Archive | Julho 2010

Crescem os ataques a cristãos na Indonésia

Em 2010 houve 28 incidentes, dez a mais que no ano anterior
Os ataques contra os cristãos aumentaram consideravelmente na Indonésia em 2010, constata o Setara Institute for Peace and Democracy.Neste ano, o instituto registrou 28 violações da liberdade religiosa em relação a diferentes Igrejas cristãs. Esse dado contrasta com os 18 incidentes registrados em 2009 e os 17, em 2008, informa a agência AsiaNews.

Bekasi é a cidade com mais incidentes (7), seguida da capital, Jacarta (6). Se continuar nesse ritmo, no final do ano o número de incidentes será três vezes maior que no ano passado.

Por outro lado, houve queda nos casos de violência contra os ahmadi, considerados hereges pelos muçulmanos, por venerar Mirza Ghulam Ahmad como último profeta depois de Maomé. Em 2009, eles sofreram 33 ataques. Neste ano, foram 4.

Os pesquisadores do instituto advertem que os ataques contra cristãos são ainda mais numerosos do que os registrados.

O vice-presidente do Setara, Bonar Tigor Naipospos, destacou que a polícia desempenha uma importante função nas violações da liberdade religiosa na Indonésia.

“Neste ano houve 12 incidentes relacionados com a proibição de construir igrejas ou o fechamento de lugares de culto por ordem dos chefes do distrito – explicou –. Os motivos alegados são sempre ‘pressão pública’”.

“Parece que as pessoas e o governo – afirma Naipospos – não se dão conta de que o direito a professar a própria religião, consagrado na Constituição, caminha ao lado do direito a ter um lugar de culto.”

Na opinião de Naipospos, “a culpa é de Jacarta, pois governa a questão da harmonia religiosa de maneira unilateral”.

No entanto, o governo defende-se. O presidente do Fórum para a tolerância religiosa e pesquisador chefe do Ministério de Assuntos Religiosos, Ahmad Syafi’i Mufid, afirmou que o Ministério é “o único que tenta prevenir o estouro de conflitos”.

Ele também defendeu as administrações locais, explicando que elas “estão confusas” e “recebem tantas informações que não conseguem saber quem tem razão e quem está equivocado”.

Nos primeiro meses de 2010, radicais islâmicos interromperam celebrações religiosas, impediram cristãos de ir à missa, destruíram locais de culto e barraram os trabalhos de construção de novas igrejas.

Neste mês, na noite do dia 9, enfrentamentos entre cristãos e muçulmanos em Jacarta deixaram três mortos, cinco feridos e sete casas incendiadas.

Entre 1999 e 2001, em Molucche, houve uma sanguinária guerra entre cristãos e muçulmanos, em eventos que deixaram milhares de vítimas, quase meio milhão de prófugos e centenas de igrejas e mesquitas destruídas.

Em fevereiro de 2002, chegou-se a uma trégua, firmada em Sulawesi do Sul, através de um plano de paz proposto pelo governo.

Os recentes atos violentos revelam as tensões entre cristãos e muçulmanos, após esse frágil tratado de paz de 2002.

(ZENIT.org)

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Sudão: da transição à reconciliação

Mensagem dos bispos ao país
A Conferência Episcopal do Sudão publicou uma mensagem de esperança e exortação à concórdia nacional, ao término de sua reunião plenária, em Juba.O Sudão, manchado de sangue por um conflito que durou vinte anos, vive actualmente uma situação política e social de estabilidade precária, após as eleições do mês de abril, que confirmaram no poder o presidente Omar el Bashir e o presidente do Governo autônomo do Sudão do Sul, Salva Kiir, informou nesse domingo o jornal vaticano L’Osservatore Romano.

Em janeiro de 2005, em Nairobi, Quênia, foi firmado um acordo de paz (Comprehensive Peace Agreement) entre o Governo central e o Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA), que reconheceu o Governo autónomo do Sudão do Sul, com a previsão de um referendo para a proclamação de Independência.

Além disso, entre o Governo central e o SPLA, foi acordada a subdivisão dos lucros produzidos pelos ricas jazidas de petróleo no centro-sul do país. O Sudão conta com cerca de quarenta milhões de habitantes, dos quais 80% são muçulmanos e 17%, cristãos.

Agora os olhos do país e dos observadores internacionais apontam outro ponto fundamental até a democratização: o referendo, previsto para janeiro de 2011, que poderia, em caso de resultado positivo, permitir à região autónoma do Sudão do Sul ter sua independência.

Sobre o referendo, os bispos convidam todo o país a um forte compromisso, para que o processo de consulta possa ser realizado “de forma transparente e frutífera”. Os prelados afirmam que a Igreja está constantemente presente “no trabalho de construção da paz e reconciliação, em colaboração com as outras partes e na linha de uma doutrina social da Igreja”.

“Após séculos de opressão e de exploração, após decênios de guerra e violência que marcaram e feriram as vidas de muitas pessoas no sul e no norte do Sudão, sem nenhum respeito pela vida e pela dignidade; agora, a cinco anos da firma do Comprehensive Peace Agreement, alcançamos um ponto a partir do qual a mudança está próxima”, afirmam os bispos.

Qualquer que seja o resultado do referendo, especificam os prelados, as pessoas no poder estão convidadas a mudar suas mentalidades e a se esforçar pela pacífica convivência entre as diversas etinias.

Em especial, afirma-se a necessidade de que as autoridades do norte do Sudão “respeitem a liberdade e os direitos humanos, inclusive a liberdade de religião de todos os cidadãos” e que as autoridades do sul “tutelem os direitos das pessoas de outras regiões”.

Bento XVI, no discurso aos bispos do Sudão, em visita ad limina apostolorum, a 13 de março de 2010, destacou que, “se a paz implica estabelecer raízes profundas, temos de realizar esforços comuns para diminuir os fatores que contribuem com os conflitos, em especial a corrupção, as tensões éticas, a indiferença e o egoísmo.

(Nieves San Martín – ZENIT)

20 países contra Tribunal Europeu e a favor do crucifixo

A sentença contra o crucifixo nas escolas italianas suscitou a oposição mais ampla do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH): 20 países se opuseram e saíram oficialmente em defesa da Itália.

A edição italiana do L’Osservatore Romano de 22 de julho explica os motivos em um artigo escrito por Grégor Puppinck, diretor do Centro Europeu para o Direito e a Justiça (European Centre for Law and Justice, ECLJ), organização não-governamental com sede em Estrasburgo, comprometida com a liberdade de culto e de pensamento, em especial perante o TEDH e as Nações Unidas.

Puppinck, especialista em liberdade religiosa nas principais instituições internacionais, no artigo mostra que a oposição à sentença não se deve somente a motivos de caráter político e jurídico, mas também espiritual.

“O debate sobre a legitimidade da presença do símbolo de Cristo na sociedade italiana é o emblema de uma vontade de secularizar a Europa”, adverte neste entrevista na qual repassa os argumentos apresentados no jornal da Santa Sé.

ZENIT: Comecemos pela questão central: o que implica a sentença contra o crucifixo?

Grégor Puppinck: O assunto foi apresentado ao Tribunal de Estrasburgo por Soile Lautsi, cidadã italiana de origem finlandesa, que havia pedido em 2002 à escola pública em que estudavam seus dois filhos, Vittorino da Feltre, em Abano Terme (Pádua), que retirasse os crucifixos das salas de aula. A direção da escola se negou a isto por considerar que o crucifixo faz parte do patrimônio cultural italiano, e posteriormente os tribunais italianos deram razão a este argumento. Perante a Corte de Estrasburgo, a senhora Lautsi argumentou que a exposição do crucifixo nas salas de aulas dos seus filhos constituiria uma violação de sua liberdade de convicção e, portanto, do direito de receber uma educação pública segundo suas convicções religiosas.

Ao dar razão à demandante, o Tribunal considerou que a presença de um símbolo religioso nas salas de aula é algo mal em si, que não pode ser justificado. Até este momento a Corte sempre havia considerado, pelo contrário, que os Estados são livres neste campo, que é necessário respeitar sua cultura e sua tradição, e que o único limite que não pode ser superado é o de submeter os alunos à doutrinação ou a um proselitismo abusivo.

Com o objetivo de dar um fundamento legal à sua decisão, a Corte criou uma obrigação nova, segundo a qual, o Estado estaria “obrigado à neutralidade confessional no âmbito da educação pública, na qual a participação nos cursos é requerida sem levar em consideração a religião e que deve buscar formar nos alunos um pensamento crítico”. Em outras palavras, a Corte afirma na sentença Lautsi que uma sociedade, para ser democrática, deve renunciar à sua identidade religiosa.

A Itália apresentou um recurso contra esta sentença perante a Grande Sala do Tribunal de Estrasburgo, que foi ouvido no dia 20 de junho. A sentença da Corte é aguardada para o outono boreal.

ZENIT: Por que esta sentença gerou a oposição de 20 países e o apoio à Itália?

Grégor Puppinck: O caso Lautsi tem uma importância considerável. É emblemático, pois põe em questão a presença visível de Cristo nas escolas de Roma, da Itália, e de toda a Europa. Este caso se converteu em um símbolo do atual conflito sobre o porvir da identidade cultural e religiosa da Europa. Este conflito enfrenta os promotores da secularização total da sociedade e os que defendem uma Europa aberta e fiel à sua identidade profunda. Os promotores da secularização veem no secularismo a solução que permite gestionar o pluralismo religioso e veem o pluralismo como um argumento que permite impor o secularismo.

Em tudo isso não há neutralidade alguma. A “secularização” não é um fenômeno estritamente espontâneo. Inclusive no essencial, procede de opções políticas, como a política anticlerical da França do século XX, ou a que é atualmente promovida pelo governo espanhol. A mesma coisa acontece com esta primeira sentença Lautsi, que não só se fundamenta em argumentos jurídicos, mas antes de tudo em um preconceito político.

A Europa é diversa e somente uma minoria de Estados, como a França, renunciou oficialmente à sua identidade Cristã. Outros permaneceram fiéis ou voltaram a abraçá-la, como acontece em certos países que foram comunistas. O pluralismo religioso, o cosmopolitismo, que serve de paradigma à argumentação do Tribunal, é uma realidade de ficção alheia ao território europeu.

Fica cada vez mais claro que as instituições públicas da Europa Ocidental, e a sentença Lautsi não é mais que um exemplo, optaram por limitar a liberdade religiosa e impor a secularização da sociedade com o objetivo de promover certo modelo cultural no qual a ausência de valores (neutralidade) e o relativismo (pluralismo) são os únicos valores que justificam um projeto político que quer ser “pós-religioso” e “pós-identitário”, em uma palavra, “pós-moderno”. Este projeto político tem uma tendência ao monopólio enquanto sistema filosófico.

ZENIT: Mas esta sentença provocou uma reação política sem precedentes, que ninguém esperava…

Grégor Puppinck: Pois é. Três semanas depois da audiência perante a Grande Sala do Tribunal de Estrasburgo, cada dia fica mais claro que se chegou a uma vitória realmente considerável contra a dinâmica da secularização. Apesar de que juridicamente a Itália ainda não ganhou, politicamente já alcançou uma vitória magistral. De fato, hoje, pelo menos vinte países europeus ofereceram seu apoio oficial à Itália, em defesa pública da legitimidade da presença dos símbolos cristãos na sociedade e, em particular, nas escolas.

Em um primeiro momento, dez países participaram do caso Lautsi como amicus curiae,isto é, “terceira parte”. Cada um destes países – Armênia, Bulgária, Chipre, Grécia, Lituânia, Malta, Mônaco, Romênia, Federação Russa e San Marino – entregou à Corte um documento escrito no qual a convidava a anular a primeira decisão. Estes documentos não tem somente o interesse jurídico, mas são, antes de tudo testemunhos extraordinários de defesa de seu patrimônio e da sua identidade diante da imposição de um modelo cultural único. A Lituânia, por exemplo, não hesitou em comparar a sentença Lautsi com a perseguição religiosa que sofreu e que se manifestava precisamente na proibição de símbolos religiosos.

A estes dez países, uniram-se outros dez. Os governos da Albânia, Áustria, Croácia, Hungria, Macedônia (ARYM), Moldávia, Polônia, Sérvia, Eslováquia e Ucrânia colocaram publicamente à prova a sentença da Corte e pediram que as identidades e tradições religiosas nacionais fossem respeitadas. Vários governos insistiram no fato de que a identidade religiosa constitue a fonte dos valores e da unidade européia.

Desta forma, com a Itália, já quase a metade dos Estados membros do Conselho da Europa (21 de 47) se opôs publicamente a esta tentativa de secularização forçada das escolas e afirmou a legitimidade social do cristianismo na sociedade européia. Por trás dos argumentos reais de defesa da identidade, da cultura e da tradição cristã nacional, estes 20 Estados afirmaram e defenderam publicamente seu apego ao próprio Cristo; recordaram que está em conformidade com o bem comum o fato de que Cristo esteja presente e seja honrado na sociedade.

Esta coalisão que agrupa quase toda a Europa central e do leste mostra que ainda hoje se dá uma divisão cultural interna na Europa; mostra também que esta divisão pode ser superada, como testemunha a importância do apoio oferecido à Itália por países de tradição ortodoxa, independentemente da orientação política do momento.

A importância do apoio oferecido por países de tradição ortodoxa se deve em grande parte à determinação do patriarcado de Moscou a defender-se frente o avanço do secularismo. Aplicando a petição do patriarca Kiril de Moscou à “unidade das igrejas cristãs contra o avanço do secularismo”, o metropolita Hilarion, presidente do Departamento para as Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou, propôs a constituição de uma “aliança estratégica entre católicos e ortodoxos” para defender juntos a tradição cristã “contra o secularismo, o liberalismo e o relativismo que prevalecem na Europa moderna”. Este apoio deve ser entendido provavelmente como uma aplicação desta estratégia.

O Conselho da Europa, do qual depende o Tribunal de Estrasburgo, afirma em sua Carta Fundadora o “apego inquebrantável” dos povos da Europa aos “valores espirituais e morais que conformam seu patrimônio comum”. Estes valores espirituais e morais não são de caráter privado, constituem a identidade religiosa da Europa e são reconhecidos como fundadores do projeto político europeu. Como recordava recentemente o Santo Padre, o cristianismo se encontra na origem destes valores espirituais e morais. A aliança destes 21 países indica que é possível construir o porvir da sociedade européia sobre este fundamento, com a condição de fazer uma reflexão lúcida sobre o modelo cultural ocidental contemporâneo e na fidelidade a Cristo. A Europa não pode enfrentar o futuro renunciando a Cristo.

Por Jesús Colina (Zenit)

Paquistão: Dois cristãos acusados de blasfémia mortos à saída do tribunal

Dois irmãos cristãos acusados de escrever um panfleto blasfemo contra o Islão e o profeta Maomé foram assassinados esta Segunda-feira no Leste do Paquistão, refere a agência AsiaNews.

Rashid Emmanuel e o seu irmão Sajid Masih Emmanuel foram mortos a tiro quando regressavam à prisão, depois de terem comparecido numa audiência judicial realizada na cidade de Faisalabad.

O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gilani, expressou a sua preocupação com o incidente e ordenou ao chefe da província do Punjab para tomar as medidas necessárias ao restabelecimento da ordem na cidade.

Os responsáveis locais das forças de segurança comprometeram-se a capturar os presumíveis culpados, que também feriram gravemente o agente da polícia que escoltava os dois irmãos.

Para o Ministro das Minorias do Paquistão, Shahbaz Bhatti, as acusações contra os dois cristãos, entre eles um pastor protestante, foram forjadas, convicção que é partilhada por fontes locais, segundo as quais a polícia estava prestes a ilibar os irmãos.

O porta-voz da Fundação Democrática das Minorias do Paquistão, Atif Jamil Pagaan, realçou que “não foi apresentada nenhuma prova” e não apareceu “nenhuma testemunha”, acrescentando que os panfletos foram escritos à mão, fotocopiados e distribuídos anonimamente.

No início do mês, perto de 400 manifestantes queimaram pneus e manifestaram-se em Waris Pura, uma área pobre de Faisalabad habitada por cerca de cem mil cristãos, pedindo a pena de morte para os dois acusados.

A 15 de Julho, foram convocadas marchas que percorreram a cidade, durante as quais se repetiram os apelos à execução dos irmãos.

No dia seguinte, após o fim das orações de Sexta-feira, líderes religiosos instigaram os fiéis a manifestarem-se contra os cristãos, apelo que teve como resultado o apedrejamento de uma igreja católica.

Também na semana passada muitas famílias cristãs fugiram do bairro com medo da violência.

O duplo homicídio coincidiu com a visita ao Paquistão da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que decorreu a 18 e 19 de Julho.

Legislação sobre a blasfémia causa “cada vez mais vítimas”

A lei paquistanesa sobre a blasfémia prevê a pena de morte, que no entanto não foi aplicada aos irmãos.

Os defensores dos Direitos Humanos exigem a eliminação da legislação, que, segundo eles, é explorada para fins pessoais e encoraja o extremismo islâmico.

De acordo com um relatório sobre as condições das minorias religiosas, recentemente publicado pela Comissão Justiça e Paz do Paquistão, os abusos à interpretação da lei sobre a blasfémia continuam em todo o país.

Em 2009 foram registados 112 casos, que atingiram 57 membros da seita ‘ahmadi’, grupo que as autoridades paquistanesas não reconhecem como muçulmano, assim como 47 muçulmanos e oito cristãos.

Entre 1987 (quando a lei entrou em vigor) e 2009, 1032 pessoas foram injustamente atingidas, assinala a Comissão Justiça e Paz.

O secretário executivo daquele organismo da Igreja Católica renovou o apelo à eliminação da lei e criticou o Governo por não evitar os abusos deste quadro legal, tendo salientado a “profunda preocupação” da comunidade cristã do país.

Com agências

Marginalising Christians

Liberdade Religiosa

Instances of Christians being sidelined in modern Britain

When ‘diversity rules’ are used to justify suspending a nurse who offered to pray for a patient’s recovery, as happened to Caroline Petrie on 17 December 2008, something has gone very wrong in modern Britain. This report examines the growing marginalisation of Christians and catalogues cases of discrimination.

The growing sense of intolerance felt by Christians is made all the worse when they face hostility in the name of ‘equality and diversity’. Christians wonder why they are not being treated equally and why diversity does not include them. They feel that a hierarchy of rights has sprung up which leaves them bottom of the pile. This has led to a growing feeling that ‘equality and diversity’ is code for marginalising Christian beliefs.

www.intoleranceagainstchristians.eu

veja aqui o documento PDF

Discriminação: O que esconde a Europa?

A burka não é uma questão religiosa, mas uma vestimenta utilizada por cultura ou tradição.

Naquele que é o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social, o “Notícias da Amnistia Internacional Portugal” foi ouvir diversos protagonistas, para tentar perceber o que o “velho Continente” continua a encobrir: a discriminação. Fomos auscultar a situação no que diz respeito aos seis fundamentos existentes para um tratamento diferenciado

Discriminação com base na Religião ou Crença

O único fundamento para a discriminação, dos mencionados no artigo 19.º da Versão Consolidada do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, a que ainda não nos dedicámos neste Dossier é o que se baseia na Religião ou Crença. E este continua a fomentar tratamentos diferenciados, apesar da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, referir no seu artigo 18.º que “toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção (…) pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos”.

Na opinião da maioria dos europeus, tal Direito não tem sido muito violado, indica o Eurobarómetro de 2009, que refere que, em média, 53% dos cidadãos da UE defendem que a discriminação com base na religião ou crença é rara. Os portugueses estão até abaixo desta média, com apenas 27% a garantirem a disseminação desta forma de discriminação.

No seio da União Europeia, os que mais fortemente defendem a maior presença desta discriminação são 59% dos holandeses, 58% dos franceses, 55% dos dinamarqueses e 54% dos belgas.

O Eurobarómetro explica o fenómeno: “são países onde as questões de imigração marcam o debate público”. Uma conclusão que reflecte uma das maiores dificuldades quando se fala em discriminação com base na religião ou crença: a confusão com a imigração. O já mencionado estudo “EU-MIDIS: European Union Minorities and Discrimination Survey”, da Agência dos Direitos Fundamentais da UE, refere esta dificuldade ao analisar a comunidade muçulmana: “quando era pedido aos inquiridos para que identificassem o fundamento da discriminação de que tinham sido alvo, apenas 10% disseram ter sido claramente por razões religiosas ou de crença. Quase metade seleccionou ainda a opção «étnica ou imigração»”.

Uma outra confusão muito ligada à discriminação com base na religião ou crença é a que foi identificada pela Amnistia Internacional no relatório “Dealing with Difference: A Framework to Combat Discrimination in Europe”, de 2009, ao investigar os dois grupos mais fortemente discriminados a este nível: os judeus e os muçulmanos. Em ambos os casos, os investigadores perceberam que a discriminação pode ter também na sua origem “as presumidas convicções políticas e a responsabilidade em eventos mundiais”. Isto porque o anti-semitismo parece ter aumentado na Europa com a ofensiva israelita na Faixa de Gaza, que começou em 2008, e o tratamento diferenciado de muçulmanos, chamado islamofobia, associa-se muito ao 11 de Setembro de 2001. Associações que judeus e muçulmanos dizem não se aplicar à realidade portuguesa.

Esther Mucznik, vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa, defendeu numa conferência da Amnistia Internacional que decorreu no ano passado que “o racismo é um fenómeno antigo” e que ”ultrapassa de longe o conflito israelo-palestiniano”. Acrescenta ainda que a discriminação é visível nos emails “verdadeiramente assassinos” que diz receber na sua caixa de correio electrónico, mas acrescenta que até hoje não têm passado disso. Uma realidade que contrasta com a de alguns países da Europa, como França, onde só em Janeiro de 2009 se registaram 352 ataques anti-semitas a pessoas e sinagogas.

No caso dos muçulmanos, Sheikh Munir, Imã da Mesquita de Lisboa, reconhece que “no pós-11 de Setembro se criou uma certa tensão”, mas ressalva que “foi acalmando e a sociedade portuguesa conhece bem a comunidade islâmica”. No entanto, o líder religioso é forçado a admitir que teve já conhecimento de casos de discriminação religiosa, particularmente no que diz respeito ao emprego e à relação entre vizinhos, diz. Um deles é o de uma muçulmana que foi “claramente discriminada no emprego depois de começar a usar o lenço na cabeça (chamado hijab)”. Os insultos verbais diários de que foi alvo chegaram ao ponto de ser apelidada de talibã. Uma situação incomportável que a levou a despedir-se. O relatório da Amnistia Internacional diz mesmo que “a discriminação de muçulmanos no emprego, particularmente no caso das mulheres que usam vestuário religioso, está disseminado por toda a Europa”. Isto apesar de Sheikh Munir frisar que a maioria dos europeus estão até mais habituados a estas vestimentas que os portugueses, porque “enquanto um europeu é capaz de ver diariamente 100 mulheres de burka e lenço, nós vemos uma ou duas”.

Uma rotina que não impediu as mais recentes polémicas relativas à proibição do uso de véus que cubram a face em países como a Bélgica, França ou Itália. O Imã da Mesquita de Lisboa esclarece: “uma coisa é o lenço, o hijab, pois a burka não é religiosa, é cultural” e começou a ser usada em países onde “poderia haver razões para isso, como forma de protecção da mulher”. Na Europa não é essencial, reconhece, enquanto acrescenta que “o vestuário que Deus deu às mulheres judias e às cristãs é o mesmo que deu às muçulmanas”, ou seja, o véu que deixa a cara destapada. Apesar de defender tudo isto, o Imã teme que as proibições impostas levem ao isolamento das mulheres que querem usar burka. Até porque, recorda, contrariamente ao que aconteceu em Portugal, “em alguns países do resto da Europa, como Inglaterra ou França, foram criados guetos para os muçulmanos e isso fez com que se isolassem e hoje vivam marginalizados”.

Políticas erradas que podem muito bem ser mais “perigosas” que o uso da burka e fazer regredir a multiculturalidade que o líder religioso diz reconhecer nos jovens de hoje: “eles convivem, não ligam nenhuma à diferença”.

Turquemenistão: Governo reconhece oficialmente Igreja Católica

O governo do Turquemenistão reconheceu oficialmente a Igreja Católica. “É uma grande alegria e uma grande esperança”, afirma o padre Andrzej Madej, superior da Missio Sui iuris do Turquemenistão.

A comunidade católica turquemena conta com apenas 100 fiéis, num universo de 5 milhões de habitantes – 90% muçulmanos –, e considera que o reconhecimento é “um passo decisivo para a história da Igreja no país”.

O padre Madej recebeu em março um comunicado do Ministério da Justiça do país e do “Conselho para as Religiões”. A Igreja passou a estar autorizada a ter “presença pública” oficial, com todos os benefícios que isso comporta.

No Turquemenistão, além dos 100 batizados, há 30 catecúmenos e um grupo de “simpatizantes da fé cristã”, assistidos por dois sacerdotes e um diácono, misionários Oblatos de Maria Imaculada, como o padre Madej.

O país não tem igrejas católicas. Os antigos templos foram destruídos pelos revolucionários soviéticos a partir de 1920.

A Igreja Católica havia apresentado há 13 anos uma petição de registro oficial, mas o Ministério da Justiça rejeitava.

“Hoje pensamos também em pedir ao governo a construção da primeira igreja católica em nossa missão – destacou Pe. Madej. Até agora, construímos a igreja de ‘pedras vivas’, mas queremos também edificar um templo.” 

Os católicos turquemenos são em sua maioria de etnia polonesa e alemã. Eles celebraram a Missa no território diplomático da Nunciatura, na capital Asgabate, e se reúnem em residências privadas.

(Zenit)

A liberdade religiosa é a real e única via para a paz

“A liberdade religiosa é a real e única via para a paz. É um tema importantíssimo para a Índia e para todo o mundo. É uma reflexão decisiva no mundo de hoje e na defesa dos direitos fundamentais do homem”: com estas palavras, o Card. Oswald Gracias, Arcebispo de Bombaim e presidente da Conferência Episcopal da Índia comenta à Agência Fides o tema escolhido pelo Santo Padre Bento XVI para a celebração do Dia Mundial da Paz de 1º de janeiro de 2011, “Liberdade religiosa, caminho para a paz”.
Num encontro com a Fides, o Cardeal ilustra o tema no contexto indiano, tocando dois problemas espinhosos que agitam a sociedade: o fundamentalismo religioso de marca hindu, e a questão das “leis anti-conversões”, em vigor em vários estados da federação.
“Na Índia, em um contexto multi-religioso e multicultural – diz o Card. Gracias – há grupos que interpretam mal a religião, a instrumentalizam para outros fins e a transformam em motivo de conflito ou perturbação da harmonia da sociedade. Como Igreja católica, nós tentamos estabelecer boas relações com todos e construir o diálogo, no respeito da liberdade: este é um caminho eficaz para a paz, bem supremo. Desta forma, como cristãos, damos a nossa contribuição para a construção da família humana”.
O tema escolhido pelo Santo Padre evoca também a suprema liberdade de consciência de cada homem, e nela a liberdade de conversão, que ninguém pode tocar: “Respeitar a liberdade religiosa – explica à Fides o Cardeal – significa que nenhum governo e nenhuma autoridade civil têm o direito de interferir com a essência e a liberdade mais profunda do coração e alma de um ser humano, estabelecendo a que religião deve pertencer ou como cultivar Deus. Eu o digo muitas vezes, em público, e continuarei a repeti-lo. Este é um dos direitos humanos fundamentais, que como Igreja, defenderemos sempre. Ir contra este direito é ir contra a paz e a fraternidade”.

(Agência Fides)

A liberdade das liberdades

A liberdade religiosa será tema do Dia Mundial da Paz 2011. É considerada “a liberdade das liberdades” e está em risco em vários pontos do mundo.

A liberdade religiosa está enraizada na dignidade do homem e orientada para a busca da verdade; ajuda a discernir o fenómeno religioso e a excluir toda a espécie de fundamentalismo, manipulação e instrumentalização. Por isso, a liberdade religiosa é o caminho para a paz mas, em muitos lugares, há várias formas de limitação e até mesmo de negação desta liberdade. Bento XVI considera inconcebível que os crentes tenham de abdicar de uma parte de si mesmos – ou seja, da sua fé – para poderem afirmar-se como cidadãos activos. Neste contexto, os direitos relacionados com a religião, são os que mais precisam de protecção – sobretudo quando entram em conflito com a ideologia secularista (como é, por exemplo, o que se passa nalguns países da Europa) ou em conflito com regimes de maioria religiosa de natureza exclusiva (como acontece por exemplo nos regimes fundamentalistas islâmicos). O comunicado da Santa Sé recorda as palavras que o Papa proferiu a este propósito na ONU, mas mais próximo do final do ano, o próprio Bento XVI deverá escrever uma nova reflexão sobre este assunto.

Aura Miguel (RR)

Papa pede defesa da liberdade religiosa

Vaticano divulga tema escolhido para o Dia Mundial da Paz 2011 e alerta para «formas mais sofisticadas de discriminação e marginalização»

O Vaticano divulgou esta terça-feira o tema escolhido por Bento XVI para a celebração do Dia Mundial da Paz 2011, que desta feita estará centrado na temática da liberdade religiosa.

A mensagem que o Papa vai escrever para esta ocasião tem como título “Liberdade religiosa, caminho para a paz”.

Em comunicado, a sala de imprensa da Santa Sé sublinha que “há muitas áreas do mundo em que persistem formas de limitação à liberdade religiosa, seja onde as comunidades de crentes são uma minoria, seja onde as comunidades crentes não o são”.

Nesse sentido, alerta-se para “formas mais sofisticadas de discriminação e marginalização, no plano cultural e da participação na vida pública e política”.

Em relação à questão que será abordada em 2011, a Santa Sé refere ainda que “no mundo se registam diversas formas de limitação ou negação da liberdade religiosa, de discriminação e marginalização baseadas na religião”.

 Estes fenómenos levam à “perseguição e à violência contra as minorias religiosas”.

O Dia Mundial da Paz é celebrado, desde 1968, a 1 de Janeiro.

O comunicado da Santa Sé cita o discurso de Bento XVI na assembleia-geral das Nações Unidas, em Abril de 2008, no qual o Papa afirma que “os direitos humanos devem incluir o direito de liberdade religiosa, compreendido como expressão de uma dimensão que é ao mesmo tempo individual e comunitária, uma visão que manifesta a unidade da pessoa, mesmo distinguindo claramente entre a dimensão de cidadão e a de crente”.

Ainda a partir do mesmo discurso, a Santa Sé indica ser “inconcebível que os crentes tenham de suprimir uma parte de si mesmos – a sua fé – para serem cidadãos activos. Nunca deveria ser necessário renegar Deus para poder gozar dos próprios direitos”.

“O ser humano não pode ser fragmentado, dividido por aquilo em que acredita, porque aquilo em que acredita tem impacto sobre a sua vida e a sua pessoa”, pode ler-se no comunicado.

A Santa Sé sublinha que a “religiosidade” não se pode confundir com o “fundamentalismo, a manipulação e a instrumentalização da verdade e da verdade do ser humano”.

O comunicado lembra a declaração Dignitatis Humanae, do II Concílio do Vaticano, na qual se defende “o direito de buscar a verdade em matéria religiosa”.

“Esta é uma vocação que deve ser reconhecida como direito fundamental do ser humano”, indica o Vaticano, “condição indispensável para a realização do bem comum e a afirmação da paz no mundo”.

Desde 2006, os temas escolhidos pelo actual Papa para a celebração de 1 de Janeiro foram a verdade, a dignidade da pessoa, a unidade da família humana, o combate contra a pobreza e o meio ambiente.

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