Archive | Fevereiro 2011

Papa recebeu presidente do Parlamento Europeu e pediu protecção para os cristãos

Bento XVI e Jerzy Buzek destacam contributo da Igreja Católica na construção da Europa, apelando à defesa da liberdade religiosa

Cidade do Vaticano, 28 Fev (Ecclesia) – Bento XVI recebeu hoje no Vaticano o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, apelando em favor da defesa das comunidades cristãs, principalmente nos países em que são minoritárias.

Em comunicado, a sala de imprensa da Santa Sé refere que no decorrer do encontro foram abordados “temas de actualidade, como o compromisso pela promoção da liberdade religiosa e a tutela das minorias cristãs no mundo”.

Buzek encontrou-se ainda com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, e o secretário do Vaticano para as relações com os Estados, arcebispo Dominique Mamberti.

Segundo a Santa Sé, os encontros decorreram num “clima de cordialidade”, permitindo “um útil intercâmbio de opiniões sobre as relações entre a Igreja Católica, o Parlamento Europeu e as outras instituições europeias”, destacando “o contributo que a Igreja pode oferecer” neste contexto.

Antecipando esta visita,  Jerzy Buzek referiu em entrevista concedida à agência SIR que a perseguição aos cristãos no Médio Oriente “é uma preocupação partilhada pelo Parlamento Europeu”, e que estão a ser tomadas medidas para “arrepiar caminho” na preservação da liberdade religiosa.

O político polaco apresentava o cristianismo como “fonte importante de inspiração para a Europa”, que importa defender.

“Quando um Papa da Alemanha se encontra com o presidente do Parlamento Europeu, um polaco, nós podemos agradecer aquilo que conseguimos até agora”, sustentava Jerzy Buzek, considerando esta ida à Santa Sé como um símbolo de que “o Leste e o Oeste da Europa estão finalmente a crescer em conjunto”.

O Tratado de Lisboa, assinado em 2007, deu pela primeira vez uma base legal para o diálogo institucional entre a União Europeia e representantes das diversas comunidades religiosas.

UE condena violência contra cristãos

O Conselho dos Negócios Estrangeiros da União Europeia adoptou uma resolução na qual manifesta a sua “firme condenação” da violência contra cristãos e membros de outras comunidades religiosas.

O texto, ainda em forma provisória, foi aprovado após a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos Estados-membros da UE, que decorreu em Bruxelas, Bélgica, esta segunda-feira.

“O Conselho reafirma o forte compromisso da União Europeia na promoção e protecção da liberdade de religião ou de crença, sem qualquer discriminação”, pode ler-se.

No documento, os ministros dos 27 manifestam “profunda preocupação pelo crescente número de actos de intolerância e discriminação religiosa”, lembrando “actos de terrorismo em vários países” contra cristãos e seus locais de culto, peregrinos muçulmanos e outras comunidades.

Os responsáveis pela diplomacia da UE manifestam as suas condolências e “solidariedade” às vítimas, afirmando que “a liberdade religiosa é um direito humano universal que tem de ser protegido em toda a parte e para todas as pessoas”.

Esta declaração surge depois de uma tentativa falhada de consenso, a 31 de Janeiro, situação que suscitara críticas, entre outros, do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa.

O Conselho dos Negócios Estrangeiros da UE pede á comunidade internacional que consolide a sua “resposta colectiva aos que querem usar a religião como um instrumento de divisão, alimentando o extremismo e a violência”.

Os ministros convidam Catherine Ashton, Alta Representante da União Europeia para as áreas dos Negócios Estrangeiros e Políticas de Segurança, a “relatar medidas tomadas e propostas concretas para fortalecer a acção” da UE neste campo da liberdade religiosa.

Veja aqui o documento

Fonte Ecclesia

Cristãos pedem políticas comuns em defesa da liberdade religiosa

Os líderes cristãos da Europa pediram hoje que as políticas comunitárias tenham mais em conta a salvaguarda da liberdade religiosa e a protecção das comunidades cristãs, um pouco por todo o mundo.

“A referência à perseguição dos cristãos, cuja urgência tem sido constatada através de acontecimentos recentes (particularmente no Médio Oriente, no Iraque) não pode ser esquecida ou enterrada por políticas abstractas e infrutíferas” pode ler-se num comunicado conjunto do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) e dos representantes da Conferência das Igrejas Europeias (CEC).

Os responsáveis cristãos enviaram uma carta a Catherine Ashton, Alta Representante da União Europeia para as áreas dos Negócios Estrangeiros e Políticas de Segurança, no sentido de colocarem este tema em cima da mesa de debate, hoje, em Bruxelas.

Num dia em que os diversos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia estão reunidos para debaterem a instabilidade que se abateu sobre o mundo árabe, CCEE e CEC defendem que “os países europeus deviam mostrar-se empenhados em proteger todos aqueles que são perseguidos por causa da sua fé, seja ela qual for”.

Os membros destas organizações cristãs esperam ainda que seja dado “um sinal claro” no que respeita à definição de políticas comuns da União Europeia, na defesa da liberdade religiosa, a nível europeu e mundial.

Na conclusão do seu encontro anual, entre 17 e 20 de Fevereiro, em Belgrado, capital da Sérvia, os membros da CCEE e da CEC sublinham que “a liberdade religiosa é um direito e um valor que cada sociedade democrática deveria promover e salvaguardar”.

A religião “não pode ser relegada para o domínio da vida privada” acrescentam aqueles responsáveis, que esperam que “o ecumenismo, enquanto espaço de encontro entre pessoas, comunidades e tradições, possa crescer”, e que os cristãos se tornem “construtores de uma paz verdadeira, enraizada nos corações de pessoas e nações”.

CCEE e CEC revelam que, ao longo deste ano, vão estudar mais de perto as relações e os desafios estabelecidos entre cristãos e muçulmanos, projectando constituir uma plataforma de partilha de experiências, principalmente entre a Europa e o Médio Oriente.

 

fonte Ecclesia

Poligamia e liberdade religiosa

A poligamia deveria ser permitida como parte do exercício da liberdade religiosa, afirma um grupo mórmon do Canadá.

Ao longo dos últimos meses, o juiz Robert Bauman, do Tribunal Supremo da Colúmbia Britânica, ouviu argumentos a favor e contra a possibilidade de legalizar a poligamia. Segundo a comunidade de Bountiful, da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a carta canadense de Direitos e Liberdades garante que, como parte dos seus direitos religiosos, é permitido aos homens ter várias esposas.

O grupo tem cerca de 10.000 membros nos Estados Unidos e no Canadá, segundo reportagem de 23 de novembro da BBC. Cerca de 1.000 deles moram em Bountiful.

A Colúmbia Britânica tem uma lei do século XIX que proíbe a poligamia, mas no passado o governo fechou os olhos para as práticas do grupo, temendo que a lei pudesse não ser constitucional. As autoridades, no entanto, mudaram de opinião e acusaram dois anciãos de Bountiful de poligamia. O caso não prosperou por razões técnicas em 2009.

Mais que uma apelação, a resolução das autoridades da província pedia ao Tribunal Supremo que analisasse a constitucionalidade da lei contra a poligamia. A resolução deu como resultado o atual julgamento, que acaba de escutar as evidências apresentadas pelas partes.

Se a lei fosse derrogada, o Canadá correria o risco de atrair famílias polígamas de imigrantes, prejudicando a sociedade. É o argumento do advogado da Coroa, Craig Jones, conforme informado em 23 de novembro pelo diário Globe and Mail.

Jones afirma que a comunidade de Bountiful sofreu problemas como noivas menores de idade, gravidez de adolescentes e expulsão de homens e rapazes. Estes problemas são “consequências inevitáveis” da poligamia, sustenta o advogado.

“A poligamia deixa os jovens sem oportunidades de se casar ou de formar uma família”, concorda Deborah Strachan, representante da Promotoria Geral do Canadá, conforme o Globe and Mail de 24 de novembro. “Há uma infinidade de rapazes e jovens rejeitados de uma forma ou de outra pela comunidade”, acrescenta.

Vigilância

O economista Shoshana Grossbard, que escreveu vários livros sobre economia e casamento, aduz mais evidências ao afirmar que os líderes masculinos das sociedades polígamas institucionalizam a vigilância das mulheres, conforme matéria do Vancouver Sun de 9 de dezembro.

Apresentado como testemunha e perito, o professor da Universidade Estatal de San Diego observa que as sociedades polígamas têm uma frequência maior de casamentos de homens idosos com mulheres muito jovens, aumentando a probabilidade de viuvezes precoces e as dificuldades econômicas que decorrem desse fenômeno.

Outros peritos, de ambas as partes, apresentaram novas evidências em dezembro e janeiro, antes de serem ouvidos os depoimentos de membros da comunidade de Bountiful. Segundo Daphne Bramhan, colunista do Vancouver Sun, os peritos do governo “deram o melhor de si mesmos”.

“A evidência de que a poligamia é intrinsecamente ruim para os indivíduos e para as sociedades foi esmagadora até agora”, observou ela, em sua coluna de 7 de janeiro.

Segundo o Vancouver Sun de 10 de janeiro, John Witte Jr., diretor do Centro de Lei e Religião da Universidade Emory, afirmou em seu depoimento que existe uma tradição contínua de 2.500 anos de casamento como união monogâmica de duas pessoas.

“Esse duradouro consenso destaca que as proibições são tanto pré-cristãs como pós-cristãs”, afirmou.

Um exemplo gráfico do dano que a poligamia pode causar foi apresentado na última audiência, em que se alegou que a “tortura da água” em bebês é comum na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Medo

Carolyn Blackmore Jessop, que abandonou o grupo em 2003, afirma que é típico da comunidade infundir nos filhos o medo da autoridade mediante a violência.

Jessop revela que abandonou o grupo, com seus oito filhos, porque se sentia impotente para protegê-los dos abusos físicos. Tinha 18 anos quando se tornou a quarta mulher de Merril Jessop, de 50 anos.

Algumas das esposas atuais da comunidade depuseram numa sala fechada do Tribunal, com garantia de anonimato. O público e a mídia tiveram acesso aos depoimentos através de uma conexão de áudio. Para a “Testemunha Número 2”, por exemplo, a vida em Bountiful é agradável e não há coações, noticiou o Toronto Star em 25 de janeiro.

Aos 40 anos, ela divide o marido com a própria irmã biológica. Em total, as duas têm 19 filhos. Uma das filhas da testemunha se casou aos 15 anos. A “Testemunha Número 2” admite viver na pobreza, mas afirma que isto acontece, em parte, por enviarem dinheiro aos seus companheiros de crença nos Estados Unidos, a fim de financiarem suas batalhas judiciais.

A “Testemunha Número 4” acredita que faz parte de um “casamento celestial”, ordenado por Deus, informou em 27 de janeiro o National Post. Aos 16 anos, ela conheceu o marido trinta minutos antes da cerimônia de casamento. Seis meses depois, o marido casou-se com mais uma garota, de 15 anos.

De acordo com a autora do artigo, Barbara Kay, mulheres como a “Testemunha Número 4” sofreram lavagem cerebral em decorrência de uma vida inteira transcorrida numa comunidade isolada do resto do mundo.

O Tribunal também ouviu alguns membros desencantados de Bountiful. Truman Oler, filho de James Oler, um líder da comunidade que tem várias esposas, descreveu uma comunidade de pais distantes e filhos descuidados, informou o National Post de 25 de janeiro.

“Pessoalmente, não posso entender por que eles têm tantos filhos se não querem cuidar deles”, declarou ao Tribunal.

Bruce Klette, da Vital Statistics Agency da Colúmbia Britânica, ofereceu mais informações sobre a situação das crianças. Segundo as certidões de nascimento de 1986 a 2009, houve 833 nascimentos de 215 mães e 142 pais (Globe and Mail, 27 de janeiro).

Pouco mais de 10% das crianças nasceu de mães de 18 anos ou menos, em comparação com a média provincial de 2,7%. A diferença de idade entre as mães e os pais também se afasta dos números da província, chegando a 8 anos, contra de 4,6. Cerca de 45% das mães nasceram fora do Canadá, a maioria em Utah, estado norte-americano preponderantemente mórmon, em comparação com os 30% de mães estrangeiras da Colúmbia Britânica.

O artigo também ressalta que nas duas escolas de Bountiful, desde 2003, só 25 estudantes completaram os 12 anos da educação básica canadense.

Dignidade

Comentando as evidências da pobre educação, do tráfico de esposas e das anormais taxas de gravidez adolescente, um editorial de 31 de janeiro do Globe and Mail pede que se mantenha a lei contra a poligamia.

“Proibir a poligamia continua sendo um limite razoável à liberdade religiosa e uma forte recordação de que a lei deve proteger os vulneráveis e a igualdade de direitos e a dignidade humana de mulheres e crianças”, indicava o editorial.

Uma postura não muito distinta da Igreja católica.

A união entre um marido e uma esposa tem suas raízes na complementaridade natural que existe entre o homem e a mulher, explica João Paulo II em sua exortação apostólica de 1981 sobre a família: Familiaris Consortio.

“A poligamia contradiz radicalmente uma tal comunhão”, afirma. “Nega, de fato, diretamente o plano de Deus como nos foi revelado nas origens, porque contrária à igual dignidade pessoal entre o homem e a mulher, que no matrimônio se doam com um amor total e por isso mesmo único e exclusivo (n. 19).

Agora, no Canadá, as consequências da debilitação dos valores cristãos fundamentais que durante muito tempo estiveram na base do casamento podem-se ver como um impulso para permitir a poligamia. Só há que esperar que o Canadá que, não é mera coincidência, legalizou o casamento do mesmo sexo, não introduza por via judicial outro golpe no matrimônio, permitindo a exploração de mulheres e crianças.

P. John Flynn (ZENIT)

Governo afirma que Portugal defende liberdade religiosa

O Ministério dos Negócios Estrangeiros afirmou que Portugal defende a “promoção e protecção da liberdade religiosa” na resposta a um requerimento apresentado pelo CDS na Assembleia da República.

José Ribeiro e Castro e Filipe Lobo Ávila perguntavam se o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, se tinha oposto à “condenação explícita das violências contra os cristãos” na reunião dos ministros da diplomacia europeia a 31 de Janeiro.

Na resposta do MNE, enviada sexta-feira ao Parlamento, é indicado que “Portugal é favorável à adopção de conclusões do Conselho que reafirmem o compromisso da União Europeia para com a promoção e protecção da liberdade religiosa”.

Na última terça-feira a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) tinha lamentado que Portugal não tivesse apoiado a declaração comum da União Europeia de condenação das perseguições por motivos religiosos, em particular contra os cristãos.

“Lamentamos e desejamos que numa próxima oportunidade se possa execrar que ainda haja perseguições por motivos religiosos, no nosso mundo tão civilizado”, disse o secretário da CEP, padre Manuel Morujão.

Segundo comunicado do Conselho dos Negócios Estrangeiros, que decorreu entre 31 de Janeiro e 1 de Fevereiro, os representantes dos 27 estados da União Europeia “mantiveram uma troca de pontos de vista sobre a liberdade de religião e de crença, acordando voltar ao tema numa data posterior”.

Ecclesia

Atacadas três igrejas e dois centros cristãos em Java

Indonésia: cresce a intolerância às minorias religiosas

Por Paul De Maeyer

ROMA, sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) – Na capital da Indonésia, Jacarta, foi aberta em 6 de fevereiro a “Semana para a Harmonia Inter-Religiosa”, iniciativa patrocinada pelas Nações Unidas, com uma cerimônia no estádio Istora Senayan, onde o Papa João Paulo II celebrou uma missa em 9 de outubro de 1989. Mas por trás dos discursos de cortesia e dos convites à tolerância recíproca, esconde-se uma realidade pouco amistosa.

Neste 8 de fevereiro, uma multidão de muçulmanos enfurecidos atacou e destruiu três igrejas em Te Mang Gung, capital de província de Java Central. Entre os alvos estavam a paróquia católica de São Pedro e São Paulo, um orfanato cristão e um posto de saúde das Irmãs da Providência. No ataque saiu ferido o pároco, Pe. Saldanha, missionário da Sagrada Família, enquanto tentava proteger o sacrário e a Eucaristia.

A ira da multidão foi suscitada pela condenação de um cristão acusado de proselitismo e blasfêmia, Antonius Richmond Bawengan, de 58 anos, a cinco anos de prisão, veredito considerado “suave demais”, já que era esperada a pena de morte. O homem, nascido na província de Sulawesi Setentrional, foi preso em outubro por distribuir material missionário, considerado ofensivo para o islã. A turba assaltou primeiro o tribunal, para depois se manifestar pelas ruas incitando à violência (Jakarta Globe).

“Estamos abalados. A violência nunca é uma boa solução. Pedimos a todos, muçulmanos e cristãos, que encarem todas as questões de forma civilizada e com espírito de fraternidade. Convido os fiéis católicos e todos os cristãos a não reagirem à violência. Queremos dar um sinal de paz para todos”, disse a Fides Dom Johannes Pujassumarta, arcebispo de Semarang e secretário da Conferência Episcopal da Indonésia (KWI, ou Konferensi Waligereja Indonesia), que falou de uma “violência planejada e orquestrada”. O arcebispo enviou também uma mensagem para os fiéis.

Suas palavras foram confirmadas pelo jesuíta Ignacio Ismartono, perito em Diálogo Inter-Religioso. “O aumento da intolerância – num contexto como o da Indonésia, caracterizado pela convivência pacífica – leva a pensar que existem forças obscuras querendo alimentar a tensão na sociedade. A violência em Te Mang Gung tinha sido preparada dias antes, mas a polícia não fez nada para prevenir as ações”, contou a Fides.

Tudo indica que no país muçulmano mais populoso do globo, com 220 milhões de habitantes, os ataques e os atos de intolerância às minorias religiosas estão aumentando. A última pesquisa a respeito foi publicada dias antes pelo Setara Institute for Democracy and Peace. Com os dados coletados pelo instituto, com sede em Jacarta, pode-se constatar que no transcurso de 2010 houve na Indonésia pelo menos 216 violações à liberdade religiosa e de culto.

Destes, 91 casos ocorreram na parte ocidental de Java – a ilha principal e mais populosa do arquipélago – e 28 na parte oriental; 75 foram contra as confissões cristãs. Segundo o instituto, há um gritante aumento em comparação com o ano anterior, quando foram apenas 12. De acordo com a Compass Direct News (3 de fevereiro), 43 destes 75 casos foram ataques contra locais de culto e outras ameaças à segurança.

Os autores destes atos de violência são, na maioria, membros de movimentos radicais muçulmanos. Segundo Ismail Hasani, pesquisador do Setara Institute, destacam-se o Islamic Defenders Front (FPI) e o Islamic People’s Forum (FUI), responsáveis, respectivamente, por 17 e 11 incidentes desse tipo.

Uma das dificuldades que as diversas denominações cristãs encontram na Indonésia é conseguir autorização para construir novos locais de culto ou fazer trabalhos de reconstrução.

É emblemático o caso da igreja protestante Taman Yasmin, em Bogor, Java Ocidental, cujas obras foram embargadas pelas autoridades locais a pedido do FUI. Nem uma sentença do Tribunal Supremo da Indonésia, em 14 de janeiro, conseguiu desbloquear a situação. Como conta o Jakarta Post (29 de janeiro), a comunidade protestante de Bogor pediu agora aos juízes supremos uma cópia oficial da sentença, com a esperança de calar os clamores dos extremistas.

Depois da comunidade cristã, a minoria religiosa mais exposta a violações e abusos na Indonésia é a seita muçulmana dos ahmadiyya (ou Ahmadi), considerados “hereges” ou “apóstatas”, porque dizem que Maomé não é o último profeta. Segundo dados do Instituto Setara, esta minoria, que na Indonésia tem cerca de 200.000 seguidores, sofreu 50 ataques em 2010.

O último e gravíssimo episódio foi no domingo 6 de fevereiro, quando um grupo de quase 1.500 pessoas (armadas com barras de ferro e facões) assaltou a casa de um chefe desta minoria no povoado de Cikeusik, na província de Banten (extremo-oeste de Java). Segundo a Associated Press (6 de fevereiro), o ataque deixou três mortos e seis feridos, dos quais quatro em estado extremamente grave.

Como em outros países muçulmanos, os dirigentes das minorias e os grupos pró-direitos humanos denunciam a passividade, às vezes conivência ou cumplicidade, das autoridades com os radicais, com frequência por motivos eleitorais. O bispo de Padang, Dom Martinus Dogma Situmorang, lançou recentemente uma severa advertência a este respeito e definiu como “preguiçosa” a resposta do governo aos verdadeiros problemas do país. Segundo o prelado, “uma crise moral” assola a Indonésia, junto com o aumento da intolerância, fenômeno perante o qual a Igreja não pode permanecer em silêncio (AsiaNews, 1 de fevereiro).

Muitos observadores criticam, também, o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono (conhecido apenas como SBY). Segundo Hasani, do Setara Institute, o presidente finge não ver as violações da liberdade religiosa no país. Durante um encontro com representantes da Igreja, o líder declarou com orgulho, no último 21 de janeiro, que durante a sua administração não tinha havido sérios abusos contra os direitos humanos. “Pelo contrário”, afirmou Hasani: “Não houve iniciativas ou progressos significativos para superar os abusos que a Igreja enfrentou” (Compass Direct News, 3 de fevereiro).

Os últimos acontecimentos obrigaram o presidente a reagir. O ministro de Assuntos Políticos, Legais e de Segurança, Djoko Suanto, difundiu um comunicado de Yudhoyono. “O presidente denuncia o ato anárquico perpetrado por um grupo de pessoas que atacaram lugares de culto e outras estruturas em Te Mang Gung”. A polícia de Java Central recebeu a ordem de identificar os responsáveis e levá-los aos tribunais. Segundo o Jakarta Globe, a polícia prendeu nas últimas horas o primeiro suspeito.

A maioria dos actos de violência tem cristãos como alvo

A Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) expressou sua decepção ao constatar que os governos da União Europeia não conseguiram chegar a um acordo para condenar as perseguições religiosas.”A COMECE lamenta profundamente que os 27 ministros de Assuntos Exteriores da União Europeia tenham fracassado, em 31 de janeiro, na hora de buscar um acordo sobre uma declaração conjunta que condenaria a perseguição religiosa”, afirma um comunicado divulgado pelo organismo episcopal.

“Esta indecisão diplomática é ainda mais compreensível, dado que vidas inocentes são truncadas pelos ataques atrozes contra os cristãos e outras minorias no mundo inteiro”, acrescenta o texto.

O acordo, sublinha a nota, fracassou devido às “negociações internas entre os ministros sobre uma referência específica aos cristãos entre as vítimas da perseguição religiosa”.

“A COMECE se surpreende diante desta decisão, dado que a opinião pública europeia é consciente da situação particular dos cristãos no Oriente Médio após os recentes ataques a igrejas no Iraque e no Egito”, esclarece o organismo episcopal.

Recorda, além disso, que o Parlamento Europeu (em 20 de janeiro) e o Conselho da Europa (em 27 de janeiro) haviam “preparado o caminho para uma condenação específica da perseguição dos cristãos, adotando resoluções que condenam especificamente a violência” contra eles.

Os recentes ataques, denuncia o organismo, “não são casos isolados”, dado que as estatísticas sobre a liberdade religiosa dos últimos anos mostram que a maioria dos atos de violência religiosa acontece contra os cristãos.

“O compromisso da União Europeia para apoiar os direitos fundamentais e a liberdade religiosa está claramente estabelecido no Tratado da União Europeia e na Carta dos Direitos Fundamentais”, além de ter sido reafirmado “em muitas declarações”, insistem os bispos.

Por este motivo, concluem, espera-se agora que “a União Europeia tome medidas concretas para transformar estes princípios gerais em uma ação política significativa”.

fonte: Agência Zenit

FUNDAMENTALISMO, LAICISMO E LIBERDADE RELIGIOSA

Este novo Europeu não tem consistência histórica mas pretende ter chegado ao fim da História. E os Europeus curvam-se perante o novo ídolo, correndo a venerá-lo nos hipermercados e nos centros comerciais, como em séculos passados acorriam às catedrais para adorar o Deus verdadeiro.

1. A noite de ano novo foi marcada pelo brutal e cobarde ataque de terroristas islâmicos a uma igreja cristã, no Egipto: segundo algumas versões, um bombista suicida misturou-se com os cristãos que saíam da igreja dos Santos, em Alexandria, e fez-se explodir; segundo outras, tratou-se de um carro armadilhado que explodiu à porta da igreja, quando os cristãos saíam da Missa. Fosse como fosse, o resultado foi trágico: vinte e três pessoas mortas e várias dezenas feridas. Tratou-se de mais um, na já longa série de ataques mortais contra os cristãos do Médio Oriente. Embora cidadãos de pleno direito dos seus países, são perseguidos, discriminados e mortos por fundamentalistas muçulmanos – sempre em nome da religião mas por motivos que nada têm a ver com o Deus verdadeiro.

2. Este atentado no Egipto parece ter conseguido despertar algumas consciências, sobretudo na Europa. Responsáveis políticos de alguns países europeus manifestaram a sua indignação; e os meios de comunicação social deram algum destaque a esta violência contra os cristãos. Mas, passada a inconveniência do momento, é de prever que tudo ficará na mesma. Na Europa, na União Europeia, prevalecem o dinheiro, o negócio, a indiferença religiosa e o laicismo agressivamente anti-cristão. Para os mercadores e financeiros europeus, o apaziguamento face ao Islão militante é a palavra de ordem. Em primeiro lugar estão os negócios, o petróleo. Os cristãos perseguidos e mortos nesses países? É um problema menor, se os negócios prosperarem. Para o laicismo anti-cristão, a sorte dos cristãos no Médio Oriente não tem grande importância…

Por Elias Couto | Leia o texto completo no site Cristo e a Cidade

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