Archive | Setembro 2010

Bento XVI lamenta intolerância e discriminação contra os cristãos

Papa dirige-se ao Conselho das Conferências Episcopais da Europa, apelando à defesa da vida e da família

Bento XVI enviou uma mensagem ao Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) na qual lamenta a “intolerância e discriminação” contra os cristãos.

Num telegrama dirigido ao cardeal Péter Erdö, presidente do CCEE, o Papa fala num “compromisso necessário para libertar os fiéis” dessas realidades e promover a “família e a defesa da vida humana”.

As questões familiares e demográficas estão no centro da assembleia plenária daquele organismo, em Zagreb, que decorre de30 de Setembro a 3 de Outubro.

Entre os presentes estará D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

A mensagem papal, enviada através do Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, envia uma “saudação fraterna” aos participantes, desejando que o encontro “contribua para fortalecer vínculos de unidade e comunhão”.

Bento XVI apela a um “corajoso impulso de nova evangelização do Continente”.

Para além dos membros do CCEE, a assembleia plenária vai contar com a presença de alguns peritos nos campos da família e da demografia, como Lola Velarde, presidente da Rede Europeia do Instituto de Política Familiar, e D. Carlos Símon Vázquez, subsecretário do Conselho Pontifício para a Família.

O CCEE vai ainda aproveitar para debater matérias como o diálogo entre a Igreja e a União Europeia; o trabalho que tem vindo a ser efectuado pelo Observatório sobre Intolerância e Discriminação contra os cristãos; e as próximas Jornadas Mundiais da Juventude, que vão decorrer em Madrid, entre 16 e 21 de Agosto de 2011.

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Religião não deve ser marginalizada da vida pública, diz Papa

Pede respeito à liberdade dos católicos para agirem segundo sua consciência
“A religião não é um problema que os legisladores devam solucionar, mas uma contribuição vital para o debate nacional”, afirmou Bento XVI aos representantes do mundo político, social, acadêmico, cultural e empresarial britânico.Seu esperado discurso no Westminster Hall, lugar emblemático onde foi julgado e condenado São Thomas More por se opor ao rei Henrique VIII em nome de sua consciência, centrou-se em defender a necessidade de que a religião não seja marginalizada do debate público.

O Papa expressou especial preocupação pela “crescente marginalização da religião, especialmente do cristianismo”, em nações “tradicionalmente tolerantes”, e convidou a um diálogo entre a fé e a razão.

“O dilema que Moro enfrentou naqueles tempos difíceis, a perene questão da relação entre o que se deve ao césar e o que se deve a Deus, me oferece a oportunidade de refletir brevemente convosco sobre o lugar apropriado das crenças religiosas no processo político”, disse o Papa aos presentes.

O pontífice reconheceu e mostrou sua estima pelo papel que o parlamentarismo inglês teve na instauração da democracia.

“A tradição parlamentar deste país – disse – deve muito ao instinto nacional de moderação, ao desejo de alcançar um genuíno equilíbrio entre as legítimas reivindicações do governo e os direitos daqueles que estão sujeitos a ele”.

A Grã-Bretanha, afirmou o Papa, “se configurou como uma democracia pluralista que valoriza enormemente a liberdade de expressão, a liberdade de afiliação política e o respeito pelo papel da lei, com um profundo sentido dos direitos e deveres individuais e da igualdade de todos os cidadãos perante a lei”.

Nisso, ainda que com outra linguagem, tem muito em comum com a doutrina social da Igreja, “em sua preocupação primordial pela proteção da dignidade única de toda pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, e em sua ênfase nos deveres da autoridade civil para a promoção do bem comum”, afirmou o Papa.

Ética e política

Apesar dessas conquistas – afirmou Bento XVI – “as questões fundamentais em jogo na causa de Tomás Moro continuam apresentando-se hoje em termos que variam segundo as novas condições sociais”.

“Se os princípios éticos que sustentam o processo democrático não se regem por nada mais sólido que o mero consenso social, então este processo se apresenta evidentemente frágil. Aqui reside o verdadeiro desafio para a democracia”, destacou o Papa.

Neste sentido, “a recente crise financeira global mostrou claramente a inadequação de soluções pragmáticas e a curto prazo relativas a complexos problemas sociais e éticos. É opinião amplamente compartilhada que a falta de uma base ética sólida na atividade econômica contribuiu para agravar as dificuldades que agora milhões de pessoas estão padecendo no mundo inteiro”.

Igualmente – sublinhou -, “a dimensão ética da política tem consequências de tal alcance, que nenhum governo pode se permitir ignorar”.

“A tradição católica afirma que as normas objetivas para uma ação justa de governo são acessíveis à razão, prescindindo do conteúdo da revelação”, afirmou o Papa.

Fé e razão

“Neste sentido, o papel da religião no debate político não é tanto proporcionar tais normas, como se os não-crentes não pudessem conhecê-las. Menos ainda propor soluções políticas concretas, algo que está totalmente fora da competência da religião. Seu papel consiste, ao contrário, em ajudar a purificar e iluminar a aplicação da razão à descoberta de princípios morais objetivos.”

Este papel “corretivo” da religião a respeito da razão – afirmou o Papa – “nem sempre foi bem-vindo”, em parte devido a “expressões deformadas da religião, tais como o sectarismo e o fundamentalismo, que podem ser percebidas como geradoras de sérios problemas sociais. E, por sua vez, tais distorções da religião surgem quando se presta uma atenção insuficiente ao papel purificador e estruturador da razão com relação à religião”.

“Sem a ajuda corretiva da religião, a razão pode ser também presa de distorções, como quando é manipulada pelas ideologias ou se aplica de forma parcial em detrimento da consideração plena da dignidade da pessoa humana”.

Por isso, a religião “não é um problema que os legisladores devam solucionar, mas uma contribuição vital para o debate nacional”.

Liberdade religiosa

O Papa expressou sua preocupação “crescente marginalização da religião, especialmente do cristianismo, em alguns lugares, inclusive em nações que outorgam uma grande ênfase à tolerância”.

“Há alguns que desejam que a voz da religião se silencie ou pelo menos que se relegue à esfera meramente privada. Há também os que defendem que a celebração pública de festas como o Natal deveriam ser abolidas, segundo a discutível convicção de que este ofende os membros de outras religiões ou de nenhuma.”

“E há outros que sustentam – paradoxalmente com a intenção de suprimir a discriminação – que se deveria pedir às vezes aos cristãos que desempenham um papel público que ajam contra a sua consciência”, acrescentou.

Tudo isso são “sinais preocupantes de um fracasso na estima não só dos direitos dos crentes à liberdade de consciência e à liberdade religiosa, mas também do legítimo papel da religião na vida pública”.

Neste sentido, apreciou “o convite sem precedentes que me foi dado hoje”, de falar à classe política, assim como a colaboração que a Grã-Bretanha e a Santa Sé mantêm em muitos âmbitos, como da ajuda ao terceiro mundo e a supressão do comércio de armas.

Por isso, o Papa convidou as autoridades britânicas a colaborar mais com as comunidades cristãs locais, convencido de que “também dentro deste país, há muitas áreas nas quais a Igreja e as autoridades públicas podem trabalhar conjuntamente pelo bem dos cidadãos”.

No entanto – acrescentou -, “para que tal cooperação seja possível, as entidades religiosas – incluídas as instituições vinculadas à Igreja Católica – precisam ter liberdade de ação conforme seus próprios princípios e convicções específicas, baseadas na fé e no magistério oficial da Igreja”.

“Assim, serão garantidos direitos fundamentais como a liberdade religiosa, a liberdade de consciência e a liberdade de associação”, concluiu, convidando-os a “reconhecer a contribuição vital que a religião ofereceu e pode continuar oferecendo à vida da nação”.

LONDRES, sexta-feira, 17 de setembro de 2010 (ZENIT.org)

Apelo do Papa pela paz na Índia, Afeganistão e Paquistão

O Papa Bento XVI lançou um apelo pela paz hoje, ao término da audiência geral, afirmando que acompanha “com preocupação os acontecimentos que se verificaram nestes dias em várias regiões do sul da Ásia, sobretudo na Índia, Paquistão e Afeganistão”, em referência aos episódios de violência registrados nesses países nos últimos dias.”Rezo pelas vítimas e peço que o respeito pela liberdade religiosa e a lógica da reconciliação e da paz prevaleçam sobre o ódio e a violência”, acrescentou o Santo Padre.

A causa desta onda de violência foi a polêmica criada pelo reverendo americano Terry Jones, com a campanha a favor da queima do Alcorão, como protesto diante da construção de uma mesquita perto do Ground Zero de Manhattam.

Apesar de a campanha ter sido cancelada a tempo, as informações difundidas por algumas emissoras iranianas de supostas profanações do Alcorão em alguns lugares dos Estados Unidos provocaram reações violentas entre os islâmicos (cf. Zenit, 14 de setembro de 2010).

Em Cabul, capital do Afeganistão, um país fortemente instável, milhares de pessoas se manifestaram com gritos contra os cristãos e contra a América. Segundo muitos analistas, a violência será intensificada pelos islamitas radicais, com fins políticos.

Em declarações à Rádio Vaticano, o porta-voz dos bispos indianos, Pe. Babu Joseph, afirmou que a intervenção do Papa “chamou a atenção sobre algo muito importante e significativo com relação ao que está acontecendo no Sul da Ásia, particularmente no que concerne à liberdade religiosa”.

Concretamente, no caso das escolas queimadas em Caxemira, sublinhou que “é a primeira vez que isso acontece nessa região, que até agora havia sido uma área relativamente pacífica em termos de harmonia religiosa entre muçulmanos e cristãos”.

Além disso, sublinhou que essas escolas “estão dirigidas a ajudar as pessoas” e que “95% dos seus alunos são muçulmanos”.

A religião “é e deve ser um meio para unir as pessoas, para trazer maior coesão, harmonia e paz à sociedade”.

“Quando a religião é usada para fins políticos, o resultado é a divisão e a polarização social e, por conseguinte, a violência e destruição da vida e das propriedades, algo que pudemos observar nas últimas décadas nesta parte do mundo”, sublinhou o porta-voz episcopal.

(ZENIT.org)

Cristãos querem enfrentar juntos as crises e perseguições

A unidade dos cristãos é fundamental para enfrentar as crises, como o ataque de extremistas hindus aos cristãos, ocorrido no estado indiano de Karnataka há 2 anos.

Este foi o destaque dado pelos 50 líderes das principais igrejas da costa da região de Karnataka na última terça-feira (31 de Agosto), em Mangalore, durante o primeiro encontro ecumênico do Fórum de Karnataka, dos Cristãos Unidos pelos Direitos Humanos, estabelecido em junho de 2009, segundo informou a agência Ucanews.

“A unidade dos cristãos é uma necessidade por duas razões: para que cresçamos juntos e para uma defesa unida em tempos de crise”, disse o convocante do encontro, o bispo sírio-malabar de Belthangady, Dom Lawrence Mukkuzhy.

Por sua vez, o secretário da Comissão Regional de Karnataka para o Ecumenismo e o Diálogo, Pe. Ronnie Prabhu, SJ, afirmou que os cristãos devem “evitar toda agressividade no processo de partilha da própria fé”.

No encontro, recordou-se o ataque de extremistas hindus aos cristãos e às suas instituições, ocorrido em setembro de 2008.

Naquele momento, os atacantes alegaram que alguns folhetos cristãos continham comentários depreciativos sobre o hinduísmo e seus deuses.

O episódio de violência anticristã aconteceu 3 meses depois de que o partido político pró-hindu Bharatiya Janata chegou ao poder no estado de Karnataka.

Para o bispo de Mangalore, Dom Aloysius Paul D’Souza, esses ataques “se tornaram bênçãos escondidas e nos uniram”.

Os líderes cristãos coincidiram em destacar que hoje continua a violência esporádica e os comentários anticristãos de alguns políticos.

Boicote aos católicos

Enquanto isso, os católicos da cidade hindu de Magalawada, também no estado de Karnataka, estão sofrendo um boicote por não rezarem aos deuses hindus.

O bispo de Karwar, Dom Derek Fernandes, denunciou que, na verdade, os hindus vêm ameaçando seu poder e boicoteiam os católicos porque ajudam os pobres e marginalizados sem discriminação.

Segundo informou a agência Asianews, a cidade de Magalawada, en Haliyal, sofreu vários casos de cólera e os idosos decidiram rezar à deidade protetora durante duas terças-feiras deste mês Shravana, que, segundo o calendário hindu, é um bom período. Nos dias de oração, foram suspensas as atividades agrícolas e comerciais.

No começo, os católicos aderiram à iniciativa, mas depois retomaram suas atividades cotidianas também nos dias de oração.

Os líderes hindus decidiram fazer um boicote total aos católicos na cidade: proibiram os hindus de utilizar os veículos dos cristãos ou levá-los em seus veículos, comprar em lojas de católicos ou negociar com eles, assim como dar-lhes emprego.

Segundo suas ordens, a maquinaria agrícola dos católicos não se reparou e não entregaram os jornais nas casas católicas. Além disso, os estudantes deveriam deixar de ir às escolas católicas e no sábado, 29 de agosto, só havia 4 estudantes hindus – de 42 alunos.

Dom Fernandes expressou sua “profunda tristeza pelo boicote aos católicos nesta cidade”. “Este ostracismo é consequência do nosso compromisso por servir os pobres e oprimidos – disse – e só servirá para reforçar nosso compromisso por trabalhar para criar uma sociedade de justiça, paz e amor.”

O bispo está convencido de que este boicote pretendia afetar precisamente o trabalho dos católicos na cidade. Entre as 250 famílias da cidade, há 2 muçulmanas, cerca de 30 dalit e 108 cristãs. As demais (aproximadamente 110) são hindus.

“Os pobres dalit sempre são maltratados”, denunciou o prelado.

A Igreja está levando a cabo programas de instrução e explica aos cidadãos a importância da higiene pessoal, diante desse brote de cólera que, segundo algumas fontes, causou a morte de 6 pessoas.

Os católicos coordenam também esforços para poder contar com água limpa e segura, assim como para eliminar algumas superstições, o que provocou algumas incompreensões.

A cerca de 6 km da cidade, em Haliyal, a diocese dirige escolas em língua inglesa e em língua kannada, nas quais 90% dos estudantes são hindus.

Também se encarrega de um hospital e, em uma localidade próxima, de um centro social utilizado por pessoas de toda condição social, especialmente pobres.

fonte: ZENIT.org

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