Liberdade religiosa deve ser garantida a bem da coexistência

Os bispos do Médio Oriente estão preocupados com a questão da liberdade religiosa e os trabalhos do Sínodo foram, nas últimas horas, marcados por alertas dos Patriarcas das Igrejas da região.

“A liberdade de culto é geralmente assegurada, mas a liberdade de consciência é-o muito menos. A chave para o sucesso da coexistência entre cristãos e muçulmanos depende do reconhecimento da liberdade religiosa e dos direitos do homem”, afi rmou o Patriarca de Alexandria, Antonios Naguib, que é também o relator Geral do Sínodo.

“De facto, na sociedade, é nosso dever ensinar e apelar à abertura e não ao fanatismo. Todavia, devemos insistir com meios pacíficos que também os nossos direitos sejam reconhecidos pelas autoridades civis”, acrescentou Antonios Naguib.

No mesmo sentido, surgiu o alerta do Patriarca de Antioquia dos Sírios, no Líbano, Ignacio Younan: “Em árabe, a palavra ‘verdade’ signifi ca verdade e direito. Nós devemos dizer a verdade, porque temos o direito de dizer esta verdade aos nossos irmãos e irmãs da maioria”. A esses, deve também ser dito que “devem dar a liberdade religiosa, particularmente, a de consciência, a todos os cidadãos que são minoria”.

O alerta dos Patriarcas do Médio Oriente não é dirigido apenas ao seu próprio território, sendo extensivo ao próprio Ocidente, no respeito que todos, incluindo o poder político, devem ter pela liberdade religiosa de cada um.

Jerusalém preocupa

A questão de Jerusalém, um exemplo da impossibilidade de paz decorrente do confl ito israelo-palestiniano, tem sido abordada nos trabalhos do Sínodo.

O Patriarca Gregorius Laham, da Síria, propôs que a cidade seja encarada como uma “capital da fé”, admitindo que a ideia “talvez não agrade a ninguém – nem a israelitas, nem a palestinianos”.

“Deixemos que Jerusalém permaneça apenas a capital da fé. Os israelitas podem ter Telavive e os palestinianos Ramallah e, então, Jerusalém será, para cristãos, muçulmanos e judeus, de facto, uma cidade de fé para toda a gente”, sublinhou Gregorius Laham, acrescentando. “A paz de Jerusalém e do Médio Oriente não é uma coisa só para nós, queridos amigos, é também para vós. Para que na Europa possais viver em paz com os muçulmanos, façam a paz na Terra Santa e na Palestina”.

Também o Patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, deixou um desabafo sobre a cidade: “Jerusalém, a nossa cidade, é a mais bela do mundo e a mais complicada do mundo. Jerusalém une todos os crentes, Jerusalém divide todos os crentes e nós estamos lá. De vez em quando choramos, rezamos, calamo-nos, olhamos e esperamos… Por favor, não nos deixem sozinhos em Jerusalém”.

Aura Miguel – RR

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About Fundacao AIS

Organização internacional católica, dependente da Santa Sé, cuja missão é ajudar os cristãos perseguidos por causa da sua fé. Procura estar atenta às várias situações de necessidade destes cristãos, particularmente a falta de liberdade religiosa. Para isso, publica periodicamente um Observatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo www.fundacao-ais.pt/

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