Archive | Outubro 2010

Liberdade religiosa deve ser garantida a bem da coexistência

Os bispos do Médio Oriente estão preocupados com a questão da liberdade religiosa e os trabalhos do Sínodo foram, nas últimas horas, marcados por alertas dos Patriarcas das Igrejas da região.

“A liberdade de culto é geralmente assegurada, mas a liberdade de consciência é-o muito menos. A chave para o sucesso da coexistência entre cristãos e muçulmanos depende do reconhecimento da liberdade religiosa e dos direitos do homem”, afi rmou o Patriarca de Alexandria, Antonios Naguib, que é também o relator Geral do Sínodo.

“De facto, na sociedade, é nosso dever ensinar e apelar à abertura e não ao fanatismo. Todavia, devemos insistir com meios pacíficos que também os nossos direitos sejam reconhecidos pelas autoridades civis”, acrescentou Antonios Naguib.

No mesmo sentido, surgiu o alerta do Patriarca de Antioquia dos Sírios, no Líbano, Ignacio Younan: “Em árabe, a palavra ‘verdade’ signifi ca verdade e direito. Nós devemos dizer a verdade, porque temos o direito de dizer esta verdade aos nossos irmãos e irmãs da maioria”. A esses, deve também ser dito que “devem dar a liberdade religiosa, particularmente, a de consciência, a todos os cidadãos que são minoria”.

O alerta dos Patriarcas do Médio Oriente não é dirigido apenas ao seu próprio território, sendo extensivo ao próprio Ocidente, no respeito que todos, incluindo o poder político, devem ter pela liberdade religiosa de cada um.

Jerusalém preocupa

A questão de Jerusalém, um exemplo da impossibilidade de paz decorrente do confl ito israelo-palestiniano, tem sido abordada nos trabalhos do Sínodo.

O Patriarca Gregorius Laham, da Síria, propôs que a cidade seja encarada como uma “capital da fé”, admitindo que a ideia “talvez não agrade a ninguém – nem a israelitas, nem a palestinianos”.

“Deixemos que Jerusalém permaneça apenas a capital da fé. Os israelitas podem ter Telavive e os palestinianos Ramallah e, então, Jerusalém será, para cristãos, muçulmanos e judeus, de facto, uma cidade de fé para toda a gente”, sublinhou Gregorius Laham, acrescentando. “A paz de Jerusalém e do Médio Oriente não é uma coisa só para nós, queridos amigos, é também para vós. Para que na Europa possais viver em paz com os muçulmanos, façam a paz na Terra Santa e na Palestina”.

Também o Patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, deixou um desabafo sobre a cidade: “Jerusalém, a nossa cidade, é a mais bela do mundo e a mais complicada do mundo. Jerusalém une todos os crentes, Jerusalém divide todos os crentes e nós estamos lá. De vez em quando choramos, rezamos, calamo-nos, olhamos e esperamos… Por favor, não nos deixem sozinhos em Jerusalém”.

Aura Miguel – RR

Igreja de Hong Kong promove vigília de oração a favor da liberdade religiosa

Com o intuito de rezar pelos bispos e padres católicos que se encontram presos em território chinês, a diocese de Hong Kong está a organizar, para amanhã, dia 16 de Outubro, uma vigília de oração pública.

Apesar das autoridades locais se terem mostrado contrárias à realização do evento, a Igreja conseguiu fazer prevalecer a sua vontade, através da sua Comissão Justiça e Paz.

Mas não é apenas a liberdade religiosa que está a preocupar os responsáveis católicos do território, mas também a Liberdade no seu significado mais amplo.

Em declarações à agência AsianNews, o pispo emérito de Hong Kong, cardeal Joseph Zen Ze-kiun, aproveitou a ocasião para recordar a situação do recém-nomeado Prémio Nobel da Paz, Liu Xiaobo, preso há onze anos por defender a reforma democrática na China.

O prelado disse “esperar ansiosamente pelo dia em que todo o povo chinês possa pedir, sem medo, a libertação de Xiaobo”.

Nobel da Paz: Agência católica destaca escolha de Liu Xiaobo

 A agência católica “AsiaNews”, do Instituto Pontifício para as Missões Estrangeiras, acolheu com satisfação a escolha de Liu Xiaobo, activista dos direitos humanos na China, como Nobel da Paz 2010.

“Surpreende a coragem do comité Nobel ao indicar Liu Xiaobo como vencedor num momento em que toda a comunidade internacional se prostra diante da China super-rica, superpoderosa”, escreve Bernardo Cervellera, director da Agência.

Para este especialista, o prémio é um “conforto” para os signatários da “Carta 08”, manifesto promovido por Liu em Dezembro de 2008, à semelhança da Carta 77 dos dissidentes da Checoslováquia comunista, apelando ao respeito pela liberdade de expressão e os direitos humanos.

“Respeitar os direitos humanos e a liberdade religiosa são a única forma de salvar a China da catástrofe que já hoje é visível”, escreve Cervellera.

O Nobel da Paz 2010, um professor de literatura de 54 anos, cumpre uma pena de onze anos numa prisão em Jinzhou.

A notícia abriu o jornal diário da Rádio Vaticano, esta Sexta-feira, destacando-se a crítica de Liu Xiaobo ao “regime de Pequim” e o facto de a transmissão televisiva do anúncio do vencedor do Nobel da Paz 2010 ter sido interrompida.

fonte: Agência Ecclesia

Bruxelas acolhe conferência sobre “perseguição dos cristãos”

Europa não pode permanecer indiferente aos sofrimentos dos cristãos
“A liberdade religiosa deve-se integrar nas políticas exteriores da União Europeia”, afirma uma declaração apresentada por deputados europeus com motivo da conferência sobre perseguição dos cristãos, celebrada nessa terça-feira no Parlamento Europeu, em Bruxelas. O acto teve o apoio da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE).A declaração será submetida ao plenário do Parlamento Europeu nas próximas semanas. Para ser aprovada, terá de receber assinaturas de 380 membros do Parlamento, em três meses.

Com motivo desta conferência, o secretariado da COMECE apresentou seu relatório sobre a liberdade religiosa. O estudo recorda que “o direito à liberdade religiosa está estreitamente ligado aos demais direitos fundamentais. O respeito à liberdade religiosa é como um ‘teste’ para a observação dos direitos fundamentais”.

“Violações do direito à liberdade religiosa ou de crença acontecem em todo mundo e afectam mais de cem milhões de cristãos por ano”, destaca a associação cristã Open Doors International.

Segundo as últimas estatísticas – afirma o organismo ao serviço da Igreja perseguida – em 2010, os dez países nos quais os cristãos foram mais perseguidos pela sua fé são: Coreia do Norte, Irã, Arábia Saudita, Somália, Maldivas, Afeganistão, Iêmen, Mauritânia, Laos e Uzbequistão.

BRUXELAS, quinta-feira, 7 de outubro de 2010 (ZENIT.org)

Liberdade religiosa deve estar nas preocupações da UE

A liberdade religiosa deve fazer parte da “política externa” da União Europeia, defenderam em Bruxelas os deputados Mario Mauro e Konrad Szymanski, por ocasião da Conferência sobre a “Perseguição contra os Cristãos”.

O evento foi promovido pelo Parlamento Europeu, juntamente com o Partido Popular Europeu, a Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) e a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Segundo dados revelados no encontro, 75% das pessoas oprimidas no mundo por motivos religiosos, cerca de 100 milhões de homens e mulheres, são de fé cristã.

Além disso, 170 mil cristãos morrem em cada ano por causa de sua fé, em conflitos religiosos ou por testemunhar publicamente a sua pertença religiosa. A hostilidade contra os cristãos concretiza-se no impedimento de professar da fé, na apreensão e destruição de lugares de culto e na proibição da educação religiosa.

Na conferência estiveram o bispo de Tombura-Yambio, no Sudão, Dom Edward Hiiboro Kussala; o bispo de Kirkuk, no Iraque, Dom Louis Sako; o presidente do “Newman College” de Thodupuzha, na Índia, T.M. Joseph.

A COMECE apresentou uma série de 11 recomendações às instituições europeias, lembrando que “o direito à liberdade religiosa está intimamente ligado aos outros direitos fundamentais”.

Departamento de Informação da Fundação AIS

info@fundacao-ais.pt | www.fundacao-ais.pt

Evangelizar não é violentar a liberdade religiosa

Evangelizar não é violentar a liberdade religiosa, porque não nasce de uma imposição à consciência, mas do anúncio respeitoso da verdade, afirmou hoje o Papa Bento XVI a um grupo de bispos brasileiros.

Em seu discurso aos prelados dos Regionais Norte 1 e Noroeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se encontram em Roma para a visita ad limina apostolorum, o Papa falou da importância do chamado à evangelização.

Primeiramente, quis esclarecer que a evangelização não deve ser entendida como uma imposição e que a crença de que evangelizar não é necessário é um equívoco.

“Deus pode realizar esta salvação por vias extraordinárias que somente Ele conhece. Entretanto, se o seu Filho veio, foi precisamente para nos revelar, pela sua palavra e pela sua vida, os caminhos ordinários da salvação; e Ele mandou-nos transmitir aos outros essa revelação, com a sua própria autoridade.”

“Sendo assim, não podemos furtar-nos a este pensamento: os homens poderão salvar-se por outras vias, graças à misericórdia de Deus, se não lhes anunciar o Evangelho; mas poderei eu salvar-me se por negligência, medo, vergonha ou por seguir ideias falsas, deixar de o anunciar?”, perguntou.

Frente à objeção de certas correntes de pensamento, que consideram que evangelizar é “impor” uma crença e, portanto, “uma violação da liberdade religiosa”, o Papa respondeu com uma citação da Evangelii nuntiandi de Paulo VI, recordando o que a Igreja entende por “evangelização”.

“Propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará – e isso, sem pressões coercitivas, sem persuasões desonestas e sem aliciá-la com estímulos menos retos -, longe de ser um atentado à liberdade religiosa, é uma homenagem a essa liberdade, à qual é proporcionado o escolher uma via que mesmo os não crentes reputam nobre e exaltante.”

Alem disso, destacou, os não-crentes têm o direito de receber, por meio dos cristãos, o anúncio da Boa Nova da salvação.

“O desejo de anunciar o Evangelho nasce de um coração enamorado por Jesus, que anela ardentemente que mais pessoas possam receber o convite e participar no banquete das Bodas do Filho de Deus”, acrescentou.

Por isso, “o chamado à missão não é algo destinado exclusivamente a um restrito grupo de membros da Igreja, mas um imperativo dirigido a cada batizado, um elemento essencial da sua vocação”.

Neste sentido, recordou o “chamado à evangelização” do continente americano, realizado pela 5ª Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe em Aparecida (2007).

Também quis advertir contra o perigo de uma “visão reducionista do conceito de missão”, que “não pode ser limitada a uma simples busca de novas técnicas e formas que tornem a Igreja mais atrativa e capaz de vencer a concorrência com outros grupos religiosos ou com ideologias relativistas”.

Por isso, convidou os presentes a refletirem se “o esmorecimento do espírito missionário talvez não se deva tanto a limitações e carências nas formas externas da ação missionária tradicional quanto ao esquecimento de que a missão deve alimentar-se de um núcleo mais profundo”, que é “a Eucaristia”.

“Esta, como presença do amor humano-divino de Jesus Cristo, supõe continuamente o passo de Jesus aos homens que serão seus membros, que serão eles mesmos Eucaristia. Em suma, para que a Missão Continental seja realmente eficaz, esta deve partir da Eucaristia e conduzir para a Eucaristia”, concluiu o Papa.

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 4 de outubro de 2010 (ZENIT.org) – Por Inma Álvarez

Observatório contra a discriminação dos cristãos na Europa

O presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), Cardeal Peter Erdö, anunciou a criação de um “observatório contra a discriminação dos cristãos na Europa”.

“A situação não é nada fácil para os muitos cristãos que procuram, através da sua vida, testemunhar a fé e a esperança que os habitam”, disse o Cardeal húngaro na abertura da assembleia plenária do CCEE, que decorre em Zagreb, Croácia, até 3 de Outubro.

O observatório, explicou, não quer ser “um instrumento de polémica, mas uma ajuda para criar uma sociedade mais respeitosa da liberdade religiosa”, capaz de “entender e aceitar as suas próprias raízes e a realidade plural através de uma sã laicidade”.

D. Peter Erdö disse ainda que se trata de uma “ajuda à evangelização moderna” e ao “desenvolvimento de uma autêntica democracia”.

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