Intolerância como fruto da instrumentalização

“Um direito humano fundamental é mais do que um direito humano, pois oferece a base para todos os outros.”

Foi assim que o cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, presidente do Conselho Pontifício “Justiça e Paz”, se referiu à liberdade religiosa, em um encontro realizado em Roma, em 21 de janeiro, por iniciativa do Instituto de direito internacional da paz “Giuseppe Toniolo” e da Ação Católica italiana.  

“A liberdade religiosa – explicou Turkson – é o tema da Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2011, não só porque este assunto é o centro da doutrina social da Igreja, mas também por ser uma vocação fundamental do homem, um direito humano universal e inalienável, o núcleo da paz.”

Entre as ameaças mais comuns à liberdade religiosa, encontra-se o “secularismo agressivo, intolerante a Deus e a todas as formas de expressão da religião”, o “fundamentalismo religioso e a politização da religião” e também “o nascimento de um relativismo cultural e religioso pelo qual a própria globalização, que aumenta a maior mobilidade das pessoas e o choque entre as culturas, é manipulada para obter o efeito contrário de empobrecer a cultura humana e gerar rejeição, intolerância e negação do direito à liberdade religiosa”.

A tudo isso se acrescenta a perseguição dos crentes: “No recente relatório da associação Ajuda à Igreja que Sofre – lembrou Turkson – evidencia-se que 70% da população mundial sofre de limitações da liberdade religiosa, deixando de lado a religião a que pertence, embora atualmente os cristãos sejam os mais perseguidos”.

“Embora a liberdade religiosa não seja criada pelo Estado, deve ser reconhecida por este como algo intrínseco à pessoa humana e às suas manifestações públicas e comunitárias”. Ao mesmo tempo, não se trata de um “direito ilimitado e não se deve abusar dela para outros fins que não os da paz”.

A partir desta perspectiva, é essencial o diálogo entre religiões reconhecido como “meio pelo qual os diversos sujeitos podem articular seu próprio ponto de vista e construir o consenso em torno da verdade sobre valores ou objetivos particulares”. O mesmo objetivo “pode inspirar um diálogo ativo entre o livre exercício da própria religião e os não crentes, entre fé e razão”.

Turkson recordou que “o apelo da Igreja à liberdade religiosa não se baseia em um simples pedido de reciprocidade por parte de uma comunidade de crentes dispostos a respeitar os direitos dos membros de outra comunidade, desde que esta última seja respeitosa dos direitos dos próprios membros”.

“Nós respeitamos os direitos dos outros – afirmou o cardeal – porque isso é fazer o justo, não em troca de um tratamento equivalente ou por um favor recebido.”

“Os cristãos – concluiu o presidente do Conselho Pontifício “Justiça e Paz” – não podem deixar de ser defensores da liberdade religiosa naquelas regiões do mundo onde são maioria, nem deixar de evocá-la em todos os contextos em que estão, no entanto, em situação minoritária.”

Por Chiara Santomiero (Zenit)
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Organização internacional católica, dependente da Santa Sé, cuja missão é ajudar os cristãos perseguidos por causa da sua fé. Procura estar atenta às várias situações de necessidade destes cristãos, particularmente a falta de liberdade religiosa. Para isso, publica periodicamente um Observatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo www.fundacao-ais.pt/

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