Campanha dos extremistas islâmicos contra os cristãos

Grupos extremistas de islâmicos indonésios lançaram uma campanha contra a ‘descristianização’ da Indonésia e “pela adoção da xariá no país”. Nos dias passados, realizou-se em Bekasi, cidade a 30 km de Jacarta, um congresso de mais de 200 líderes de grupos islâmicos radicais, como o Islam Defender Front (FPI), o “Bekasi Movement Against Apostates” e o “Islamic Ummah Forum”.

O congresso centrou-se “no alarmante fenômeno da cristianização, que ocorre não apenas em Bekasi, mas em toda a Indonésia” – disse Habib Rizieq, líder do FPI em seu discurso. Em uma declaração composta por 32 recomendações, o congresso pede aos prefeitos das cidades que “governem seguindo os princípios do islã e da xariá”. Os grupos presentes criaram uma nova formação, denominada “Bekasi Islamic Presidium”, que já lançou um apelo a todas as mesquitas das cidades para “contrastar a cristianização”.

A campanha gerou apreensão nas comunidades cristãs locais. Segundo fontes da Fides “a polícia também tem medo destes grupos, que frequentemente fomentam ou promovem ações violentas. Recorda-se também que Bekasi está se transformando em uma terra de confronto entre extremismos opostos: a tensão está sendo alimentada pela obra de proselitismo de numerosas denominações protestantes em Jacarta e nos arredores”.

Os maiores grupos muçulmanos da Indonésia, entretanto, se afastaram das posições do congresso de Bekasi, reiterando o valor do estado leigo: “Se pedíssemos a xariá em Bekasi, poderiam fazer o mesmo em outras comunidades religiosas, pedindo políticas inspiradas nos princípios de suas crenças” – disse Iqbal Sulam, Secretário Geral da “Nahdlatul Ulama”, uma das maiores organizações muçulmanas indonésias, com 60 milhões de adeptos. “O islã é uma benção para todo o universo e é um dever para todos os muçulmanos respeitar os fiéis de outras crenças” – acrescentou.

Dom Dom Johannes Pujasumarta, Secretário geral da Conferência Episcopal, questionado pela Agência Fides, declarou: “Com os líderes muçulmanos e de outras religiões, reiteramos recentemente o desejo de trabalhar juntos para construir uma sociedade baseada na harmonia e na paz, pedindo ao governo que aja neste sentido, preservando o bem comum. Queremos prosseguir neste caminho, sem responder às provocações e sem alimentar tensões. Reafirmamos que estamos sempre prontos a dialogar. O diálogo é o único caminho possível e é a estrada justa para sermos indonésios no respeito do pluralismo da nação”.

Como comunica à Fides a Indonesia Christian Communication Forum (ICCF), no período 2009-2010, na área de Bekasi, registraram-se pelo menos seis episódios de ataques a igrejas ou institutos cristãos. Recentes episódios confirmaram a tensão latente: um vídeo ofensivo contra o Alcorão e o Islã, enviado à Internet por um estudante cristão, provocou no início de maio um ataque a uma escola católica de Bekasi. Dias atrás, as funções religiosas em uma Igreja protestante foram interditadas por militantes islâmicos; e enfim, uma escultura que retratava três mulheres, considerada obscena, foi removida de um local público de Bekasi após os protestos de organizações islâmicas. 

(Agência Fides 30/6/2010)

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Organização internacional católica, dependente da Santa Sé, cuja missão é ajudar os cristãos perseguidos por causa da sua fé. Procura estar atenta às várias situações de necessidade destes cristãos, particularmente a falta de liberdade religiosa. Para isso, publica periodicamente um Observatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo www.fundacao-ais.pt/

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