarme diante desta tendência não deixa de ter razões, como revelaram as reações que ele provocou.

Intolerância

Segundo reportagem de 1º de fevereiro do Christian Institute, a publicação da coluna de Phillips gerou um “fluxo vicioso de ódio” contra ela, incluindo convocações a assassiná-la. Phillips comenta que o lobby homossexual está espalhando com abundância o mesmo ódio e intolerância dos quais esses grupos se dizem vítimas.

“O que mais me alarma, e esta é a razão de eu me concentrar nos perigos dessas diversas agendas de direitos, é que eles estão corroendo os valores de bases que sustentam a nossa sociedade livre, tolerante e liberal”, acrescenta Phillips.

Pouco antes deste episódio, Peter e Hazelmary Bull foram multados por se negarem a reservar um quarto de seu hotel na Cornuália para um casal homossexual, em setembro de 2008.

O juiz Rutherford, do Tribunal do Condado de Bristol, concedeu indenização de 1.800 libras a cada um (BBC, 18 de janeiro). O casal tinha uma relação civil, mas os Bull, evocando suas crenças cristãs, mantinham a política de reservar os quartos duplos para casais unidos em matrimônio.

“A nossa política sobre as camas de casal se baseia nas nossas sinceras crenças sobre o matrimônio, sem hostilidade contra ninguém”, afirmou Peter após o julgamento.

Mike Judge, do Christian Institute, que financiou a defesa dos Bull, declarou à BBC que “esta sentença fornece mais evidências de que as leis de igualdade estão sendo usadas como espada e não como escudo”.

“O direito a ter uma crença religiosa e agir de acordo com ela é contraposto ao direito de não ser ofendido – e perde”, observou um editorial de 18 de janeiro do Telegraph.

O editorial sustentava que hoje existe um insano desequilíbrio entre a liberdade dos crentes e a daqueles que se consideram discriminados.

Adoção

Outro exemplo deste desequilíbrio foi sentido por uma pediatra cristã que perdeu uma ação por discriminação religiosa, depois de ser despedida de um órgão de adoções por defender que crianças não deveriam ser adotadas por casais homossexuais.

Sheila Matthews perdeu seu cargo no Conselho do Condado de Northamptonshire quando optou por se abster de votar em casos que envolvessem casais homossexuais (Independent, 16 de novembro de 2010).

O juiz do trabalho, John MacMillan, afirmou que o tema “transcende as fronteiras de todas as religiões”. Também sentenciou que Sheila devia pagas as custas de ambas partes.
A matéria do Independent relatava o depoimento de Sheila: “Como cristã, eu acredito que o casamento entre um homem e uma mulher numa relação sexual fiel e monogâmica é o ambiente mais apropriado para a educação das crianças”.

Ela explicou que tinha começado a estudar o tema em 2004 e que encontrou pesquisas com evidências de que as crianças de casais homossexuais não se desenvolviam tão bem como as de casais heterossexuais. Segundo o juiz, a postura de Sheila se baseava menos em bases científicas do que em fundamentos religiosos, o que o levou a negar-lhe razão.

No Canadá, o Tribunal de Apelação de Saskatchewan sentenciou que os juízes de paz da província não poderiam negar-se a realizar cerimônias de casais do mesmo sexo (National Post, 11 de janeiro).

Os cinco membros do tribunal rejeitaram por unanimidade duas leis propostas pelo governo. Uma propunha autorizar todos os juízes de paz a recusarem cerimônias de casamentos civis contrárias às suas crenças religiosas. A outra pretendia conceder esta isenção só aos juízes de paz que estivessem no cargo quando foi legalizado o casamento homossexual, em novembro de 2004.

Direito de opinar

Não são apenas os cristãos que enfrentam problemas por causa dos seus pontos de vista quanto à homossexualidade. Um caso notável foi o de um foro online da Austrália, o On Line Opinion.

Graham Young, o redator, explicou a situação numa postagem de 7 de fevereiro. Durante 11 anos, a página tinha sido uma plataforma aberta às idéias, escreveu Young.

O futuro do site está agora ameaçado por uma campanha contra os seus anunciantes, que geram cerca de metade da receita necessária para sustentá-lo. O problema surgiu após a publicação de um artigo de Bill Muehlenberg, que se opunha ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Young afirma que tinha decidido publicar uma série de artigos, com diversos pontos de vista, sobre o casamento homossexual, atendendo aos pedidos de se debater o assunto no parlamento federal. O artigo de Muehlenberg se fundamentava em pesquisas e tinha sido redigido numa linguagem bastante neutra, explica Young.

E acrescenta que se alguém não estava de acordo com as opiniões do artigo, a forma de responder era contribuindo com suas próprias opiniões, em vez de suprimir qualquer ideia contrária.

O artigo de Muehlenberg foi publicado em dezembro. Após a campanha dos ativistas homossexuais, algumas empresas deixaram de anunciar na página e o dinheiro da publicidade caiu praticamente a zero, afirma Young.

Christopher Pearson comenta a situação em um artigo de 5 de fevereiro, no jornal Australian. Ele se colocou em contato com as empresas envolvidas e uma das respostas que recebeu foi do banco ANZ.

“A retirada de nossa publicidade não se deveria considerar uma violação da liberdade de expressão; simplesmente escolhemos não anunciar em blogs que não estejam em linha com nossos valores da organização”, disseram-lhe.

“Ó, valente mundo novo! Qualquer coisa menos ser acusado de que o casamento gay não esteja na linha dos valores organizacionais de ANZ”, comenta Pearson.

Ódio

Os ativistas homossexuais acusam os cristãos, e outros que não estão de acordo com eles, de odiá-los. Isso apesar das repetidas explicações de que não se faz oposição às pessoas, mas apenas à conduta sexual.

De fato, o Catecismo da Igreja Católica indica claramente que “o ódio voluntário é contrário à caridade” (No. 2303).

Ao tratar a homossexualidade, o Catecismo assinala que as pessoas com tendências homossexuais “devem ser acolhidas com respeito, compaixão e delicadeza” (No. 2358). Não obstante, a Igreja católica, junto a outros muitos cristãos, não aceita a prática do comportamento homossexual.

Cada vez mais, os direitos dos homossexuais entram em confronto com o direito dos crentes de realizar aquilo que se sentem chamados a fazer. Para que haja de verdade liberdade religiosa, é necessário permitir que as pessoas atuem de acordo com sua consciência.

(P. John Flynn, L.C – ZENIT.org)

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About Fundacao AIS

Organização internacional católica, dependente da Santa Sé, cuja missão é ajudar os cristãos perseguidos por causa da sua fé. Procura estar atenta às várias situações de necessidade destes cristãos, particularmente a falta de liberdade religiosa. Para isso, publica periodicamente um Observatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo www.fundacao-ais.pt/

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