Archive | Novembro 2010

Governo Americano preocupado com liberdade religiosa na Europa

O Departamento de Estado publicou ontem o seu relatório anual sobre liberdade religiosa, um documento que sublinha os abusos e o estado da liberdade religiosa em todos os países do mundo.

A principal novidade deste ano é o aumento da preocupação pela liberdade religiosa na Europa. As proibições aos véus islâmicos em França e o referendo que proibiu os minaretes nas mesquitas na Suíça são dois exemplos apontados pelos americanos.

Portugal não merece qualquer reparo por parte do relatório, que pode ser lido na íntegra aqui.

Suspeitos do costume

No topo da lista de países com violações graves da liberdade religiosa há poucas mudanças em relação ao ano passado.

O Myanmar, com a repressão dos monges budistas e de qualquer corrente budista que não a Theravada, apoiada oficialmente, merece forte condenação.

A Coreia do Norte, outro habitué das listas negras em relação a direitos humanos, é novamente apontado como um dos piores abusadores da liberdade religiosa, tal como a China, criticada não só pelo tratamento das comunidades cristãs, mas também pela repressão dos muçulmanos da comunidade uighur e dos budistas tibetanos.

O anti-semitismo e a perseguição aos Baha’i no Irão é sublinhado, tal como a total intolerância por qualquer prática religiosa que não seja o Islão sunita na Arábia Saudita.

O relatório, que foi apresentado pela Secretária de Estado Hillary Clinton, enumera ainda várias ex-repúblicas soviéticas, nomeadamente o Uzbequistão, e estados de África, sobretudo a Eritreia. (Fonte RR)

Relatório analisa liberdade religiosa em 194 países

capa do livro

Relatório 2010 Liberdade Religiosa no Mundo

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) vai lançar no dia 23 de Novembro o Relatório 2010 sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, que analisa a situação de 194 países entre Janeiro de 2009 e os primeiros meses deste ano.

A versão portuguesa é apresentada na Biblioteca da Igreja de S. Nicolau em Lisboa (Baixa), pelas 16h00.

Este documento analisa a situação dos cristãos e de outras confissões religiosas, denunciando casos de perseguição e de atropelos a um direito fundamental consagrado na Declaração Universal dos Direitos do Homem, que cabe a todos nós defender.

A publicação, com mais de 500 páginas, regista os casos mais dramáticos no período estudado em várias nações onde a liberdade de culto é negada das maneiras mais violentas e nas quais os crentes são perseguidos, em alguns casos até à morte.

No Iraque, por exemplo, a violência anti-cristã não parou em 2009 e na primeira metade de 2010, com momentos de verdadeira perseguição. “Grupos armados entram em bairros onde vivem os cristãos e matam indiscriminadamente toda a gente que se atravessa no seu caminho”, declarou Mons. Philip Najim, representante da Igreja Caldeia na Santa Sé.

O Paquistão é outro dos pontos críticos e mais mediáticos: em 19 de Julho de 2010, Rashid Emmanuel e Sajid Masih Emmanuel, dois irmãos cristãos que estavam a ser julgados depois de serem acusados de blasfémia, foram mortos a tiro à saída do tribunal.

Outras situações registadas arrastam-se no tempo: no Egipto, durante os últimos trinta anos, foram assassinados cerca de 1800 cristãos e foram perpetrados cerca de 200 actos de vandalismo contra propriedades destas pessoas, sem que ninguém fosse levado perante um tribunal.

O estudo assinala que a perseguição religiosa aumenta em todo o mundo e fala em graves limitações à liberdade de culto e de consciência, para além de limitações legais à liberdade religiosa e episódios de repressão legal.

O Relatório foi compilado com o apoio de um grupo de investigadores, académicos e jornalistas que agregaram e tornaram disponível informação derivada principalmente de fontes internacionais, de relatórios de vários grupos religiosos diferentes e de depoimentos de testemunhas nos locais.

As estatísticas indicadas são obtidas a partir de uma variedade de fontes que foram escolhidas com base na sua credibilidade e integridade.

Cristãos e muçulmanos unidos pela liberdade

A sala de imprensa da Santa Sé divulgou esta Terça-feira o comunicado final de um encontro entre representantes católicos e muçulmanos, no Irão, com apelos em favor da liberdade religiosa.

“A fé, pela sua própria natureza, requer liberdade”, indica o documento surgido após um encontro no centro para o diálogo inter-religioso da organização da cultura e relações islâmicas (Teerão) e o Conselho Pontifício para o diálogo inter-religioso.

A delegação do Vaticano foi liderada pelo Cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do referido Conselho.

“A liberdade religiosa, como direito inerente à dignidade humana, deve ser sempre respeitada pelos indivíduos, actores sociais e o Estado”, pode ler-se na declaração conjunta, com seis pontos.

Cristãos e muçulmanos assinalam que “os crentes e as comunidades religiosas, baseadas na sua fé em Deus, têm um papel específico a desempenhar na sociedade”.

“A religião têm uma dimensão social inerente que o Estado tem a obrigação de respeitar, pelo que, também no interesse da sociedade, não pode ser confinada à esfera privada”, pode ler-se.

As duas delegações consideram necessário que “cristãos e muçulmanos, bem como todos os crentes e pessoas de boa vontade, cooperem na resposta aos desafios modernos, promovendo valores morais, justiça e paz”.

Estes colóquios decorrem regularmente desde 1994 e a sua próxima edição terá lugar em Roma, dentro de dois anos.

fonte Ecclesia

Papa pede mais liberdade religiosa nos países muçulmanos

O papa Bento XVII disse que todos os Estados deveriam garantir a todas as pessoas a liberdade de praticar a sua fé publicamente, numa crítica clara a alguns países muçulmanos onde os direitos religiosos são restritos.

O papa fez o apelo na recente «exortação apostólica», na qual propõe reflexões sobre o sínodo dos bispos de 2008, no Vaticano, sobre o tema da «Palavra de Deus».

Afirmou ainda que a Igreja Católica respeita todas as religiões. Numa secção à parte do documento é dedicada à relação com os muçulmanos.

«Ao mesmo tempo, o diálogo não se vai mostrar frutífero a menos que inclua um respeito autêntico a todos e a capacidade de todos praticarem livremente a sua religião», afirmou ele.

«Respeito e diálogo requerem reciprocidade em todas as esferas», disse o pontífice, acrescentando que isso deveria incluir o direito de se professar uma religião «particularmente e em público e que a liberdade de consciência seja efectivamente garantida a todos os fieis».

«Reciprocidade» é o termo usado pela Igreja Católica Romana para exigir direitos plenos aos cristãos nos países islâmicos, onde as leis os proíbem de praticar abertamente a «sua religião. Ela já pediu por reciprocidade várias vezes à Arábia Saudita».

Pelo menos 3,5 milhões de cristãos de todas as denominações vivem na região do Golfo Pérsico, local de origem do Islão, que abriga algumas das sociedades árabes muçulmanas mais conservadoras do mundo.

A liberdade de praticar o Cristianismo, ou qualquer outra religião diferente do Islão, nem sempre é permitida no Golfo e varia de país a país. A Arábia Saudita, que segue uma forma austera do Islã sunita, tem as restrições mais duras.

O Vaticano afirma que os cristãos nos países de maioria muçulmana deveriam ser autorizados a praticar a religião de forma aberta, assim como ocorre com os muçulmanos nos países de maioria cristã na Europa.

Na Arábia Saudita, que abriga os locais mais sagrados do Islão, qualquer forma de adoração não-muçulmana ocorre em ambientes privados. A conversão de muçulmanos pode ser punida com a pena de morte, embora condenações desse tipo sejam raras.

As missas e os encontros religiosos em geral ocorrem em residências de diplomatas, mas o acesso é limitado. Assim, os cristãos costumam reunir-se em salas de hotel, correndo um grande risco.

Sínodo para o Médio Oriente

Passou despercebido entre nós, mas foi um acontecimento importante, a ponto de ter sido objecto de crítica por parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita.

Refiro-me ao Sínodo dos Bispos para a Médio Oriente, que teve lugar no Vaticano de 10 a 24 de Outubro passado. Participaram 185 Bispos, do Médio Oriente e da África do Norte e do Leste, onde os cristãos vivem entre a maioria muçulmana e judeus. Houve representantes das Igrejas ortodoxas e comunidades evangélicas, bem como convidados hebreus e muçulmanos. Os cristãos no Médio Oriente são apenas 1,6%, com tendência a diminuir – teme-se mesmo o seu lento desaparecimento -, por causa da situação político-social.

Logo na primeira sessão, o patriarca de Alexandria dos Coptas, A. Naguib, referiu que nos Territórios Palestinianos a vida é “muito difícil, por vezes insustentável”, e que a situação dos cristãos é muito delicada. Lamentou que a política mundial “não tome em consideração suficiente a situação trágica dos cristãos no Iraque”. No quadro da expansão do islão político, a partir de 1970, referiu que ele “deseja impor um modo de vida islâmico a todos os cidadãos, por vezes com violência”. Evidentemente, o islão não é uniforme e as dificuldades surgem do facto de os muçulmanos “não distinguirem entre religião e política”. E afirmou: “Os cristãos sentem-se cidadãos de segunda e precisamos de um reconhecimento que passe da tolerância à justiça e à igualdade, baseado na cidadania, na liberdade religiosa e nos direitos humanos.”

Foi particularmente notada a mensagem final do Sínodo, onde se desenha um grande projecto para o Médio Oriente, fazendo apelo à comunidade internacional e em especial às Nações Unidas, para que, mediante a aplicação das resoluções do Conselho de Segurança, se ponha fim à ocupação israelita dos “diferentes territórios árabes”, e exprimindo a esperança de que se torne realidade a solução de “dois povos, dois Estados” para israelitas e palestinianos.

“Os cidadãos dos países do Médio Oriente apelam à comunidade internacional, em particular à ONU, para que trabalhe sinceramente numa solução de paz justa e definitiva na região, e isto através da aplicação das resoluções do Conselho de Segurança e da adopção das medidas jurídicas necessárias para pôr fim à ocupação dos diferentes territórios árabes.” “O povo palestiniano poderá assim ter uma pátria independente e soberana e viver ali na dignidade e na estabilidade. O Estado de Israel poderá gozar de paz e de segurança dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas. A Cidade Santa de Jerusalém poderá encontrar o estatuto justo que respeitará o seu carácter particular, a sua santidade, o seu património religioso para cada uma das três religiões: hebraica, cristã e muçulmana. Esperamos que a solução dos dois Estados se torne realidade e não permaneça um simples sonho.”

O Iraque poderá pôr termo às “consequências da guerra assassina” e restabelecer a segurança para todos os cidadãos. O Líbano poderá “gozar da sua soberania em todo o território, fortificar a unidade nacional” e continuar a ser modelo de convivência entre cristãos e muçulmanos.

Os bispos condenam “a violência e o terrorismo, seja qual for a sua origem, e todo o extremismo religioso”, bem como “toda a forma de racismo, o antisemitismo, o anticristianismo e a islamofobia”.

No contexto da “cooperação e diálogo com os nossos concidadãos judeus”, a mensagem refere as nossas raízes comuns – o Antigo Testamento e Abraão -, apelando, pois, para o empenhamento comum por uma “paz sincera, justa e definitiva” e advertindo que não é permitido recorrer a posições teológicas bíblicas como “instrumento para justificar injustiças”.

Esta cooperação e diálogo estendem-se do mesmo modo aos concidadãos muçulmanos: “Trabalharemos juntos para promover a justiça, a paz, os direitos humanos; é nosso dever educar os crentes para o diálogo inter-religioso, a aceitação do pluralismo, o respeito e a estima mútua.”

por Anselmo Borges (DN)

Os cristãos de Orissa: “Obama condene as discriminações e recorde a liberdade religiosa”

Os cristãos de Orissa pedem ao presidente dos EUA, Barak Obama, que estará na Índia de 6 a 8 de novembro, que em seus encontros com os altos expoentes do Estado, condene abertamente a intolerância religiosa, as violências de grupos extremistas hindus e as discriminações ainda sofridas pelos dalits (intocáveis indianos).

A visita de Obama à India “representa uma oportunidade para reafirmar que o Estado deve deter o fanatismo dos grupos radicais hindus e que a Índia deve seguir os princípios de harmonia e tolerância, respeitando os direitos estabelecidos pela Constituição” – diz, em declaração à Agência Fides, Dom Raphael Cheenath, Arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar, no estado de Orissa.

Justamente em Orissa, nestes dias, a atenção pública está concentrada no processo contra os autores dos massacres que atingiram as comunidades cristãs em 2008. “Os cristãos da Índia desejam que o presidente Obama fale da intolerância religiosa e dos ataques perpetrados por fundamentalistas hindus contra os cristãos e outras minorias religiosas em Orissa e em outros estados” – nota o Arcebispo. “Se o fanatismo persistir, milhares de fiéis cristãos vão sofrer ainda. Todo cidadão indiano deve ter a liberdade de escolher e professar a própria fé. Os grupos radicais hindus não devem poder impor a sua ideologia e causar desordens sociais” – afirma Dom Cheenath. Por isso, os cristãos pedem que o Presidente Obama defenda o supremo valor da liberdade religiosa nos encontros com o Primeiro Ministro Manmohon Singh, com o Presidente Patil e no discurso que fará diante do Parlamento indiano.

Outra questão delicada a ser destacada às autoridades e ao país, segundo o Arcebispo, é “a condição da marginalização dos dalits (os ‘sem-casta’) e dos tribais indianos”, que constituem cerca de 25% da população total. Além disso, “existem privilégios concedidos aos dalits hindus e não aos cristãos e muçulmanos, em violação dos direitos constitucionais” – recorda o Arcebispo. Grupos cristãos e associações auspiciam um pronunciamento de Obama para combater o sistema das discriminações de casta, formalmente abolido, mas ainda vigente na praxe social: em uma carta aberta a Obama (veja Fides 15/10/2010), a All India Christian Council (AICC) pediu ao Presidente dos EUA – que em sua viagem irá também ao monumento ao mahatma Gandhi – que inclua uma etapa para homenagear Bhimrao Ramji Ambedkar (1891-1956), jurista indiano co-redator da Constituição indiana e definido “herói dos intocáveis”. Enfim, os cristãos pedem a Obama que assinale que “nestes tempos de boom econômico do país, são necessárias medidas adequadas em favor da justiça social, para que amplas faixas de pobres não sejam excluídas do crescimento e do desenvolvimento do país”.
(PA) (Agência Fides 5/11/2010)

Defesa da vida humana e da liberdade religiosa

O Papa deseja “uma compreensão profunda da Doutrina Social da Igreja… fortemente arraigada na afirmação da dignidade transcendente do homem, na defesa da vida humana e da liberdade religiosa”

“É necessário preparar fiéis leigos capazes de se dedicar ao bem comum, especialmente nas áreas mais complexas como o mundo da política, mas é também urgente ter pastores que, com o seu ministério e carisma, saibam contribuir para a animação, na sociedade e a irradiação, na sociedade e nas instituições, de uma boa vida boa segundo o Evangelho, no respeito pela liberdade dos fiéis responsável dos fiéis e de seu papel de pastores”: foi o que escreveu o Santo Padre Bento XVI na mensagem enviada ao presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, por ocasião da Assembleia Plenária do organismo.

O Pontífice recorda o que foi dito na encíclica “Caritas in veritate – o anúncio de Jesus Cristo é “o primeiro e principal fator de desenvolvimento” (n. 8) – e ressalta: “É vivendo a ‘a caridade na verdade’ que podemos oferecer um olhar mais profundo para entender as principais questões sociais e indicar algumas perspectivas essenciais para a sua solução no sentido plenamente humano. Somente com a caridade, apoiada pela esperança e iluminado pela luz da fé e da razão, é possível alcançar os objetivos de libertação integral do homem e da justiça universal”.

O Santo Padre, falando sobre o próximo aniversário da Encíclica Mater et Magistra do Beato João XXIII, que “nos impele para considerar com atenção constante os desequilíbrios sociais, setoriais, nacionais, os desequilíbrios entre recursos e populações pobres, entre técnica e ética”, mostra que “no contexto atual de globalização, esses desequilíbrios não desapareceram. Mudaram os sujeitos, as dimensões das problemáticas, mas a coordenação entre os Estados – muitas vezes inadequada, porque orientada ao equilíbrio de poder, ao invés da solidariedade, dá lugar a renovadas desigualdades, ao perigo do predomínio de grupos econômicos e financeiros que elaboram a agenda política, prejudicando o bem comum universal”.

O Papa Bento XVI observa “a urgência do compromisso na formação dos leigos católicos na Doutrina Social da Igreja. Na verdade, é dever imediato dos fiéis leigos trabalhar por uma ordem social justa. Eles, como cidadão livres e responsáveis, devem se empenhar para promover uma reta configuração da vida social, no respeito pela legítima autonomia das realidades terrenas. A Doutrina Social da Igreja é a referência essencial para o planejamento e ação social dos fiéis leigos, bem como para a sua vida espiritual, que se nutre e se encaixa na comunhão eclesial: a comunhão de amor e verdade, comunhão na missão”.

O Santo Padre recorda a necessidade que os leigos encontrem a seu lado “sacerdotes e bispos capazes de oferecer um incansável trabalho de purificação das consciências, junto com o indispensável apoio e ajuda espiritual para o coerente testemunho como leigos na vida social” por este motivo “é de fundamental importância uma compreensão profunda da Doutrina Social da Igreja, em harmonia com todo o seu patrimônio teológico e fortemente arraigada na afirmação da dignidade transcendente do homem, na defesa da vida humana desde a concepção até a morte natural e da liberdade religiosa. Assim entendida, a doutrina social deve ser inserida também na preparação pastoral e cultural daqueles que, na comunidade eclesial são chamados ao sacerdócio”. (SL) (Agência Fides 5/11/2010)

Links:
O texto integral da Mensagem do Santo Padre, em italiano
http://www.fides.org/ita/documents/Msg_Papa_Pl_GeP_04112010.doc

Fórum Lisboa 2010 debateu fundamentalismos e liberdade de consciência

Numa época marcada por diversas intolerâncias, visíveis em fenómenos como o fundamentalismo e a xenofobia, o extremismo político e a falta de liberdade religiosa ou de expressão, é urgente que todos sectores da sociedade unam esforços para resolver diferenças.

Uma ideia defendida por Jorge Sampaio durante o Fórum Lisboa 2010, um evento que terminou hoje, dia 5 de Novembro, no Centro Ismaili, em Lisboa, e que foi dedicado ao tema “Liberdades de expressão, de consciência e de religião”.

O actual Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações apontou, em declarações à ECCLESIA, apontou como exemplo “o surgimento interessante das várias manifestações religiosas no espaço público, o que coloca problemas interessantes para aquelas sociedades mais secularistas”.

Aqui, o antigo presidente da República identifica como problema uma certa “utilização política da fé religiosa, por vezes profundamente excessiva, dando origem a fundamentalismos”.

“O ambiente está carregado” alerta Jorge Sampaio, para quem é essencial a mobilização de todos os sectores, prevenindo uma conjuntura com a qual “nos vamos debater nas próximas décadas”.

Desde o poder político e governamental, passando pela sociedade civil, a Educação os Media, todos “são mobilizáveis para, desde a situação no terreno até ao mais alto nível, podermos ter uma atitude sempre de diálogo, de procura da dificuldade e de tentar ultrapassá-la” sublinha.

No entender daquele responsável, “as religiões são chamadas para a procura do diálogo inter-religioso, na sua relação com o espaço público e político”.

Para tal, será necessário que encontrem, em conjunto com o poder governamental, “um conjunto de princípios e de regras que permitam orientar o que fazer e onde as pessoas se revejam”.

Lançando ainda um olhar para o tempo de crise que Portugal e o resto da Europa atravessam, Jorge Sampaio defende que, apesar de “não ser um período bom para um enquadramento calmo e sossegado do diálogo democrático ou religioso, é nestas alturas de dificuldade que temos de combater exactamente por isso, com mais assiduidade e frequência”.

O Fórum de Lisboa 2010 foi organizado pelo Centro Norte-Sul do Conselho da Europa e pela Aliança das Civilizações, tendo ainda o apoio da rede Aga Khan para o desenvolvimento e da Comissão de Veneza do Conselho da Europa.

fonte: Agência Ecclesia

%d bloggers like this: