Archive | Janeiro 2011

Intolerância como fruto da instrumentalização

“Um direito humano fundamental é mais do que um direito humano, pois oferece a base para todos os outros.”

Foi assim que o cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, presidente do Conselho Pontifício “Justiça e Paz”, se referiu à liberdade religiosa, em um encontro realizado em Roma, em 21 de janeiro, por iniciativa do Instituto de direito internacional da paz “Giuseppe Toniolo” e da Ação Católica italiana.  

“A liberdade religiosa – explicou Turkson – é o tema da Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2011, não só porque este assunto é o centro da doutrina social da Igreja, mas também por ser uma vocação fundamental do homem, um direito humano universal e inalienável, o núcleo da paz.”

Entre as ameaças mais comuns à liberdade religiosa, encontra-se o “secularismo agressivo, intolerante a Deus e a todas as formas de expressão da religião”, o “fundamentalismo religioso e a politização da religião” e também “o nascimento de um relativismo cultural e religioso pelo qual a própria globalização, que aumenta a maior mobilidade das pessoas e o choque entre as culturas, é manipulada para obter o efeito contrário de empobrecer a cultura humana e gerar rejeição, intolerância e negação do direito à liberdade religiosa”.

A tudo isso se acrescenta a perseguição dos crentes: “No recente relatório da associação Ajuda à Igreja que Sofre – lembrou Turkson – evidencia-se que 70% da população mundial sofre de limitações da liberdade religiosa, deixando de lado a religião a que pertence, embora atualmente os cristãos sejam os mais perseguidos”.

“Embora a liberdade religiosa não seja criada pelo Estado, deve ser reconhecida por este como algo intrínseco à pessoa humana e às suas manifestações públicas e comunitárias”. Ao mesmo tempo, não se trata de um “direito ilimitado e não se deve abusar dela para outros fins que não os da paz”.

A partir desta perspectiva, é essencial o diálogo entre religiões reconhecido como “meio pelo qual os diversos sujeitos podem articular seu próprio ponto de vista e construir o consenso em torno da verdade sobre valores ou objetivos particulares”. O mesmo objetivo “pode inspirar um diálogo ativo entre o livre exercício da própria religião e os não crentes, entre fé e razão”.

Turkson recordou que “o apelo da Igreja à liberdade religiosa não se baseia em um simples pedido de reciprocidade por parte de uma comunidade de crentes dispostos a respeitar os direitos dos membros de outra comunidade, desde que esta última seja respeitosa dos direitos dos próprios membros”.

“Nós respeitamos os direitos dos outros – afirmou o cardeal – porque isso é fazer o justo, não em troca de um tratamento equivalente ou por um favor recebido.”

“Os cristãos – concluiu o presidente do Conselho Pontifício “Justiça e Paz” – não podem deixar de ser defensores da liberdade religiosa naquelas regiões do mundo onde são maioria, nem deixar de evocá-la em todos os contextos em que estão, no entanto, em situação minoritária.”

Por Chiara Santomiero (Zenit)

Liberdade religiosa versus fundamentalismo irreligioso

Os integrismos

Em rápida sucessão, o Senado espanhol (18 de janeiro) e o Parlamento Europeu (20 de janeiro) aprovaram duas resoluções condenando os ataques no Egito, Nigéria, Filipinas, Chipre, Irão e Iraque contra as minorias cristãs.

Anteriormente, a França já o tinha feito. Explícita ou implicitamente, nessas declarações é rejeitada a instrumentalização da religião no conflito político, enquanto se faz uma vigorosa defesa da liberdade religiosa.

O que os redactores repelem – na minha opinião – é esta visão ingênua do estado de saúde dos direitos humanos, em que muitas vezes se toma a parte pelo todo: acreditar que, uma vez que o Ocidente tem um reconhecimento aceitável de direitos humanos, isso acontece em todos os lugares.

Isto chama-se o “Síndrome de Internet”: a confortável ilusão de um mundo agradavelmente globalizado, que ignora que mais de metade dos habitantes da Terra desconhece as novas tecnologias. Na verdade, o integrismo é uma sombra ameaçadora que se estende por grande parte do mundo, causando a erosão dos direitos humanos. A sua existência é tentacular, pois tem diversas versões.

Há um integrismo supostamente religioso que, na verdade, é uma forma de fanatismo irreligioso. O fanático é irreligioso na medida em que recorre à violência, que uma visão razoável da religião rejeita e odeia. Por esta razão, as recentes condenações do Ocidente contra os ataques integristas aos cristãos do Oriente não podem ser interpretadas como formas de islamofobia, precisamente porque o que é rejeitado é a escura vertente política dos fanáticos, que costumam amparar-se em cortinas de fumaça supostamente religiosas.

Entende-se, assim, que 70 personalidades muçulmanas tenham publicado um manifesto com o expressivo título “O Islão, ridicularizado pelos terroristas”. Refere-se explicitamente às “atrocidades cometidas em nome do Islão” contra os cristãos no Egipto e no Iraque. Afirma que “estes assassinos não são do Islão e não representam em absoluto os muçulmanos”. Especificamente, rejeita o que eles veem como a invasão da própria identidade religiosa por parte de “falsários” que empunham a religião como uma arma destrutiva.

O melhor teste para avaliar o grau de respeito aos direitos humanos é a liberdade religiosa. Daí que o alarme do Ocidente seja justo. Mas, junto ao fundamentalismo supostamente religioso, existem outros mais subterrâneos, que costumam se expandir em áreas do Ocidente alegadamente respeitosas dos direitos humanos.

Não me refiro tanto ao fundamentalismo de base freudiana, que dissolve a religião em ilusórias manifestações psíquicas, mas ao que Jorge Semprún chama de “fundamentalismo da purificação social”. Aquele que, mesmo no dia-a-dia tende a eliminar a disparidade, nas complexas relações entre consciência civil /consciência religiosa, decreta ditatorialmente que a segunda é apenas um resíduo em um horizonte agnóstico.

Uns e outros fanáticos – os do Oriente e os do Ocidente – são os mesmos que colocaram em circulação uma espécie de polícia mental, cujos agentes se dedicam a uma caça às bruxas, na qual a primeira vítima é sempre a liberdade. Como disse Holmes há muito tempo: “A mente do intolerante é como a pupila dos olhos: quanto mais luz recebe, mais se contrai“.

Artigo escrito por Rafael Navarro-Valls, catedrático da Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madri e secretário-geral da Real Academia de Jurisprudência e Legislação de Espanha.

A Agenda Europa

Abolir as raízes cristãs da sociedade europeia é um atentado cultural mas é também alinhar com a perseguição que se abate sobre os cristãos que são hoje as maiores vítimas das perseguições do Mundo.

A Agenda da UE teve este ano uma importante novidade: a referência no calendário anual das festas religiosas de diversas religiões, excluindo as datas de referência do cristianismo. Nem Natal, nem Páscoa! O dia 25 de Dezembro é tão-só o dia 25 de Dezembro

Os factos são conhecidos. A Comissão Europeia mandou imprimir três milhões de agendas para oferecer a outros tantos alunos e professores de escolas dos países que compõem a União Europeia. Esta agenda, cheia de informações, teve este ano uma importante novidade: a referência no calendário anual das festas religiosas de diversas religiões, excluindo as datas de referência do cristianismo. Nem Natal, nem Páscoa! O dia 25 de Dezembro é tão-só o dia 25 de Dezembro.

Numa Europa berço da civilização ocidental, filha directa do cristianismo, ensina-se às crianças as datas referência, esquecendo as cristãs, apagando as suas origens, base da sua cultura e da sua matriz genética, definidora e diferenciadora, formadora do conjunto cultural do velho continente. Um espanto. Protestaram diversos países como a Itália, a Polónia, o vice-ministro francês, entre outros, e a Comissão Europeia decidiu publicar oito milhões de erratas para distribuir às escolas que tinham recebido as agendas.

É evidente que os responsáveis pelo facto não o fizeram por esquecimento. Ninguém se esquece que dia 25 de Dezembro não é um dia qualquer do calendário, e nenhum europeu se lembra dos dias festivos dos muçulmanos ou dos budistas e não se recorda dos dias que lhe marcam o seu próprio calendário. É óbvio que se tratou de um apagar deliberado do cristianismo, o que é em si mesmo o sinal da mais brutal intolerância como é, igualmente, um sinal de obscurantismo e de ignorância. É, sobretudo, um profundo gesto de hostilidade para com os cristãos.

Muitas vezes, na história da Europa, se tentou apagar as referências ao cristianismo. Os jacobinos franceses tentaram substituir o calendário gregoriano e impor o “Calendário Revolucionário Francês”, mudando assim a nomenclatura dos dias e obviamente os feriados católicos e a referência ao nascimento de Cristo. Dessa revolução, no que respeita à agenda resta a referência ao 18 de Brumário e não sobrou nenhum dia feriado dos 5 “sans-culottes”. Mesmo em Portugal, abundaram as tentativas, a mais ridícula das quais foi certamente a proibição do bolo-rei e sua substituição pelo bolo da República.

Abolir as referências cristãs na Europa é fazer esquecer que na origem de muito do que de melhor existe na civilização ocidental tem origem no cristianismo. Na Igreja Católica nasceu a sistematização das primeiras universidades, os primeiros hospitais, os livros que permitiram salvaguardar o essencial da cultura clássica, as misericórdias, a assistência social e um inquestionável património artístico.

Abolir as raízes cristãs da sociedade europeia é um atentado cultural mas é também alinhar com a perseguição que se abate hoje sobre os cristãos que são hoje as maiores vítimas das perseguições do Mundo. No Parlamento Europeu foi recordado que 75% das perseguições religiosas que hoje acontecem são contra cristãos. No Iraque, no Egipto, na Índia, na Nigéria, nas Filipinas, no Irão, em Chipre ou na China, recordam só alguns casos dramáticos recentes. Alguns silêncios escandalosos de autoridades e organizações humanitárias tão prontos a falar de outras perseguições raia o escândalo. Quantas vezes o silêncio cala a denúncia e a hostilidade substitui a solidariedade com as vítimas?

A agenda da Comissão Europeia não tinha uma falha, um esquecimento, que uma errata ou oito milhões de erratas supere. A Agenda Europeia só me fez lembrar a história que se contava há anos, antes da queda do comunismo: uma guia do Museu Hermitage, perante um quadro de uma Anunciação, explicava aos visitantes que o quadro representava o que acontecia no tempo dos czares, com uma camponesa forçada a ajoelhar perante uma representante da nobreza…

Felizmente, a Agenda Europa já nem no Hermitage pode ser oferecida.

Zita Seabra (in JN)

Cresce a perseguição contra os cristãos

 Um início de ano violento

Por Pe. John Flynn, L.C.  

A mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz, 1 de janeiro, é dedicada ao tema da liberdade religiosa e os problemas criados pela perseguição dos cristãos em muitas partes do mundo. O Papa comenta que “também o ano que encerra as portas esteve marcado pela perseguição, pela discriminação, por terríveis actos de violência e de intolerância religiosa”. Infelizmente, 2011 não parece que vá ser melhor.

Apenas meia hora depois de ter começado o novo ano, explodia uma bomba no exterior da igreja copta dos Santos, na cidade egípcia de Alexandria, enquanto 1.000 pessoas saíam dela, informou naquele dia Associated Press. A cifra inicial de mortes foi de 21, que aumentaram depois a 25, e cerca de uma centena de pessoas ficaram feridas. Segundo uma reportagem da BBC de 1 de janeiro, após a explosão, o presidente do país, Hosni Mubarak, chamou a unidade contra o terrorismo de muçulmanos e cristãos.

Nos dias que seguiram à explosão, houve vários enfrentamentos entre grupos de cristãos e muçulmanos. “O sangue de seus mártires se mesclou em Alexandria para dizer-nos que todo Egito é objetivo e que o terrorismo cego não diferencia entre um copta e um muçulmano”, declarou em uma emissão à televisão estatal, informava a BBC. A BBC assinalava que era o segundo Natal consecutivo amargado pelo derramamento de sangue da comunidade copta do Egito.

A 6 de janeiro de 2010, seis fiéis e um oficial de polícia muçulmanos foram assassinados em um tiroteio próximo de uma igreja na cidade de Naga Hamady. O ataque não dissuadiu as pessoas de voltarem no dia seguinte à missa de manhã, segundo um artigo do New York Times de 2 de janeiro. Segundo a reportagem, os bancos da igreja estavam quase cheios.

Bento XVI condenou o ataque. Falando antes de rezar o Angelus no dia 2 de janeiro, o pontífice deplorava tanto o ataque do Egito como as bombas colocadas próximo das casas dos cristãos do Iraque em dias anteriores. Grave escalada de violência Os ataques, disse o pontífice, eram uma ofensa a Deus e à humanidade. Ele animava as comunidades eclesiais a perseverar na fé e no testemunho da mensagem de não violência contida nos Evangelhos.

A igreja copta divulgou uma declaração, qualificando o ataque como uma “grave escalada” de violência contra os cristãos, segundo informou no dia 3 de janeiro o Los Angeles Times. A declaração pedia uma investigação pública do ataque e solicitava das autoridades que fizessem públicos os detalhes do crime o quanto antes.

A bomba no Egito foi precedida da violência no Iraque. Foram colocadas dez bombas próximo de lares de famílias cristãs em Bagdá. As explosões causaram a morte de duas pessoas, com 20 feridos, informava no dia 30 de dezembro o New York Times. O último ataque aconteceu após outro evento, em que vários pistoleiros entraram na igreja de Nossa Senhora da Salvação, em Bagdá, em outubro, causando a morte de dezenas de fiéis. Antes das últimas bombas, muitas igrejas tinham cancelado suas celebrações de Natal, por temor de possíveis agressões dos extremistas islâmicos.

Segundo o New York Times, desde outubro, ao menos 1.000 famílias cristãs abandonaram o Iraque, buscando refúgio na Síria, Turquia e outros lugares. Alguns estimam que mais da metade do 1,4 milhão de cristãos do país tenha abandonado o Iraque desde 2003.

Violência cresce

A Índia é outro país onde os cristãos enfrentam hostilidades e, segundo um informe de Compass Direct, houve um aumento dos episódios de violência. Segundo o informe de 30 de Dezembro, os cristãos da Índia foram o objetivo de mais de 130 ataques por ano desde 2001, com cifras muito mais altas no ano de 2007 e em 2008.

Em 2010, houve ao menos 149 ataques violentos. A maioria dos incidentes aconteceu em quatro Estados: Karnataka, Andhra Pradesh, Madhya Pradesh e Chhattisgarh. Dos 23 milhões de cristãos da Índia, 2,7 milhões vivem nos quatro Estados onde há mais perseguição.

A situação é não menos grave no Paquistão, em particular por causa das leis de blasfêmia. Os cristãos costumam ser objetivo de acusações sob essas leis. O caso mais recente é de Asia Bibi, mãe de cinco filhos, sentenciada à morte após ser acusada de blasfêmia. Salman Taseer, governador da província de Punjab, foi assassinado por um de seus escoltas após ter falado a favor das mulheres e das minorias religiosas, segundo uma reportagem da Reuters de 4 de janeiro. O escolta, Malik Mumtaz Hussain Qadr, citou a oposição de Taseer às leis de blasfêmia para justificar sua ação. “Salman Taseer é um blasfemo, e este é o castigo para um blasfemo”, disse Qadr em comentários difundidos pela televisão.

Tensão na China

A violência não é a única preocupação da Igreja Católica. Em dezembro, aumentaram as tensões com o governo chinês, em consequência da decisão das autoridades de obrigar todos os bispos a participar de uma reunião. O Papa disse aos bispos católicos que não participassem do encontro, informava a 7 de dezembro o Washington Post.

Segundo o artigo, o governo não deu outra opção aos bispos. O texto descrevia uma cena em que a polícia tirava da catedral de Jing, província de Hebei, o bispo Feng Xinmao. “Mons. Feng foi sequestrado e forçado a participar desta reunião”, disse um frade, entrevistado por telefone pelo jornal. O artigo observava que a reunião aconteceu só duas semanas depois da ordenação de um novo bispo na província de Hebei, sem a aprovação do Vaticano.

Em uma nota com data de 17 de dezembro, o Vaticano criticava a decisão das autoridades chinesas de celebrar a reunião. Liberdade “A maneira como se convocou e desenvolveu [a reunião] manifestam uma atitude repressiva em relação ao exercício da liberdade religiosa, que se esperava já superada na China atual”, afirmava a declaração do Vaticano. “O desejo persistente de controlar a esfera mais íntima da vida dos cidadãos, quer dizer, sua consciência, e de interferir na vida interna da Igreja Católica não faz honra à China”, acrescentava.

Posteriormente, em sua mensagem urbi et orbi, a 25 de dezembro, Bento XVI pedia que a celebração do Natal consolidasse a fé e a valentia da Igreja na China continental. As autoridades chinesas, no entanto, não mostraram sinal algum de mudança e, como reação à mensagem de Natal do Papa, advertiram que o Vaticano deve “enfrentar os fatos” sobre a religião na China, se quiser melhorar as relações com o país, informou o jornal London Telegraph no dia 28 de dezembro.

“O direito à liberdade religiosa funda-se na própria dignidade da pessoa humana, cuja natureza transcendente não se pode ignorar ou descuidar”, afirma o Papa em sua mensagem para o Dia da Paz. “A liberdade religiosa – acrescenta o Santo Padre – há de se entender não só como ausência de coação, mas antes ainda como capacidade de ordenar as próprias opções segundo a verdade”. Uma verdade perante a qual parece que nem todos estão abertos.

UE: Cortes no apoio financeiros a países que violem liberdade religiosa

O Parlamento Europeu pediu uma “estratégia” da UE para o respeito da liberdade religiosa, que inclua “uma série de medidas contra os Estados que deliberadamente não protejam as confissões religiosas”.

Na primeira sessão plenária de 2011, que decorreu em Estrasburgo (França), os eurodeputados assumiram uma resolução em defesa dos cristãos perseguidos e da liberdade religiosa.

Em declarações à «Rádio Vaticano», Mario Mauro, um dos deputados responsáveis pela resolução, ressaltou as novidades que o documento traz consigo. “Pela primeira vez, deu-se credibilidade aos dados recolhidos pela organização não governamental «Ajuda à Igreja que Sofre», a qual evidenciou que 75% das pessoas assassinadas por motivos religiosos são cristãs”, indicou.

A resolução “insta os líderes de todas as comunidades religiosas da Europa a condenarem os ataques a comunidades cristãs e a grupos de outras crenças com base na igualdade do respeito por cada confissão religiosa”.

Eurodeputados condenam perseguições contra cristãos

O Parlamento Europeu adoptou uma resolução que condena os recentes ataques contra cristãos no Egipto, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Chipre, Irão e Iraque. Os deputados pedem, ainda, que o próximo conselho dos negócios estrangeiros, marcado para 31 de Janeiro, discuta “a perseguição aos cristãos e o respeito pela liberdade religiosa” no mundo.A resolução, que se centra na situação do Médio Oriente, denuncia a “instrumentalização da religião em vários confl itos políticos” e apela a uma estratégia que vise reforçar o direito humano à liberdade religiosa, incluindo uma lista de medidas contra Estados que não a respeitem.

Os recentes ataques contra cristãos no Médio Oriente, em particular no Iraque e no Egipto, estiveram em debate no hemiciclo de Estrasburgo, durante a primeira sessão plenária de 2011.

Deputados de todos os grupos políticos uniram-se para condenar a violência contra cristãos e qualquer “violência exercida com base na religião”.

Na quarta-feira, Catherine Ashton, Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, abriu o debate afi rmando que “a União Europeia não vai fechar os olhos” à perseguição de cristãos em todo o mundo. Ashton condenou os recentes ataques terroristas no Iraque e no Egipto, e o assassinato de Salman Taseer, governador do Punjab, Paquistão, no dia 4 de Janeiro.

O eurodeputado italiano Fiorello Provera (Europa da Liberdade e da Democracia) falou numa “discriminação sistemática de cristãos em todo o Médio Oriente”. De acordo com Provera, as políticas iraquianas nesta matéria e a violência associada às mesmas já foram responsáveis pela saída de 600 mil cristãos do país, nos últimos anos.

A resolução lembra, entre outros casos, a interrupção, pela força, da Missa de Natal celebrada pelos 300 cristãos que permanecem na parte norte do Chipre, por parte das autoridades turcas. A 10 de Janeiro, no seu encontro anual com os membros do corpo diplomático, no Vaticano, Bento XVI apelou à defesa concreta da liberdade religiosa em todo o mundo, condenando as “numerosas situações” nas quais esse direito “ é lesado ou negado”.

UE condena perseguições contra cristãos

Estrasbrugo, França, 20 Jan (Ecclesia) – O Parlamento Europeu adoptou hoje, 20 de Janeiro, uma resolução que condena os recentes ataques contra cristãos no Egipto, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Chipre, Irão e Iraque.

Os deputados pedem ainda que o próximo conselho dos negócios estrangeiros, marcado para 31 de Janeiro, discuta “a perseguição aos cristãos e o respeito pela liberdade religiosa” no mundo.

A resolução, que se centra na situação do Médio Oriente, denuncia a “instrumentalização da religião em vários conflitos políticos” e apela a uma estratégia que vise reforçar o direito humano à liberdade religiosa, incluindo uma lista de medidas contra Estados que não a respeitem.

Os recentes ataques contra cristãos no Médio Oriente, em particular no Iraque e no Egipto, estiveram em debate no hemiciclo de Estrasburgo (França), durante a primeira sessão plenária de 2011.

Deputados de todos os grupos políticos uniram-se para condenar a violência contra cristãos e qualquer “violência exercida com base na religião”.

Na Quarta-feira, dia 19, Catherine Ashton, alta representante da União Europeia para a política externa, abriu o debate afirmando que “a União Europeia não vai fechar os olhos” à perseguição de cristãos em todo o mundo.

Ashton condenou os recentes ataques terroristas no Iraque e no Egipto, e o assassinato de Salman Taseer, governador do Punjab, Paquistão, no dia 4 de Janeiro.

O eurodeputado italiano Fiorello Provera (Europa da Liberdade e da Democracia) falou numa “discriminação sistemática de cristãos em todo o Médio Oriente”.

De acordo com Provera, as políticas iraquianas nesta matéria e a violência associada às mesmas já foram responsáveis pela saída de 600 mil cristãos do país, nos últimos anos.

A resolução lembra, entre outros casos, a interrupção, pela força, da Missa de Natal celebrada pelos 300 cristãos que permanecem na parte norte do Chipre, por parte das autoridades turcas.

No dia 1 de Janeiro de 2011, um atentado com um carro armadilhado, frente a uma igreja em Alexandria, segunda cidade mais populosa do Egipto, provocou 23 mortos e dezenas de feridos.

A 31 de Outubro de 2010, um ataque contra a catedral siro-católica de «Nossa Senhora do Perpétuo Socorro», em Bagdad, capital do Iraque, matou dois sacerdotes e mais de cinquenta fiéis, quando estes se encontravam reunidos para a celebração da Missa.

A violência que atingiu a Nigéria no último Natal, fruto de confrontos entre cristãos e muçulmanos, provocou mais de 85 mortes.

Também no Natal de 2010, pelo menos 10 pessoas ficaram feridas após a explosão de uma bomba na igreja de uma base da polícia, na ilha de Jolo, no sul das Filipinas.

A 10 de Janeiro, no seu encontro anual com os membros do corpo diplomático, no Vaticano, Bento XVI apelou à defesa concreta da liberdade religiosa em todo o mundo, condenando as “numerosas situações” nas quais esse direito “ é lesado ou negado”.

fonte: Agência Ecclesia

Coptos na Alemanha rezam pela liberdade religiosa da comunidade cristã egípcia

Centenas de pessoas se reuniram na igreja copto-ortodoxa de São Marcos em Frankfurt para rezar pelas 23 vítimas do atentado do último 31 de dezembro contra um templo copto em Alexandria e rezaram pela liberdade religiosa da golpeada comunidade cristã no Egito.

Conforme informa a associação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), líderes ortodoxos, católicos, protestantes, políticos, famílias e centenas de pessoas participaram da cerimônia do sábado 8 de janeiro, durante a qual o Bispo Anba Damião, cabeça dos coptos-ortodoxos na Alemanha pediu pelos direitos dos cristãos egípcios, alvos de ataques de extremistas muçulmanos.
“Nosso país foi refúgio de Jesus Cristo, sua família e de muitos profetas”, recordou o Bispo e acrescentou que “antigamente fomos senhores em nossa terra, hoje só queremos viver como cidadãos com todos os direitos e obrigações que os demais”.

O Bispo explicou que, antes de poder construir uma igreja cristã no Egito, são construídas 16 mesquitas, e para obter uma licença de obra para erigir uma igreja é preciso que “ter muita paciência”.

O líder copto-ortodoxo recordou que “querer ser cristão não é um ato delitivo!” e “as pessoas estão cansadas de belas palavras; elas querem atos” por isso pediram ao Governo egípcio que sancione os responsáveis pelo atentado porque caso contrário isto dará “luz verde aos terroristas”.

O prelado também pediu uma compensação para as famílias das vítimas e “medidas preventivas, para que algo assim não volte a acontecer”.

Em declarações à AIS, o Bispo assegurou que no Egito os coptos enfrentam hostilidade desde criança. São chamados “ossos azuis”, um insulto que alude às marcas dos golpes que, durante séculos, receberam.

“Conosco, as crianças aprendem desde pequenos a viverem com a cruz”, explicou o bispo e assegurou que os coptos “somos uma Igreja de mártires”, por isso “ninguém pode causar-nos medo. Nossos fiéis rezarão, mesmo que celebrem sua última Missa, porque o sangue dos mártires é a semente da Igreja”.

Entretanto, ele recordou que as pessoas têm “direito a ser protegidas” e considerou que as palavras de ânimo do Papa Bento XVI serviram para “aliviar muitas dores”.

Líderes católicos, ortodoxos e protestantes, participaram da cerimônia junto a destacados políticos, representantes do Conselho Central dos Muçulmanos na Alemanha e centenas de convidados que se solidarizaram com a comunidade copta.

Liberdade religiosa em debate no Conselho da Europa

As violações da liberdade religiosa e a situação dos cristãos no Iraque serão temas em debate na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, em Estrasburgo, na França, de 24 a 28 deste mês.

Os trabalhos da assembleia serão caracterizados pela participação de alguns representantes políticos. Estão previstas algumas palestras dos presidentes da Turquia, Abdullah Gül, da Sérvia, Boris Tadić, e da Romênia, Traian Basescu e do primeiro-ministro da Albânia, Sali Berisha.

Os representantes de 47 países membros do Conselho da Europa analisarão também um relatório sobre o tráfico de órgãos no Kosovo e abordarão a questão sobre o respeito pela liberdade de informação e a proteção das fontes jornalísticas junto com o presidente Federação Europeia de Jornalistas, Arne Konig.

Em relação ao respeito pela democracia e os direitos humanos se voltará a falar a propósito da situação política, em Belarus, sobre a política de prevenção no campo da saúde adotada pelos Estados membros, além da presença positiva de pessoas da terceira idade no mercado de trabalho.

Mário Soares reconduzido na presidência da Comissão da Liberdade Religiosa

Mário Soares, antigo presidente da República, foi reconduzido na presidência da Comissão da Liberdade Religiosa, segundo decreto hoje publicado em «Diário da República».

O mandato, agora renovado, é trienal, prolongando-se até 2013.

A Comissão da Liberdade Religiosa (CLR) é um órgão independente de consulta da Assembleia da República e do Governo, com representantes das várias confissões presentes em Portugal.

A resolução n.º 6/2011do Conselho de Ministros refere-se apenas à presidência da CLR, não avançando a constituição da nova equipa.

Além do presidente, a CLR inclui dois membros designados pela Conferência Episcopal Portuguesa, três membros designados pelo Ministro da Justiça e cinco pessoas de “reconhecida competência científica nas áreas relativas às funções da Comissão”, também designadas pelo Ministro da Justiça, “de modo a assegurar o pluralismo e a neutralidade do Estado em matéria religiosa”.

OC/Agência Ecclesia

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